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April 19, 2026

A ONU tinha aqui um papel relevante

 

Mas tem como SG um machista dogmático que só dá poder a homens misóginos. A próxima SG da ONU tem de ser uma mulher esclarecida, não uma dessas burras submissas ao islamofascismo ou aos evangélicos.

Uma bebé acabadinha de chegar ao mundo e vão logo mutilá-la e estragar-lhe a vida.

E que tal fazer essa conversa no Linkedin?

 




A esquerda todos os dias trai as raparigas e as mulheres

 

As raparigas estão a formar grupos para tirar os rapazes e homens das suas casas-de-banho e balneários porque os adultos que deviam falar por elas e defendê-las estão a defender com armas e dentes o sentimento masculino de ter direitos sobre as mulheres. E o cúmulo desta traição é a consideração de que o sacrifício das raparigas e mulheres é aceitável para suporte da cultura mais criminosa e misógina do planeta e da sua lei do ódio.


Alana, 20 anos, 40 facadas por não querer sair com um homem

 

Enquanto as mulheres partilham dicas para não serem esfaqueadas por homens rejeitados, para não serem drogadas pelos maridos e namorados e violadas pelos seus amigos, tapam as bebidas nas festas e bares, vão às casa-de-banho em grupo para se defenderem de homens que agora podem lá estar e em grupos, partilham a sua localização com amigas e familiares quando saem, evitam andar em certos locais e horas, com medo de serem violados e/ou mortas, os homens estão online a queixar-se que as mulheres já não falam com eles como dantes, não sorriem como dantes e já não é fácil sair com uma mulher e que o feminismo está a estragar as mulheres. Total alienação da realidade.


A propósito da reportagem da CNN que mostra que o caso Pelicot não é isolado e único

 

Em todo o lado homens estão a partilhar online como drogar as mulheres e namoradas e convidar outros homens para violá-las.


Abril é o Mês da Sensibilização para a Violência Sexual

 

Abril é reconhecido como o Mês da Sensibilização para a Violência Sexual (SAAM), dedicado a sensibilizar a população, apoiar as vítimas e promover a educação para a prevenção. 2026 marca o 25.º aniversário da campanha.


Há uma palavra que explica como tantos homens podem constar nos ficheiros de Epstein. Então por que razão ninguém a diz?

Falamos incessantemente sobre os factores que tornam a violação mais fácil, mas nunca mas nunca sobre os factores que causam a violação em primeiro lugar.

Celeste Davis


A menos que tenhas andado a viver debaixo de uma pedra, as últimas semanas terão provavelmente sido marcadas por um deslizar incessante por nomes outrora pronunciados com reverência, agora associados às palavras “ficheiros de Epstein”.

A lista de pessoas a negociar e a manter relações com Epstein depois de ele ter ido para a prisão por pedofilia é atordoante:

- alegados medicamentos para DST para Bill Gates;
- o líder espiritual Deepak Chopra a enviar a mensagem: Deus é um constructo. Raparigas giras são reais;
- o nome do respeitado médico Peter Attia a aparecer 1700 vezes,
- pagamentos ao linguista Noam Chomsky;
- ligações à realeza britânica, ao primeiro-ministro israelita, a autoridades russas, a numerosos senadores dos EUA e, claro, a presidentes dos Estados Unidos.

Nenhum sector da sociedade está imune.

Líderes de todas e cada uma das instituições que estruturam o nosso mundo — política, negócios, tecnologia, academia, bem-estar, filantropia, entretenimento, espiritualidade — surgem por toda a parte nestes ficheiros.

É repugnante e está por todo o lado. É desestabilizador.

Deixa-nos a perguntar… como? Como pôde isto acontecer? Como puderam tantas pessoas permitir que isto acontecesse? À vista de todos? Durante tanto tempo?

