October 02, 2026

Despedimento coletivo disfarçado de reforma pedagógica humanista





A paranoia das fusões no ministério: a alquimia de somar dois desastres

João Conde

Hoje, graças à gloriosa AI2, exige-se a um investigador que estuda os padrões migratórios do lince-ibérico que apresente um plano de negócios robusto e uma demonstração de retorno comercial a três anos para garantir financiamento. O desastre desta fusão não foi um acidente de percurso. É o corolário lógico de quem acha que juntar a fome à vontade de comer produz, por decreto, um banquete farto. Para gáudio das grandes consultoras, que faturavam milhões a traduzir aborrecidos relatórios de biologia molecular para a vibrante novilíngua do empreendedorismo, espera-se que o próximo passo seja extinguir as defesas de tese. No novo modelo abençoado pela AI2, o doutorando terá de provar o mérito da sua investigação num pitch de três minutos no palco principal do Web Summit, competindo por fundos públicos com uma start-up que acabou de inventar uma coleira com Wi-Fi para iguanas.
(...)
Não temos docentes suficientes para a estrutura atual, logo redefinimos a estrutura [a junção do 1º e 2º ciclos-parêntesis meu] para fingir que a escassez é uma “otimização de recursos partilhados”. É a gestão da miséria elevada à categoria de arte abstrata. Neste modelo maravilhoso de “escola do futuro”, as crianças do 1º ciclo, que precisam de estabilidade e de um professor titular de referência, passam a ser peões num gigantesco tetris de horários escolares.

O cenário promete ser um glorioso estudo de sobrevivência darwiniana, com pré-adolescentes de 12 anos, imersos nos primeiros picos hormonais, a partilharem o mesmo exíguo ecossistema com crianças de 6 anos acabadas de chegar do jardim de infância. Tudo sob o pretexto de uma maravilhosa “verticalidade da articulação curricular” que, traduzida para português corrente, significa entregar aos raros assistentes operacionais sobreviventes a missão de atuarem como capacetes azuis da ONU para evitar que o recreio se transforme numa adaptação livre de “O Senhor das Moscas”.

Claro que, para o génio ministerial, isto é um detalhe. Se hoje os grupos de Português e Inglês do 2º ciclo já só conseguem assegurar a substituição de 37% dos pedidos das escolas, a solução é esticar os parcos sobreviventes para cobrir os dois ciclos. Os professores do 2º ciclo, já exaustos por carreiras congeladas e quotas de avaliação humilhantes, tornam-se tarefeiros polivalentes, prontos a tapar buracos onde quer que o algoritmo de contratação falhe.

Ao aniquilar as fronteiras do saber em nome dos famigerados “projetos transdisciplinares flexíveis”, o ministério não está a inovar, está a oficializar o desespero. O docente ideal desta “nova era fundida” deixou de ser um especialista para se metamorfosear num animador sociocultural em burnout crónico. Espera-se que lecione frações de manhã, debata a queda do Império Romano à tarde, preencha grelhas de avaliação socioemocional com 80 parâmetros intangíveis e, se possível, organize um peddy-paper com os pais para angariar fundos para o papel higiénico da escola. No fundo, o ministério descobriu o Santo Graal da administração pública. O segredo para resolver a falta de professores é passar a precisar legalmente de menos professores, operando um despedimento coletivo disfarçado de reforma pedagógica humanista.

A tutela parece acreditar que a matemática da administração pública funciona ao contrário da matemática real. Para o ministério, a soma de duas instituições disfuncionais ou de dois ciclos deficitários não resulta num problema a dobrar. Resulta numa “sinergia”. Num país onde apenas 32 professores se formaram em Ensino de Física e Química no espaço de cinco anos, a grande “inovação” do MECI é garantir que, em breve, a disciplina será lecionada pelo professor de Educação Física porque tinha duas horas livres no horário e demonstrou muita “disponibilidade”.

Se a Agência para a Investigação e Inovação provou que juntar a FCT e a ANI serviu sobretudo para paralisar a ciência, afogar os doutorados num mar de redundâncias, a fusão dos ciclos letivos provará que a falta de professores também não se resolve com a obliteração da pedagogia.

