December 05, 2020

Protestos em Paris por causa da Lei de Segurança

 


Exercício de cidadania.


#FreeAssange. É isto

 



... e mais isto



Castigos - ainda ontem ia a falar disto com a minha taxista, a caminho do médico

 


Íamos a falar de filhos e dos desafios de os educar e de nunca termos batido nos filhos. Nunca pus um dedo em cima do meu filho para lhe bater. Nem o pai dele, aliás. Quando havia problemas, ou falava com ele ou dava-lhe um castigo adequado às circunstâncias. Para falar punha-me sempre ao nível dele mas falava-lhe sempre como se fala aos adultos, sem esquivar das questões. Como faço com os alunos: nas minhas aulas não há assuntos tabu porque tudo pode ser objecto do pensar e compreender, o que há é modos de falar das coisas, sempre com respeito e a tentar entendê-las com o pensamento

O meu filho passou a vida intra-uterina a ouvir-me falar de filosofia porque trabalhei quase até à véspera de o ter. Isso deve ter deixado marcas porque desde muito pequeno que tinha crises e dúvidas existenciais. Um dia, devia ter aí uns 4 anos, fui dar com ele deitado no chão do corredor. 'Que estás aí a fazer?' -Não respondia, com um ar muito sério. Bem, em vez de o levantar, deitei-me no chão ao lado dele e perguntei, 'o que se passa? Aconteceu alguma coisa na escola?' (estava na pré-primária) Diz-me ele: 'não sei se sou normal como os outros' . Então e porque não havias de ser? 'Não sei, diz ele. Nunca ninguém me disse. Se eu não existisse havia outro filho? Era igual, ser eu ou outro?' UAU! ok... na volta acabei por perceber que tinha estado a ouvir uma conversa das educadoras.

É verdade que na adolescência houve alturas em que me apeteceu pôr-lhe a mão em cima na sequência de certas respostas que me deu, mas nunca o fiz. Não se pode. Alivia-nos a nós, no momento, mas a eles não lhes muda o comportamento e só os torna agressivos. Agora, lembro-me de um castigo que durou um mês e envolveu não poder jogar jogos no PC e eu ir para a escola carregada com os cabos do computador, para ter a certeza que ele não o fazia na minha ausência e para ele perceber a seriedade que eu dava ao assunto.

If You Spank Your Kids They Will Grow Up To Have Issues As An Adult

Researchers from the University of Texas at Austin and the University of Michigan found that children who are spanked often are more likely to defy their parents and experience an increase in anti-social behavior.

These kids are also at a higher risk of developing mental health issues, aggression, and cognitive difficulties.


Serra do Alvão, agora mesmo

 


Lugares limpos.



That's bullshit

 



Quem não tem pachorra para conversas de treta ponha a mão no ar 🙋‍♀️


Rosália Amorim


Chegou o tempo de nos vermos tais como somos, o tempo de uma nacional redescoberta das nossas verdadeiras riquezas, potencialidades, carências, condição indispensável para que algum dia possamos conviver connosco mesmos com o mínimo de naturalidade", escreveu Eduardo Lourenço que considera que "os portugueses vivem em permanente representação"(...) na obra O Labirinto da Saudade e no capítulo "Repensar Portugal(...)
Ah, porque os outros povos são verdadeiros e não representam? Os americanos não se representam de excepcionais, os ingleses de potentes, os francês de cultos e inteligentes, os espanhóis de independentes, os alemães de superiores, os russos de invencíveis e por aí fora? São só os portugueses?

Pode até parecer cruel usar esta referência em tempos de crise pandémica, mas, noutro dos capítulos da obra, o ensaísta escreve que "somos um povo de pobres com mentalidade de ricos". Afirma que, "empiricamente, o povo português é um povo trabalhador e foi durante séculos um povo literalmente morto de trabalho, mas a classe historicamente privilegiada é herdeira de uma tradição guerreira de não trabalho...".
Ah, porque os outros povos, nomeadamente europeus, não construíram as suas elites com guerreiros? Fomos só nós?

"Nesta encruzilhada nos encontramos. O momento parece propício não apenas para um exame de consciência nacional que raras vezes tivemos ocasião de fazer, mas para um ajustamento, tanto quanto possível realista, do nosso ser real à visão do nosso ser ideal." Palavras de Eduardo Lourenço que podemos recuperar para os tempos de hoje. "Nós temos vivido sobretudo em função de uma imagem irrealista... sempre no nosso horizonte de portugueses se perfilou como solução desesperada para obstáculos inexpugnáveis a fuga para céus mais propícios. Chegou a hora de fugir para dentro de casa, de nos barricarmos dentro dela, de construir com constância o país habitável de todos, sem esperar de um eterno lá-fora ou lá-longe a solução que como no apólogo célebre está enterrada no nosso exíguo quintal."
É fácil falar de poleiro herdado, não? Vai dizer isso às hordas de desempregados.


Isto é verdade




"To be aware of limitations is already to be beyond them." - Hegel


Reconhecer as limitações é já estar um passo evolutivo à frente delas. Para ultrapassar um obstáculo é preciso reconhecê-lo como tal, caso contrário ficamos bloqueados nele.

