October 16, 2020
Remembering Hvorostovsky. Today is his birthday ❤️
Faust - ‘Avant de quitter ces lieux’ (Dmitri Hvorostovsky, The Royal Opera)
O maior escândalo deste século
Um indivíduo preso e torturado, num país que enche a boca de 'liberdade e direitos' por denunciar crimes. O sentimento de injustiça já é terrível porque adjudica uma falsa identidade à pessoa, mas ter que suportá-lo em condições desumanas... nem se consegue perceber bem a coragem e a fortaleza de espírito deste homem para aguentar o que tem aguentado. Uma pessoa levanta-se, toma o pequeno-almoço, lê umas notícias, vai trabalhar ou outra coisa qualquer e de repente é hora de almoço. Essas mesmas horas passou-as ele sozinho, em silêncio, cheio de angústias, medo constante de um futuro ainda pior do que aquele em que está, abandonado por todos os países, até o seu, pela razão de ter contribuído para um mundo mais livre, mais responsável, mais democrático. A situação em que ele está faz-me lembrar os relatos de Aleksandr Soljenítsin dos prisioneiros soviéticos, na parte em que acabaram de ser presos e encerrados numa cela da infame Lubianka, desorientados, com medo, ainda sem saberem do que os acusam, sozinhos, sem ninguém lhes dizer nada e sem saber se vão ficar naquele buraco para o resto da vida, abandonados e esquecidos, como nas oubliettes.
Pessoas tão diferentes, tão diferentes, que de tão reais, não parecem reais
I think a lot about what Mr. Rogers said and did when he accepted his Lifetime Achievement Award at the 1997 Emmys: pic.twitter.com/d4H25Ud7C2
— Ellie Hall (@ellievhall) October 16, 2020
O primeiro-ministro não consegue stay-away do controle dos media
De cada vez que faz uma grande argolada, liga a correr para o sicofanta de serviço, armado em grande soba, a mandar que se publique uma entrevista para enganar pardais. Só que cada vez engana menos.
Leituras pela manhã
To what extent do you find yourself appealing to principles, even if only implicitly, when you write criticism?
After all, the very people who are avoiding such vicarious re-imagining on paper are often doing precisely that as teachers, in the classroom: in order to teach a novel, you must get your audience to learn to love it first. So you try to bring it alive in the classroom. Increasingly, I feel an instinctive connection between the pedagogical experience of teaching and the pedagogical experience of reviewing: it’s about bringing an audience along with you. It’s a shame that so many academics only address each other.
(...)
” Ideally, in criticism, you’re making use of everything that has formed you – life, memory, childhood, anecdotes, bits of experiential wisdom, music, your reading, philosophy, theology, theory, what have you – in order to bring all that to bear on a text that, if rich enough, is simultaneously teaching you something you are learning for the first time at the precise moment of your own “grand explication.” How strange and humbling that is! (Kenneth Burke)
You’re known for being an enthusiastic quoter. What role do you think quotation plays or should play in good criticism?
There’s something more, perhaps, something almost ethical: I like the selflessness of quotation, the modesty, the absurdly beautiful, almost-tautological ideal that the work of criticism (as Walter Benjamin apparently dreamed) might be made up only of quotation and would thus just be the entire original text, written out word for word, or rather re-written word for word. We have that quasi-tautological experience sometimes, don’t we, when we are copying out a long quotation, and following the syntax of someone else’s prose like a car following a road. I suppose memorization is the same gesture: the move away from self toward someone else, the “humanism of the other.”
writer and literary critic James Wood, interviewed by Becca Rothfeld - How Criticism Works
October 15, 2020
Querido Dürer
Quando olhamos esta pintura somos imediatamente atraídos pelo rosto, com o olhar um bocadinho estrábico e para as mãos. Dürer pinta-se aqui com um ar sensual, muito leve, excepto na tensão das mãos. Um olhar interrogador fixado directamente em nós. A pintura tem tantos detalhes cheios de delicadeza que só se vêm em persona, quando estamos sozinhos com ele, muito tempo, sem interrupções, para podermos olhar à vontade e pensar.
