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November 10, 2025

Um título enviesado a noticiar uma TV enviesada




Director-geral da BBC e directora da BBC News demitem-se após polémica com Trump

Documentário emitido pela estação pública britânica apresentou discurso muito editado de Trump, no qual parecia incentivar o ataque ao Capitólio de 6 de Janeiro de 2021.

publico.pt/

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A notícia grosseiramente editada do discurso de Trump foi só a gota de água. Nas últimas semanas tem sido muito falado o caso do falso jornalista que reportou desde Gaza e é do Hamas, do documentário anti-semita com um 'filho de Gaza' que afinal é filho de um comandante do Hamas e o caso da apresentadora punida por dizer em directo 'mulher grávida' em vez de 'pessoa grávida' (como se os homens pudessem ficar grávidos e ter filhos). E a propósito destes casos têm vindo a lume muitas outras situações de uma política de enviesamento que mostram à evidência uma agenda, como eles dizem, a favor de narrativas de extrema-esquerda pró-islâmicas e anti-semitas - por exemplo, o caso da ocultação de notícias sobre os gangs de paquistaneses violadores.


November 08, 2025

October 07, 2025

Quem encomenda estas notícias sobre os professores portugueses estarem no melhor dos mundos?




Os professores estão felizes? Dez gráficos sobre o que se passa em Portugal e na OCDE
Público

Em várias partes do mundo, abundam as notícias sobre a escassez de professores, sobre a sua insatisfação e sobre o elevado número do que querem abandonar a escola. Mas o TALIS, o maior estudo internacional sobre a profissão docente, feito com base em questionários a 280.000 docentes de 17.000 escolas de 55 sistemas educativos, contém um retrato menos linear. Por exemplo: 26% dos professores portugueses sentem “muito” stress no trabalho (acima da média da OCDE: 19%); 16% afirmam que o seu trabalho tem “muito” impacto negativo na sua saúde mental (acima da média da OCDE: 10%). Mas 94% dizem que tudo visto e ponderado, estão satisfeitos com o seu trabalho (acima da média da OCDE: 89%).

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Quando começamos a ler, afinal 'os professores' são apenas os do 3º ciclo (7º, 8º e 9º), o que representa uma muito pequena percentagem dos professores dos 12 anos de escolaridade. Portanto, fica a pergunta: se o estudo era só sobre estes anos, porquê o título a tentar enganar e, se era sobre todos os anos de escolaridade, porque omitiram os outros? As respostas não interessavam para a manipulação da opinião pública?

Depois reparamos que a maioria dos gráficos compara-nos com, Singapura, Vietname, Costa-Rica, Uzbequistão, Colômbia... parecem ter escolhido a dedo os países que mais fazem contraste connosco para fazer passar uma imagem de estarmos muito bem. Depois reparo que numa letra muito desmaiada que mal de vê, em baixo aparece a média da OCDE.

Depois vêm as perguntas. O inquérito deve ter muitas perguntas mas escolheram algumas a dedo...

Por exemplo, «% de professores do 3.º ciclo com menos de 30 anos que ponderam sair» - com menos de 30 anos, significa que acabaram de entrar na profissão -talvez há um ano ou dois- e não nos dizem sequer se são professores com graduação profissional ou professores que estão a dar aulas sem formação profissional, etc. Como os dados são ambíguos, dão origem a interpretações completamente arbitrárias. É claro que não vem o gráfico dos professores que estão depois do meio da carreira, que são a esmagadora maioria dos professores portugueses, que não saem da carreira porque não têm profissão alternativa mas que assim que puderem pisgam-se.

Outro gráfico, que nos compara com a Albânia e o Kosovo, pergunta se Globalmente, estão satisfeito com o seu trabalho” e diz-nos que 93,7% dos professores portugueses dizem que sim. Vejamos, esses 93% referem-se aos tais com menos de 30 anos, que só trabalharam 2 anos? A questão refere-se ao modo como o professor entende que cumpriu o seu trabalho, os seus deveres e a maioria está satisfeita com o seu profissionalismo? Ou a questão é sobre se está contente com a profissão enquanto carreira, condições de trabalho, salário, etc.? Desconfio que é a 1ª hipótese pois em outros gráficos da notícia os professores queixam-se do salário, do desgaste mental, do excesso de burocracia e indisciplina.

Portanto, o que concluo é que o Público foi manobrar um inquérito de maneira a apresentá-lo como sendo as políticas da educação em Portugal um sucesso, dado os professores aparecerem como muito satisfeitos em percentagens superiores a 90%.

A minha questão é: quem encomendou a notícia?

Alguém que acredite nestas conclusões também acredita que Putin é mesmo eleito com 95% de votos. 

Nenhum professor com uns anos de trabalho e dois dedos de testa engole isto, pois todos os anos vemos uma dezena de colegas a sair, alguns a sair antes do tempo e com penalizações na reforma. Todos os dias ouvimos e temos experiência das condições de trabalho e do abandono a que sucessivos ministros nos deixaram, alguns mais do que isso, perseguiram-nos. E, embora a maioria esteja contente com a sua dedicação, o seu profissionalismo e o seu empenho no trabalho, só uma muito pequena percentagem está contente com a profissão - entendo por profissão, a carreira, as condições de trabalho, o modo como somos tratados, os salários, etc. 

Estamos todos tão contentes que há 3 ou 4 anos, fomos todos (os 130 mil) para a rua, 5 ou 6 vezes, manifestar e houve greve um ano inteiro. 

É por estas e por outras que o jornalismo está pelas ruas da amargura em termos de credibilidade.

July 20, 2025

Que se passa com o Público...?

 

Publica um artigo a defender, como credível, a opinião individual de um jornalista americano, conhecido pela sua simpatia por regimes autoritários e a sua antipatia por Zelensky e os próprios EUA, na sua conta no substack, como se fosse uma fonte oficial, só porque em 196.. e tal, o indivíduo ganhou um Pulitzer a falar do Vietnam.

Começa-se a ler o artigo e parece estranho que fontes oficiais digam que o governo americano provavelmente vai retirar Zelensky à força, do cargo de Presidente. Vão matá-lo...? Raptá-lo? 

A seguir, lê-se que as tais fontes dele entendem que isso é necessário para um acordo de paz e percebe-se que a notícia é falsa, pois Putin diz agora todos os dias que não há paz sem a rendição da Ucrânia. 

Finalmente quando se lê que não há paz porque Putin "despreza Zelensky", quando todos sabemos que o odeia e tem medo dele, torna-se óbvio que temos aqui um trombeteiro de Putin - ou um tolo. 

Fui investigar os sites oficiais e jornais americanos (NYT e WP) para ler sobre esta notícia bombástica e ver até que ponto é confiável. Nem uma palavra em lado algum.

Fui ver onde tinha sido publicada: em dois sites de notícias russos e pró-russos (zamin.uz e caliber.az) e num site iraniano (mehrnews.com). 

Need I May more?

Depois fui ver quem é este jornalista que desinforma desta maneira sub-reptícia em que dá a entender que isto é uma notícia fidedigna de fontes oficiais, ao mesmo tempo que diz que é do site pessoal do tal jornalista, para não poderem acusá-lo de manipulação ou desinformador encartado.  

Então, vejo que é um 'jornalista de dados' que estudou no Porto, foi editor de desporto e ganhou um prémio da Sociedade de Estatística num concurso de jornalismo de análise de dados. 

Porém, aqui está ele a publicar artigos sobre a guerra da Rússia na Ucrânia.

Que se passa com o Público...? 

Fui ver a página de Linkedin dele e vi o comentário do outro que ganhou o prémio de estatística com ele a dizer que ele é o Tinder das ideias dos partidos políticos...

Repito: que se passa com o Público...? 


Estados Unidos querem substituir Zelensky, diz jornalista norte-americano

publico

Num texto publicado no seu site pessoal no Substack, Hersh cita fontes oficiais “credíveis” em Washington para adiantar que, no caso de a Casa Branca ordenar a saída de Zelensky do poder para negociar o fim da guerra na Ucrânia, pode acontecer que o Presidente ucraniano seja retirado “à força” caso recuse demitir-se voluntariamente – que é o cenário mais provável (...)
(...)
As fontes ouvidas por Hersh referem que uma alteração na liderança em Kiev poderia facilitar as negociações de paz.
(...)
Estados Unidos querem substituir Zelensky, diz jornalista norte-americano
Dado "o desprezo de Putin por Zelensky" e a "possibilidade de uma escalada" dos confrontos, uma alteração na liderança da Ucrânia permitiria ficar mais perto de um acordo de paz.