Estamos entregues a uma máquina ministerial que desistiu de governar e passou a dedicar-se à arquitetura de fachadas. A este ritmo de fusões compulsivas para mascarar a falência dos serviços públicos, já só falta o derradeiro golpe de génio. Fundir o Ministério da Educação com o Ministério das Finanças, extinguir os recintos escolares para rentabilizar património imobiliário e passar a emitir os diplomas de final de curso diretamente na repartição de Finanças mais próxima. Ao menos poupava-se na hipocrisia.


Breve história da erosão do ensino público em Portugal



Ensaio: A erosão do ensino público em Portugal

Paulo Guinote
https://visao.pt/


Para além dos epifenómenos e das conjunturas particulares, até porque em Educação as tendências não se compadecem com visões de curta duração, talvez seja tempo de fazer um balanço, nem que seja parcial, da evolução das políticas educativas nas últimas duas décadas, de forma a compreendermos o ponto a que chegámos de desagregação e desconfiança no sistema educativo.

O olhar não pretende ser neutro, mas, pelo menos, não procura esconder um maior ou menor compromisso com um determinado ciclo político. Por isso, não pretende distribuir perdões ou penitências, tão ao estilo nacional da desresponsabilização coletiva e individual pelo que não corre bem, brandindo promessas de avaliação que nunca são efetivamente concretizadas.

Ao contrário do que possa transparecer das disputas políticas em torno de questões periféricas, as políticas educativas das últimas décadas foram bastante consistentes nas suas opções estruturantes, independentemente do tom com que foram envernizadas para a opinião pública. Existiu mais consenso do que divergência em aspetos como a pressão para a produção de sucesso estatístico na avaliação interna dos alunos, a burocratização da docência, a domesticação profissional e material da classe docente, a uniformização do modelo de gestão escolar ou a defesa de uma “descentralização” de competências na Educação. Existiu uma evidente convergência na apresentação destas opções como as únicas possíveis, eficazes e eticamente aceitáveis, alegando-se a sua inspiração em boas práticas internacionais, com o beneplácito da OCDE, enquanto se ocultavam ou truncavam as evidências de que várias dessas experiências estavam a correr mal e a ser abandonadas em países com capacidade para fazer autocrítica e ter um pensamento político autónomo das modas.

Apesar desse consenso, é claro que existiram matizes e prioridades diferentes em cada momento, acabando por se verificar um processo evolutivo gradual em que cada fase beneficiou do que foi total ou parcialmente conseguido nas anteriores. Não é por acaso que existe quem sublinhe a continuidade das políticas entre 2005 e 2015, assim como existem áreas em que, entre 2015 e o presente, não se verificou qualquer inflexão e muito menos reversão.

2005-2010
Domesticação


Os anos de 2005-2010 foram os de uma agressiva domesticação do funcionamento das escolas, através do esforço por controlar a classe docente em termos materiais e simbólicos, enquanto se criava um modelo único de gestão escolar ultracentralizado. A par disso, desenvolveu-se uma hiperburocracia dos procedimentos administrativos, em especial nos relacionados com a avaliação dos alunos, deslocando-se quase toda a responsabilidade pelo insucesso para os docentes, obrigados a justificar todos os seus atos que não culminassem na transição/aprovação dos alunos.

Numa rápida sucessão, deu-se o primeiro congelamento nas progressões, a que se seguiu um novo Estatuto da Carreira Docente que instituiu uma divisão entre professores e professores titulares e um modelo de avaliação do desempenho docente destinado a legitimar a desaceleração das progressões. Seguiu-se o modelo de gestão unipessoal, baseado numa hierarquização rígida das lideranças em todo o sistema educativo, da coordenação de departamentos à dependência dos diretores em relação à tutela, que poderia destituí-los a qualquer momento.

Foram anos de enorme conflitualidade que se saldaram por uma domesticação parcial, só atenuada no mandato de Isabel Alçada. No entanto, na prática, só a divisão da carreira seria eliminada, mantendo-se tudo o resto, de acordo com as teorias da “nova governança pública”, importada dos anos 90 do mundo anglo-saxónico.

A médio prazo, estas medidas não se traduziram na melhoria do desempenho dos alunos, pois a coorte que iniciou o seu percurso durante estes anos foi a que protagonizou o início da estagnação ou do declínio dos resultados nacionais nos testes PISA 2018. E os danos causados na relação dos professores com a tutela seriam duradouros, minando qualquer tipo de confiança, em particular dos docentes, que não perderam a memória desses anos de chumbo.

