December 03, 2020
Vacinas e um novo normal, não o velho
Ouvi o primeiro-ministro e fiquei mais optimista. Há uma luz ao fundo do túnel. Tomara eu que na situação da minha doença as pessoas me animassem assim...
Entretanto e já pensando no pós-pandemia, era mais isto de construir um novo normal e não um normal em cima do antigo:
Non-bullshiter - Snowden
Bullshiters II
A conclusão é notável: 😂
"He said that political topics would “ruin the atmosphere of the orgy.”The organizer of a lockdown-busting sex party in the EU’s capital city involving around 25 men has claimed that politicians from nine countries have been frequent guests at his orgies.
Manzheley, who is reported to be wanted for fraud in Poland, which he denies, described himself as a “hobbyist organizing gay orgies with up to 100 people.”
Manzheley described his parties as adhering to the “bareback format,” which he says meant no condoms were used among the participants, though he insisted all had been tested for the coronavirus. He said that all guests must participate in what he called a “daddy orgy,” meaning no one could be a spectator. No phones or photos are allowed.
O relativismo é isto: depois de Trump até já gostamos de Bush...
Les anciens présidents Obama, Bush et Clinton se disent prêts à se faire vacciner. Et en public s'il le faut. Interrogé sur les 42% d'Américains qui ne font toujours pas confiance au vaccin, Obama répond : "c'est le virus qui ne m'inspire pas confiance."
Pôr as coisas em perspectiva
Isto é verdade. Os restaurantes têm os trabalhadores em layoff a receber os salários por inteiro. Aqui esta funcionária pública está sem poder trabalhar e com grande corte no salário: a mim ninguém me pôs em layoff. Estou sem ser aumentada há 11 anos, roubaram-me quase nove anos de serviço, prometeram-me devolver dois e meio e ainda não vi nada.
Há restaurantes que puseram mãos à obra e continuam a trabalhar. Provavelmente facturam menos, ganham menos, cobram menos mas não perderam os clientes. Recebo emails de restaurantes onde costumava ir, a oferecer vouchers, outros a publicitar a oferta de entrega de comida ao domicílio.
Eu sou a favor de se apoiar a restauração, mas também é necessário que essas pessoas se organizem e vão à luta em vez de ficar a pedir.
Aqui no mercado de Setúbal, por exemplo, há peixeiras que entregam o peixe em casa, todo arranjado e preparado para fazer. Há restaurantes que nunca deixaram de funcionar porque fazem comida para fora e entregam em casa. Não digo que isso seja possível a todos, mas os restaurantes de um certo nível têm essa possibilidade. Estas pessoas estão habituadas a um certo nível de vida pelos preços que cobram e não perceberam ainda que toda a gente está a fazer sacrifícios.
Hoje li no jornal que não sei quem está chateada porque recebia 18 mil euros e agora só vai receber 9 mil euros ou que recebia 9 mil euros e agora vai receber metade. É preciso não ter noção do país em que estamos para se virem queixar de ganhar 9 mil euros.
esta.imagem não é minha
Já chega disto, não? Ponham as coisas em perspectiva
Dezembro, quando as árvores se mostram como rendas
Precisamos de outros líderes
Então e as competências dos outros? Dos médicos, enfermeiros e restante pessoal hospitalar? E todos os outros que trabalham com competência em situações perigosas? A que propósito se destacam os administradores? Será porque querem subir o salário aos amigos e primos? Pois, claro que é...
Governo promove administradores e indigna profissionais de saúde
O Governo promoveu os administradores hospitalares, justificando que "é um reconhecimento de competências". Os médicos estão indignados com "esta prioridade", em detrimento de quem está na linha da frente no combate à covid-19
As cadeias a cair de podres
Mas os administradores 'vivem' na AV. de Liberdade. Isto são os nossos governantes. Dá vontade de dar um grito.
Serviços Prisionais têm seis andares na luxuosa Avenida da Liberdade
Antropóloga Catarina Frois revela carências nas prisões
Isto é verdade
Só uma vez vi o programa da Cristina, durante 15 minutos e foi porque o meu irmão mais novo lá foi. Vejo pouca televisão e não escolheria ir ver um programa destes e como também não leio as revistas dos mexericos e festas, geralmente estou por fora destas coisas, mas o caso da Cristina Ferreira está por todo o lado e passou-se da reverência ao insulto, em parte porque é uma mulher com muito dinheiro e em outra parte porque vem de uma classe social baixa e não lhe perdoam uma coisa nem outra.
O furacão Cristina Ferreira e a luta das classes 2.0
Só conheço a Cristina Ferreira do café da esquina, cuja televisão está religiosamente sintonizada nos seus programas da manhã. Aí, sempre que dou com ela, dirijo uma breve prece aos céus para que alguém desligue a Sirene da Malveira e eu possa tomar a minha bica matinal em paz. Ou seja, o lançamento do livro “Pra Cima de Puta” passou-me ao lado, com um vago arquear das sobrancelhas perante a escolha do título. Mas, como tudo o que envolve a mulher mais mediática de Portugal, há uma altura em que já ninguém consegue ignorar.Assim, numa entrevista com o José Alberto Carvalho em pleno “Jornal das 8”, ficámos a saber que o livro pretende ser uma denúncia e um pedido de regulamentação do esgoto a céu aberto que são as caixas de comentários. Entre a SIC e a TVI, a Cristina passou de Lady Di a Margaret Thatcher – de princesa do povo a mulher de sucesso e vítima da misoginia vigente. Pelo caminho, lançou uma petição contra o ódio e a agressão gratuita na internet que já conta com perto de 50.000 assinaturas e provocou uma tempestade no Twitter em torno do seu direito a apresentar-se como o símbolo da luta contra o cyberbullying e a sua pretensão em integrar as hostes do feminismo.
