February 16, 2020
February 15, 2020
Entardecer em Veneza
Alguém, no Universo, pintou-nos.
Mas está tudo doido neste país? Está um espectáculo a ser anunciado com ameaças de rapto àquele juiz machista...
Isto não é normal. Então põe um texto com ameaças ao homem e chamam à peça a beleza de matar fascistas? Mas está tudo doido?? Acham que isto é uma brincadeira??
A sério...?? E ninguém se riu na assistência?
Daniel Proença Carvalho: branqueamento de capitais é “um dos maiores problemas que o mundo enfrenta”
Right :)
"If you think globally, you get really depressed. So, the message is about acting locally. And the main message is that each one of us makes some impact on the planet every single day," ~ Jane Goodall
Entretanto...
Com o restaurante de ontem já tenho 24 na lista. Neste ano e meio que passou, nos dias de tratamento, como acabavam tarde, ia sempre jantar fora, com a minha irmã L., o meu filho e, várias vezes, com outras pessoas que se juntavam à festa porque a certa altura já corria a notícia que andávamos a experimentar restaurantes e que a coisa estava a correr bem e também queriam ir :) De início repetimos um ou dois mas depois começámos a procurar sítios giros e bons para ter uma experiência agradável. Como os tratamentos eram de 15 em 15 dias já temos uma lista razoável de bons restaurantes. Ontem juntei mais um à lista. Como muita gente já sabe disto já me começam a perguntar sobre sítios para ir comer fora. Qualquer dia abro aqui uma rubrica no blog sobre restaurantes giros em Lisboa.
Ontem foi dia de me apaixonar 🙂
Ontem fui ouvir a Criação de Haydn. Nunca a tinha ouvido ao vivo e mesmo em disco só tinha ouvido excertos em antologias e colectâneas. Estava muito bem a ouvir a música e a reparar nos músicos e isso, quando de repente vem uma parte tão densa e profunda, primeiro, mas depois enorme e larga, uma coisa um bocadinho wagneriana, inesperada pelo tom da música até então. Até parei de respirar. Aquela experiência de sentir um baque de adrenalina no coração e uma impressão no estômago? Pois foi isso. Apaixonei-me ali pela peça. São cerca de dez minutos de música... bouleversante, é o termo que vem à cabeça para descrever essa sensação de ser abalada. Apreciei o resto da peça com outra disposição e concentração, a sentir todos os pormenores da música.
Aqueles dez minutos de música já não me sairam da cabeça. É claro que chegada a casa fui para o youtube à procura de uma versão da peça para ver se aquelas partes da música eram uma interpretação daquele maestro ou se eram mesmo para ser assim. Já ouvi 4 versões da Criação de Haydn desde que me levantei. Descobri esta que gostei (o barítono tem uma voz lindíssima, parece um palácio). Entretanto descobri uma outra na internet tocada pela orquestra de Berlim mas que não está no youtube. Já a mandei vir porque agora tenho que ouvi-la tocada por esses aí.
Isto lembra-me quando, há mais de 25 anos, ouvi um dia uma certa música do Händel e fiquei completamente... bouleversé... por ele. Fui comprar CDs para ouvi-lo. Apaixonei-me especialmente por um deles com umas músicas que ouvia sem me cansar. Quanto mais ouvia mais gostava. De cada vez que ouvia descobria um pormenor qualquer mais para gostar. Até hoje... tenho uma paixão por essas músicas de Händel que não abranda :) O meu filho gosta do Händel desde muito criança à conta de minha paixão por ele.
Só acho que o dueto entre o Adão e Eva, no fim, com aquelas parvoíces, é uma cena que se prolonga demasiado e estraga um bocadinho o final.
Na discussão da Eutanásia o disparate vai de vento em popa
Agora anda por aí nas redes sociais um argumentário que consiste em publicar uma imagem de uma ordem do Hitler a decretar a eutanásia para depois concluir que, se o Hitler era a favor da eutanásia é porque a eutanásia é uma prática própria de nazis... a sério?? Quer dizer que, se o Hitler era a favor de salada de batatas a acompanhar as salsichas, já não podemos gostar de salada de batatas porque é uma coisa de nazis?? E Deus nos livre de gostar de salsichas!!! E não podemos vestir-nos de castanho porque ele era dos camisas castanhas e não podemos gostar de passear nas montanhas porque ele também aconselhava e por aí fora?? Onde já chegou o disparate...
