October 08, 2020

"I am tired of having hands"

 


I am tired of having hands
she said
I want wings —
But what will you do without your hands
to be human?
I am tired of human
she said
I want to live on the sun —

- Louise Glück, from "Blue Rotunda"



"Os caminhos mais difíceis"

 

Descobri esta poeta há relativamente pouco tempo. Em Portugal, infelizmente, publica-se pouca poesia e mesmo a que se publica é quase toda portuguesa. Os editores dizem que sai caro (ainda mais pagar a tradutor) porque não vende e como não publicam as pessoas não conhecem e também não compram, pois não se pode comprar e gostar do que não se conhece (voltámos ao tópico da educação). De modo que é por acaso ou porque se procura muito, a poesia, como eu, que vamos dar com poetas, que foram traduzidos por outras sociedades que publicam poesia.

Há muita poesia interessante da China, da Índia, de países do Leste e outros que só conheço em francês, inglês, espanhol, italiano. Em português só uma ou duas coisas que pessoas particulares traduzem e põem em blogs de poesia. 

Hoje soube que Louise Glück ganhou o Nobel da Literatura. Já ouvi falar dela mas não conheço. Lá está, nunca vi livros dela à venda. É uma pena. Se eu soubesse estas línguas e tivesse credenciais de tradutora, traduzia todos estes poetas nas horas livres. 

A poesia faz tanta falta... e as pessoas gostam de poesia, ao contrário do que se diz: cantam-na nos fados e recitam aquela que conhecem da escola.

A poesia é para os adolescentes e adultos o mesmo que o continente-conteúdo de que fala Bion, nas relações precoces entre o bebé e a mãe/agente maternante.




imagem: Steve McCurry


Hilde Domin (1909 - 2006)

Les chemins
les plus difficiles


Les chemins les plus difficiles 
sont empruntés seul,
la déception, la perte,
le sacrifice
sont solitaires.
Même le mort qui ne reste sourd à aucun appel
et ne se refuse à aucune demande
ne nous assiste pas et ne fait que regarder
si nous y arrivons.
Les mains des vivants qui se tendent
sans nous atteindre
sont comme les branches des arbres en hiver. 
Tous les oiseux se taisent.
On n’entend que son propre pas
et le pas que le pied n’a pas encore posé mais qu’il posera.
S’arrêter et se retourner
ne sert à rien. Il faut
aller de l’avant.

Prends une bougie dans tes mains
comme dans les catacombes,
la petite lueur respire à peine.
Et pourtant, lorsque tu auras marché longtemps, 
le miracle ne reste pas à la porte, 
parce que le miracle se produit toujours,
et que sans la grâce
nous ne pouvons vivre:
la bougie s’éclaire à la libre respiration
du jour, tu la souffles en souriant
alors même que tu fais un pas au soleil
et que sous les jardins en fleurs
la ville s’étend devant toi,
et que dans ta maison
la table est dressée pour toi.
Et que les vivants, à perdre encore
et les morts, à ne plus perdre à jamais rompent pour toi le pain 
et te tendent le vin – et que tu réentends leurs voix
tout près
de ton cœur.

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Die
schwersten Wege

Die schwersten Wege
werden alleine gegangen,
die Enttäuschung, der Verlust,
das Opfer,
sind einsam.
Selbst der Tote der jedem Ruf antwortet
und sich keiner Bitte versagt
steht uns nicht bei
und sieht zu
ob wir es vermögen.
Die Hände der Lebenden die sich ausstrecken 
ohne uns zu erreichen
sind wie die Äste der Bäume im Winter.
Alle Vögel schweigen.
Man hört nur den eigenen Schritt
und den Schritt den der Fuß
noch nicht gegangen ist aber gehn wird. 
Stehenbleiben und sich umdrehn
hilft nicht. Es muß
gegangen sein.

Nimm eine Kerze in die Hand
wie in den Katakomben,
das kleine Licht atmet kaum.
Und doch, wenn du lange gegangen bist, 
bleibt das Wunder nicht aus,
weil das Wunder immer geschieht,
und weil wir ohne die Gnade
nicht leben können:
die Kerze wird hell vom freien Atem des Tags, 
du bläst sie lächelnd aus
wenn du in die Sonne trittst
und unter den blühenden Gärten
die Stadt vor dir liegt,
und in deinem Hause
dir der Tische gedeckt ist.
Und die verlierbaren Lebenden
und die unverlierbaren Toten
dir das Brot brechen und den Wein reichen 
und du ihre Stimmen wieder hörst
ganz nahe
bei deinem Herzen.


Just saying...

 


donald-trump-suspende-negociacoes-para-estimulo-a-economia-e-abala-wall-street




Em que mundo vive esta senhora...?

 


Alunos devem ser separados ao máximo nas escolas, aponta DGS


Há 23 surtos ativos em escolas. DGS diz que organização das escolas pesa nas medidas.



