October 01, 2026

"A guerra contra a realidade"



A guerra trans contra a realidade


Os activistas trans apregoam ruidosamente uma falsa mitologia da vitimização; na realidade, é mais provável que as pessoas trans matem do que sejam mortas.

By TERF TIMES
(Agradecimentos à revista The Critic, onde este artigo foi publicado pela primeira vez.)

É mais provável que as pessoas transgénero matem ou sejam mortas? Esta é a questão sobre a qual o sociólogo Professor Michael Biggs se debruçou ao observar uma vigília no centro de Oxford. 

Em Março de 2024, viu cerca de 50 estudantes reunidos em frente à Radcliffe Camera da Universidade a lamentar a morte de uma desconhecida que tinha morrido a milhares de quilómetros de distância. Nunca tinham conhecido Nex Benedict, uma jovem de 16 anos do Oklahoma que tinha posto fim à própria vida. Ainda assim, acenderam velas, depositaram flores e recitaram poemas, convencidos de que estavam a homenagear uma vítima da transfobia institucional.

Se Benedict não se tivesse identificado como não-binária, o seu suicídio teria sido encarado como uma tragédia local. Em vez disso, foi apresentado como uma consequência do bullying contra pessoas trans, com base apenas no facto de ter estado envolvida numa luta com algumas raparigas na escola nesse dia.

Em todos os Estados Unidos, mais de 350 organizações e figuras públicas assinaram uma carta na qual acusavam políticos republicanos de “fomentarem uma cultura de violência e ódio contra a comunidade 2SLGBTQI+”, que teria conduzido à sua morte. A quatro mil milhas de distância, a copresidente da campanha LGBTQ+ da Oxford Student Union foi ainda mais longe, declarando que Benedict tinha sido “assassinada por ser trans”.

O Professor Biggs ficou impressionado com a dissonância e a desonestidade. Um suicídio ocorrido noutro continente foi transformado num caso de violência política. No entanto, um homicídio real ocorrido na mesma cidade, cometido por um membro da “comunidade queer”, não suscitou poemas sentidamente recitados nem flores.

A vulnerabilidade trans tornou-se uma obsessão

Dias antes, num tribunal situado a menos de meia milha de distância, Scarlet Blake, um homem que se identificava como mulher trans, tinha sido condenado por homicídio. Tinha também transmitido em directo imagens em que torturava um gato. 

Seguindo orientações destinadas a evitar ofensas, a BBC referiu inicialmente o homicida como sendo uma mulher.

Biggs afirma que começou a pensar que “a perspectiva progressista que vê as pessoas transgénero apenas como vítimas precisa de ser examinada” e decidiu investigar a proporção entre vítimas e autores de homicídio transgénero na Grã-Bretanha. Como as comparações estatísticas entre proporções são difíceis, sobretudo quando os números são reduzidos, trabalhou com o Dr. Ace North, do Departamento de Biologia da Universidade de Oxford.

O Dr. North decidiu colaborar depois de ter reparado que, no seu local de trabalho, era constantemente reforçada a ideia de que as pessoas transgénero eram frequentemente vítimas — uma afirmação que “despertou a minha curiosidade em testar a exactidão das alegações que lhe estavam subjacentes”. 

Para ter em conta a incerteza resultante das pequenas dimensões das amostras, os investigadores aplicaram um modelo estatístico para estimar um intervalo para a verdadeira proporção entre vítimas e autores de homicídio neste grupo. “Descobrimos”, afirma North, “que os homens que se identificavam como trans eram mais frequentemente autores do que vítimas de homicídio durante o período estudado [2000–2025].”

No total, registaram-se 11 vítimas trans e 19 trans autores de homicídio — ou 14, se excluirmos aqueles que só começaram a identificar-se como trans depois de serem presos. Das 11 vítimas, apenas o homicídio amplamente noticiado, em 2023, da adolescente Brianna Ghey envolveu uma agressora do sexo feminino; as restantes vítimas foram todas mortas por homens. 

Nenhuma mulher que se identificasse como trans foi assassinada durante o mesmo período. Tal como acontece na população em geral, os homens tinham maior probabilidade tanto de serem mortos como de matar. North explica: 
Chegámos, assim, a uma conclusão que desafia directamente a narrativa da vitimização: as mulheres trans [homens biológicos] seguem um padrão de violência tipicamente masculino.
Quanto às vítimas de homicídio, pelo menos quatro estavam envolvidas na prostituição, três das quais foram assassinadas por clientes. Outras duas foram mortas por homens que tinham conhecido online e uma por outro homem que se identificava como trans.