2011-2015
Implosão racionalizadora


O período de 2011 a 2015, associado à presença da Troika em Portugal, foi o da tentativa de implosão racionalizadora da máquina administrativa e dos recursos humanos do sistema público de ensino, com o pretexto da crise financeira. Foi a época do “fazer mais com menos” que se traduziu numa progressiva incapacitação técnica de diversos serviços centrais e regionais do Ministério da Educação, dos quais não foi afastada a captura política, reforçando o seu papel de “braço administrativo” das políticas, contrariando o que o agora ministro Nuno Crato tinha criticado ao período anterior. Foi o momento da implementação da Prova de Avaliação de Conhecimentos e Competências, criada por Maria de Lurdes Rodrigues, alegando-se que perante uma oferta excessiva de candidatos à docência, seria possível escolher os “melhores”, através de uma simples prova escrita.

A consequência conjugada dessa e de outras medidas como a continuação do congelamento da carreira e a introdução de cortes salariais, de que agora sofremos os efeitos, foi o afastamento de muitos milhares de docentes profissionalizados e com prática letiva, que enveredaram por outras vias profissionais. Em termos curriculares e de avaliação dos alunos, foram introduzidas medidas de reforço da avaliação externa das aprendizagens, mas os esforços feitos para demonstrar os ganhos para os alunos permanecem muito frágeis. As esperanças iniciais num ministro crítico da manipulação política da Educação esfumaram-se e ficou apenas um aparelho administrativo sem autonomia técnica. A proletarização da docência iniciada nos anos anteriores não foi alterada, mantendo-se o modelo de gestão e uma versão simplificada da avaliação do desempenho docente.

2015-2024
Instrumentalização ideológica


Seguiram-se os mandatos de Tiago Brandão Rodrigues e João Costa, de finais de 2015 aos inícios de 2024, marcados pela forte instrumentalização ideológica da Educação, em nome de uma agenda enunciada como inclusiva que se traduziu numa maior fragmentação dos currículos, com os programas a serem reduzidos e a avaliação externa no Ensino Básico a ser revista de um modo que a tornou inócua.

As novas provas de aferição passaram a ser feitas em anos intermédios dos ciclos, mas com uma forma de classificação e um calendário de chegada dos resultados às escolas que tornaram inútil o seu uso para o trabalho com os alunos. Encurtaram-se programas, enquanto os tempos letivos de algumas disciplinas tidas como “tradicionais” foram reduzidos para acomodar a criação da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento.

A agenda inclusiva, baseada na proclamação de um conjunto de boas intenções, serviu em parte para mistificar os problemas reais de integração dos alunos migrantes e/ou social e economicamente mais desfavorecidos. Mantiveram-se políticas como o modelo de gestão escolar, a avaliação do desempenho docente ou o congelamento das progressões dos professores, retomadas só em 2018, sem recuperação da maior parte do tempo congelado.

Continuou o processo de proletarização dos professores, a par das evidências de que, a breve prazo, seria problemático substituir os professores que chegavam à idade da aposentação. Quando ainda havia algum tempo para se fazer algo pela formação de novos professores ou pela atração dos que tinham saído, preferiu-se baixar os critérios de acesso à docência, reduzindo-os a uma dezena de créditos ligados à área disciplinar.

O fosso crescente entre o desempenho dos alunos do sector privado de topo e o da generalidade das escolas públicas agravou-se, apesar de medidas cosméticas para o combater. Legislou-se uma “equidade” ilusória, pois do portão das escolas para fora, as condições de vida de boa parte da população estagnaram, regrediram ou passaram a depender de apoios sociais extraordinários de validade temporária.

O problema da integração de um crescente número de alunos provenientes de um cada vez mais amplo número de países, não falantes de português, foi crescendo, à medida que se legislavam medidas de impacto prático muito escasso. Promoveram-se estratégias pedagógicas de valor duvidoso e a escola pública tornou-se uma espécie de albergue experimental, no pior dos sentidos, baseado na cosmética de um sucesso interno sem correspondência no desempenho dos alunos nos testes internacionais.

A chancela da OCDE exibiu-se como garantia de uma qualidade de políticas equivocadas que colapsaram durante o período da pandemia. A burocratização da vida escolar atingiu um novo patamar, fruto da quase obrigatoriedade da adoção de “projetos” como o chamado MAIA que apenas retirou tempo ao trabalho em sala de aula.

Arrancou uma equívoca “digitalização” da Educação, em regime low cost, apressadamente e sem um rumo claro, enquanto se apostavam milhões em projetos de paraciência e pensamento mágico.