A escola do futuro está a chegar?





a-escola-do-futuro-esta-a-chegar

Ana Paula Laborinho

Refletindo sobre o sentido da escola em La escuela que viene, Magro mostra como é possível e está a chegar uma escola capaz de diagnosticar e se adequar aos interesses, ritmos e capacidades de cada aluno. Uma escola em que cada um possa ter a sua própria respiração e respirar em conjunto ("conspirar"), uma escola que transforme os conhecimentos e capacidades em bens comuns.

Não se trata de inventar outra escola, mas voltar a pensar e construir o que é a escola do futuro que pertence a todos.

Diretora em Portugal da Organização de Estados Ibero-americanos - OEI

Citação deste dia (não sei se a frase é dele mas está bem dita)

 




Livros gratuitos - Platão, Fédon


Jacques-Louis David, A Morte de Sócrates - o momento em que Sócrates toma a taça de veneno, a mão a apontar para cima, representado o céu (esta pintura é de 1787, os gregos não tinham esta noção de céu e inferno) para onde ele pensa ir. Ao fundo vêem-se a mulher (Xantipa) e os filhos a irem embora e vários dos discípulos choram.

 









FÉDON 

(os brasileiros traduzem por Fedão; Críton, por Critão, Cebes por Cebete ) 


O Fédon é um diálogo de Platão acerca da filosofia, (do sentido) da vida e da imortalidade da alma. Passa-se na cela onde Sócrates está preso há um mês, desde que foi condenado à morte por 'ofender os deuses' com os seus discursos racionais e de 'desviar a juventude' [do ensino sofista]. O julgamento de Sócrates com o texto da acusação e da defesa é a Apologia de Sócrates, também escrita por Platão, o seu maior e mais importante discípulo.

O Fédon passa-se no último dia de vida de Sócrates e descreve ao pormenor quem estava com ele na cela (Platão diz-nos que não estava lá nesse dia), do que falaram -de filosofia- e o que se passou até que morreu.

O diálogo passa-se quase todo entre Sócrates (como na maioria de livros de Platão, Sócrates é o principal interlocutor), Cebes (que nesta tradução aparece Cebete...) e Símias, sendo estes dois da escola pitagórica, não por acaso, mas porque Platão considerava que de entre todas as escolas, os pitagóricos, pelo seu domínio da matemática que ele considerava ser fundamental no caminho em direcção à verdade, eram os representantes da forma mais avançada de conhecimento.

Este diálogo foi uma das pedras fundamentais da cultura greco-cristã ocidental. É um diálogo interessantíssimo. Resolvi pô-lo aqui (aos pedaços) com comentários, na medida em que for tendo tempo, para quem nunca leu uma obra filosófica inteira e tenha curiosidade e interesse.

Na verdade hoje fui ao diálogo à procura duma passagem em que se fala das causas da misantropia e da misologia. Isto a propósito de haver pessoas que nem com um desenho percebem e eu me dar conta de todo o problema ter a ver com as causas da misantropia de que fala Sócrates aqui neste diálogo (e também de eu ser anormal) e que têm a ver com idealizar pessoas e criar expectativas mal ajuizadas adaptadas aos seus sentimentos e depois a realidade ser um grande choque. Como diz aqui Sócrates, a culpa é de quem cria as ilusões - as pessoas, na maioria dos casos, não são capazes de mudanças internas, só externas, de assumir erros e por isso também de verdade. Perferem até perder tudo que resolver as situações se implicam revisão interna. O que tem tudo a ver com este diálogo: a questão do lugar da verdade na vida, a questão do propósito da vida e de nós mesmos nela. 

Enfim, como a filosofia, ademais, é uma excelente maneira de pôr a cabeça no lugar e como há muitos anos que não leio o Fédon, aqui vai. 

Dei esta obra durante muitos anos no 12º ano. Era uma das obras que escolhia justamente por ser uma obra determinante do pensamento ocidental. Está toda assim:

Edição da Lisboa Editora - tradução de Maria Tereza Schiappa de Azevedo


O princípio do diálogo é uma contextualização: Platão conta quem estava lá nesse dia, qual o estado de espírito de Sócrates, etc.

Sócrates morreu em 399 AEC., em Atenas, de onde era natural.

O texto da obra vai a azul. Os comentários a preto, entre parênteses rectos.

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Versão eletrônica do diálogo platônico “Fedão”
Tradução: Carlos Alberto Nunes
Créditos da digitalização: Membros do grupo de discussão Acrópolis (Filosofia) Homepage do grupo: http://br.egroups.com/group/acropolis/

A distribuição desse arquivo (e de outros baseados nele) é livre, desde que se dê os créditos da digitalização aos membros do grupo Acrópolis e se cite o endereço da homepage do grupo no corpo do texto do arquivo em questão, tal como está acima.


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FEDÃO

I – Estiveste tu mesmo, Fedão, junto de Sócrates no dia em que ele tomou veneno na prisão, ou ouviste de alguém?

[Sócrates foi condenado à morte por envenenamento. Cicuta foi o veneno que o matou]

Fedão – Não, eu mesmo, Equécrates.