July 17, 2025

Estou a ver mal ou este artigo de crítica a Montenegro e ao PSD é anónimo?

 

Então os jornais já publicam artigos de opinião a dizer mal de alguém, anónimos? 


“Se Roma paga a traidores, obviamente demito-me”

O caso mais recente, do apoio do PSD a Isaltino Morais em Oeiras, é para mim a gota de água.

July 04, 2025

Sandra Felgueiras - uma jornalista que não sabe considerar os problemas

 

Fala em ódio, ausência de humanidade e terrorismo como introdução à classificação das piadas de Joana Marques como tendo o efeito de infligir o medo e até sugere que é assim, com piadas que deixam pessoas chateadas, que começam as guerras como a que decorre entre o Irão e Israel e até fala em nazismo. Isto é a falácia do declive ardiloso (e este é um bom exemplo para apresentar na Lógica).

O declive ardiloso é um falso argumento em que, partindo de uma proposição inicial se vai encadeando consequências, como se fossem logicamente necessárias e inevitáveis, até chegar a uma conclusão catastrófica. Por exemplo: se não estudas para estes testes, tens más notas; se tens más notas não consegues entrar na faculdade; se não consegues entrar na faculdade, não arranjas um emprego decente; se não arranjas um emprego decente, entras em depressão; se entras em depressão tornas-te drogado ou alcoólico; se te tornas drogado ou alcoólico não consegues pagar uma casa e acabas um sem-abrigo. Conclusão; se não estudas para estes testes vais acabar por ser um sem-abrigo. É este o tipo de falso argumento que ela apresenta: se fazes umas piadas isso acaba na guerra como a que decorre entre o Irão e Israel. Ridículo.

Felgueiras parece, acima de tudo, ter medo que um dia façam piadas acerca dela. 

Compara uma piada sobre a interpretação de mau gosto de uma música, com alguém gozar com a violação de uma mulher. É preciso não ter noção de nada... 

E conclui dizendo que está tudo estudado e cita umas regras de caderno de aluno sobre a comunicação, que na sua cabeça esgotam as considerações possíveis sobre o assunto. 

E quando diz "que cada um vê o mundo pelos seus moldes" (depois de ter dito que já está tudo estudado e só há uma maneira de ver o assunto), está a confundir emoções, que cada um sente ao seu modo, com racionalidade, que é uma capacidade capaz de objectividade e universalidade.

E são estes os jornalistas que temos. Pessoas que defendem que o limite da liberdade de expressão é alguém não gostar das piadas. Com certeza estaria do lado dos que atacaram o Charlie Hebdo por causa de sentirem-se ofendidos com as caricaturas de Maomé. Uma lástima.

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Sandra Felgueiras

Descubra as semelhanças…entre Portugal e as guerras no mundo.
A liberdade é o maior legado de qualquer democracia.
Mas a liberdade tem limites. E são claros: termina onde começa o ódio. Quando o ódio se converte em palavras que podem gerar ações, violência e, no limite, conduzir ao terrorismo. O terrorismo é o ato de infligir o medo pela inexistência de limites ao ódio indiscriminado sobre civis. É a ausência de qualquer humanidade. De qualquer racionalidade .
É o vazio moral.
É por esta razão que se iniciam guerras de proporções inimagináveis como estamos a assistir com a entrada em cena dos Estados Unidos no conflito entre Israel e o Irão, esta madrugada.
A ameaça é a capacidade nuclear do regime liderado pelos Ayatollah. Esses líderes supremos que não são eleitos e declararam morte an Israel e aos Estados Unidos desde 1969.
Esta declaração é uma declaração de ódio.
Como são todas as declarações que ecoam entre neo-nazis.
Mas não só.
Sei que fica bem dizer que o humor é uma arte que deve ser respeitada porque, não aceitar este argumento, é por em causa a liberdade. Essa tão famigerada liberdade pela qual esta geração lutou imenso desde o ventre das suas mães.
É tudo lindo quando não é connosco. Quando o discurso de ódio, travestido de neo-nazi, de ayatollah ou humorista não nos toca a nós.
Se a humorista fosse uma criança na escola, estaríamos todos a concordar que ela faz bullying. Ou seja, usa as palavras para atingir gratuitamente o outro. O que muda no caso dos Anjos? Eles não são crianças e são figuras públicas. Esta dualidade já ditou a vitória de Joana Marques em tribunal. Não, não foi crime. E sim, eles puseram-se a jeito. Ah! Desculpem. Imaginem que eu agora diria isto de uma mulher que foi violada porque estava de mini-saia…em público? Imaginem que ninguém intervinha ou que ainda aplaudiam o ódio que ia nas veias de quem a violava? Não, não é comparável. Os atos são sempre diferenciados mas a génese é a mesma: chama-se ódio. Não tem um propósito benéfico à sociedade como deve ter todo o jornalismo, nem de criar algo novo. Alimenta-se da gaffe para denegrir. São todos os humoristas assim? Claro que não! A maioria sabe que as palavras geram atos.
PS - para quem não entendeu as comparações, sugiro que leiam textos de semiótica e lógica. A essência da comunicação (e percepção do ato comunicativo) está na forma, não no conteúdo.
Exemplo: A provoca B - B reage e escala para C.
Este meu texto é mais um exemplo de como cada um vê o mundo pelos seus moldes, esquecendo que na comunicação está tudo estudado há muitos anos.
Há apenas 3 atos que definem o ato de comunicar: locutório, ilocutório e perlocutorio.
Leiam “How to Do Things with Words” de J. Austin nos anos 50.
Talvez aí percebam que estou a falar de conceitos muito sérios e não a emitir uma opinião sem fundamento.
É bom concordar e discordar. Será melhor ainda que o possamos fazer com elevação.


Ese artigo podia ter sido escrito pelo Chega




Deturpa a realidade, incendeia, radicaliza, ataca a eito, dá a entender que os portugueses têm ideias nazis e desresponsabiliza-se pelo caos em que o governo de Costa, de quem foi apoiante entusiasta, nos deixou com a imigração ilegal e o tráfico de seres humanos. É um desserviço que presta à democracia e ao país. São uma grande parte dos jornalista que temos: o espelho do Chega, só que do lado esquerdo. Não são capazes de pensar nos problemas com objectividade. Vêm para os jornais gritar como se estivessem em comícios.


Somos contra imigrantes e pode-se bater nas mulheres


Uma newsletter de Ana Sá Lopes em que a política vai a despacho.

June 08, 2025

Jornais: Continuem neste caminho que vão bem




"Está tudo estigmatizado, absolutamente. É claro que houve também aproveitamento por parte de alguns proprietários que achavam que era um bom momento para ganharem dinheiro com rendas, vivendo no mesmo apartamento, 20, 30 cidadãos que procuravam melhores condições em Portugal. A Rua do Benformoso, o Martim Moniz, em particular, sempre teve essa particularidade de reunir gente que veio de outros países [outros países?? Não são 'outros países', são países islâmicos, é disso que se está a falar] e que procuraram em Lisboa a tal estabilidade, ganhar dinheiro para enviar para a família, etc. E, contrariamente àquilo que se diz, os episódios que tiveram lugar - e é verdade que aconteceram alguns episódios de confrontação até de natureza política, porque se tratavam de grupos rivais, [o nome correcto é gangs porque grupos políticos não se pegam à facada nem se matam] do ponto de vista político, nos países deles. Essas escaramuças [andar à facada e matar são escaramuças?]foram imediatamente aproveitadas por quem sempre se mostrou contrário à vinda desses cidadãos. E é verdade que quase não se vê portugueses ali, assim como noutras zonas de tantas capitais no mundo, como Chinatown. [em nenhuma capital do mundo não-islâmico se viam bairros só de islamitas, como o senhor em causa sabe, mas não diz, o que me parece intelectualmente desonesto. Chinatown não é um exemplo pertinente porque os chineses em nenhum país do mundo são hostis às sociedades para onde emigram nem praticam a violência contra elas, ao contrário dos islamitas. Aliás, ninguém tem receio de ir a Chinatown, nem os chineses fazem obstrução de ruas e praças para rezar, como se as ruas e praças fossem propriedade privada que lhes pertence. Acresce que Lisboa é pequena e os islamitas não estão num bairro como em NY ou Londres: começam a ocupar toda a baixa de Lisboa] As grandes cidades, as grandes metrópoles têm essa particularidade de ter um bairro que recebe maioritariamente oriundos de outras latitudes. [o que está aqui em causa neste artigo intitulado, 'Islamofobia' não são pessoas de 'outras latitudes' como Austrália ou Cabo-Verde mas as oriundas de países islamitas que têm uma matriz de não-integração e de violência contra não-crentes e, desde logo, mulheres] Ou seja, não é um problema termos uma Rua do Benformoso, só começa a ser problema quando há um aproveitamento por parte de determinadas orientações ideológicas, [este senhor ou é burro ou é cego ou está ao serviço de islamitas, da verdade é que não está] porque - volto a dizer - as escaramuças ocasionais que têm lugar no Martim Moniz, acontecem com a população portuguesa todos os dias, em todos os lugares, a todo momento, não só em Portugal mas pelo mundo.