O argumento do nosso primeiro-ministro
O Presidente do Azerbaijão não queria atacar civis, mas teve que ser... tinha que atacar, eles estavam lá... não é que ele queira atacá-los, mas olha, teve que ser... o primeiro-ministro que ponha os olhos no tipo de argumentos que anda a usar.
Azerbaijani President Ilham Aliyev: ‘We never deliberately attacked civilians’
O twitter sugere-me coisas estranhíssimas
Porque não têm nada a ver com pesquisas que faço. Nada, nadinha. Deve haver aí outra com o meu nome a pesquisar estas coisas. Ou se calhar foi porque outro dia escrevi aqui sobre a moda masculina em Milão ter colecções para homem com vestidos de mulher. A internet está a ficar agressiva. Enfim, não sei, mas hoje foi o Bored Panda com a página deste homem, que não me interessa nem um bocadinho. Mas fiquei com curiosidade e fui ver as fotografias. O homem tem uma colecçãozinha de sapatos de bom gosto.
OMG onde é que ele arranjou estes sapatos roxos? Lindos. E os encarnados?
Lembrando Nietzsche
“Não ouvimos o barulho dos coveiros a enterrar Deus? Não sentimos o cheiro da putrefação divina? — também os deuses apodrecem! Deus está morto! Deus continua morto! E nós o matamos!” — Nietzsche, Gaia Ciência, §125
À atenção do senhor Costa
O senhor primeiro-ministro dá-se conta do ridículo? Porque não sobe o salário aos polícias em vez de os pôr neste disparate? E já agora: quem é o primo que pediu para que a sua firma de apps enriquecesse? É que não há outra explicação para tamanho descalabro.
Quanto à outra frase mais abaixo, dá-se conta que isso é o que os maridos dizem às mulheres quando lhes batem? Eu não gosto de ser violento, mas teve que ser. Obrigaste-me a fazer isto.
Tenha vergonha sff!
Espero que os juízes do TC e o Presidente não sejam só figuras de enfeitar e ponham travão a esta parvoíce.
E eu que pensava que éramos governados com critérios racionais
Afinal, vamos tendo leis e governação dependendo dos pressentimentos do primeiro-ministro.
António Costa e as novas medidas do estado de calamidade: "Senti que era preciso haver um abanão na sociedade"
Livros gratuitos - Platão, Fédon VII (continuação)
Eu, pelo menos, respondeu Cebete, ouvirei de muito bom grado o que disseres a esse respeito.
Estou certo de que desta vez, continuou Sócrates, quem nos ouvir, a menos que seja algum comediógrafo, [referência a Aristófanes que lhe chamava, "aquele mendigo palrador" - Sócrates era pobre] não poderá dizer que só digo baboseiras e nunca me ocupo com coisa de interesse. Se estiveres de acordo, investigaremos esse ponto.
[1ª prova da imortalidade da alma, chamada a 'prova dos contrários']
XV- Estudemo-lo, pois, sob o seguinte aspecto: se as almas dos mortos se encontram ou não se encontram no Hades? Conforme antiga tradição, [a dos pitagóricos que acreditam na metempsicose] que ora me ocorre, as almas lá existentes foram daqui mesmo e para cá deverão voltar, renascendo os mortos. A ser assim, e se os vivos renascem dos mortos, que pensar senão que as nossas almas ali se encontravam? Pois não poderiam renascer se não existissem, [previamente] vindo a ser essa, justamente a prova decisiva, no caso de ser possível deixar manifesto que os vivos de outra parte não procedem, senão dos mortos. Se isso não for verdade, teremos de procurar outro argumento. [ele tem que provar que os vivos provêm dos mortos]
Isso mesmo, disse Cebete.