Os meios de comunicação tradicionais têm-se centrado em quatro respostas:

1. Riqueza
The New York Times: COMO O JPMORGAN PERMITIU OS CRIMES DE JEFFREY EPSTEIN

Real News Network: JEFFREY EPSTEIN: COMO A RIQUEZA PROTEGEU O PIOR CRIMINOSO SEXUAL DE CRIANÇAS DA AMÉRICA

Jacobin: O CAPITALISMO PERMITIU OS CRIMES DE JEFFREY EPSTEIN

2. Redes de elite
The New York Times: OS FICHEIROS EPSTEIN E O MUNDO OCULTO DE UMA ELITE SEM RESPONSABILIZAÇÃO

Vox: O CLUBE DE RAPAZES QUE PROTEGEU EPSTEIN

PBS: E-MAILS REVELAM A REDE DE EPSTEIN ENTRE RICOS E PODEROSOS, APESAR DO ESTATUTO DE AGRESSOR SEXUAL

3. Falha institucional
The Guardian: OS FICHEIROS EPSTEIN VOLTAM A CHAMAR A ATENÇÃO PARA A FALHA DAS AUTORIDADES DOS EUA EM DETÊ-LO

China Daily: O CASO EPSTEIN E A FACE FEIA DA FALHA INSTITUCIONAL

Helsinki Times: DENTRO DE UMA ELITE TRANSATLÂNTICA DEPRAVADA E DAS INSTITUIÇÕES QUE A PROTEGERAM

4. Chantagem
TIME: SECRETÁRIO DO COMÉRCIO CHAMA JEFFREY EPSTEIN “O MAIOR CHANTAGISTA DE SEMPRE”

The New York Times: “COISAS DE GANG” E “ENCONTROS ILÍCITOS”: COMO EPSTEIN PROCURAVA GANHAR ASCENDENTE SOBRE OS RICOS

BBC: O MILIARDÁRIO LES WEXNER DIZ A LEGISLADORES DOS EUA QUE FOI ENGANADO POR EPSTEIN

Surgiu em mim uma frustração profunda em relação à cobertura mediática e às discussões sobre os ficheiros Epstein. A maior parte da atenção converge em perceber quem e o que permitiu exactamente os abusos sexuais sistemáticos de Epstein — riqueza, redes de elite, falhas institucionais e chantagem. Toda a gente pergunta como é que estes homens conseguiram escapar a tantos actos de violação.

Ninguém pergunta o que levaria tantos a querer violar tanto, em primeiro lugar.

É como se os ficheiros Epstein tivessem exposto um campo inteiro tomado por ervas daninhas — quilómetros e quilómetros de infestação — e, em vez de escavar até à raiz para erradicar a semente dessas ervas, estivéssemos hiperfocados em identificar exatamente que água e fertilizante permitiram que crescessem tanto.

Estamos a agir como se as ervas daninhas/os violadores fossem simplesmente um dado adquirido.

“Bem, claro que os homens querem violar! É só que a maioria dos homens não pode violar porque há regras, mas as regras não se aplicam aos bilionários, por isso eles podem violar. O problema não é a violação, é que os bilionários conseguem escapar à violação.”

Desculpa, o quê...?

Porque é que não estamos a falar sobre por que razão tantos homens, quando lhes é dado poder, escolhem repetidamente usar esse poder para violar mulheres?

PORQUE É QUE NÃO ESTAMOS A FALAR DISSO?!

O dinheiro e as redes corruptas de elites bilionárias certamente não ficam isentos de responsabilidade. São conversas importantes a ter. Mas, embora o dinheiro possa ter permitido os abusos sexuais de Epstein, não os criou.

Uma em cada quatro mulheres já sofreu abuso sexual. Os bilionários parecem violar muito, mas não conseguem violar ASSIM tantas mulheres.

Esta semana deparei-me com a seguinte nota no Substack de Mélina Magdelénat sobre os julgamentos de Gisele Pelicot, em que 90 homens, numa pequena cidade francesa, violaram uma única mulher, e pensei: isto precisa de entrar imediatamente na discussão sobre os ficheiros Epstein.