Grande parte dessa aversão, desse sentimento islamofóbico, é importado do Norte da Europa. E essas modas foram entrando, foi alimentada a retórica (...) [modas? A violência e a desagregação social, a formação de gangs violentos, a radicalização de jovens, os gangues de violação de adolescentes são modas?? Uma fobia é um medo ou aversão irracionais sem fundamento. O comportamento dos islamitas nas sociedades em que se inserem oferece centenas de milhar de fundamentos para que se tenha prudência em relação a eles]"

João Henriques é Presidente executivo do Observatório do Mundo Islâmico in DN (excerto)

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Este senhor, em minha opinião (e pelas razões que brevemente aduzi) muito desonesto do ponto de vista intelectual e manipulador, é um exemplo notório daquilo em que se tornaram os jornais que é publicarem artigos de manipulação da opinião publica como se fossem opiniões sérias.

Fobia é um medo irracional de algo ou alguém. Ora, tanto a doutrina do Islão (uma doutrina de exaltação, apologia e prática da violência contra os hereges e as mulheres) como o historial dos grupos de islamitas nos países que ocuparam mostram os seus praticantes como pessoas que defendem o desrespeito pelos direitos humanos, a obediência ao islão acima da obediência à lei e a violência como normal em contextos de não-obediência ao islão e à lei da sharia.

Portanto, não existe islamofobia. Existerm pessoas, como este senhor e islamitas que se vitimizam como estratégia de fazer avançar a sua ideologia de opressão e violência.

A minha questão é: qual é o interesse de escamotear um problema que, não sendo abordado com inteligência, terá tendência a crescer com consequências dramáticas como em outros países? Em Inglaterra, por exemplo, está em discussão no Parlamento uma legislação para proibir formalmente o casamento entre primos direitos porque esses 'oriundos' do Industão, alegando que só podem casar entre eles, têm tido tantos filhos a nascer com deficiências profundas que a SS já não os consegue absorver.

Tanto faz que este senhor venha dizer que o problema da imigração de islamitas em massa é uma ilusão de gente islamofóbica porque a realidade existe e não deixa de ser o que é só porque ele vive dentro de uma narrativa de vitimização e, as pessoas que vivem nos limites ou dentro desses bairros batem todos os dias com a cara nessa realidade da agressividade e assédio contra as raparigas e as mulheres. Como é sabido, o Chega ganhou em todos os sítios do país onde essa imigração está presente, em massa - este termo, 'em massa, é o termo que importa. Mas estes senhores continuam as suas narrativas cegas e os jornais continuam a publicá-las como verdades. 

Continuem neste caminho que vão bem...

June 03, 2025

A pressa em culpar Israel é má para o jornalismo

 

E, portanto, é má para todos.


O Hamas mentiu sobre o hospital Al-Ahli. Os meios de comunicação social publicaram. 
O Hamas mentiu sobre as crianças Bibas. Os meios de comunicação publicaram.
O Hamas mentiu sobre os 14.000 bebés esfomeados. Os MCS publicaram.
Agora, o Hamas mentiu sobre o “massacre” de GHF - os MCS vão a correr publicar.

***

Se a guerra em Gaza ensinou alguma coisa ao mundo, foi o seguinte: a verdade na guerra raramente é imediata. No nevoeiro do conflito, os factos levam tempo, as provas podem ser manipuladas e as primeiras narrativas são muitas vezes transformadas em armas. No entanto, uma e outra vez, grande parte dos media internacionais - e demasiados funcionários públicos - recusam-se a aprender esta lição. Confrontados com afirmações chocantes, sobretudo quando implicam Israel, apressam-se a publicar, a condenar, a fazer manchetes [a incentivar o ódio aos judeus]. Raramente esperam pela verificação. Mais raramente ainda, corrigem com a mesma urgência quando os factos se desvendam.

Mais um exemplo deste fenómeno surgiu nas primeiras horas da manhã de domingo, quando os títulos correram os meios de comunicação internacionais: “Dezenas de mortos quando os tanques israelitas abrem fogo perto do centro de distribuição de ajuda em Rafah”. A implicação foi imediata e visceral - Israel tinha chacinado palestinianos esfomeados que faziam fila para obter comida. A BBC, a Sky News e outras agências publicaram rapidamente artigos citando “médicos locais”, “testemunhas” e “funcionários da saúde”. Alguns artigos mencionavam fontes “dirigidas pelo Hamas”, mas isso era frequentemente acrescentado em edições discretas, horas mais tarde.

A história desenrola-se a uma velocidade vertiginosa. Por volta das 5h30 da manhã, hora local, o hospital da Cruz Vermelha em Gaza comunicou um “afluxo maciço de vítimas” de cerca de 180 feridos. Não foram dadas informações específicas, apenas que os feridos estavam a tentar chegar a um local de ajuda. A meio da manhã, um médico britânico afiliado à Medical Aid for Palestinians declarou publicamente que o local era o centro da Gaza Humanitarian Foundation - um dos novos centros de ajuda geridos em cooperação com parceiros israelitas e americanos. Em pouco tempo, começaram a surgir as alegações de que os tanques israelitas tinham disparado contra a multidão. A partir daí, as alegações espalharam-se como fogo.

Quando os funcionários israelitas começaram a receber os pedidos de informação da imprensa, a narrativa global já estava definida: A culpa era de Israel. Questionada sobre os relatos durante uma entrevista à Sky News, a vice-ministra dos Negócios Estrangeiros de Israel, Sharren Haskel, pediu cautela, afirmando claramente que os factos ainda estavam a ser recolhidos. Haskel avisou sabiamente que a Sky talvez gostasse de investigar e esperar por mais factos antes de tirar conclusões precipitadas. 

Entretanto, os jornalistas mais experientes duplicavam os números de vítimas e as alegações das testemunhas. Os factos subjacentes ainda eram, na melhor das hipóteses, incompletos.

Mas depois a narrativa começou a ser posta em causa. Primeiro, surgiram imagens de vídeo, divulgadas e partilhadas por funcionários israelitas, que alegam mostrar multidões reunidas no local de distribuição durante o momento do alegado tiroteio. A cena era calma. As pessoas apinhavam-se para comer, mas não havia tiros, nem pânico, nem corpos. Não era uma prova conclusiva do que não aconteceu, mas não era certamente o que se esperaria na altura ou no rescaldo de um massacre. Estas imagens de segurança do próprio local de distribuição, alegadamente registadas na janela do alegado tiroteio, não mostram violência, nem vítimas, nem caos. Se for exacto, este facto põe em causa toda a premissa da história original.

Mesmo assim, muitos na imprensa mantiveram a narrativa. Um proeminente ativista palestiniano considerou as imagens como “apenas um clip de quatro minutos” que “não prova nada”. Isso até pode ser verdade - não prova definitivamente o que aconteceu - mas obriga a uma pergunta mais profunda: porque é que a alegação original, muito mais dramática, foi aceite sem filmagens, sem corroboração e sem escrutínio?

Depois vieram as imagens de drone, captadas pelas IDF, que parecem mostrar militantes armados e mascarados - presumivelmente combatentes do Hamas - a atirar pedras e a abrir fogo sobre civis palestinianos perto do local. De acordo com as IDF, os atacantes estavam a tentar bloquear ou perturbar a distribuição de alimentos que não estavam sob o controlo do Hamas. Não é de surpreender, dado o desespero do Hamas com a perda de rendimentos e de controlo após ter sido excluído do ciclo de distribuição de ajuda.

Ainda não sabemos exactamente o que aconteceu perto desse local de ajuda. É perfeitamente possível que pessoas tenham morrido ou ficado feridas em circunstâncias ainda não totalmente compreendidas. As zonas de guerra são caóticas e a verdade é ilusória. 

