May 06, 2020
Página e meia de leitura - Kant
Fui pegar num livrinho de Kant porque precisava de ler a diferença entre os conceitos de belo e de sublime e fui dar àquele capítulo cheio de observações estúpidas, isto é, completamente imbuídas do forro cultural e desprovidas do espírito filosófico que o caracteriza - distanciamento, reflexão e objectividade - que é o capítulo sobre a diferença entre os homens e as mulheres, nestes conceitos.
Parei ao fim de uma página e meia antes de se tornar tão, tão ofensivo que corresse o risco de ter aqui mulheres a chamarem-me machista, sei lá.
Enfim, assim se vê como um homem de grande inteligência pode ser, e é, muitas vezes, estúpido.
Na verdade, ele é machista, porque o que ele diz é que as mulheres podem ser até mais inteligentes e sábias que os homens mas os homens não as querem inteligentes, nem superiores, querem-nas é belas, logo, superficiais, encantadoras, etc., porque o que lhes interessa nas mulheres é o uso e mais nada.
Na verdade, ele é machista, porque o que ele diz é que as mulheres podem ser até mais inteligentes e sábias que os homens mas os homens não as querem inteligentes, nem superiores, querem-nas é belas, logo, superficiais, encantadoras, etc., porque o que lhes interessa nas mulheres é o uso e mais nada.
Ainda é muito assim, passados estes séculos... só que, sendo ele um indivíduo tão inteligente e admirável em tanta coisa, esperávamos dele mais e não o mesmo que os outros todos...
Distanciamento social, versão século... XVI, XVII...?
Margherita Gonzaga, Duchess consort of Lorraine, painting by Frans Pourbus the Younger, pandemic version? 😄
Coronavirus Li Wenliang - a pandemia não se contabiliza só em número de mortos
Em direto. Covid-19: Reino Unido supera Itália em vítimas mortais, mais de um milhão de doentes recuperados no mundo
Claro, perceberam que isto é um poupar de dinheiro maluco
As pessoas em casa não precisam de espaço no escritório, de computador, de outro material, de subsídio de deslocação. Menos compras para o bar/refeitório do escritório, menos dinheiro em limpezas e em muitos outros custos.
Governo quer manter em teletrabalho um quarto dos actuais 68 mil funcionários públicos neste regime
Ministra da Modernização e Administração Pública admite que os aumentos salariais de 2021 irão depender da “sanidade financeira” do país depois da pandemia. Processo da descentralização desliza até Março de 2022.
Regresso à escola - para quê isto tudo?
Um aluno por secretária e intervalos passados na sala de aula. Como será o regresso às aulas
... ou melhor, para quê tanto por tão pouco?
Estas orientações complexas são possíveis, embora me pareça que em certas zonas serão difíceis de cumprir, porque estamos a falar de só regressarem à escola os alunos mais velhos, do 11º e 12º anos e para ter apenas as disciplinas de exame. Sendo relativamente poucos, mais os seus professores.
Para o próximo ano lectivo, com a escola cheia de alunos e professores em número de mais de um milhar e meio, por exemplo, cumprir estas normas é lógica, antropológica e logisticamente impossível, de modo que não percebo este regresso por um mês.
Só será possível reduzindo drasticamente o número de alunos por turma o que obriga a contratar muitos mais professores, funcionários, também, o que não vai acontecer porque é na educação, em primeiro lugar, que o governo pensa poupar dinheiro, sempre.
Acho que toda a gente leu aquele parágrafo que diz que os alunos têm as faltas justificadas se os pais optarem por não os mandar à escola, por causa da pandemia, mas que nesse caso não se lhes garante ensino à distância... claro que um professor não pode dar 6 horas de aulas na escola e depois ir a correr para casa voltar a cumprir esse horário de trabalho para os que não querem sair de casa; no entanto, esta cláusula, na prática, obriga os alunos a irem para a escola ou a desistirem deste ano lectivo. De modo que, pergunto: para quê isto tudo?
Citação deste dia
"In the UK, the whole society is standing by as the most basic tenets of int'l law & human rights are being disregarded in order to extradite Assange for Espionage, which is how we've come to describe publishing true & correct information for the public in modern era." -
@Snowden
Diário da quarentena 52º dia - pássaros da manhã
Canivet's Emerald (Chlorostilbon canivetii)🐦🦜🕊️🎵💓 pic.twitter.com/FN3y3CDZg3— World birds (@worldbirds32) May 6, 2020
O 1º documento escrito em língua portuguesa
O testamento de Afonso II, em 27 de Junho de 2014. Marca o nascimento da nossa língua, com dia e tudo. Fiquei a saber, agora, por um alfarrabista. Se tivessem escolhido o 27 de Junho para comemorar o Dia da Língua Portuguesa, todos evocavam o acontecimento. Tinha ajudado a dar-lhe significado e densidade.
May 05, 2020
💪🏻 🏋️♀️
Montei a cadeira 😎 apertei aqueles parafusos todos e aquela cena hidráulica 💪🏻
Agora tenho que ir enfiar-me na banheira e não é só por ter ficado com uma dorzinha antipática...
Mário Quintana, que tão bem vestia a língua portuguesa, faleceu neste dia
Ah, esses moralistas... Não há nada que empeste mais do que um desinfetante! (Mario Quintana)

Mário Quintana, poeta, escritor e tradutor brasileiro. Quis ver o semblante do poeta. Às vezes parece que se vê na cara ou nos olhos das pessoas um reflexo do universo interior...