Eis o que disse Magdelénat:

Houve uma interacção em que penso sempre que somos colectivamente confrontados com a natureza absolutamente habitual da violência masculina contra as mulheres. Foi numa conferência, há cerca de um ano, da jornalista do Le Monde, Lorraine de Foucher, que ganhou um Pulitzer pela sua cobertura da indústria pornográfica, prostituição infantil e tráfico sexual em França.

Os julgamentos de Pelicot surgiram durante a sessão de perguntas e respostas, e um homem na casa dos setenta, na primeira fila, levantou timidamente a mão. Dava para perceber que estava a formular cuidadosamente a sua pergunta e a escolher as palavras à medida que falava.

Ele disse: «Então, deixe-me ver se percebi bem. Na pequena cidade de Mazan, Dominique Pélicot encontrou facilmente mais de 90 homens dispostos a violar a sua mulher enquanto ela estava drogada e inconsciente. Centenas de outros viram as mensagens no fórum e nem um único decidiu avisar a polícia.»

Nesse momento, muitos de nós preparávamo-nos para uma negação dos factos ou alguma explicação rebuscada sobre como aqueles homens seriam excepcionais. Mas não. Ele continuou:

«Então isso quer dizer que, em todas as cidades, em todas as aldeias do nosso país, há tantos homens dispostos a violar uma mulher inconsciente?»

Lorraine de Foucher respondeu: «Sim.»

«Mas então isso significa que há milhares, dezenas de milhares, talvez centenas de milhares!» (Dava para ouvir, nesse momento, as engrenagens a rodar na cabeça dele).

«Sim», acenou ela novamente.

«Mas… isso é abominável! É uma catástrofe! É uma emergência nacional!»

«…… Sim. É.» — Mélina Magdelénat

Sim. É.

source: The Guardian

Os mais de 90 homens que violaram Gisele Pelicot não eram bilionários.

Eram enfermeiros, professores, bombeiros, pais, avôs, autarcas, trabalhadores agrícolas. Não podemos culpar o dinheiro ou redes de elite pelo que fizeram.

No entanto, podemos perguntar que “semente” foi plantada nestes homens comuns que os levaria a querer violar uma mulher quando surgiu a oportunidade. Porque é a mesma semente que terá sido plantada em Epstein. Em Bill Clinton, P. Diddy, Harvey Weinstein, Bill Cosby e em tantos outros.

Elementos diferentes podem ter facilitado diferentes violações, mas algo que todos tinham em comum era o desejo de violar. A certa altura, temos de reconhecer que o mundo não está dividido entre homens bons e homens monstruosos.

Outro aspecto frustrante no debate sobre os ficheiros Epstein é a reacção comum: “Uau! Pensava que era um bom homem, mas afinal é um monstro?!” O mundo não está dividido entre monstros e homens bons.

O mundo em que vivemos parece plantar uma semente na mente dos homens que, quando regada com poder, oportunidade ou anonimato, muitas vezes floresce em violência sexual.

Nem todas as sementes dão origem a ervas daninhas. Nem todos os homens violam. Mas todos existem no mesmo “solo fértil” que torna isso possível.

Acreditar que os violadores são monstros anormais, casos isolados, leva-nos a tratar incessantemente essas “anomalias”, em vez de ir à raiz do problema e tornar o solo menos propício a que essas “ervas” cresçam.

O que foi plantado na mente do pequeno Bill Gates que ficou latente até, um dia, ao ser regado com poder, dinheiro e impunidade, o levar alegadamente a aproximar-se de um pedófilo, a trair a mulher e a dar-lhe secretamente medicação para DST sem que ela soubesse?

source: CNBC

Se recuarmos à raiz — antes das mais de 3400 menções nos ficheiros Epstein — que semente foi plantada na mente ou no coração do pequeno Deepak Chopra que, mais tarde, ao ser regada com estatuto, dinheiro e anonimato, o levaria a convidar um pedófilo para uma viagem e a dizer “traz as tuas raparigas”? O que foi plantado nas mentes e nos corações daquele bombeiro, professor e enfermeiro em Mazan, França, que, ao saberem da oportunidade de violar uma mulher drogada, se meteram no carro e foram fazê-lo?