Nada disto diminui a dor sentida pelas famílias e pelos entes queridos das vítimas de homicídio. Mas é incorreto sugerir que morreram por causa da transfobia ou que a identificação como trans aumenta o risco de ser assassinado.

Os investigadores descobriram que isso não se reflectia na cobertura mediática. A BBC, em particular, publicou mais de quatro vezes mais artigos sobre vítimas transgénero do que sobre autores de homicídios, “contribuindo para a perceção de uma vulnerabilidade excpecional”.

No entanto, a percepção persistente da vulnerabilidade transgénero tornou-se uma obsessão que envolve desde produtores de televisão a políticos. Tem até o seu próprio calendário de luto, um ciclo de queixas que passa pelo Dia Internacional da Visibilidade Trans (31 de Março), pelo Dia dos Pronomes (21 de Outubro), pela Semana da Consciencialização Transgénero (13–19 de Novembro) e pelo mês sagrado do Orgulho (Junho).

Ao longo da última década, os municípios têm hasteado solenemente as suas bandeiras trans por ocasião do Dia Internacional da Memória Transgénero (20 de Novembro). O mayor de Londres, Sadiq Khan, tem sido particularmente assíduo na demonstração da sua solidariedade para com a comunidade trans, tendo anunciado nas redes sociais, em 2023: 
No Dia Internacional da Memória Transgénero, honramos as vidas ceifadas por crimes de ódio contra pessoas trans.
Felizmente, são extremamente poucas as mortes de britânicos que há para assinalar. A mensagem transmitida ao público, porém, sugere o contrário. 

Nas escolas, as crianças aprendem que os homens que se vestiam de mulher e eram prostitutas toxicodependentes Sylvia Rivera e Marsha P. Johnson foram pioneiras activistas transgénero que lideraram os motins de Stonewall. Não há escapatória nem mesmo fora das instituições. Nos últimos 18 meses, o Fourth Plinth, em Trafalgar Square, tem exibido um cubo composto por 726 máscaras mortuárias fictícias de pessoas trans e não-binárias. A artista, Teresa Margolles, afirma que a sua obra chama a atenção para a vulnerabilidade da comunidade trans.

O activismo transgénero dominante assumiu agora características próprias de um culto da morte. Em manifestações, são agitadas faixas que apelam ao armamento das “crianças trans” e desfilam-se guilhotinas falsas. 

Os opositores ideológicos, sobretudo J. K. Rowling, são ameaçados com violência. Entretanto, o grupo militante de ação directa Bash Back! tem levado a cabo uma campanha de intimidação, pirateando websites e vandalizando edifícios, afirmando: 
Todos os nossos alvos têm sangue nas mãos. Recusamo-nos a deixá-los lavá-lo em paz. Bem-vindos a uma nova era de fúria trans.
Grupos como o Trans Kids Deserve Better escrevem palavras de ordem em caixões de cartão e organizam die-ins[protestos em que os participantes se deitam no chão, fingindo estar mortos]. 

Tornou-se habitual acusar os políticos que se opõem à prescrição de bloqueadores da puberdade de “matarem crianças trans”. Uma investigação anterior de Biggs, publicada na revista científica com revisão por pares Archives of Sexual Behavior, mostrou que não existem provas robustas de que interromper a puberdade reduza a ideação suicida. Mas as evidências não convenceram os jovens activistas.

As palavras de Elliot (Riz) Possnett sintetizam este fervor maniqueísta e apocalíptico. Na Radcliffe Camera, em Oxford, Possnett — que, em 2023, tinha anteriormente colado o corpo ao chão da sala de debates da Oxford Union, enquanto vestia uma camisola com a frase no more dead trans kids, em protesto contra a visita da Professora Kathleen Stock — leu um poema que declarava:
Vou viver por despeito. [O cuidado queer] é a coragem de amar e ser amado, é a sabedoria de permanecer vigilante. Estejam preparados para lutar pela vossa vida.
Felizmente, o “despeito” da estudante de Oxford, oriunda do ensino privado, parece mantê-la de perfeita saúde.

Apesar de serem tão seguidistas quanto qualquer outro grupo, estas activistas acreditam sinceramente — ou querem acreditar — que estão em risco e que, consequentemente, têm de travar uma guerra unilateral contra a realidade e contra todos os que nela habitam. Desde celebridades que desfilam com camisolas com a frase “protejam as crianças trans” até políticos que, vergonhosamente, invocaram o espectro do Holocausto, a mensagem tem sido incessante: o mundo exterior odeia-vos e quer-vos mortos.