O próprio Israel tem ocasionalmente emitido declarações prematuras ou inexactas sob pressão - como no caso do tiroteio perto das ambulâncias, em que os relatos iniciais foram posteriormente revistos. Ao contrário do Hamas, Israel tem o cuidado de rever e pedir desculpa quando são cometidos erros, num esforço para alcançar a verdade através do nevoeiro da guerra. 

O que é inegável é a rapidez imprudente com que grande parte dos meios de comunicação social, e vários funcionários públicos, se apoderaram de uma narrativa de culpa israelita baseada em afirmações não verificadas de fontes afiliadas a terroristas jihadistas. Não se trata apenas de um lapso de julgamento. Trata-se de um fracasso sistémico - um fracasso de disciplina editorial, de humildade intelectual e de seriedade moral.

Alguns jornalistas argumentaram que se Israel não permite o acesso irrestrito dos media a Gaza, então os repórteres não podem ser culpados por confiarem em fontes locais. Mas isto é um non sequitur. O acesso restrito não justifica o abandono do cepticismo. Certamente não justifica o branqueamento de alegações de uma organização terrorista com interesse em manipular a cobertura ocidental. A própria razão pela qual Israel e outros países são cautelosos quanto ao acesso da imprensa é precisamente a facilidade com que a propaganda pode ser encenada nesses ambientes. Imaginem como seria pior se os seus repórteres estivessem literal e fisicamente à mercê do Hamas na Faixa de Gaza.

Este episódio faz eco do agora infame incidente do hospital de Al-Ahli, no início da guerra, quando o Hamas culpou Israel por uma explosão que matou centenas de pessoas - que mais tarde foi desmentida por análises forenses, comunicações interceptadas e investigações independentes. Mas o mal estava feito. A indignação global já tinha rebentado. Surgiram protestos. Os diplomatas reagiram. Uma mentira tinha percorrido meio mundo antes que a verdade pudesse entrar no sistema.

É suposto o jornalismo dizer a verdade ao poder. Essa missão é prejudicada quando a verdade é substituída pelo reflexo e o poder é definido de forma selectiva. A imprensa é mais nobre quando questiona as reivindicações de todos os lados, especialmente na guerra. No entanto, demasiados meios de comunicação social respeitados renderam-se a uma forma de imediatismo moral, movidos não por provas, mas pelo instinto de acreditar no pior de Israel e no melhor dos seus inimigos.

Este tipo de reportagem descuidada inflama a opinião pública, endurece as divisões diplomáticas e mina a legitimidade do trabalho genuíno no domínio dos direitos humanos. O pior de tudo é que insulta a inteligência daqueles que procuram a verdade num mundo já afogado em mentiras. 

Ninguém está a pedir aos jornalistas que aceitem simplesmente a palavra de Israel pelo seu valor facial. Mas o mínimo que devemos esperar é que também não aceitem a palavra do Hamas, jihadistas assassinos, implacáveis, mentirosos e fanáticos.


O mau jornalismo tem uma grande responsabilidade no descrédito da informação e das instituições

 

As reportagens imprudentes e irresponsáveis dos principais órgãos de informação dos EUA estão a contribuir para o clima anti-semita que resultou no assassinato de dois jovens num evento da Embaixada de Israel em Washington, no mês passado, e na tentativa de assassinato e ataque terrorista a um grupo de manifestantes pró-Israel no Colorado, no domingo.

Sem verificação de qualquer outra fonte que não fosse o Hamas e os seus colaboradores, o New York Times, a CNN e a Associated Press noticiaram que um certo número de pessoas que procuravam receber caixas de alimentos humanitários do Fundo Humanitário de Gaza foram baleadas ou mortas pelas Forças de Defesa Israelitas. Estas notícias eram FALSAS. Os vídeos feitos por drones e os relatos em primeira mão mostraram claramente que não houve feridos, nem mortos, nem tiros, nem caos. 

-Embaixada Americana em Jerusalém.


Aqui no rectângulo, também as TVs foram a correr dizer que os israelitas disparam sobre palestinianos com fome, baseados em uma testemunha local. As testemunhas locais que põem cá fora estas notícias são quase todas do Hamas ou palestinianos crentes no Hamas. Já outro dia vinha um grande título num jornal a dizer que 'académicos dizem que os israelitas estão a cometer genocídio'. Depois lia-se a notícia e eram duas pessoas quaiquer e o artigo era uma cópia de um artigo de um jornal estrangeiro. 
Porque é que os jornalistas do Ocidente, com raras excepções, adoram islamitas e têm ódio aos judeus, ao ponto de defenderem o rapto, a violação, a decapitação, o terrorismo, a instrumentação das pessoas como mártires como coisas normais é algo que não entendo. Isto, da parte de profissionais que estão sempre a falar de democracia e de valores humanistas. Têm canais de verificação de factos e batem muito nessa tecla que não praticam. 
E depois de se saber que são notícias falsas, as TVs e os jornais em geral não se retratam, de maneira que a notícia falsa mantém-se como verdadeira e os fake jornalistas continuam na sua fake vidinha. 
Estes jornalistas são pessoas desta nova escola ocidental para ignorantes ou os meios de comunicação social estão nas mãos de islamitas? Não sei, mas estas notícias falsas sucessivas dividem as populações ao meio e desagregam as sociedades.

BBC - o vídeo do IDF a disparar contra palestinianos afinal é falso




A BBC retirou oficialmente a sua história, confirmando que o vídeo das IDF a disparar sobre os palestinianos num local de ajuda era falso. A questão mantém-se: Se podiam verificar a verdade em 24 horas, porque não esperaram para o fazer antes de publicar a mentira?



May 07, 2025

Péssimo jornalismo (jornalismo de Tik Tok?)

 


1ª parágrafo:  "... não é provável, por isso, que se consiga um debate sereno e esclarecido sobre a imigração."

2ª parágrafo:: "A cedência aos discursos da extrema-direita é óbvia", ou seja, reduziu o debate a uma acusação demagoga, não serena nem esclarecida, de isso não passar de "discursos da extrema-direita".

Péssimo jornalismo de opinião. É que nem se preocupam em ter um discurso com um mínimo de consistência e dá ideia que nem reparam nas contradições óbvias dos seus discursos.


Vamos falar de imigração


Inês Cardoso

Estaremos em campanha eleitoral ainda uma semana e meia e não é provável, por isso, que se consiga um debate sereno e esclarecido sobre a imigração.
(...)
A cedência aos discursos da extrema-direita é óbvia e levou também o PS a recentrar o seu posicionamento.

March 31, 2025

“I believe in an open mind, but not so open that your brains fall out” (Arthur Sulzberger)

 


Desde Eisenhower até à chegada de Trump, houve períodos de declínio da confiança na imprensa, mas o fosso partidário foi bastante consistente durante esse período.
Penso que há outros factores que também temos de ter em conta. Estamos numa era em que, devido aos meios de comunicação social, é mais fácil do que nunca reunir pessoas com ideias semelhantes e construir as suas próprias narrativas, o que faz com que as vozes mais altas e extremas dessas comunidades tendam a elevar-se. É mais fácil para esses grupos mobilizarem-se e serem ouvidos. 
Esta é a dinâmica fundamental dos media sociais. Atualmente, vemos que a tolerância para com os jornalistas que desafiam as narrativas de grupo diminuiu. Antes, isso só acontecia com o aborto, com Israel-Palestina, com a política presidencial; essas eram as histórias gigantes da vida americana que tinham todas essas dinâmicas, em que o tipo de retórica e a intensidade pareciam estar sempre a aumentar. Agora é em tudo.
Outra dinâmica no nosso sector é que o jornalismo, até certo ponto, se tornou uma câmara de eco. O que é que eu quero dizer com isso? 
Já há algum tempo que não vejo a sua biografia, mas se é como muitos jornalistas da sua geração e da minha geração, provavelmente começou num jornal local. Esse era o caminho tradicional. E como era o dia a dia de um jornalista nessa altura? Se fosse um repórter em formação, provavelmente estava a escrever.

Tal como no Providence Journal.

Provavelmente escrevia uma a três histórias por semana, algures. Como eram os seus dias? Todos os dias, estava nas comunidades que cobria. Era confrontado com toda a diversidade deste país e da experiência humana. No mesmo dia, falava com ricos e pobres, falava com uma mãe que tinha acabado de perder um filho por assassínio e com uma mãe cujo filho tinha acabado de ser preso por assassínio, certo?