O grosso do livro consiste numa resenha dos múltiplos insultos a que foi sujeita – e a lista é longa. A maioria ataca-a na sua condição feminina e retoma todos os clichés usados contra uma mulher bem-sucedida e com poder, muitos deles com cariz sexual. Mesmo que seja uma cristã-nova nestas lides do feminismo, com este compêndio de machismo marialva, a Cristina Ferreira ganhou o seu lugar no céu ao lado das outras mártires do heteropatriarcado.
No meio deste novo furacão Cristina, não sei se foi dado relevo suficiente ao que uma grande parte dos comentários revela: o bom velho classismo da sociedade portuguesa - “podes ser a mulher mais rica e poderosa de Portugal, mas feirante foste, feirante serás”.
Faz sentido. Toda a personagem pública da Cristina Ferreira está construída em torno das suas raízes humildes, algures numa feira da Malveira. Quando lhe chamam “bimba” e “peixeira”, aquilo que se pretende enxovalhar não só a mulher, mas a sua origem. Acontece que este preconceito de classe não é um exclusivo feminino, atingindo igualmente os homens. Cavaco e Silva nunca conseguiu sair de Boliqueime; Passos Coelho será sempre de Massamá.
De certa forma, a Cristina é a nossa Oprah. Ambas nasceram num estrato social baixo e, através de programas com um formato popular, tornaram-se nas mulheres que dominam a paisagem mediática do seu país. Não têm o mesmo nível? A Oprah não é só filmes do Spielberg, clubes de leitura e entrevistas ao Obama. Os seus programas podem não ter os agudos necessários para partir todos os vidros das redondezas, mas quem for espreitar o célebre “You get a car!” vai descobrir uma boa dose de gritinhos femininos histéricos. Também a Oprah construiu uma grande parte da sua personagem pública a partir das suas raízes, só que estas assentam no Mississippi rural e nos subúrbios de Milwaukee, remetendo para a sua identidade afro-americana. Para ter uma analogia perfeita, precisava que a Joacine Katar Moreira, orgulhosamente racializada, tivesse decidido fazer televisão no horário diurno tal como faz política. É seguro que um “Querida Jô na TV” ia ter a sua dose diária de vitupérios sinistros. Mas duvido que participassem nesse coro muitos dos que não têm qualquer pejo em descrever a Cristina Ferreira como uma saloia nova-rica.
O classismo parece ser o último preconceito passível de ser emitido sem grande reprovação social, inclusive por quem, como eu, se declara feminista e antirracista, amiúde misturado com a natural superioridade dos mais instruídos - “disdain for the less educated is the last admissible prejudice”, diz-nos Michael Sandel num artigo do New York Times. Não tivesse o meu radar de classes prevalência sobre o meu radar étnico, talvez tivesse percebido sozinha as origens indianas de António Costa quando este me deu aulas. Na realidade, até ao dia em que tal me foi dito, já corria o ano letivo há vários meses, era só mais um professor de fato e gravata. E, se desligo automaticamente a televisão numa reação epidérmica à estridência da sua voz, pode muito bem ser por a Cristina Ferreira falar com um dos sons mais típicos do chamado “povinho”.
Machismo e o racismo estão vivos e recomendam-se. Mas ninguém em Portugal escapa ao preconceito de classe, tão ou mais sistémico do que todas as outras formas de discriminação. Qualquer que seja o género ou a etnia do seu alvo, o classismo salta-nos instintivamente perante quem mantém os tiques e trejeitos das suas origens mais baixas. Quando a pessoa consegue assimilar-se às classes sociais mais altas, o preconceito reaparece no elogio daquilo que foi atingido “apesar das suas origens”. Neste “apesar” respeitoso, ergue-se uma barreira onde vimos toda a nossa estratificação social e se ouve o eco da nossa diminuta mobilidade social.
Já lhe chama a Capela Sistina da Amazónia
“You know why trees smell the way they do?”
~ frances o’roark dowell
poesia sem moderação
Sous l'écorce morte une âme
Légèrement acide
Inflorescence solitaire
La langue de sa folie est échancrée.
December 02, 2020
Beba poesia sem moderação
Accoster son coeur
Enivré par un drôle de parfum
Qui ramène toute l'ardeur
Sur son chemin!
Se refugier dans ce rêve
Aussi profond que l'océan:
Pécher sans recul la fève
De la galette des grands!
Même si le désir natif s'en va
Il reviendra à chaque fois
A petits pas
Au meilleur endroit!









