December 07, 2020

Sinto falta de ir ao cinema

 


Ver um filme de grande ecrã. Odeio este covid que apareceu sem ser convidado.

Estas coisas acontecem

 



Existential Comics

 


(clicar na imagem)

Philosophers in this comic: Soren Kierkegaard

Insights de Merleau-Ponty sobre a relação com o corpo, o mundo natural e os outros

 


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(...) Merleau-Ponty expôs dois insights importantes que se tornariam canónicos. Primeiro, disse ele, sempre nos encontramos situados num determinado ambiente histórico, físico e social. Em vez do ego desapegado de Descartes ou da "visão de lugar nenhum" objetiva do empirista, Merleau-Ponty apontou que, quando investigamos a relação com o corpo, a nossa experiência quotidiana, encontramo-nos sempre de alguma forma envolvidos com o mundo ao nosso redor. 
Vendo minha vizinha deixando seu apartamento ao mesmo tempo que eu, por exemplo, experimento saudá-la como uma pessoa familiar, como alguém com significado na minha vida "situada". 
Na nossa vida quotidiana, vivenciamos um mundo compartilhado no qual os objetos culturais - Merleau-Ponty cita estradas, canos, igrejas e vilas - têm significados que compartilhamos com outras pessoas. 

Em segundo lugar, Merleau-Ponty chamou a atenção para o corpo sendo revelado não como um amontoado de matéria, mas como a respiração, o centro pulsante de nossa experiência - o corpo "vivido". E em contraste com a tendência iluminista de abstrair em direção a uma posição teórica de objetividade perfeita, Merleau-Ponty descreveu características de nossa corporificação que talvez pareçam muito óbvias e mundanas para mencionar: como sempre percebemos as coisas de uma perspectiva particular, como o particular a configuração do seu corpo significa que você nunca vê diretamente a parte de trás do pescoço. 
Considere a experiência de profundidade: porque eu encontro um mundo que inclui o meu próprio corpo e ainda se espalha à distância, o filósofo David Abram escreve, 'aquela nuvem que eu vejo pode ser uma pequena nuvem bem acima ou uma enorme nuvem bem acima; enquanto isso, o que eu pensava ser um pássaro acabou sendo um grão de poeira nos meus óculos ". Por meio da percepção, o corpo é sempre chamado a comprometer-se, a escolher, a enfocar o mundo antes que qualquer reflexão verbal entre em jogo e prepara o cenário para tudo o que prosseguirmos pensando, dizendo e fazendo reflexivamente. 

É por isso que Merleau-Ponty concluiu que o envolvimento corporal com o mundo é mais básico do que deliberação sobre ele: não como uma forma de privilegiar o físico sobre o mental, mas como uma descrição de como é se mover pelo mundo, mente e corpo trabalhando como um só.

Como podemos aplicar essa visão de mundo às nossas vidas altamente "baseadas na cabeça"? A noção de estar presente no aqui e agora, ao invés de se perder na tagarelice ininterrupta da mente, oferece-nos uma maneira natural de "viver e respirar" a filosofia de Merleau-Ponty. 

Ele escreveu em particular sobre a importância de se adoptar uma "atenção e admiração" para com o mundo. Para se envolver com o mundo fenomenologicamente, ele sugeriu, devemos abraçar ser "um iniciante perpétuo": voltando novamente para o que percebemos antes de nós, permanecendo "aberto às aventuras da experiência".
(...)
Como escreveu Merleau-Ponty: "outras mentes são dadas a nós apenas como encarnadas, como pertencentes a rostos e gestos". Contrariar com distinções como mente / corpo "não adianta", disse ele, se nos permitirmos perceber a totalidade (conhecida como "a gestalt") do que realmente aparece diante de nós. 
(...)
Perceptor e percebido são atraídos para a coesão da vida. Na coleção póstuma The Visible and the Invisible (1964), Merleau-Ponty escreveu sobre o "mundo interno" compartilhado, onde "nossos olhares se cruzam e nossas percepções se sobrepõem"; é aqui, diz ele, que o ‘entrelaçamento’ de sua vida com a vida de outras pessoas é revelado. Longe de um mundo de egos distantes, ou de meros objetos, o que encontramos por meio da percepção corporificada é esse cruzamento de relações laterais sobrepostas com outras pessoas, outras criaturas e outras coisas - um espaço expressivo que existe entre corpos vividos. Não é que sejamos todos 'um', mas que habitamos um mundo no qual, para citar o filósofo Glen Mazis, 'coisas, pessoas, criaturas se entrelaçam, se entrelaçam, mas não perca a maravilha de que cada um é cada um e não sem os outros'.