L'alchimie de la tristesse

 


On dit que c'est tout un art d'être heureux. Mais le malheur aussi peut être transformé en art.
C'est ce qu’a montré un grand alchimiste de la tristesse : le peintre Léon Spilliaert.

despite everything

 


The woods are lovely, dark and deep, but I have promises to keep, and miles to go before I sleep. And miles to go before I sleep.
~Robert Frost ~



Amanhecer intranquilo

 




Quotes I like

 


"Only one mountain can know the core of another mountain." - Frida Kahlo 

"If you hear a voice within you say 'you cannot paint,' then by all means paint, and that voice will be silenced." - Vincent Van Gogh



December 04, 2020

Atonal improvisations

 

😀


Leituras pela manhã - burnout depressivo é mais do que excesso de trabalho





Mentes que viraram cinzas?

O burnout é simplesmente o resultado de se trabalhar muito? 
Josh Cohen argumenta que a raiz do problema é mais profunda do que isso



O burnout depressivo, sugere Ehrenberg, sente-se incapaz de fazer escolhas significativas. Essa, como descobrimos no decorrer da análise, é a situação difícil de Steve. Na sua casa de infância, emocionalmente fria, a única atenção que recebia de seus pais era o monitoramento rigoroso dos seus trabalhos escolares e actividades extracurriculares. Na sua própria mente, só valia a pena preocuparem-se com ele por causa das suas capacidades escolares. Portanto, embora acumulasse prémios, conhecimentos e habilidades, nunca aprendeu a ter curiosidade sobre quem poderia ser ou o que poderia desejar na vida. Tendo concordado, sem pensar, com a prescrição de seus pais sobre o que era melhor para ele, simplesmente não sabia como lidar com, ou mesmo entender, o sentimento repentino e inesperado de que a vida que ele estava vivendo não era a única para ele.

Steve apresenta um paradoxo intrigante: o que de fora parece ter sido uma vida movida pela busca activa de objetivos parece-lhe estranhamente inerte, um encaixe sem vida, como ele diz, num roteiro que não escreveu . “A genuína força do hábito”, dizia Arthur Schopenhauer em 1851, pode parecer uma expressão de nosso carácter inato, mas “realmente deriva da inércia que quer poupar ao intelecto, a vontade, o trabalho, a dificuldade e às vezes o perigo envolvido em fazer uma nova escolha. ” Schopenhauer tem razão. Steve começa a entender que a sua vida seguiu a forma que seguiu, não pelo desabrochar dos seus desejos mais profundos, mas porque nunca se preocupou em questionar o que lhe foi dito.

“Sabe”, disse-me um dia, “não é como se eu quisesse ser esse perdedor patético. Quero acordar amanhã, voltar à academia, encontrar um novo emprego, ver as pessoas de novo. Mas é como se eu dissesse que vou fazer tudo isso e, alguma voz em mim diz, 'não, eu não vou, de jeito nenhum eu vou fazer isso'. E então não consigo descobrir se me sinto deprimido ou aliviado e a confusão me deixa louco."

A mesma situação surgiu de uma forma diferente em Susan, uma produtora musical de sucesso que veio ver-me pela primeira vez no meio de um episódio depressivo avassalador. Ela tinha vindo de Berlim para Londres seis meses antes para assumir um novo e prestigioso emprego, a última mudança numa carreira impressionante que a viu trabalhar em locais glamorosos em todo o mundo. 
Susan cresceu numa família próspera e amorosa em um subúrbio inglês. Ao contrário de Steve, os pais dela apoiaram - e continuaram a apoiar - o inesperado caminho profissional e pessoal que a filha traçou para si mesma. Mas eles se pareciam com os pais de Steve num aspecto: a mensagem invariável, comunicada ao longo da sua infância, de que ela tinha o potencial de ser e fazer qualquer coisa. 
O investimento emocional e financeiro que fizeram nas suas atividades musicais e académicas mostrou a sua disposição em apoiar o seu entusiasmo com acções. Embora Susan parecesse seguir o seu próprio caminho escolhido, chegou um ponto em que o apoio e incentivo incondicional dos pais tornou difícil identificar onde seus desejos pararam e os dela começaram.

Apesar de todas as suas diferenças, os pais de Steve e Susan eram iguais em proteger a criança da consciência dos limites impostos por eles e pelo mundo. Susan dizia que o presente, a vida que ela vivia momento a momento, parecia irreal para ela. Só o futuro realmente importava, pois era onde residia sua vida ideal. “Se eu esperar um pouco mais”, dizia, num tom de desânimo irónico, “haverá este evento transformador mágico e tudo dará certo”.
(...)
O esgotamento depressivo de Susan surgiu da disparidade entre o enorme esforço que ela se dedicou a contemplar o seu futuro e o muito menor que ela se dedicou a descobrir e realizar seus desejos no presente. Nesse aspecto, ela é a misteriosa imagem espelhada de Steve: Susan ficou paralisada com a suspeita de que sempre havia outra coisa para escolher; Steve estava acorrentado pela incapacidade de escolher.