Está a dizer que isso mudou? Que os repórteres estão apenas sentados em salas em frente a um ecrã? Não me parece que seja esse o caso.

Claro que é o caso! É o resultado menos falado e mais insidioso do colapso do modelo de negócio que historicamente sustentou o jornalismo de qualidade. O trabalho de informar é dispendioso. Com o desaparecimento dos meios de comunicação tradicionais e, em particular, dos meios de comunicação locais, e com os meios de comunicação digitais a preencherem esse vazio, assistimos a uma inversão total da forma como os repórteres passavam os seus dias. 
O novo modelo é ter de escrever três a cinco histórias por dia. Ora, se temos de escrever três a cinco histórias por dia, não há tempo para sair para o mundo. Passamos o tempo a escrever, a escrever no computador, o que significa que nos baseamos na nossa própria experiência e na experiência das pessoas que nos rodeiam. 
Assim, literalmente, muitos jornalistas neste país deixaram de passar os seus dias no campo, rodeados de vida, para passar os seus dias num escritório com pessoas que exercem a mesma profissão, que trabalham para a mesma instituição, que vivem na mesma cidade, que se formaram no mesmo tipo de universidade.

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Excerto de uma entrevista a A. G. Sulzberger, editor do NYT (que está nas mãos da sua família desde os anos 50 do séc. XIX)

February 06, 2024

Jornalismo 'mais do mesmo' II

 

O jornalista insinua que estamos 'governados à vista' nos 'últimos meses' por culpa do MP que se comporta como uma criança, quando na verdade há mais de cinco anos que andamos a ser governados à vista e o irresponsável de serviço é o Primeiro-Ministro e os seus governantes - não há aqui espaço para citar todos os casos de prevaricação, grave negligência, clientelismo e corrupção a braços com a justiça, para não falar da irresponsabilidade com que se enterram milhares de milhões em projectos falidos, em amigos ou em serviços de ideologia.

O jornalista insinua que os agricultores também são irresponsáveis - não deve viver neste país com o interior completamente abandonado (não há lá primos de prestígio) e a ministra da agricultura a ter de ser proibida de falar com os agricultores, tal não é a sua incompetência.

Às forças de segurança chama "selvagens". E porquê? Porque prejudicaram um jogo de futebol.

Já o governo é um coitado que não pode fazer nada. Teve oito anos para fazer algo, mas são estes dois meses que contam - lá está, fazem lembrar os alunos que estão os 90 minutos do teste a olhar para o ar mas na altura em que toca e tiramos os testes, nessa altura é que iam tirar o 20.

Este jornalista de insinuações, "não discute a legitimidade dos protestos", mas é tudo gente irresponsável como crianças que deviam era estar calados e amochar porque o governo é excelso e uma vítima desta gente selvagem. Compreende-se o seu ponto de vista: amochar até bater com o nariz no chão é a única acção que este tipo de jornalistas conhecem face ao poder e nem percebem que possa haver outras acções de cabeça levantada. 

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Nos últimos meses, vivemos num país governado à vista, à espera que as eleições legislativas nos coloquem em São Bento um primeiro-ministro pleno de poderes. Mas isso já sabíamos e, na verdade, já quase estamos habituados a que operações com divertidos nomes causem mais alarido que condenações ou, sequer, acusações. Quem se pode esquecer da história de Nuno Mascarenhas, presidente da Câmara de Sines, que passou seis dias detido para, no final, sair sem qualquer acusação depois de o Ministério Público ter pedido a suspensão do mandato, proibição de contactos e de entrar nas instalações da autarquia? Agora, a sensação é a de viver num país em que os adultos parecem ter, definitivamente, abandonado a sala. Como se estivéssemos trancados numa sala de aula em que o professor entrou em greve, ou desistiu, deixando os alunos sem ordem, cada um dedicado a responder aos seus mais rudimentares ímpetos.

Nos últimos dias, vimos um movimento de agricultores bloquear vias públicas para, depois de o Governo responder às suas exigências, a maior dificuldade estar na comunicação com cada ponto de bloqueio por falta de interlocutores.

Vivemos num país em que as forças de segurança protagonizam protestos selvagens, sem que se conheçam os líderes do movimento ou a respetiva agenda. Foi assim que, no passado fim de semana, um jogo de futebol da principal liga nacional acabou, primeiro, marcado por agressões no exterior do estádio e depois cancelado por falta de condições de segurança.

Um Governo de gestão, diz, não se pode comprometer com “encargos duradouros”


Não discuto a legitimidade da luta dos polícias, tão pouco ponho em causa a insatisfação de agricultores ou professores. Também não é a inépcia do Governo que, agora, me preocupa. O susto está na proliferação de movimentos de protesto inorgânicos, sem responsáveis conhecidos, capazes das mais espalhafatosas, ou irresponsáveis, ações, mas pouco dados a negociar. Sobretudo num momento em que o poder político está, por culpa própria, debilitado. O susto, o maior, está em saber que movimentos sem caras tendem a ser subvertidos, a responder a agendas dúbias e a ser, facilmente, manipulados. Era bom que os adultos voltassem à sala.

Filipe Garcia in 
/www.dn.pt/

Já sabemos? Não, não sabemos

 


A dívida pública ter baixado, não quer dizer que a economia esteja bem, quer dizer que cobraram impostos acima do que é razoável e deixaram (há anos que deixam) os salários abaixo da inflação. Não houve nenhum investimento na economia. O ministro respectivo foi um flop. A nossa economia está anémica e o que sustenta o país é o turismo. Há tão pouco emprego e tão mal pago que fogem todos daqui às centenas de milhar, o que num país de poucos milhões cheio de pensionistas é um problema gravíssimo. Se a economia estivesse bem, as pessoas não fugiam daqui. Há uma perturbação social de todos os sectores e se se livraram da tradicional intermediação sindical é porque os sindicatos se vendem aos governos: hoje és sindicalista, amanhã és adjunto do ministro ou director-geral de qualquer coisa. Estas pessoas que escrevem estas coisas não vivem no país real. 

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Já sabemos que a economia está bem e que se recomenda e que as pessoas estão pior e a perder a paciência. Que ninguém quer festejar a descida da dívida pública abaixo dos 100% do PIB e outras façanhas das Finanças, quando uma série de profissionais, maioritariamente pagos pelo Estado, se liberta da tradicional intermediação sindical e se manifesta desafiante. Os protestos vão entrar pela campanha dentro e os partidos vão ter de saber lidar com eles. E com a aproximação ao Chega transformada em táctica à esquerda e à direita.


January 30, 2024

Os extremos tocam-se




Os que defendem que devemos abrir as portas indiscriminadamente à imigração -legal ou ilegal- e que os críticos são todos pessoas racistas que alimentam discursos de ódio são tão cegos e dogmáticos como os que defendem que devemos fechar totalmente as portas à imigração e ter aqui apenas portugueses de Portugal. Uns e outros não parecem ser capazes de pensar a complexidade dos problemas associados à imigração. Aliás este indivíduo fala a favor da imigração de um ponto de vista meramente funcional que é o de equilibrar as contas da SS - o que deixa implícito que, se não fora esse problema não se interessaria pelos destinos dos imigrantes. Diz ele que o discurso do Chega contra a imigração é um discurso emocional a apelar ao medo do imigrante, mas o seu próprio discurso é um discurso emocional a apelar ao medo do Chega.

O Chega e a imigração


António José Gouveia
Editor-executivo


O ano de 2023 terminou com números de imigração ilegal que não eram vistos desde 2016. Quase 270 mil pessoas entraram em território europeu fora da lei, arriscando a vida para o fazer. Certas forças políticas, como o Chega, alimentam a perceção de que todos eles tiram partido do bem-estar social dos países. Um discurso utilizado maliciosamente porque encontram uma forma fácil de provocar medo e obter votos. Foi o que aconteceu na convenção do partido de André Ventura, onde foram ditas falsidades sobre o real contributo dos estrangeiros. Uma delas tem a ver com a Segurança Social. Segundo o Chega, os imigrantes estão a beneficiar dos pagamentos feitos pelos nossos pais e avós, recebendo chorudas ajudas da Segurança Social. É exatamente o contrário, pois a diferença entre as suas contribuições e benefícios é bastante positiva para o Estado: os últimos dados de 2022 referem um saldo de 1,6 mil milhões de euros. A questão da imigração deve ser abordada - nisso o Chega tem razão -, mas com rigor e sem preconceitos, até porque Portugal está condenado ao envelhecimento. E se não fosse a chegada de estrangeiros, a inversão da tendência da natalidade não seria possível, conforme os últimos dados do INE.