2024-2026
Descredibilização


A mudança de ciclo político iniciada em 2024 e que em 2026 ainda vivemos pouco mudou além da retórica e de uma recuperação do tempo de serviço docente, integral apenas para parte dos docentes, acreditando-se que com isso se daria uma pacificação do ambiente nas escolas, não mudando praticamente mais nada.

Eliminou-se formalmente alguma da burocracia que se manteve com outras designações, assim como se alterou de novo o modelo de avaliação externa do Ensino Básico, mas, de novo, com um calendário desadequado.

De forma voluntária e consciente ou fruto de uma assinalável inépcia, entrámos numa fase avançada de descredibilização do ensino público e da sua cada vez maior abertura à entrada de agentes privados, não apenas como concorrentes, mas também como agentes no interior das escolas públicas, como se os professores e outros profissionais que lá estão sejam incapazes de desempenhar as suas funções. Perante a evidência da falta de docentes, optou-se por camuflar o problema, alegando a impossibilidade de o determinar com rigor. Sucederam-se críticas à qualidade dos serviços do ministério e promoveu-se a sua reorganização de acordo com um modelo macrocéfalo, concentrado em duas superagências.

Manteve-se a política anterior de baixar os critérios académicos de acesso à docência, assim como se prometeu cristalizar o modelo de gestão unipessoal das escolas e concretizou-se a municipalização da rede escolar pública, sem qualquer tipo de estudo que, para além de uma espécie de fé herdada do final século XX, demonstrasse com evidências as suas vantagens.

Ao fim de dois anos no cargo, o ministro Fernando Alexandre revelou uma enorme incapacidade para compreender os problemas decorrentes da implementação pouco previdente da digitalização da classificação dos exames do Ensino Secundário, oscilando entre a autodesresponsabilização e acusações pouco sensatas que apenas levaram ao descrédito da educação pública. Com um ministério reorganizado, que prometeu ser dos melhores do mundo, optou por externalizar a solução dos problemas, pagando por isso a empresas privadas montantes muito avultados pelo que deveria ser uma função básica do seu ministério: assegurar uma época de exames tranquila.

Iniciado o ano letivo de 2026-27, estão por se conhecer várias medidas anunciadas para entrar em vigor no dia 1 de setembro, assim como se continuou a optar por delegar em terceiros o que deveria ser um serviço público fundamental: apurar as necessidades de professores. O processo de descredibilização e desconfiança continua, como estratégia para justificar uma crescente presença de grupos de pressão privados no sistema público de ensino. Não se trata apenas de concorrência, mas de erosão a partir do interior. Sucedem-se summits, conferências e debates coreografados sobre temas que surgem como atrativos (modelos híbridos de ensino/aprendizagem, Inteligência Artificial), mas com fórmulas gastas e em processo de descrédito num número crescente de países. Especialistas apresentam estudos e propostas com base em estatísticas que o ministro considerou não serem credíveis. Apresentam-se ferramentas centralizadoras (Portal da Educação) como sendo mais eficazes e simples, enquanto se defende a bondade de soluções descentralizadas de gestão dos recursos financeiros e humanos.

Fica, a quem observa tudo isto há décadas, uma sensação de desorientação, na melhor das hipóteses, ou, na pior, de fase final de implosão da educação pública, para justificar a distribuição de uma parcela cada vez maior do seu orçamento aos interesses privados. Numa perspetiva que ultrapassa o episódico, percebe-se que se aproxima o fim de um ciclo destrutivo iniciado em 2005.

Há quem fale na necessidade de um “pacto de regime” para áreas da governação como a Educação. Mas, num vasto conjunto de matérias, esse pacto informal existe há mais de 20 anos: domesticação, implosão, instrumentalização, descredibilização… segue-se a privatização?

October 01, 2026

Isto não é falso

 

O resultado da liderança europeia

 

Que surpresa...


Le Pen vai à frente nas sondagens. 

 


O mayor Saint-Denis é um dos que anda a incendiar e destruir

 

Bally Bagayoko é um imigrante de 2ª geração da França Insubmissa.

O resultado da liderança europeia

 

Os professores não se queixam o suficiente e em breve vão desaparecer.

Isto passa-se em 350 escolas.

O resultado da liderança europeia

 

A importação de terroristas e defensores de terrorismo.

