VÍTOR GONÇALVES QUER CENSURA SOBRE QUEM LANÇA "ANÁTEMA INDISCRIMINADO SOBRE A CLASSE POLÍTICA"
Director de informação da RTP defende a eliminação de opiniões sobre “os milhões” que a RTP gasta
Pedro Almeida Vieira
“Atingimos novos níveis baixeza no fim-de-semana, com o gangue MAGA tentando desesperadamente caracterizar o garoto que assassinou Charlie Kirk como qualquer coisa, menos um dos seus, e fazendo tudo o que podiam para ganhar pontos políticos com isso”.Conservadores criticaram esses comentários, dizendo que caracterizavam erroneamente as crenças políticas de Tyler Robinson, o atirador acusado.
Оце за це скасували Кіммела?
— Melaniya Podolyak (@MelaniePodolyak) September 18, 2025
Ох лол, 10 свобод слова з 10 https://t.co/lkGDMc9Xat
Entrei no Twitter e só se falava numa tal Joana Marques, de quem nunca tinha ouvido falar, que tem um programa de humor na Renascença. Grandes comentários a chamar-lhe nomes e a defender que ela faz bullying no programa e que devia ter sido proibida há muito tempo. Fiquei com curiosidade e fui ouvir. Aquilo fez-me lembrar o tempo em que os do Gato Fedorento tinham piada.
Ela vai passando uma entrevista do fundador da Comunidade Cultura e Arte (de quem nunca tinha ouvido falar) e vai gozando com a pobreza de pensamento do indivíduo que diz ler tudo mas depois não leu nada, adorar ir ao teatro mas depois raramente ir, ver os filmes deste e daquele realizador mas ser incapaz de citar um e até não ser capaz de dizer qualquer coisa sobra o que é a Arte, num discurso com frases incompletas, vácuas e sem sentido. E ela e mais outra gozam -o que se faz num programa de humor senão gozar?- o que é refrescante, porque o mal é essas pessoas serem promovidas a figuras públicas e irem para a TV e jornais dizer coisas, como a prima do Soldado e ninguém desmontar as vacuidades que dizem - mas claro, sendo mulheres e sendo o indivíduo de esquerda, o que fizeram é inaceitável, é bullying, é arrogância e sei lá mais o quê. Já a TV pública impor aos espectadores uma personagem que fala e diz nada, isso pelos vistos, parece aceitável.
A partir do minuto 26 - a inconstitucionalidade e o perigo da lei da censura que a AR aprovou e o Presidente também, sem um único voto contra, sem publicidade (para não sabermos o que estavam a cozinhar) e que institucionaliza a perseguição a pessoas e entidades à maneira da censura do Estado Novo. Sabendo quem foi o autor da iniciativa percebemos melhor. Foi o José Magalhães, esses ex-PCP de mentalidade pidesca.
O efeito imediato é o de meter medo. A mim aconteceu-me há, pelo menos, meia dúzia de anos, escrever um post sobre os desvios dos dinheiros que durante muitos e muitos anos vinham para Portugal a fundo perdido e dar como exemplo uma pessoa, muito conhecida, da qual eu sabia, mas indirectamente. Isto foi ainda quando o blog estava no Sapo. O indivíduo em questão leu o post e deixou-me um mail, mais ou menos nestes termos, 'grandessíssima filha da puta, se não apagas isso prego contigo no tribunal até não teres nada.' É claro que eu acreditei que ele o faria e sabendo que não tinha, nem os fundos, nem os conhecimentos para uma empresa dessas (para além de que sou sozinha no blog e não tenho tribo protectora) apaguei o post. Mas a reacção dele foi elucidativa.
Já uma outra vez, no tempo da Rodrigues, de quem eu era muito crítica, o meu blog desapareceu misteriosamente e foi difícil recuperá-lo. Muito mais recentemente houve quem lhe quisesse dar o sumiço por coisas que aqui disse e que eram verdadeiras. Não lhe deram sumiço (há quem ainda acredite na liberdade de expressão - sim, sei disso e aprecio devidamente, embora não deixe de fazer crítica quando entendo que é preciso) mas sofri (ainda estou a sofrer) vingança.
Portanto, sim, como diz este jornalista, o efeito imediato é o de meter medo. A seguir vem a censura, sem apelo nem agravo. Basta um governante um tudo-nada mais 'húbrico' e com poder para tal. Há por aí blogs muito apetecíveis e candidatos, calculo.
... a favor da liberdade de expressão. Mesmo quando os censurados são pessoas com as quais discordo inequivocamente. Pareceu-me mal o Twitter ter calado Trump, por muito que aprecie não ter que ouvir o homem. Assim como acho mal que cale este indivíduo de quem nunca tinha ouvido falar e que chamou bandidos a outros. Mas o primeiro-ministro não chamou já bestas aos enfermeiros? É melhor que chamar bandidos? Mamadou Ba não chamou já bosta à polícia? É melhor que chamar bandidos? Galamba não chamou pessoas que produzem estrume aos que apresentam um programa de TV? É melhor que chamar bandidos? Ou vamos agora censurar toda a gente por ser mal educada? Esta tendência de perseguir e calar as pessoas de quem não se gosta é muito perigosa. Muito, muito perigosa para a saúde da democracia. E não estou optimista, dado que a AR aprovou uma lei de censura recentemente.
Não sou a favor de insultar, entenda-se, antes pelo contrário, mas prefiro a liberdade do insulto, à ditadura da mesmidade ditada de cima, seja por uma empresa privada ou uma instituição pública. Se as pessoas se sentem ofendidas levem o caso à justiça, não a uma empresa, pois se esta, calculo que a pedido das autoridades que governam, entende que é juiz e executor, onde vai parar a justiça que nos representa? E a democracia que depende dela?