A questão aqui é exatamente o preconceito que o Chega tem em relação aos imigrantes, levando para a opinião pública números e situações que são mentiras, como, por exemplo, que Portugal tem um milhão de imigrantes e que grande parte deles têm pensões de 330 euros ou recebem subsídios de mais de mil euros. Pelo contrário, com os seus descontos para a Segurança Social, estão agora a ajudar a pagar as reformas dos nossos idosos, conforme refere o Relatório Estatístico Anual 2023 sobre os Indicadores de Integração de Imigrantes: “A população estrangeira residente em Portugal continua a ter um papel importante para contrabalançar as contas do sistema de Segurança Social”.

O Chega tem sabido explorar o medo daqueles que sofreram com a crise económica para apontar o estrangeiro como a ameaça real. E o mais grave é que pode arrastar os partidos da direita tradicional para esta dinâmica. É um discurso de ódio que, muito provavelmente, só serve para ganhar votos e carrega emocionalmente uma questão que deve ser acordada entre a direita e a esquerda.


January 13, 2024

Pequeno gestos simbólicos

 


Hoje, a caminho do mercado, comprei o DN. Um pequeno gesto simbólico de solidariedade, claro, mas acontece que acredito que, se todas as pessoas fizessem, cada uma, um pequeno gesto simbólico na direcção certa, muito problemas não existiam e outros resolviam-se rapidamente.

Esta semana andávamos à procura de um programa cultural interessante para fazer no fim de semana e fomos dar com um que inclui uma visita à mesquita de Lisboa e um almoço tipicamente muçulmano. Muito interessante. Só que o programa vem acompanhado de uma advertência às senhoras: para além de não se poder ir de mini-saia ou de calções e isso, é obrigatório ir com um lenço a cobrir a cabeça. 

Não quero fazer isso quando tantas mulheres no mundo são assediadas, presas, torturadas, espancadas, chicoteadas e mortas por causa de não cobrirem a cabeça. Um pequeno gesto simbólico de solidariedade que não muda a realidade dessas raparigas e mulheres? Talvez, mas lá está: cada um de nós é um agente, por muito pequeno que seja o seu raio de acção e influência e se todas as pessoas fizessem, cada uma, um pequeno gesto simbólico na direcção certa, muito problemas não existiam e outros resolviam-se rapidamente.

Deixa-me ir ler aquele 'recado' aos professores que se vê ali à direita.




November 03, 2023

Há um dia para lembrar os jornalistas presos por ditadores

 


Embaixada dos EUA em Minsk


Os nossos pensamentos estão com todos os jornalistas que permaneceram presos na Bielorrússia em mais um Dia Internacional para Acabar com a Impunidade dos Crimes contra Jornalistas. Não é crime ser jornalista.

July 12, 2023

O jornalismo de opinião independente começa com transparência

 


Em Portugal temos pouco jornalismo de opinião independente. Entendo, tal como o que se diz no artigo do post anterior, que jornalismo independente se refere, não a pessoas com independência partidária (embora a possam ter) mas a pessoas que têm o foco no esclarecimento dos eventos e jogos políticos, estando ancorados nos factos e razões justificativas e não em guiar a opinião pública, quais formigas, para carreiros do seu partido político.

Mesmo esses que emitem opinião, sendo activistas num partido político, devem ter espírito crítico em relação ao seu próprio partido pois caso contrário, a comunicação social destrói definitivamente a sua capacidade de escrutínio da acção política e, consequentemente, de intervenção democrática.

Para começar, os jornais e revistas deviam ter como princípio de transparência tornar públicas as condições dos opinadores que escrevem nos seu jornais, para que possamos saber, à partida, quem são, se pertencem a um partido e que percurso político fizeram, se fazem parte de outros grupos culturais, etc. , pois com essas informações ajuizamos o que escrevem mais objectivamente - já que, se alguns se denunciam logo, desde a primeira linha que escrevem, tal é a desonestidade intelectual e lealdade canina que mostram a um partido, outros são mais subtis mas têm o mesmo defeito de escrevem para produzir certos efeitos políticos em vez de esclarecer os temas que abordam.

O problema começa logo em pequenos. Ter um opinião é ter um ponto de vista e um ponto de vista é algo que se constrói com leituras, com muita discussão e com experiência de vida. É por isso que quem tem um ponto de vista sabe fornecer razões válidas (mesmo que discutíveis ou polémicas), coerentes e baseadas em dados fidedignos, para as afirmações que profere. Ora, hoje-em-dia veícula-se a (falsa) ideia de que qualquer um que expresse as suas emoções está a emitir um ponto de vista sobre as questões. Mistura-se a ordem das emoções com a ordem das razões como se fossem critérios com a mesma validade epistemológica.

Ontem, porque li que os resultados do exame de Português do 9º ano foram positivos na ordem dos 70%, fui ver a prova. Para além de ser quase tudo exercícios de escolha múltipla, mas isso é outra questão, há um item em que se pede aos alunos para darem a 'sua opinião', o 'seu ponto de vista', sobre o tema: 

'terão as histórias que vamos ouvindo ou lendo ao longo da vida a capacidade para despertar em nós ideias novas, podendo transformar-nos?'
Como é que adolescentes tão novos que praticamente não lêem nada, mas mesmo que lessem alguma coisa, podem ter uma opinião, um 'ponto de vista' sobre o impacto transformador que a leitura, ao longo da vida, pode ter em nós? Provavelmente vão repetir o que o professor ou algum autor que deram na aula disse ou, não sendo o caso, vão dizer lugares-comuns que ouviram algures. Mas, se é para repetir o que algum autor estudado disse, porque não é isso assumido na prova e, se é para que digam lugares-comuns para que se pede isso? Para que fiquem convencidos que têm opiniões válidas sobre tudo e mais alguma coisa e que isso é possível sem ler, sem estudar, etc.? 

Lembro-me de um exame que classifiquei há uns anos (também na prova de filosofia se pede aos alunos que dêem a 'sua opinião' sobre a filosofia dos filósofos...) em que um aluno dizia, sem se dar conta do absurdo ou ridículo, "Kant partilha da minha opinião acerca das acções dos homens".

Toda a nova cultura de manipulação tem por base a ideia de que os pontos de vista inculcados por correntes ideológicas são uma escolha própria resultante de uma opinião própria. Se ligarmos a TV na hora da publicidade, vamos ao ponto absurdo de ver anúncios de pensos higiénicos ou de lâminas com o slogan, 'o teu corpo, a tua opinião, a tua escolha'... Não admira que tantos pensem que têm uma opinião, um ponto de vista próprio. Começam a ser "trabalhados como os árbitros" desde cedo, para pensar isso. 

Penso que este movimento se inscreve numa, mais global, desvalorização do rigor na educação e no conhecimento - veja-se o movimento dos anti-vacinas, dos anti-cientistas, dos anti-ambiente. Não que essas pessoas não possam ser contra o que quiserem, mas não são capazes de argumentar as suas posições a não ser com ataques à pessoa e teorias de conspiração. O relativismo no conhecimento não é igual a, equivalência de todas as opiniões.

Daí até ao jornalismo partidário que se julga certo na defesa da sua verdade que vê como 'a única' verdade, que deve ser defendida como se estivesse em guerra, vai um curto passo. 

A primeira obrigação de um jornal, penso, um meio de comunicação que quer ser credível é a transparência: identificar quem são os seus opinadores, qual o seu percurso político e em que qualidade escrevem. Não basta dizer, engenheiro, advogado, cronista, sub-chefe, etc. 

O mesmo se deve fazer aos opinadores de temas cientistas e/ou culturais que são influenciadores (ou querem ser) da opinião pública. Conheço vários homens que escrevem artigos de opinião em jornais nacionais e revistas conhecidos com pseudónimo de mulher, para poderem emitir opiniões machistas (que pensam ser A Verdade) e escaparem à crítica das mulheres - são muitas as mulheres que não criticam outras mulheres por lealdade feminista. Também esses artigos devem esclarecer que são escritos sob pseudónimo para não enganarem o público que os lê.

Do mesmo modo é importante saber quem são as pessoas que escrevem contra ou a favor do ambiente, ou das vacinas, por exemplo: faz diferença trabalharem para um lobby farmacêutico ou pertencerem a um grupo de anti-vacinas.