Qual é a raiz da erva daninha?

Comecemos pelo que não é.

Porque sei que alguém está prestes a dizer que os homens querem violar porque são naturalmente sexuais e agressivos. Não há nada a fazer, é biologia. A testosterona leva os homens a querer violar. Pronto.

Vamos tratar disso desde já.

Se a testosterona fosse a causa da violação, então os homens com níveis mais elevados de testosterona violariam mais do que os homens com níveis baixos.

Mas os cientistas mediram os níveis de testosterona e refutaram essa teoria.

A Biblioteca Nacional de Medicina concluiu que os agressores sexuais não têm níveis de testosterona mais elevados do que os não agressores.

Mulheres biológicas trans que aumentam os seus níveis de testosterona não se tornam mais abusivas nem começam a violar.

Quando os cientistas reduziram a testosterona em agressores de violência doméstica, não encontraram nisso uma solução eficaz para reduzir o comportamento abusivo.

Sabes o que se revelou eficaz na redução do comportamento de agressores de violência doméstica?

“Mudar as suas crenças profundamente enraizadas sobre o seu sentimento de direitos [sobre as mulheres].”

(Agora estamos a chegar à raiz da questão.)

Se os homens não conseguissem evitar o impulso de violar por causa da sua biologia, então as estatísticas de violação seriam constantes em todas as culturas — mas isso está longe de ser verdade.

O que explica a diferença entre culturas com taxas mais elevadas de abuso sexual e aquelas com taxas mais baixas?

A Organização Mundial da Saúde concluiu que “a violência contra as mulheres tem raízes e é perpetuada por desigualdades de género.”

A ONU também publicou um relatório que relaciona a violação com a desigualdade de género, afirmando: “À medida que a igualdade de género melhora, a prevalência de violência contra as mulheres diminui… Isto verifica-se tanto para formas físicas como sexuais de abuso. Como se observa no gráfico, os países com maior igualdade entre mulheres e homens apresentam níveis mais baixos de violência contra as mulheres.”

source: UN


Um relatório do CDC que analisou os Estados dos EUA encontrou exactamente o mesmo: “Estados com um elevado grau de desigualdade de género também apresentam estimativas mais altas de prevalência entre mulheres para violação consumada ou tentativa de violação com recurso à força física.”

Agora estamos a ir à raiz. Que outros factores é que os cientistas identificaram como estando associados à agressão sexual?
“Há evidência de que não é uma agressividade inata que torna os homens violentos, mas sim a crença internalizada de que ficam aquém dos padrões de masculinidade percebidos pela sociedade. Os psicólogos chamam a este fenómeno ‘stress de discrepância masculina’, e a investigação mostra que quanto mais intensamente um homem sofre com isto, maior a probabilidade de cometer quase todos os tipos de violência, incluindo agressão sexual, violência contra a parceira íntima e agressão com arma.” — Ruth Whippman
Ah, sim — masculinidade — essa estrela-guia que a sociedade oferece aos homens e que diz que o pior que podem fazer não é ser cruéis, mas sim comportarem-se “como uma rapariga”.

Então: sentimento de direitos sobre as mulheres, desigualdade de género e stress de discrepância masculina foram todos correlacionados com a violação.

Se ao menos tivéssemos um nome para isto…

E como se chama este sistema que perpetua a desigualdade de género, a dominação e o sentimento de direito entre os homens?

Patriarcado.

O nome desse sistema é patriarcado.

Se pudéssemos ampliar essa “semente” plantada naqueles rapazes que mais tarde se tornariam homens que violam — essa semente teria o rótulo “patriarcado”.

Um sistema onde ser “emasculado” é muito mais embaraçoso e desestabilizador do que ser imoral. As violações associadas a Epstein foram facilitadas pelo dinheiro, por redes de elite e por corrupção institucional, mas, no seu núcleo, são explicadas pelo patriarcado.