A tradução da obra, Em Busca do Tempo Perdido da edição Livros do Brasil, que tenho, é dele. Descobri que assinalei as passagens que mais gostei na primeira vez que li os livros. É interessante isto de pegar num livro que se leu há muito tempo e descobrir, pelas passagens assinaladas, o que é que, então, nos impressionava ou em que fase da evolução vivencial estávamos.
Descobri mais tarde, ao reler partes da obra, como esta tradução do Mário Quintana é preciosíssima. Quando lemos os livros ainda em idade nova (como eu li estes aos dezasseis ou dezassete anos), se gostamos deles, não ligamos ainda à forma da escrita em virtude de estarmos mais preocupados com o progredir das personagens na trama do livro. Mais tarde, como agora, já lemos os livros como quem percorre um caminho, sem pressas, fazendo paragens para apreciar a paisagem, que é arte literária do autor.
Pois é nesse passear que me apercebo da riqueza da tradução de Quintana. Esta é uma obra que necessita de um grande tradutor: grande no conhecimento da língua, na riqueza do vocabulário e na intuição da intenção do autor, porque Proust tem grande requinte literário. É capaz de dedicar uma página inteira a descrever os espargos acabados de apanhar, nos seus tons de irisação róseos e azulados, ou a a leitura que faz do olhar do sr. Legrandin a contrariar as palavras que diz acerca do desinteresse que tem pelos Guermantes.
Este é um livro que se saboreia devagar e com intenso prazer o que, em enormíssima parte, se fica a dever à belíssima tradução de Mário Quintana.
É também a ler estas grandes obras que ficamos com pena que tenham tirado dos currículos escolares as obras dos grandes autores porque a lê-los o mundo torna-se mais rico em detalhes, em pormenores, em cores e aromas e mais densamente humano, nos sentimentos, nos pensamentos e em todas as virtudes e vícios que lhe são próprios.
Hoje comemora-se, pela primeira vez, o dia mundial da Língua Portuguesa
Por iniciativa de Sampaio da Nóvoa mas com o esforço de outros que o seguiram.
A língua portuguesa escrita é mais bonita que a falada. Ao contrário da italiana que é mais bonita falada que escrita. A língua portuguesa dá muitos pontapés na lógica mas está cheia de subtilezas, excepções, irregularidades que espelham a própria vida pensada e vivida. Já a falada é cerrada e está cheia de sons, 'iche, iche' - todos os plurais, por exemplo e, muitos advérbios. Não é bonito. Nós é que estamos habituados e já não damos por isso.
Agora a escrita, enfim, tirando este aborto ortográfico que lhe assassinou a força vital e a reduziu a um presente pobre e unidimensional, é linda. A escrita do Camões, do Padre António Vieira... uma página do Teixeira Gomes é uma delícia, assim como do Ferreira de Castro, que nos põe dentro da selva a sentir o perigo do restolhar dos bichos. O Fernando Pessoa que anda à vontade nas paisagens interiores humanas e lhes conhece todos os recantos. O Vergílio e a Sophia e tantos outros.
Sim, a língua é também um instrumento de comunicação, de negócio, de diplomacia, de compreensão histórica e filosófica, antropológica e tudo o mais. Mas, acima de tudo, é a roupa que despimos e vestimos, que nos mostra e nos esconde.
Se voltasse atrás, no tempo, a seguir ao curso de filosofia, ou paralelamente, tinha ido estudar filologia. Gosto das palavras, do que elas revelam sobre a realidade e aliás, a filosofia, num certo sentido, é a linguagem - ao mesmo tempo forma e conteúdo, apreensão e apreendido.
Da minha janela para o mundo ouve-se a língua portuguesa. Neste primeiro dia mundial de 260 milhões de pessoas, a festa acontece na internet
Ensino à distância - intervalo
Estou no intervalo das aulas de hoje. Andamos a falar da ética kantiana que é um assunto que se presta a grandes e interessantes discussões. Já percebo que os miúdos sofrem de não poder encontrar-se na escola mas não desta comunicação à distância. Aí estão como peixe na água, escrevem a uma velocidade estonteante e discutem muito bem em fóruns. Mas adiante, porque era outra coisa o que queria dizer.
Uma pessoa tem a ideia de que a ética kantiana, por ser muito formalista e exigente, não será do agrado dos alunos, mas é ao contrário e a maioria deles, quando tem que escolher entre esta e a outra do S. Mill, inclina-se para esta (isto agora foi paradoxal, tendo em conta o que ele pensa das inclinações). Acontece que os alunos nesta idade, talvez por terem ainda pouca experiência de vida, são pouco dados a relativismos morais e têm um formalismo muito maniqueísta, se bem que na prática sejam outra coisa completamente diferente.
Enfim, hoje a discussão foi sobre a autonomia e a heteronomia da vontade e foi interessante, pelo menos para mim. Pior são as dores nas costas das horas sentada, mas hoje chegou a cadeira nova (talvez mande a conta para o ME ou para o senhor Rio).
Amanhã já sento na cadeira ergonómica :)
Coisas boas
Rui Nabeiro é um empresário e como todos os empresários com empresas, trabalha para ter lucro; no entanto, não se reduz a um empresário que quer ter lucro e tem, de facto, muitas iniciativas a pensar nas populações, sobretudo as da sua zona, a quem ajuda com iniciativas regulares. É um exemplo de que se pode ser empresário e não se ser mesquinho, acumulador sem escrúpulos ou explorador do próximo. Nada a ver com aqueloutros que falam muito, pedem o empobrecimento dos trabalhadores e fazem nada pela sociedade.
Grupo Nabeiro encontrou forma de ajudar cafés e restaurantes a ultrapassar crise
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