Para deixar a questão mais fácil de entender, observou, não te limites a considerá-la com relação aos homens, porém estende-a ao conjunto dos animais e das plantas, numa palavra, a tudo o que nasce, a fim de vermos se cada coisa não se origina exclusivamente do seu contrário, onde quer que se verifique essa relação, tal como no caso do belo, que tem como contrário o feio, no do justo e do injusto e em mil outros exemplos que se poderiam enumerar. Investiguemos, então, se é forçoso que tudo o que tenha algum contrário de nada mais possa originar-se a não ser desse mesmo contrário. Por exemplo: para ficar grande alguma coisa, é preciso que antes fosse pequena, sem o que não poderia aumentar. [as coisas estão sujeitas ao devir e à transformação]
Certo.
E para diminuir, não é preciso ser maior, para depois vir a ficar mais pequeno?
- Exatamente, respondeu.
Assim, do mais forte nasce o mais fraco e do moroso, o rápido.
Sem dúvida.
E então? Se alguma coisa piora, é porque antes era melhor, como terá sido antes injusta para poder tornar-se justa?
Como não?
E agora? Não é próprio dessa oposição universal haver dois processos de nascimento: o que vai de um contrário para o outro, e o de sentido inverso: deste último para aquele? [todo o acto de geração se processa de contrários para contrários] Entre a coisa maior e a menor há crescimento e diminuição, razão por que dizemos que uma delas cresce e a outra diminui.
[portanto, há aqui dois processos: um processo de crescimento e um processo de diminuição]
É certo, respondeu.
Vale o mesmo para a combinação e a decomposição, o resfriamento e o aquecimento, e para as demais oposições do mesmo tipo. E embora nem sempre tenhamos para todas elas designação apropriada, é forçoso nesses casos ser idêntico o processo, de forma que cada coisa cresce à custa de outra, sendo recíproca a geração entre elas.
Sem dúvida, observou.
XVI – E então? Prosseguiu: viver não comporta um contrário, tal como se dá com a vigília e o sono?
Perfeitamente, respondeu.
Qual é?
Estar morto, foi a resposta.
Sendo assim, cada um desses estados provém do outro, visto serem contrários, havendo entre ambos um processo recíproco de geração.
Como não?
Vou falar de um dos pares de contrários a que me referi há pouco, disse Sócrates, e de suas respectivas gerações; tu te manifestarás a respeito do outro. Denomino o primeiro, vigília e sono; da vigília nasce o sono, e vice-versa: do sono, a vigília, tendo um dos processos o nome de acordar e o outro o de dormir. Isso te basta, perguntou, ou não?
Perfeitamente.
É tua agora a vez, prosseguiu, de falar a respeito da vida e da morte. Não disseste que estar vivo é o contrário de estar morto?
Disse.
E que um é gerado do outro?
- Também disse.
Que é, então, o que provém do vivo?
- O morto, respondeu.
E do morto, o que se origina?
Será forçoso convir que é o vivo.
Sendo assim, Cebete, do que está morto provêm os homens e tudo o que tem vida?
É evidente, respondeu.
Logo, continuou, nossas almas estão no Hades.
Parece que sim.
E desses dois processos correlativos, um não nos é manifesto? Pois o acto de morrer é bem visível, não é isso mesmo?
Sem dúvida, respondeu.
Que faremos, então? Continuou; não atribuiremos a esse processo de geração o seu contrário, ou admitiremos que nesse ponto a natureza é manca? [quer dizer, se todas as coisas mostram ser um estado a que chegaram por mudança iniciadas no seu contrário, com que lógica se defende que no caso da vida e da morte esse processo não se passa?] Não será preciso aceitarmos um processo gerador oposto ao de morrer?
Sem dúvida nenhuma, respondeu.
Qual?
Reviver.
Logo, continuou, se o reviver é um facto, terá de ser uma geração no sentido dos mortos para os vivos: a revivescência.