Talvez estejas a pensar: “isso é óbvio”.

Eu também acho.

E, no entanto, sabes quantas vezes a palavra “patriarcado” aparece naqueles 12 artigos mencionados acima? Aqueles em que o New York Times, a BBC, a PBS e a TIME tentam explicar os ficheiros Epstein?

Zero.

Zero vezes.

Está bem, mas “patriarcado” é uma palavra impopular. Então quantas vezes aparece “desigualdade de género”?

Também zero.

O patriarcado oferece tanto a explicação como a possível solução para os escândalos Epstein — e, ainda assim, quase nunca é mencionado nas discussões sobre o tema. Em vez disso, repetidamente, falamos de como poderíamos punir melhor a violação, em vez de como poderíamos preveni-la.

69% dos americanos disseram [num questionário] que os ficheiros mostram que as pessoas poderosas raramente são responsabilizadas. 53% disseram que os ficheiros diminuíram a sua confiança nos líderes políticos e empresariais.

Preocupações perfeitamente válidas. Mas quantos disseram que os ficheiros mostram que temos um grande problema de desigualdade de género, de sentimento de direitos sobre as mulheres masculino ou de patriarcado?

Não sei — não lhes foi perguntado. Essas questões parecem nunca ser levantadas.

(Sei, no entanto, que 22% dos homens americanos dizem acreditar que a desigualdade de género não existe realmente, e que um terço dos homens americanos acredita que o feminismo está a piorar as coisas.)

E, mais uma vez, deixe-me ser clara: a falta de responsabilização das pessoas poderosas é, sem dúvida, um problema que merece ser discutido, mas como é que o patriarcado nunca é mencionado quando falamos de prevenir epidemias massivas de abuso sexual???

ISSO É UM PROBLEMA!

Isso garante que continuemos a cortar as ervas daninhas (os factores que facilitam a violação), sem nunca atacar a raiz da própria violação (o patriarcado).

Para citar esse relatório da ONU: 
“A violência contra as mulheres é uma pandemia global: entre 15% e 76% das mulheres experienciam-na em algum momento das suas vidas. A violência contra as mulheres está profundamente enraizada na discriminação e na desigualdade entre homens e mulheres. Acabar com ela exige investimento no empoderamento das mulheres e na igualdade de género, nomeadamente na educação, na saúde e direitos reprodutivos, e no empoderamento económico e político.”
Portanto, é assim que se previne a violência contra as mulheres — mas sabes quantas vezes a igualdade educacional, financeira, política e reprodutiva das mulheres surge como solução ou explicação nos ficheiros Epstein? Explora as principais notícias e vê por ti mesma (mas tenho más notícias para ti).

Ainda assim, há quem aponte para o patriarcado.

Estou há três dias a escrever este artigo e, esta tarde, decidi espreitar o Substack para ver o que as pessoas estão a escrever sobre os ficheiros Epstein.

E, para minha surpresa, percebi rapidamente que não sou a única pessoa a perguntar: “porque raio não estamos a falar de patriarcado quando falamos de Epstein?”

Até tive de me rir por achar que tinha tido uma observação original ao ler as notícias — porque afinal muitas outras mulheres repararam exactamente na mesma omissão e escreveram sobre isso:

Jude Doyle escreveu um artigo intitulado: “Sabes que podes simplesmente dizer ‘patriarcado’: estas análises do caso Epstein estão… a falhar algo.”

Linda Caroll escreveu: “Toda a gente quer saber que pessoas foram tão desprezíveis ao ponto de violar meninas. Tantas meninas. Mais de 1200… Queres saber quem são os homens que abusaram de crianças? Olha à tua volta.”