O resultado da liderança europeia

 


Em França os liceus estão a arder - o resultado da liderança europeia

 

Em França os liceus estão a arder - o resultado da liderança europeia

 

Em França os liceus estão a arder

 

A Europa desistiu da segurança dos seus cidadãos e cedeu ao discurso da extrema-esquerda para quem toda a autoridade é suspeita e tem de ser combatida. As redes sociais estão cheias de imagens de dezenas de liceus a serem vandalizados. Professores atacados, alunos atacados, polícias atacados por rapazes mascarados. A França Insubmissa foi uma das forças a incentivar este caos. A IM foi a outra. Em quase todas as imagens de violência há bandeiras da palestina. A esquerda só ficará satisfeita quando a Europa for El Salvador, antes de Bukele, após o que a direita aparecerá com os seus Bukeles. Na Europa reunem-se e falam muito, mas não arrasam com a Rússia, não põem ordem na imigração violenta, não investem na segurança, na educação e na saúde. 


"A guerra contra a realidade"



A guerra trans contra a realidade


Os activistas trans apregoam ruidosamente uma falsa mitologia da vitimização; na realidade, é mais provável que as pessoas trans matem do que sejam mortas.

By TERF TIMES
(Agradecimentos à revista The Critic, onde este artigo foi publicado pela primeira vez.)

É mais provável que as pessoas transgénero matem ou sejam mortas? Esta é a questão sobre a qual o sociólogo Professor Michael Biggs se debruçou ao observar uma vigília no centro de Oxford. 

Em Março de 2024, viu cerca de 50 estudantes reunidos em frente à Radcliffe Camera da Universidade a lamentar a morte de uma desconhecida que tinha morrido a milhares de quilómetros de distância. Nunca tinham conhecido Nex Benedict, uma jovem de 16 anos do Oklahoma que tinha posto fim à própria vida. Ainda assim, acenderam velas, depositaram flores e recitaram poemas, convencidos de que estavam a homenagear uma vítima da transfobia institucional.

Se Benedict não se tivesse identificado como não-binária, o seu suicídio teria sido encarado como uma tragédia local. Em vez disso, foi apresentado como uma consequência do bullying contra pessoas trans, com base apenas no facto de ter estado envolvida numa luta com algumas raparigas na escola nesse dia.

Em todos os Estados Unidos, mais de 350 organizações e figuras públicas assinaram uma carta na qual acusavam políticos republicanos de “fomentarem uma cultura de violência e ódio contra a comunidade 2SLGBTQI+”, que teria conduzido à sua morte. A quatro mil milhas de distância, a copresidente da campanha LGBTQ+ da Oxford Student Union foi ainda mais longe, declarando que Benedict tinha sido “assassinada por ser trans”.

O Professor Biggs ficou impressionado com a dissonância e a desonestidade. Um suicídio ocorrido noutro continente foi transformado num caso de violência política. No entanto, um homicídio real ocorrido na mesma cidade, cometido por um membro da “comunidade queer”, não suscitou poemas sentidamente recitados nem flores.

A vulnerabilidade trans tornou-se uma obsessão

Dias antes, num tribunal situado a menos de meia milha de distância, Scarlet Blake, um homem que se identificava como mulher trans, tinha sido condenado por homicídio. Tinha também transmitido em directo imagens em que torturava um gato. 

Seguindo orientações destinadas a evitar ofensas, a BBC referiu inicialmente o homicida como sendo uma mulher.

Biggs afirma que começou a pensar que “a perspectiva progressista que vê as pessoas transgénero apenas como vítimas precisa de ser examinada” e decidiu investigar a proporção entre vítimas e autores de homicídio transgénero na Grã-Bretanha. Como as comparações estatísticas entre proporções são difíceis, sobretudo quando os números são reduzidos, trabalhou com o Dr. Ace North, do Departamento de Biologia da Universidade de Oxford.

O Dr. North decidiu colaborar depois de ter reparado que, no seu local de trabalho, era constantemente reforçada a ideia de que as pessoas transgénero eram frequentemente vítimas — uma afirmação que “despertou a minha curiosidade em testar a exactidão das alegações que lhe estavam subjacentes”. 

Para ter em conta a incerteza resultante das pequenas dimensões das amostras, os investigadores aplicaram um modelo estatístico para estimar um intervalo para a verdadeira proporção entre vítimas e autores de homicídio neste grupo. “Descobrimos”, afirma North, “que os homens que se identificavam como trans eram mais frequentemente autores do que vítimas de homicídio durante o período estudado [2000–2025].”