Em última análise, é uma consciência corporal desse "entrelaçamento" que estimula a nossa sensibilidade para com outras pessoas, dizia Merleau-Ponty. Intimidade, conexão e compaixão dependem de nos percebermos uns aos outros: não tanto uma compreensão intelectual do outro como um "agente consciente", mas a sensação sentida deste ser corporificado, sensível e vulnerável diante de mim. O que Mazis chama de "acesso da personificação ao coração"
(...)
Quanto mais nos abrimos para nos vermos radicalmente entrelaçados com o mundo natural, Merleau-Ponty sentiu, mais essa relação passa a se assemelhar a um diálogo de mão dupla, reconhecendo que sempre há algum de 'nós' na 'natureza' e alguns da natureza em nós. Ao abandonar as hierarquias cognitivas ou biológicas em favor de um sistema de relações laterais entre nós e outras formas de vida, somos convidados a realmente ouvir o que nos "fala" do mundo não humano quando permitimos que os níveis usuais de ruído diminuam. Citando o poeta francês Paul Valéry, Merleau-Ponty até questionou se há um sentido em que a linguagem é, antes de tudo, "a própria voz das árvores, das ondas e da floresta".
(..)
E significa desacelerar, mesmo - especialmente - quando isso é a coisa mais difícil de fazer, se quisermos permitir que um diálogo bidirecional com o mundo natural surja, se quisermos ouvir a 'mensagem' que a natureza nos envia, como Inger Andersen, chefe do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, colocou isso no início do surto do coronavírus em janeiro de 2020. 

Os nossos corpos vividos estão aqui para facilitar exactamente este tipo de vigilância. O corpo silencioso é "a sugestão meio adivinhada, o presente meio compreendido", para citar T S Eliot em Four Quartets (1943). Não podemos apreendê-lo ou "possuí-lo" ou sujeitá-lo a uma análise final. Mas se estamos dispostos a desacelerar, fazer uma pausa, entrar em contato com o pulsante e respirar mundo da vida do corpo ao longo do dia, então podemos restaurar nossa presença, a nossa vivacidade, nossa preciosa conexão com outros seres e coisas não menos vitais pelo facto de que são outros para nós.

(excertos)

Tinder 1901

 

😁



Coisas excitantes: a estrela de Natal está de volta

 


Júpiter e Saturno vão alinhar-se pela primeira vez em quase 800 anos a 21 de Dezembro, criando uma 'estrela de Natal' no céu nocturno.






😂 😂 😂

 




😁

 




Música ao entardecer - Corazon espinado

 


Com pessoas cegas e intelectualmente menores não vamos a lado algum

 


Fui à rua comprar agriões e comprei jornais.  Fui dar com este artigo de Boaventura S.S. no Público.

Um grande artigo a defender Lenine e a exortar que se sigam as ideias dele. A cara do assassino vermelho em destaque.

Isto não é diferente de alguém pôr a cara de Hitler num artigo de jornal e desatar a defender as ideias dele deixando apenas de fora, como quem não quer a coisa, aquela parte insignificante da defesa de matar judeus. Lenine foi um defensor do assassinato e da tortura, da limpeza étnica, da limpeza de opositores, de intelectuais e de mais todos aqueles com quem embirrava só porque sim. Foi mandante de centenas de assassinatos e regozijou-se com isso, defendia a virtude de exterminar opositores, mas aqui neste rectângulo, continuam a adorá-lo e a querer trazer as suas ideias de volta para as nossas vidas. Tem grande destaque nos jornais. 

Mas que nos pode interessar as ideias de um indivíduo que defendia e levou à prática uma sociedade construída sobre crimes? 

E que pode interessar-nos as ideias dum tipo que ao fim destes anos todos tem como modelo de pensamento o Vasco Gonçalves e ainda não abriu os olhos? Pois, nada, de nada e saber que este poucochinho mental tem influência em algo que seja neste país enche-me de desânimo.




Coisas que me fazem alguma confusão

 


Começaram a aparecer monolitos de metal um pouco por todo o lado depois do 1º no Utah. Até já a Wiki tinha entradas sobre isso. Agora um grupo pseudo-artista (quando um grupo de artistas se intitula, os famosos...), The Most Famous Artist, assumiu a autoria desse monolito. E o que queriam eles com esta obra? Leia-se:

"Há dois dias, o grupo partilhou uma fotografia com um novo monólito, desta vez no Parque Nacional de Joshua Tree, também na Califórnia. “Agora são quatro. O que quer isso dizer?”, escreveram. Ainda assim, o grupo não colocou imagens do monólito que apareceu na Europa. Ao New York Post, Matty Mo, fundador do colectivo, referiu que “a ideia era começar um fenómeno global” — e considerou que “a missão foi cumprida”. “O monólito, nesta altura, está fora do meu controlo.”