'We need a new romanticism' II
Tem piada ter ido dar hoje com aquele artigo acerca da necessidade de uma contra-cultura deste novo cientismo ressurgente. É que ontem de manhã, numa aula, estive a falar disso com uma aluna.
Tenho esta aluna do 12º ano de quem gosto muito, muito. A rapariga tem imenso valor. Às vezes tenho vontade de a citar como exemplo em outras turmas, o que não faço, claro, nem isso resultaria. A rapariga teve um início de vida tão, tão difícil e desmoralizante... ainda tem uma vida difícil, mas isso não a demove. Ela lê e lê a sério. Anda a ler os clássicos. Dos americanos ao Kafka, dos franceses aos russos... lê em português, em espanhol e em inglês. Ontem, estando a turma a fazer um trabalho em grupo falámos um bocadinho. A conversa começou com o Bernardo Soares, que estava a ler. Disse-me, 'professora, o Pessoa não ressoa em mim, não sei porquê. Gosto do romantismo e de traços do gótico que se aproximam do romantismo' Perguntei-lhe se sabia porque gostava do romantismo e ela disse-me que sim, que gostava dos grandes contrastes e acima de tudo do respeito quase religioso pela grande Natureza. Perguntei-lhe se já tinha lido o Frankenstein de Mary Shelley. Disse-me que não mas queria ler (tenho que ir procurar o livro porque fiquei de lho emprestar). Que sabia que ela fazia uma crítica ao cientismo e à visão fechada que a ciência tem sobre a realidade que produz um desrespeito pela Natureza e uma falta de profundidade introspectiva (palavras dela). Depois disse-me que encontrava paralelismo entre a Mary Shelley e o Machado de Assis nessa questão das advertências aos excessos perigosos da ciência.
Pois é :) tenho uma aluna adolescente que lê Machado de Assis e que reflecte sobre a ciência, a realidade, os movimentos realistas, intelectualistas e românticos e a sua importância para a sobrevivência da humanidade, interior e exterior, mais ou menos ao mesmo nível (entre aspas, claro, mas a verdade é que ela, com menos estudo, experiência e leituras já chegou às mesmas conclusões) que Jim Kozubek, um adulto de Cambridge, Massachusetts, escritor, biólogo, especialista em escrita sobre ciência.
E o que é que isto me faz pensar? Que nesta profissão, de vez em quando, vamos dar com pessoas fora do vulgar. E que pessoas fora do vulgar, num sentido positivo, quer dizer, com muito valor, existem em qualquer ponto do mundo, porque o seu valor vem de dentro e não do mundo.
Ela é uma pessoa com poucas posses. No entanto, aqueles livros que já leu e tem certeza que não vai voltar a ler dá para a biblioteca, para que outros com pouco dinheiro também possam ler. É isto... estas pessoas fazem-me ter esperança que o futuro não está condenado.
Leituras pela manhã - 'we need a new Romanticism'
‘People thought they could explain and conquer nature – yet … they destroyed it and disinherited themselves from it.’ Havel was not against industry, he was just for labour relations and protection of the environment.
~Václav Havel, 1984, citado por Jim Kozubek in Enlightenment rationality is not enough: we need a new Romanticism
We are now on the verge of a new revolution in control over life through the gene-editing tool Crispr-Cas9, which has given us the ability to tinker with the colour of butterfly wings and alter the heritable genetic code of humans. In this uncharted territory, where ethical issues are rife, we can get blindsided by sinking too much of our faith into science, and losing our sense of humanity or belief in human rights.
The tension that typified Romanticism – that nature exists beyond the dominion of human reason – requires active contemplation and conscience. Evolution is true, and science meaningful, but glib or mercenary extrapolations of what science shows put us all at risk.
All the way back in 1817, the poet John Keats called this ‘negative capability’: the capacity to sustain uncertainty and a sense of doubt. In his lecture ‘The Will to Believe’ (1896), the psychologist William James complained that ‘scientific absolutists pretend to regulate our lives’, and explained in his dissenting opinion that ‘Science has organised this nervousness into a regular technique, her so-called method of verification; and she has fallen so deeply in love with this method that one may even say she has ceased to care for truth by itself at all.’
(excertos)
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