Porém, mais importante e fundamental é, em primeiro lugar, modificar o sentido actual de exaltação do emocionalismo na educação que é contrário à formação de um espírito crítico e de uma higiene mental sem os quais as democracias dificilmente prevalecem; em segundo lugar, fortalecer as instituições contra a intromissão dos partidos políticos e para isso precisamos de uma administração pública forte e com formação de qualidade.

Leituras pela manhã - O que torna o jornalismo de opinião independente? A dedicação à argumentação e à análise, não ao resultado político... Votar é uma escolha binária, mas pensar não é

 

O Partido Republicano radicalizou-se e tornou-se autoritário porque está preso numa bolha, vendo os seus inimigos como perigosos e os seus próprios líderes como fracos, respondendo a esta realidade de formas agressivas que apenas aprofundam a sua raiva e paranoia.

A capacidade dos republicanos de operarem dentro de uma epistemologia fechada pode parecer uma vantagem invejável, mas é também uma fonte de fraqueza. Os republicanos têm-se prejudicado a si próprios com políticas impopulares e líderes corruptos, mas, em vez disso, têm direcionado a sua raiva para fora. 
A sua disciplina partidária impede a crítica interna e cria uma cultura em que cada fracasso é uma traição, e a única resposta é lutar ainda mais. 

A prática de rotular todos os cépticos como traidores tem o desagradável efeito secundário de nos fazer acreditar nas nossas próprias tretas.
(substitua-se, 'partido republicano' por, 'partido do governo PS')


O INTERESSE NACIONAL

Em defesa do jornalismo de opinião independente O "hack gap" entre a direita e a esquerda tem vindo a estreitar-se.

Por Jonathan Chait, (colunista político desde 2011)


Há algumas décadas, os liberais começaram a ver a assimetria estrutural dos meios de comunicação social como um dos principais problemas da política americana. 

O Partido Republicano tinha um aparelho mediático assumidamente partidário - Fox News, fundada em 1996 - que usava para promover a sua mensagem. Os democratas não tinham nada de semelhante. Pior ainda, os principais meios de comunicação social tinham-se tornado altamente sensíveis a acusações de parcialidade liberal e tratavam as narrativas promovidas pelos republicanos, por mais superficiais ou farsescas que fossem, como sendo sempre dignas de notícia. 
Os meios de comunicação conservadores eram servilmente partidários e os meios de comunicação "liberais" estavam cheios de histórias sobre como Al Gore era visto como um mentiroso patológico, ou John Kerry como um efémero inconstante.

Duas frases que expressavam essa frustração entraram em circulação. Uma era "trabalhar os árbitros", que foi tirada do mundo do desporto, para descrever a forma como os republicanos empurravam os repórteres e os editores para a direita com queixas incessantes de parcialidade; a
 segunda era, hack gap, que descrevia o desequilíbrio do ethos profissional entre a esquerda e a direita. 

Os especialistas liberais tendiam a ver-se mais como jornalistas do que como activistas. Esperava-se que apresentassem argumentos originais em vez de fazerem eco de uma mensagem comum e as recompensas da progressão na carreira iam, geralmente, para aqueles que estavam dispostos a criticar os democratas e os colegas progressistas. 

Os especialistas conservadores saíram geralmente do movimento conservador, viam-se a si próprios como trabalhando para um projeto ideológico e operavam com a disciplina apertada de um movimento político. 

Os democratas enfrentavam críticas internas se falseassem a verdade ou violassem qualquer norma ética, enquanto os republicanos, desde que se mantivessem fiéis à doutrina conservadora, podiam contar com o apoio do seu coro, independentemente do que fizessem.

Ao longo do tempo, estas críticas exerceram um efeito profundo nos meios de comunicação social. Os principais meios de comunicação social deslocaram-se nitidamente para a esquerda e a sua prática, outrora universal, de cobrir todos os debates factualmente, tratando a verdade como desconhecida, tornou-se mais rara.

O jornalismo de opinião progressista mudou de forma ainda mais dramática. Romper com o grupo para questionar uma crença partilhada pela esquerda já não é uma caraterística valorizada; agora é possível construir uma carreira afirmando inabalavelmente as posições do movimento progressista. 

De um modo geral, a profissão mudou para melhor porque a Internet abriu muito mais vozes à esquerda, em todos os sentidos. Há mais escritores de mais perspectivas e com mais conhecimentos e muitos deles não são homens brancos. Acabou o absurdo do mundo dos anos 90, em que o espectro ideológico do pensamento dominante terminava no centro-esquerda. 

Em termos políticos, o aparelho de comunicação está mais equilibrado
As desvantagens deste novo mundo mediático são óbvias. Juntamente com o seu sistema de mensagens partidárias, os progressistas construíram uma contrapartida para a bolha de informação em que os conservadores há muito residem. Onde antes era raro encontrar algum pseudo-facto a circular entre a esquerda, agora é rotina.

Em 2010, Julian Sanchez, um libertário, descreveu o universo fechado do pensamento conservador como "fechamento epistémico" - qualquer fonte que refutasse as afirmações conservadoras era automaticamente considerada indigna de confiança. 
Podemos agora discernir na esquerda, pelo menos, a formação embrionária de um universo alternativo semelhante, no qual qualquer desafio inconveniente é reflexivamente rejeitado como "bothsidesing", "concern trolling", uma forma de fanatismo.

Todos estes chavões descrevem males reais, mas também se tornaram chavões utilizados para afastar quaisquer factos ou crenças que compliquem a narrativa progressista.

O fosso entre ambos está a diminuir ao ponto de parecer agora necessário defender a existência de um jornalismo de opinião independente.  O editor do New York Times, A.G. Sulzberger defendeu, no mês passado, o compromisso do seu jornal com o que chamou de "jornalismo independente".

Sulzberger concentrou-se principalmente nas reportagens, mas penso que o seu conceito pode ser aplicado ao jornalismo de opinião. 
O jornalismo de opinião independente descreve a escrita de opinião que se destina a informar os leitores sobre o mundo através de argumentos e análises, em vez de encorajar diretamente certos resultados políticos.

A independência deve ser entendida como um conjunto de hábitos que podem ser praticados por escritores de todo o espetro ideológico. Não significa ter uma identidade "independente" no sentido de voto partidário. O jornalismo de opinião independente pode ser produzido por escritores que ocupam perspectivas situadas entre os dois partidos, fora ou ortogonais a eles ou diretamente dentro deles.

A independência encoraja (embora não garanta; somos todos falíveis) certos tipos de higiene mental: tentar imaginar em todas as situações o que aconteceria se as identidades partidárias fossem invertidas, admitir que as pessoas com compromissos políticos opostos podem, por vezes, ter pontos de vista correctos, testar a consistência lógica e histórica dos seus próprios argumentos. 'Será que eu me oporia a esta táctica usada pelo partido da oposição se o meu próprio partido a utilizasse'?

O trabalho de um activista é promover (ou, em alguns casos, impedir) a mudança política. É uma profissão honrada, mas os contornos deste trabalho de mover a opinião pública em direção à posição que se deseja envolvem sombrear umas verdades e/ou omitir outras. Ambas as formas de argumentação podem ser persuasivas e articuladas, mas uma destina-se a edificar e a outra a promover objectivos políticos.

Pense na diferença entre um professor que analisa uma questão jurídica e um advogado que defende um cliente. O primeiro tem um ponto de vista, mas utiliza a argumentação com o objetivo de promover uma compreensão mais profunda para os seus leitores. O segundo escolhe e utiliza os factos mais úteis para o seu cliente.

Se considerarmos a metáfora do trabalho dos árbitros, a distinção entre jornalismo de opinião independente e o activismo político torna-se perfeitamente clara. A frase descreve a forma como muitos treinadores repreendem os árbitros, na crença de que vão forçar esses funcionários a decidir o jogo de uma forma mais favorável. 
O treinador pode ser suficientemente parcial para acreditar genuinamente em tudo o que grita aos árbitros, e os adeptos da sua equipa podem ver os árbitros da mesma forma que o treinador. Mas um treinador que está a 'trabalhar os árbitros' não está a tentar dar aos adeptos uma avaliação justa dos árbitros. O seu objetivo é ganhar o jogo.

Muitos dos que criticam publicamente os principais meios de comunicação social, quer da esquerda quer da direita, estão a 'trabalhar os árbitros'. Na medida em que confiamos nos árbitros como fontes de informação política, estamos a colocar o nosso juízo nas mãos de pessoas que não estão interessadas em esclarecer-nos. Podem querer que estejamos informados sobre histórias que nos encorajam a apoiar a sua coligação política, mas não querem informar-nos sobre histórias que a prejudicam. Não estão a trabalhar para nós, estão a 'trabalhar-nos'.