A ideia era apenas começar um fenómeno global... portanto, não não há ali nenhuma idea a não ser aparecer na TV. 

Epá, porque não orientam os esforços para outros fenómenos globais: preservar o ambiente, melhorar o acesso à água, diminuir as desigualdades... sei lá, há tanto problema a precisar de atenção. 

Há muita parvoíce sem interesse a passar por arte.


Gosto deste ponto de vista

 




Um artigo sobre apropriação cultural que diz exactamente o que penso sobre o assunto

 


Quando ouço dizer que pessoa tal foi criticada porque escreveu sobre um personagem negro ou que ia representar uma personagem da cultura afro-americana, sendo brancos, penso logo, 'aqui está alguém que se vê em primeiro lugar como uma raça e só depois como um ser humano'.

Quem gosta de ópera, como eu, percebe o absurdo disto. É certo que é verdade que eu não posso saber ao certo como é a experiência de uma pessoa emigrante angolana em Portugal ou a experiência de um homem, assim como qualquer um destes não pode saber da minha: mas somos humanos e a experiência humana é similar e há sempre pontos comuns mesmo com pessoas que parecem muito diferentes: ou somos ambas mulheres/homens ou ambas mães/pais, ou já fomos emigrantes em outro sítio, etc. Ou já lemos ou temos amigos dessa cultura, etc.

Quem gosta de ópera, dizia eu, sabe como certos registos de vozes são raros. Estamos mais que habituados a ver um tenor negro a interpretar o rei D. Carlos, por exemplo, ou uma mezzo-soprano negra ou asiática ou mexicana ou o que seja a interpretar a princesa de Éboli ou um tenor branco a interpretar Otelo. Ou um artista de 50 anos a interpretar o jovem Romeu. Ninguém quer saber que sejam brancos ou negros a interpretar papéis de outra cultura, faixa etária, raça ou o diabo a nove. Queremos é saber das vozes e da interpretação. Ninguém pensa: ai que estão a apropriar-se da cultura do outro. Um músico negro não pode tocar Beethoven, um branco não pode cantar Bob Marley?

Por esta ordem de ideias, de cada vez que uma rapariga negra esticasse o cabelo seria acusada de se apropriar de uma característica de outra cultura. É ridículo e um impedimento ao entendimento entre culturas, povos e raças diferentes.

Eu fiz um amigo árabe quando fui ao deserto do Sahara, via Tunísia. Mantivemos contacto durante uns anos (perdemo-lo na altura da Primavera árabe). A vida e a cultura dele não têm nada a ver com a minha (na cultura dele, se começam a falar sobre os problemas da vida quotidiana, começam a chorar - uma pessoa da primeira vez que vê isso fica numa aflição porque não se está à espera) mas entendíamo-nos bem. Eu gosto de saber e acho que ele gostava de falar com alguém de outra cultura. Não fiquei a saber por dentro o que é ser um guia árabe do deserto, mas tenho, hoje-em-dia, uma noção aproximada dessa experiência e podia escrever uma personagem num romance baseado nesse conhecimento exterior. Porque não? 

Alexandre Dumas era de descendência negra mas viveu toda a vida em França, foi secretário do Duque de Orléans, futuro rei Luís Filipe e escreveu profusamente sobre a corte francesa, o rei, a rainha, os mosqueteiros e por aí fora. E então? Qual é o problema? 




Alexandre Dumas








All Shook Up: The Politics of Cultural Appropriation

Na era do capitalismo global, imaginar as vidas dos outros é uma forma de solidariedade crucial. 

Ouvi pela primeira vez a frase “Fique na sua pista” há alguns anos, num workshop de redação que estava dando. Estávamos a falar sobre uma história que um aluno do grupo, um homem asiático-americano, havia escrito sobre uma família afro-americana. Havia muito o que criticar sobre a história, incluindo muitos clichês sobre a vida dos negros americanos. 
Eu esperava que a classe oferecesse sugestões para melhorias. O que eu não esperava era que alguns alunos diriam ao escritor que ele não deveria ter escrito a história. Como disse um deles, se um membro de um grupo relativamente privilegiado escreve uma história sobre um membro de um grupo marginalizado, isso é um ato de apropriação cultural e, portanto, causa dano.