No total, registaram-se 11 vítimas trans e 19 trans autores de homicídio — ou 14, se excluirmos aqueles que só começaram a identificar-se como trans depois de serem presos. Das 11 vítimas, apenas o homicídio amplamente noticiado, em 2023, da adolescente Brianna Ghey envolveu uma agressora do sexo feminino; as restantes vítimas foram todas mortas por homens. 

Nenhuma mulher que se identificasse como trans foi assassinada durante o mesmo período. Tal como acontece na população em geral, os homens tinham maior probabilidade tanto de serem mortos como de matar. North explica: 
Chegámos, assim, a uma conclusão que desafia directamente a narrativa da vitimização: as mulheres trans [homens biológicos] seguem um padrão de violência tipicamente masculino.
Quanto às vítimas de homicídio, pelo menos quatro estavam envolvidas na prostituição, três das quais foram assassinadas por clientes. Outras duas foram mortas por homens que tinham conhecido online e uma por outro homem que se identificava como trans.

Nada disto diminui a dor sentida pelas famílias e pelos entes queridos das vítimas de homicídio. Mas é incorreto sugerir que morreram por causa da transfobia ou que a identificação como trans aumenta o risco de ser assassinado.

Os investigadores descobriram que isso não se reflectia na cobertura mediática. A BBC, em particular, publicou mais de quatro vezes mais artigos sobre vítimas transgénero do que sobre autores de homicídios, “contribuindo para a perceção de uma vulnerabilidade excpecional”.

No entanto, a percepção persistente da vulnerabilidade transgénero tornou-se uma obsessão que envolve desde produtores de televisão a políticos. Tem até o seu próprio calendário de luto, um ciclo de queixas que passa pelo Dia Internacional da Visibilidade Trans (31 de Março), pelo Dia dos Pronomes (21 de Outubro), pela Semana da Consciencialização Transgénero (13–19 de Novembro) e pelo mês sagrado do Orgulho (Junho).

Ao longo da última década, os municípios têm hasteado solenemente as suas bandeiras trans por ocasião do Dia Internacional da Memória Transgénero (20 de Novembro). O mayor de Londres, Sadiq Khan, tem sido particularmente assíduo na demonstração da sua solidariedade para com a comunidade trans, tendo anunciado nas redes sociais, em 2023: 
No Dia Internacional da Memória Transgénero, honramos as vidas ceifadas por crimes de ódio contra pessoas trans.
Felizmente, são extremamente poucas as mortes de britânicos que há para assinalar. A mensagem transmitida ao público, porém, sugere o contrário. 

Nas escolas, as crianças aprendem que os homens que se vestiam de mulher e eram prostitutas toxicodependentes Sylvia Rivera e Marsha P. Johnson foram pioneiras activistas transgénero que lideraram os motins de Stonewall. Não há escapatória nem mesmo fora das instituições. Nos últimos 18 meses, o Fourth Plinth, em Trafalgar Square, tem exibido um cubo composto por 726 máscaras mortuárias fictícias de pessoas trans e não-binárias. A artista, Teresa Margolles, afirma que a sua obra chama a atenção para a vulnerabilidade da comunidade trans.

O activismo transgénero dominante assumiu agora características próprias de um culto da morte. Em manifestações, são agitadas faixas que apelam ao armamento das “crianças trans” e desfilam-se guilhotinas falsas. 

Os opositores ideológicos, sobretudo J. K. Rowling, são ameaçados com violência. Entretanto, o grupo militante de ação directa Bash Back! tem levado a cabo uma campanha de intimidação, pirateando websites e vandalizando edifícios, afirmando: 
Todos os nossos alvos têm sangue nas mãos. Recusamo-nos a deixá-los lavá-lo em paz. Bem-vindos a uma nova era de fúria trans.
Grupos como o Trans Kids Deserve Better escrevem palavras de ordem em caixões de cartão e organizam die-ins[protestos em que os participantes se deitam no chão, fingindo estar mortos]. 

Tornou-se habitual acusar os políticos que se opõem à prescrição de bloqueadores da puberdade de “matarem crianças trans”. Uma investigação anterior de Biggs, publicada na revista científica com revisão por pares Archives of Sexual Behavior, mostrou que não existem provas robustas de que interromper a puberdade reduza a ideação suicida. Mas as evidências não convenceram os jovens activistas.