Liz Plank escreveu: “o que está a ter tanto impacto é perceber que não estávamos de todo a exagerar os danos do patriarcado — na verdade, estávamos a subestimá-los…

Kara Post-Kennedy, no The Good Men Project, escreveu: 
“Um dos grandes problemas que enfrentamos como sociedade neste momento é a forma como os ficheiros Epstein estão a ser tratados (ou ignorados). Não é apenas o facto de não estarmos a investigar e a processar activamente os homens envolvidos neste empreendimento criminoso, abominável e abusivo. É o enquadramento deste comportamento como algo ‘outro’. Como o comportamento marginal de alguns ricos mimados que já não tinham outras formas de se entreter. Não algo com que as pessoas comuns tenham de se preocupar.”
Jo-Ann Finkelstein, PhD, escreveu: “Epstein é a conclusão lógica do patriarcado. Fazemo-nos um mau serviço quando o classificamos, e aos seus semelhantes, como monstros ou como uma falha bizarra da decadência das elites.

Kristen Shelt escreveu: 
“Dizer ‘todos os homens’ não significa que todos os homens violem ou agridam mulheres; significa que todos os homens são criados dentro do mesmo sistema que ensina o sentimento masculino de direitos sobre as mulheres… E esse condicionamento existe, quer seja ou não posto em prática… Todos os homens criados no patriarcado recebem o mesmo ‘sistema operativo’ básico.”
Lane Anderson, do Matriarchy Report, escreveu: “os ficheiros Epstein levantam o véu sobre as estruturas de poder patriarcais americanas. Durante 249 anos, celebrámos uma nação que deixou mulheres e raparigas fora da definição de humanidade, apagando-as. O que estamos a viver agora é a conclusão lógica desse legado.

Tracy Clark-Flory e Amanda Montei dizem: “Os ficheiros dizem-nos aquilo que já sabemos: a conspiração do patriarcado. A violência sexual não é apenas um problema da elite global.”

As mulheres no Substack estão a ligar o patriarcado aos ficheiros Epstein. Infelizmente, as mulheres do Substack raramente são convidadas a participar nas conversas globais.

Académicos e especialistas em riqueza e corrupção são citados nos artigos dos grandes meios de comunicação referidos acima. São regularmente consultados para explicar este fenómeno de como os bilionários escapam com as violações.

Já as académicas e especialistas em patriarcado? Bem, muitas vezes são descartados como “histéricas” ou as suas ideias relegadas para textos de opinião lidos quase exclusivamente por outras mulheres.

Porque é que os homens violam parece ser um tema de nicho, reservado às mulheres.

Já a questão de saber porque é que os homens são ou não apanhados a violar — isso sim, é de interesse universal. Chamem os especialistas.

A excelente citação de Jonah Mix sobre pornografia vem-me aqui à mente:
“Não estou interessado num mundo em que os homens querem realmente ver pornografia, mas resistem por vergonha. Estou interessado num mundo em que os homens são criados desde o nascimento com uma compreensão tão inabalável das mulheres como seres humanos vivos que são incapazes de se excitar com a sua exploração.” — Jonah Mix
Sim! Exatamente!

Não estou interessada num mundo em que os homens querem violar, mas não o fazem porque não são extremamente ricos e poderosos.

Não estou interessada num mundo em que a única coisa que impede os homens de violar é não terem uma elite que encubra os seus segredos.

Estou interessada num mundo em que OS HOMENS NÃO QUEREM VIOLAR, ponto final!

Estou interessada num mundo em que os homens não se excitam com a exploração das mulheres.

Estou interessada num mundo em que o sentido de valor de um homem não tem absolutamente nada a ver com dominação.

Mas se continuarmos apenas a falar de tudo o que torna a violação mais fácil (dinheiro, poder, redes de elite, anonimato) e nunca falarmos das coisas que realmente alimentam o desejo de violar em primeiro lugar (sentimento de direitos sobre as mulheres, dominação, patriarcado), então vamos continuar nesta busca insana e interminável de cortar ervas daninhas, sem nunca arrancar a raiz.

https://celestemdavis.substack.com/p/epstein-files-patriarchy