Discussões sobre apropriação cultural chegam aos noticiários a cada um ou dois meses. Duas mulheres de Portland, depois de saborear a comida durante uma viagem ao México, abrem um carrinho de burrito quando voltam para casa, mas, atacadas por activistas online, fecham os seus negócios em poucos meses. Uma aula de ioga numa universidade no Canadá é encerrada por protestos de estudantes. 
O autor de um romance para jovens, criticado por escrever sobre personagens de origens diferentes das suas, pede desculpas e retira o livro de circulação. 
Uma variedade tão ampla de actos e práticas é condenada como apropriação cultural que pode ser difícil dizer o que é a apropriação cultural. 

Grande parte da literatura sobre apropriação cultural é espectacularmente inútil nesse aspecto. LeRhonda S. Manigault-Bryant, professora de estudos Africana no Williams College, diz que o termo "refere-se a pegar a cultura de outra pessoa - propriedade intelectual, artefactos, estilo, forma de arte, etc. - sem permissão." Da mesma forma, Susan Scafidi, professora de direito na Fordham e autora de Who Owns Culture? Apropriação e autenticidade na lei americana, define-o como "Tirar propriedade intelectual, conhecimento tradicional, expressões culturais ou artefactos da cultura de outra pessoa sem permissão. Isso pode incluir o uso não autorizado de dança, vestimenta, música, idioma, folclore, culinária, medicina tradicional, símbolos religiosos, etc. de outra cultura. ”

Essas definições parecem esclarecedoras, até que se pense sobre elas. Por um lado, a ideia de “tirar” algo de outra cultura é tão ampla a ponto de ser incoerente: não há nada nessas definições que nos impeça de condenar alguém por aprender outro idioma. Por outro lado, eles contam com uma ideia - "permissão" - que, neste contexto, não tem qualquer significado. A permissão para usar as expressões culturais de outro grupo não é algo que seja possível receber, porque etnias, identidades de género e outros grupos semelhantes não têm representantes autorizados a concedê-la. 
Quando os romancistas, por exemplo, escrevem fora de sua própria experiência, as editoras agora recrutam “leitores sensíveis” para garantir que eles não digam nada que possa ofender - mas uma vez que os livros são publicados, os romancistas ficam por conta própria. Não há nada que eles possam fazer para refutar a acusação de que os produtos de sua imaginação foram "não autorizados", nada que eles possam fazer para repelir a acusação de que causaram danos por se desviarem das suas pistas.

Algo como a admoestação para 'permanecer na sua faixa' está por trás dos protestos que surgiram quando o retrato de Dana Schutz de Emmett Till no seu caixão foi exibido uma exposição no Museu Whitney em 2017 - provavelmente o capítulo mais amargo da discussão sobre apropriação cultural na memória recente.

A artista Hannah Black escreveu uma carta aberta ao Whitney “com a recomendação urgente de que a pintura fosse destruída”. Black continuou: “Por meio da coragem de sua mãe, Till foi colocado à disposição dos negros como uma inspiração e um aviso. Pessoas não negras devem aceitar que nunca irão incorporar e não podem compreender este gesto. . . . ” 
A resposta de Schutz identificou o problema com a ideia de ficar na mesma pista. “Não sei o que é ser negro na América”, disse ela, mas sei o que é ser mãe. Emmett era o único filho de Mamie Till. O pensamento de qualquer coisa acontecendo com seu filho está além da compreensão. A dor deles é a sua dor. Meu envolvimento com essa imagem foi através da empatia com sua mãe. . . . A arte pode ser um espaço de empatia, um veículo de conexão. Não acredito que as pessoas possam realmente saber o que é ser outra pessoa (nunca saberei o medo que os pais negros podem ter), mas também não somos completamente desconhecidos.

O que ela estava a dizer é que a pista que compartilhava com Mamie Till-Mobley pelo facto de ser mãe era tão importante quanto a pista da raça.