As palavras de Elliot (Riz) Possnett sintetizam este fervor maniqueísta e apocalíptico. Na Radcliffe Camera, em Oxford, Possnett — que, em 2023, tinha anteriormente colado o corpo ao chão da sala de debates da Oxford Union, enquanto vestia uma camisola com a frase no more dead trans kids, em protesto contra a visita da Professora Kathleen Stock — leu um poema que declarava:
Vou viver por despeito. [O cuidado queer] é a coragem de amar e ser amado, é a sabedoria de permanecer vigilante. Estejam preparados para lutar pela vossa vida.
Felizmente, o “despeito” da estudante de Oxford, oriunda do ensino privado, parece mantê-la de perfeita saúde.

Apesar de serem tão seguidistas quanto qualquer outro grupo, estas activistas acreditam sinceramente — ou querem acreditar — que estão em risco e que, consequentemente, têm de travar uma guerra unilateral contra a realidade e contra todos os que nela habitam. Desde celebridades que desfilam com camisolas com a frase “protejam as crianças trans” até políticos que, vergonhosamente, invocaram o espectro do Holocausto, a mensagem tem sido incessante: o mundo exterior odeia-vos e quer-vos mortos.

Grupos como a Stonewall reforçaram esta narrativa, alertando para o facto de as pessoas trans enfrentarem “níveis profundos de discriminação e crimes de ódio”. No seu conjunto, isto produz uma visão do mundo em que a discordância política comum é reinterpretada como um perigo existencial e a própria realidade passa a ser algo contra o qual se deve resistir, em vez de algo com que se deve lidar. Como qualquer fã de banda desenhada sabe, só se é um verdadeiro super-herói depois de encontrar um arqui-inimigo.

Perante tudo isto, é difícil não sentir um ligeiro sentimento de simpatia por estes estudantes desconfortavelmente confortáveis, ansiosos por encontrar uma causa. Não serão recrutados para uma guerra, nem é provável que enfrentem a morte durante o parto. O progresso social fez às campanhas pelos direitos civis o mesmo que as viagens baratas e a massificação do ensino universitário fizeram ao gap year: fronteiras que outrora eram remotas ressoam agora com o clamor de jovens mochileiros da classe média.

O mito da vulnerabilidade trans vai, porém, muito mais fundo do que a procura juvenil de uma causa, as figuras públicas pouco inteligentes ou a astuta mudança de estratégia dos grupos de pressão, que passaram da defesa dos direitos dos homossexuais para a ideologia trans. 

Para alguns homens que se identificam como mulheres, a crença na sua própria vulnerabilidade faz parte da sua identidade e é central para o seu fetiche.

Passe algum tempo nos recantos mais lúgubres da internet e o desejo de ser vulnerável será colocado diante dos seus olhos. A pornografia de “sissificação” ou “feminização forçada” assenta na carga erótica da humilhação e da submissão, em que os homens são tornados vulneráveis ao serem tratados como “mulheres”. E, no imaginário pornográfico, as mulheres são objetos sexuais destinados ao uso masculino.

As vítimas imaginárias são santificadas e a violência real é ignorada.

Conteúdos relacionados com pessoas trans são extremamente populares. No ano passado, “trans” foi a segunda categoria mais vista no Pornhub. Alguns utilizadores intensivos acabam por se compreender a si próprios através dos conteúdos que consomem, chegando eventualmente a incorporá-los. 

Dado que a vulnerabilidade é central para a identidade destes homens enquanto mulheres, é natural que reajam com extrema hostilidade quando alguém ousa contradizer a sua crença na própria vitimização.

Sobretudo nos Estados Unidos, e como já foi abordado nestas páginas [Um fetiche que deu origem a um homicídio, novembro de 2025], está a emergir um padrão de autores de tiroteios em escolas que se identificam como trans e são consumidores compulsivos de pornografia. Os autores destes crimes estiveram imersos numa mistura nociva de ressentimento e sentimento de direito sexual.

Na Grã-Bretanha, os números oficiais são impressionantes. Dos 245 reclusos do sexo masculino que, em 2024, se identificavam como mulheres trans ou não-binários, 151 estavam condenados por crimes sexuais — cerca de 62%. Entre os reclusos do sexo masculino em geral, a proporção é mais próxima dos 20%. Entre as mulheres, situa-se entre 1% e 3%.