Grupos como a Stonewall reforçaram esta narrativa, alertando para o facto de as pessoas trans enfrentarem “níveis profundos de discriminação e crimes de ódio”. No seu conjunto, isto produz uma visão do mundo em que a discordância política comum é reinterpretada como um perigo existencial e a própria realidade passa a ser algo contra o qual se deve resistir, em vez de algo com que se deve lidar. Como qualquer fã de banda desenhada sabe, só se é um verdadeiro super-herói depois de encontrar um arqui-inimigo.

Perante tudo isto, é difícil não sentir um ligeiro sentimento de simpatia por estes estudantes desconfortavelmente confortáveis, ansiosos por encontrar uma causa. Não serão recrutados para uma guerra, nem é provável que enfrentem a morte durante o parto. O progresso social fez às campanhas pelos direitos civis o mesmo que as viagens baratas e a massificação do ensino universitário fizeram ao gap year: fronteiras que outrora eram remotas ressoam agora com o clamor de jovens mochileiros da classe média.

O mito da vulnerabilidade trans vai, porém, muito mais fundo do que a procura juvenil de uma causa, as figuras públicas pouco inteligentes ou a astuta mudança de estratégia dos grupos de pressão, que passaram da defesa dos direitos dos homossexuais para a ideologia trans. 

Para alguns homens que se identificam como mulheres, a crença na sua própria vulnerabilidade faz parte da sua identidade e é central para o seu fetiche.

Passe algum tempo nos recantos mais lúgubres da internet e o desejo de ser vulnerável será colocado diante dos seus olhos. A pornografia de “sissificação” ou “feminização forçada” assenta na carga erótica da humilhação e da submissão, em que os homens são tornados vulneráveis ao serem tratados como “mulheres”. E, no imaginário pornográfico, as mulheres são objetos sexuais destinados ao uso masculino.

As vítimas imaginárias são santificadas e a violência real é ignorada.

Conteúdos relacionados com pessoas trans são extremamente populares. No ano passado, “trans” foi a segunda categoria mais vista no Pornhub. Alguns utilizadores intensivos acabam por se compreender a si próprios através dos conteúdos que consomem, chegando eventualmente a incorporá-los. 

Dado que a vulnerabilidade é central para a identidade destes homens enquanto mulheres, é natural que reajam com extrema hostilidade quando alguém ousa contradizer a sua crença na própria vitimização.

Sobretudo nos Estados Unidos, e como já foi abordado nestas páginas [Um fetiche que deu origem a um homicídio, novembro de 2025], está a emergir um padrão de autores de tiroteios em escolas que se identificam como trans e são consumidores compulsivos de pornografia. Os autores destes crimes estiveram imersos numa mistura nociva de ressentimento e sentimento de direito sexual.

Na Grã-Bretanha, os números oficiais são impressionantes. Dos 245 reclusos do sexo masculino que, em 2024, se identificavam como mulheres trans ou não-binários, 151 estavam condenados por crimes sexuais — cerca de 62%. Entre os reclusos do sexo masculino em geral, a proporção é mais próxima dos 20%. Entre as mulheres, situa-se entre 1% e 3%.

Dos cerca de 50 reclusos do sexo feminino que se identificavam como homens, sabe-se que menos de cinco tinham condenações por crimes sexuais. Em comparação, o número de reclusos do sexo masculino que se identificam como mulheres cresceu o suficiente para que uma ala separada da HMP Downview, integrada no sistema prisional feminino, seja utilizada para os alojar.

Enquanto investigava este artigo, mais um homem que se identifica como mulher foi acusado de homicídio. Aurin Makepeace esfaqueou o seu companheiro, Steven Rothwell, deixando-o morrer. Num comunicado, o CPS [Crown Prosecution Service] referiu-se a Makepeace utilizando pronomes femininos, de acordo com as suas orientações, que instruem os procuradores a utilizar o “género afirmado” pelo arguido. Mesmo no caso dos criminosos mais violentos, as autoridades públicas distorcem a linguagem para proteger uma minoria aparentemente frágil de ser magoada pelas palavras.

Desde a vigília à luz de velas em Oxford até ao tribunal, prevalece a mesma distorção. As vítimas imaginárias são santificadas e a violência real é ignorada. A narrativa da vulnerabilidade trans é protegida porque demasiada credibilidade profissional e institucional depende da manutenção deste desequilíbrio.

Como concluem Biggs e North no seu estudo: “Se a dimensão da violência fatal sofrida por pessoas transgénero na Grã-Bretanha for considerada uma epidemia, então o mesmo epíteto se aplica à violência fatal infligida por pessoas transgénero.”

Professor Michael Biggs expressou o seu agradecimento aos colaboradores anónimos do transcrimeuk.com, cujos dados se revelaram valiosos para a sua investigação.


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