The philosopher and novelist Iris Murdoch wrote, “We judge the great novelists by the quality of their awareness of others.” If Tolstoy is considered by many to be the greatest novelist who ever lived, this isn’t because of the beauty of his sentences or the shapeliness of his plots. It’s because he could bring to life so many wildly different characters, from the young girl preparing eagerly for her first ball to the old man dying in his bed, from the aristocrat on a fox-hunt to the serf watching the aristocrat ride by. Tolstoy’s intense responsiveness to life jolts us into an awareness of how much more deeply we could be living; his intense responsiveness, in particular, to other people, jolts us into an awareness of how much more keenly we could be entering into the experiences of the people around us.
(...)
Quanto mais se lê sobre apropriação cultural, mais difícil é resistir à conclusão de que a preocupação em permanecer no seu caminho é uma espécie de política falsa. Os críticos da apropriação cultural acreditam estar envolvidos numa atividade política significativa, mas os objetos de suas críticas geralmente são pessoas relativamente impotentes - a professora de ioga, as mulheres com o carrinho de burrito, o artista visual, o romancista que ousa se aventurar fora de sua pista. 
(...)
Às vezes, gostaria que estivéssemos equipados com um sentido extra, um sentido que nos permitisse perceber o quanto estamos conectados uns aos outros. Quando colocasse minha camisa, sentiria o trabalho do trabalhador da confecção na Nicarágua que a costurava; quando uso o meu telefone, fico ciente da criança trabalhadora na República Democrática do Congo que minerou o cobalto para sua bateria; quando descascasse uma laranja, sentiria a presença do trabalhador na Flórida que a colheu. 

Na falta desse sentido, precisamos cultivar a imaginação simpática. Precisamos tentar imaginar a vida de outras pessoas. Portanto, não estou a argumentar que, quando os artistas tentam imaginar a vida de outras pessoas, devemos relaxar e ver seus esforços como basicamente inofensivos. 

Estou a argumentar que imaginar a vida de outras pessoas é uma parte essencial do esforço para trazer à existência um mundo mais humano. Podemos abraçar uma espécie de solipsismo cultural que afirma que grupos diferentes não têm nada em comum, ou podemos compreender que as nossas vidas estão inextricavelmente ligadas às vidas de pessoas que nunca conheceremos. 

Podemos negar o que devemos uns aos outros ou podemos buscar recuperar a visão de uma humanidade compartilhada. Podemos escolher acreditar que é virtuoso tentar permanecer nas nossas faixas, ou podemos escolher aprender sobre a ideia de solidariedade. É uma ideia antiga, mas para aqueles de nós preocupados com liberdade e igualdade, ainda é a melhor ideia que temos.


(tradução minha de excertos do artigo)

Uma entrevista fascinante

 


Está a dar aquele programa na BBC World News, 'Hard Talk' com uma neurocirurgião pediátrico, Owase Jeelani - fascinante. Uma conversa fascinante sobre temas humanos difíceis.



That's my mood for today

 


mostly blue

Fizza Rizvi


Stoned

 




Amazing Autunite on Quartz From Golconda pegmatite district, Brazil.
Credit: @mineral masterpiece

December 06, 2020

Isto também tem a sua piada dento do tema: está tudo doido...




Parece que Portas passou de submarinista a Epidemiologista e vai para a Tv dar conselhos sobre como combater a pandemia.



Está tudo doido...

 


Uma amiga que está na Bélgica diz que as regras para o Natal belga são: só se pode receber quatro pessoas mas tem que ser no jardim! What?? Nesta altura já lá deve ter nevado e se bem me lembro as temperaturas à noite são de -15º. Ah, e só uma pessoa das que vêm de fora pode ir à casa de banho. Então e os outros? Vêem de fralda? Está tudo doido...

🤣

As contradições da vida




O filme, Stormy Weather é um musical de 1943. Um filme de Hollywood com um elenco de afro-americanos, como se diz nos de hoje. Os cabeças de cartaz são estes que aqui se vêm. Num país racista como os EUA onde os negros pouco apareciam em filmes até há relativamente pouco tempo a não ser em pequenos papéis secundários, este filme com um elenco sem brancos, juntamente com, Cabin in the Sky, também com um elenco só de negros muito antes do, Black Panther, à primeira vista parece estranho. E é.

No entanto, se olharmos para a data do filme, 1943, vemos que estamos em plena Segunda Guerra Mundial. As guerras têm a particularidade contraditória, porque positiva, de esboroarem as fronteiras do preconceito e da moral: a morte é uma realidade demasiado próxima para se perder tempo a defender a pequena moralidade burguesa e as pessoas tornam-se mais atentas ao que é real e tem valor.

Bem este filme está cheio de valores: Bojangles Robinson, Lena Horne, Fats Waller, Cab Calloway, os Nicholas Brothers - no vídeo mais abaixo. Katherine Dunham, ta rainha a “ Black dance”. Coleman Hawkins também aqui está a tocar saxofone, embora não creditado.

Left to right: Bill Robinson as Bill Williamson, Lena Horne as Selina Rogers, and Cab Calloway as himself.



Adoro os swings dos anos 40. Tão bem-dispostos, mesmo música de estar na boa. Para contrabalançar a atmosfera pesada dos tempos, provavelmente.

O simples é o mais complicado

 




Photo by Nicolas Yantchevsky