O burnout não é simplesmente um sintoma de trabalhar muito. É também o corpo e a mente gritando por uma necessidade humana essencial: um espaço livre das exigências e expectativas incessantes do mundo. No consultório, não há metas a serem atingidas, nem conquistas a serem riscadas. A melhora do burnout começa ao encontrar o seu próprio lago de tranquilidade, onde pode refrescar-se.
 
(tradução minha de excertos)
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A arte contra a tirania

 




Três obras mexicanas na luta contra a tirania. A sangrenta Revolução Mexicana (1910-1920) é o tema de uma exposição no McNay Art Museum in San Antonio, Texas.





Diego Rivera, The Fruits of Labor, 1932, 

José..Clemente Orozco, Rear Guard, 1929, lithograph.








Diego Rivera, Sleep, 1932, lithograph. Collection of the McNay Art Museum, 

Quotes I like

 


"This is a creative universe, not a created one" – Walter Russell

December 03, 2020

Blues me

 




Jazz me

 



A casa encarnada

 




George Yater American (1910 - 1993)
Pearl Street in Winter, 1950.

12 regras de vida (social)

 


Estas são para a relação com os outros. 


1. Ser de uma pessoa de confiança. Isto tanto é válido nas relações profissionais como nas pessoais. Estabelecer relações de confiança. Onde não há confiança não há relação possível a não ser de simulação e o resultado é a esterilidade onde nada cresce, nada evolui, tudo morre. O que chamamos ser de confiança é ser uma pessoa de palavra. Se diz que faz isto, faz isto. Cumpre. Mesmo que os outros não nos tratem da mesma maneira. Uma pessoa não muda os seus princípios para se adaptar a outros que não os têm. Isso seria dar o controlo de nós mesmos aos tais outros. Uma pessoa inspira-se nos melhores.

2. Falar sempre com intenção de verdade. E quando temos que mentir só o fazemos com boa intenção: por exemplo, às vezes escondemos (e esconder é ocultar a verdade) dos pais algumas características que observamos nos alunos, seus filhos, por respeito e delicadeza. É claro que todos mentimos de vez em quando e todos temos hipocrisias. Ninguém, a não ser Sócrates (o filósofo) e pouco mais vive à altura das suas palavras. Mas isso não anula o que disse. Falar com intenção de verdade porque se falamos para a mentira, para o engano, para a simulação, caímos na situação anterior de não sermos de confiança. Isto tanto é válido nas relações profissionais como nas pessoais, embora nas pessoais, com amigos e isso tenha de haver uma certa inocência que é aquela maneira de ser em que nos pomos vulneráveis diante dos outros. Ora só o fazemos se acreditamos que as pessoas são de confiança e nos querem bem.

3. Ser capaz de assumir culpa. Pedir desculpa quando se reconhece um mal feito. Também isto faz parte de ser de confiança. Se fazemos o mal e fingimos que não percebemos e vamos ter com as pessoas como se nada fosse, elas deixam de nos ter confiança e respeito. 

4. Assumir, em geral, a regra kantiana que diz que devemos agir como se quiséssemos que a nossa máxima de acção se tornasse uma lei universal da natureza e se vemos claramente que sim, que o quereríamos então fazemos, caso contrário, não o podemos fazer, quer dizer, abrir uma excepção para nós.

5. Tentamos mudar-nos a nós próprios mais que mudar os outros. É na infância e na adolescência (e mesmo assim, na adolescência alguns já se cristalizaram) que se educam as pessoas porque a partir daí são raríssimas as pessoas que conseguem e isso não em que ver com inteligência mas com espírito no sentido filosófico. A maioria nem consegue ver a necessidade de mudar e acham que estão bem como são e até se orgulham e dizem, 'eu sou assim, é a minha maneira de ser', que é uma maneira de anunciarmos ao mundo a nossa impotência para evoluirmos e, portanto, em geral, o que fazem é vincar cada vez mais os 'defeitos'.  Portanto, é preferível melhorarmos-nos a nós próprios que tentarmos mudar outros, a não ser em casos especiais. 

6. Respeito. Tratar os outros como fins em si mesmos e não como meios para alcançarmos os nossos fins. Não ser egoísta, do género, vou tratar mal os outros ou usá-los porque isso me faz bem a mim.

7. Tentar ajudar onde podemos e não empecilhar. 

8. Não ter medo de valorizar quem tem valor. 

9. Ser frontal. Não dizer mal de ninguém pelas costas. Isso faz parte de ser de confiança. 

10. Não odiar, nem ter rancor a ninguém. O ódio e o rancor são prisões.

11. Não aceitar a submissão, a humilhação, a degradação e a diminuição de liberdade.

12. Seguir as normas sociais mas nunca contra a nossa consciência do que é o bem e o justo.


Non-bullshiters - a Jacinta

 



Um tipo do mundo da bola foi machista e é notícia no jornal 🤣 🤣 🤣 🤣 🤣

 


Refira-se que, por exemplo, no Brasil Jorge Jesus está a ser acusado de ter dado uma resposta machista.