Perfeitamente.
Desse modo, ficamos também de acordo que tanto os vivos provêm dos mortos como os mortos dos vivos. Sendo assim, quer parecer-me que apresentamos um argumento bastante forte para afirmar que as almas dos mortos terão necessariamente de estar em alguma parte, de onde voltam a viver. [pois de outro modo, como explicar a existência de vivos? Vinham de onde?]
A meu parecer, Sócrates, replicou, é a conclusão forçosa de tudo o que admitimos até aqui.
XVII – Observa também, Cebete, continuou, que não chegamos a esse acordo aereamente, segundo me parece. Porque se um desses processos não fosse compensado pelo seu contrário, girando, por assim dizer, em círculo, mas sempre se fizesse a geração em linha reta, de um dos contrários para o seu oposto, sem nunca voltar desta para aquele, nem andar em sentido inverso: fica sabendo que tudo acabaria numa forma única e ficaria num só estado, cessando, por isso mesmo, a geração.
[se os vivos não viessem dos mortos, e as coisas chegassem a um fim definitivo, iam morrendo uma a uma, todas as coisas, até desaparecerem e mais nada haver, de modo que é este processo de reviver que compensa as que morrem]
Como assim? Perguntou.
Não é difícil, continuou, compreender o sentido de minhas palavras. No caso, por exemplo, de existir o sono, porém sem haver o correspondente despertar do que estiver dormindo, bem sabes que acabaria por transformar em banalidade a fábula de Eudimião, [era um pastor que se apaixonou por Selene e foi castigado a dormir eternamente] a qual não seria percebida em parte alguma, porque tudo o mais ficaria como ele, num sono universal. E se todas as coisas se misturassem, [morressem, tranformando-se em pó sendo esse o fim do processo] sem virem a separar-se, dentro de pouco tempo seria um facto aquilo de Anaxógaras: a confusão geral. [gravei uma explicação desta frase acerca de Anaxágoras]
A mesma coisa se daria, amigo Cebete, se viesse a perecer quanto participa da vida, e, depois de morto, se conservasse sempre no mesmo estado, sem nunca renascer; não seria inevitável vir tudo a ficar morto e nada mais viver? Se o que é vivo provém de algo diferente da morte e acaba por morrer, como evitar que tudo acabe por desaparecer na morte?
Não há meio, Sócrates, respondeu Cebete, segundo penso; quer parecer-me que te assiste toda a razão.
A mim também, Cebete, continuou, se me afigura muito certo, não havendo possibilidade de engano da nossa parte, pois ficamos de acordo nesse ponto. Sim, o reviver é um facto, os vivos provêm dos mortos, as almas dos mortos existem, sendo melhor a sorte das boas e pior a das más.
[fim da 1ª prova]Covid-19 - Números
Portugal: 91 193 casos de Covid e 2117 óbitos (+/- 10 milhões de habitantes) 92 202 Km2
A Suécia: 100 654 casos de covid e 5 892 mortes (+/- 10 milhões de habitantes) 450 295 km
Mas que estupidez é esta?
Batem à porta de casa ou param-nos no meio da rua e pedem-nos o telemóvel e bisbilhotam o nosso telefone? Desde quando é que isso é legal? E para que é que isto interessa? O que é resolveria? Nada. Todas as pessoas que têm sintomas e não vão a um hospital ou que nem sequer têm sintomas mas estão infectadas, não constam dessa aplicação... ou o autor da aplicação é um primo de alguém e esta é a maneira de o fazer rico? ... ou é mesmo só incompetência com manobras autoritaristas para disfarçar?
Já isto aqui é assustador: Neste artigo a expressão-chave é "livre acesso". Por outras palavras: os "agentes de proteção civil" ficam doravante autorizados a entrar em "propriedade privada" sem mandado judicial.
Deixamos de viver num Estado de Direitos fundamentais.