Esta forma de advocacia não precisa de ser cínica. Os seus defensores vêem-se muitas vezes como idealistas: estão a travar uma grande cruzada contra os mentirosos. O seu modelo mental é uma espécie de guerra de trincheiras em que a cedência de qualquer terreno ao adversário é uma derrota. 

Em 2023, Collins apresentou a luta pela verdade em termos marciais. "As pessoas que divulgam a verdade estão sob cerco na guerra da informação". Os ingredientes para a vitória nesta guerra, argumentou, são a unidade e a força de vontade:
Os triunfos da verdade não são acidentes, são momentos em que os meios de comunicação social americanos -especialmente os que não fazem parte do sector da desinformação- não hesitaram e não cederam um milímetro às mentiras e aos mentirosos que as contam... Mas é preciso unidade, e não capitulação. Não se pode ir ao encontro dos mentirosos a meio do caminho, porque a verdade passa a ser uma meia mentira. Temos simplesmente de ser mais altos e mais claros com a verdade.
A noção de que há alturas em que o jornalista deve ceder um centímetro, porque o outro lado tem razão, foi completamente ignorada por Collins. (Isso não pareceu incomodar os juízes dos Prémios Cronkite, que elogiaram Collins pelo seu "trabalho brilhante e corajoso" que foi "honesto e necessário").

A tensão entre o jornalismo de opinião independente e a advocacia política é muitas vezes mais aguda quando surge um assunto que divide uma coligação política. Os defensores preferem enfatizar ideias e questões que unificam a sua coligação e não enfatizar questões que a dividem.
A lógica de manter a paz no seio da coligação sobrepõe-se à lógica jornalística de explicitar uma diferença de convicções.

Durante a era Trump, quando este fazia uma das suas habituais ameaças ilegais ou violentas, os conservadores dividiam-se: os mais tradicionais da National Review ignoravam-nas ou riam-se delas como uma fanfarronice ineficaz, enquanto os mais radicais, os MAGA-heads, se regozijavam por o seu líder estar finalmente a combater. 
O debate sobre o iliberalismo de esquerda produziu um tipo semelhante de pensamento duplo: alguns progressistas rejeitaram a ideia de que uma nova onda de normas sociais restritivas estivesse a varrer as instituições de elite como um pânico moral imaginado, enquanto outros defenderam as mudanças como uma "cultura de responsabilização" atrasada.

Não havia necessidade, para nenhum dos lados, de esclarecer a contradição. As afirmações "X seria mau, mas o nosso lado não o está a fazer" e "o nosso lado está a fazer X, e é bom" são antíteses lógicas que podem, e muitas vezes funcionam, politicamente de mãos dadas.

Quando escrevo algo crítico em relação aos progressistas, a crítica mais comum que encontro é que me devia concentrar em criticar a direita, porque a direita representa o maior perigo. Por vezes, a queixa assume a forma de uma pergunta: "Porque é que estás a escrever sobre isto e não sobre aquilo?" - isto são as falhas do nosso lado, aquilo são as falhas do lado oposto. Frequentemente, esta queixa materializa-se numa afirmação de que a questão importante (normalmente descrita como "o problema" ou "o verdadeiro problema") está no outro lado.

Os jornalistas conservadores que atacaram Donald Trump foram confrontados com uma saraivada de declarações furiosas dos republicanos de que o verdadeiro problema era a perfídia de Hillary Clinton ou o que quer que fosse. Os progressistas que criticam os seus parceiros de coligação encontram a mesma resposta. (E isto é válido para os esquerdistas que criticam os liberais e vice-versa).

Posso escrever uma dúzia de artigos seguidos a atacar a direita mas, se o meu artigo seguinte atacar a esquerda irá suscitar queixas de que critico a esquerda em demasia. Na prática, o nível adequado de crítica interna exigido por muitos activistas é: zero.

É claro que as decisões sobre que tipo de assuntos merecem cobertura de opinião e em que quantidade, são uma coisa perfeitamente razoável de questionar. 
Ao longo da última década, a omnipresença da queixa "isto-não-aquilo", e a forma abrangente que muitas vezes assume, sugere que há mais em jogo do que uma queixa sobre a atribuição de temas. Existe um tabu geral, generalizado e (pelo que me é dado perceber) crescente contra a crítica aos colegas progressistas - a não ser que a crítica seja pela sua falta de ardor ideológico ou político.

A confusão que se verifica é entre a lógica do activismo político e a do jornalismo de opinião independente. A ação política ocorre dentro de um sistema bipartidário que nos obriga a escolher entre opções erradas. Permitir que as nossas decisões políticas, como votar e defender, sejam guiadas por uma fixação com as falhas do mal menor, é perverso.

O jornalismo de opinião não precisa de observar estes condicionalismos. Votar é uma escolha binária, mas pensar não é.

A crítica dos defensores exige, explícita ou implicitamente, que os jornalistas de opinião sejam julgados segundo os padrões dos defensores políticos. A principal (ou única) medida de um texto é se ele ajuda os 'bons' a ganhar. 
À esquerda, já foi raro, mas está a tornar-se cada vez mais comum. O hack gap, como lhe costumávamos chamar, está a diminuir. Talvez não por coincidência, esta expressão saiu de circulação.

Reconheci, logo no início, que a diminuição do "hack gap" tem, pelo menos, um efeito salutar de não haver apenas um único canal de informação 'mercenário'.

Este objetivo pode parecer uma defesa louvável, ou pelo menos necessária, contra um Partido Republicano que está a evoluir para o autoritarismo mas, o que os liberais precisam de compreender é que copiar os métodos epistemológicos da direita, acabará por significar copiar o seu estilo político. 

O Partido Republicano radicalizou-se e tornou-se autoritário porque está preso numa bolha, vendo os seus inimigos como perigosos e os seus próprios líderes como fracos, respondendo a esta realidade de formas agressivas que apenas aprofundam a sua raiva e paranoia.

A capacidade dos republicanos de operarem dentro de uma epistemologia fechada pode parecer aos liberais uma vantagem invejável, mas é também uma fonte de fraqueza. Os republicanos têm-se prejudicado a si próprios com políticas impopulares e líderes corruptos, mas, em vez disso, têm direcionado a sua raiva para fora. 
A sua disciplina partidária impede a crítica interna e cria uma cultura em que cada fracasso é uma traição, e a única resposta é lutar ainda mais. 

Quando detinham o poder, os republicanos provaram ser repetidamente ineptos em fazer avançar até os seus próprios objectivos. A administração Bush e a administração Trump foram ambas, em grande medida, um fracasso, mesmo em termos conservadores. Os piores fracassos dessas presidências - a Guerra do Iraque, a bolha imobiliária, o fracasso em revogar o Obamacare, a negação da COVID de Donald Trump - revelaram a fraqueza de um movimento que era demasiado rígido ideologicamente para manobrar. 
A prática de rotular todos os cépticos como traidores tem o desagradável efeito secundário de nos fazer acreditar nas nossas próprias tretas.

Apesar de todo o perigo que enfrenta, a agilidade do liberalismo americano é uma força subestimada. Essa resiliência exige pelo menos alguns jornalistas de opinião independentes que actuem fora da disciplina do movimento progressista.

Nenhum dos padrões que tentei delinear aqui deve ser entendido como sugerindo que a minha carreira é o modelo perfeito de jornalismo de opinião independente. Do vasto conjunto de trabalhos que produzi desde que comecei, em meados da década de 1990, alguns são vistos com orgulho e outros com pesar. Nunca me consideraria um praticante perfeitamente consistente de higiene mental e, por vezes, mesmo seguindo os melhores métodos, não se obtém um bom resultado. Nem sequer acredito que a definição de jornalismo de opinião independente que aqui apresentei deva ser tomada como definitiva - é, antes, uma tentativa de abrir um assunto que caiu no esquecimento.

Os padrões mais elevados de rigor, consistência e justiça encontrados no jornalismo de opinião liberal costumavam ser uma fonte de orgulho. Precisamos de redescobrir e aguçar essa ambição de sermos melhores. A única coisa pior do que ter uma 
"hack gap" talvez seja, não a ter.
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(texto ligeiramente encurtado e aqui e ali editado por questão de economia - ler aqui o texto original)