Dos cerca de 50 reclusos do sexo feminino que se identificavam como homens, sabe-se que menos de cinco tinham condenações por crimes sexuais. Em comparação, o número de reclusos do sexo masculino que se identificam como mulheres cresceu o suficiente para que uma ala separada da HMP Downview, integrada no sistema prisional feminino, seja utilizada para os alojar.

Enquanto investigava este artigo, mais um homem que se identifica como mulher foi acusado de homicídio. Aurin Makepeace esfaqueou o seu companheiro, Steven Rothwell, deixando-o morrer. Num comunicado, o CPS [Crown Prosecution Service] referiu-se a Makepeace utilizando pronomes femininos, de acordo com as suas orientações, que instruem os procuradores a utilizar o “género afirmado” pelo arguido. Mesmo no caso dos criminosos mais violentos, as autoridades públicas distorcem a linguagem para proteger uma minoria aparentemente frágil de ser magoada pelas palavras.

Desde a vigília à luz de velas em Oxford até ao tribunal, prevalece a mesma distorção. As vítimas imaginárias são santificadas e a violência real é ignorada. A narrativa da vulnerabilidade trans é protegida porque demasiada credibilidade profissional e institucional depende da manutenção deste desequilíbrio.

Como concluem Biggs e North no seu estudo: “Se a dimensão da violência fatal sofrida por pessoas transgénero na Grã-Bretanha for considerada uma epidemia, então o mesmo epíteto se aplica à violência fatal infligida por pessoas transgénero.”

Professor Michael Biggs expressou o seu agradecimento aos colaboradores anónimos do transcrimeuk.com, cujos dados se revelaram valiosos para a sua investigação.


Hoje-em-dia as raparigas entram para a universidade com 17 anos, 18 anos

 

São imediatamente caçadas por finalistas com 23, 24 anos que passaram os anos da licenciatura a aprender a violência sexual com os mais velhos, muitas vezes com professores e com administradores das universidades. Cá existe menos isto porque não temos o hábito de os alunos dormirem no campus e de haver estas fraternidades e sororidades (com uma ou outra excepção), mas sabemos que durante as praxes há abuso e violência sexual generalizados.

Quem decide do futuro das nações?

 

Eles e os sicofantas dos políticos que os sustentam.

🎯

 


São os homens e não as mulheres quem divulga a ideia de que todos os homens são perigosos

 


O que este rapaz aqui diz é que a culpa da violação em grupo da estudante de Cornell é dela, ou melhor, é por ela ser estúpida e não perceber que não pode ir com um rapaz para um sítio onde há rapazes, pois é óbvio que, onde há rapazes, há violações. Se ela não fosse parva, percebia que é sempre perigoso estar com rapazes, sobretudo se bebem.

Nas suas palavras, todos os homens são perigosos e as mulheres não devem aproximar-se deles. Dado que a maioria das violações são feitas por pais, tios, treinadores das equipas desportivas e outras pessoas que, desde a infância se educa as crianças para confiar, e dado que os outros rapazes/homens, também não são de confiança, como o rapaz diz aqui, quem resta do sexo masculino que seja de confiança? Ninguém.

Como disse um juiz português a uma vítima de violação, 'quem a mandou andar na rua de mini-saia, sabendo que a rua é a coutada do macho latino para quem todas as mulheres são caça'. Lá está, nas palavras implícitas deste juiz, todos os homens da coutada são perigosos.

Portanto, quem divulga a ideia de que todos os homens são perigosos são os próprios homens, através das suas palavras e dos seus actos contra as mulheres. As mulheres mantêm, apesar de tudo, um horizonte de esperança quanto à decência dos homens enquanto seres humanos, mas os homens constantemente as desenganam com as suas palavras e actos 

Portanto, a solução, se levarmos em conta esta recomendação do rapaz, é as mulheres deixarem de se dar com homens, dado que nunca sabem se aquele que até julgam ser amigo é um dos perigosos violadores ou um defensor da justeza da violação se as mulheres forem parvas e não perceberem que eles são perigosos.

Calculo que nenhuma mulher que ouça este rapaz dizer que a culpa foi da violada por não perceber que os homens são... homens, logo perigosos, alguma vez queira ser amiga ou outra coisa qualquer dele. 

Há um problema muito grande com a normalização da violência dos homens que é preciso resolver.


Davis Sacks invocado como garante da segurança da IA

 


Quem faz as políticas?

 

O mesmo problema mas de outra perspectiva