Equécrates – Então, que disse o homem antes de morrer? E como foi a sua morte? Gostaria de saber tudo o que se passou. Recentemente, nenhum cidadão de Fliunte tem ido a Atenas, e há muito não nos vêm de lá forasteiros capazes de dar-nos informações seguras, salvo dizerem que morreu depois de tomar o veneno. Quanto ao mais, nada informam de particular.

Fedão – E também não ouviste contar como foi o julgamento?

Equécrates – Ouvimos, sim; alguém nos falou nisso. Surpreendeu- nos, justamente ter sido bem antes o julgamento e ele só vir a morrer muito depois. Que aconteceu, Fedão?

Fedão – Foi tudo obra do acaso, Equécrates, o que se passou com ele. Precisamente na véspera do julgamento coroaram a popa do navio que os Atenienses enviam a Delo.

[Sócrates foi condenado na véspera de uma celebração que implicava enviar um navio a dar a volta às ilhas o que levava um mês. Durante essa celebração eram proibidas execuções, de modo que ele ficou a aguardar a sentença um mês, na cadeia. Durante esse mês passaram-se vários diálogos que Platão conta e outras peripécias como os amigos prepararem-lhe a fuga para o exílio e ele recusar-se por não querer desobedecer à lei e pensar que 'mais vale sofrer uma injustiça que cometê-la', como nos diz Platão no diálogo, 'Górgias']

Equécrates – Que é isso?

Fedão – Segundo os Atenienses, é o navio em que outrora Teseu levou para Creta as duas septenas [sete pares] de jovens, moços e moças, que ele salvou, salvando-se também. Nessa ocasião, segundo contam, prometeram a Apolo enviar anualmente uma deputação a Delo, no caso de se salvarem, e até hoje todos os anos vão em romaria à divindade. Desde o início dos preparativos da viagem, determina a lei que se proceda à purificação [quer dizer, sem mortos] do burgo, não sendo permitido executar ninguém por crime público antes de chegar a Delo o navio e retornar de lá. Por vezes esse prazo fica muito dilatado, quando os ventos são adversos. O início da peregrinação é contado a partir do momento em que o sacerdote de Apolo coroa a popa do navio, o que se deu, conforme disse, na véspera do julgamento. Esse o motivo de ter estado Sócrates tanto tempo na prisão, desde o julgamento até à morte.

II – Equécrates – E as condições em que morreu, Fedão? Quais foram suas palavras? Como se houve em tudo? Quais dos seus familiares se encontravam ao seu lado? Ou as autoridades não permitiram que entrassem, vindo ele a morrer privado de assistência dos amigos?

Fedão – De forma alguma; vários estiveram presentes; em grande número, mesmo.

Equécrates – Então, procura contar-nos com a maior exatidão possível como tudo se passou, no caso de dispores de folga.

Fedão – Disponho, sim, e vou tentar expor-vos o que se deu. Para mim, nada é tão agradável como recordar-me de Sócrates, ou seja quando falo nele, ou quando ouço alguém falar a seu respeito.

Equécrates – Pois podes ter a certeza, Fedão, de que teus ouvintes estão nessas mesmas condições. Esforça-te, portanto, para contar o caso com todas as minúcias.

Fedão – Era por demais estranho o que eu sentia junto dele. Não podia lastimá-lo, como o faria perto de um ente querido no transe derradeiro. O homem me parecia felicíssimo, [ao contrário dos discípulos que estão desesperados e tristes, Sócrates está feliz, o que mais adiante é explicado] Equécrates, tanto nos gestos como nas palavras, reflexo exato da intrepidez e da nobreza com que se despedia da vida. Minha impressão naquele instante foi que sua passagem para o Hades [reino dos mortos] não se dava sem disposição divina, e que, uma vez lá chegando, sentir-se-ia tão venturoso com os que mais o foram. [Platão a fazer o elogio do mestre] Por isso mesmo, não me dominou nenhum sentimento de piedade, o que seria natural na presença de um moribundo. Também não me sentia alegre, como costumava ficar em nossa práticas sobre filosofia. Sim, porque toda nossa conversa girou em torno de temas filosóficos. Era um estado difícil de definir, misto insólito de alegria e tristeza, por lembrar-me de que ele iria morrer dentro de pouco. As mais pessoas presentes se encontravam em condições quase idênticas, umas rindo, outras chorando, principalmente Apolodoro. Conheces o homem e sabes como ele é.

Equécrates – Sem dúvida.

Fedão – Pois desse jeito se comportou o tempo todo. Eu também, fiquei muito abalado, a mesma coisa passando-se com os outros.

Equécrates – E quem se achava lá, Fedão?

Fedão – Além do mencionado Apolodoro, seus conterrâneos Critobulo e o pai, Hermógenes, Epígenes, Ésquines e Antístenes. Ctesipo de Peânia também esteve presente, Menéxeno e mais alguns da mesma região. Se não me engano, Platão se achava doente. [Platão informa-nos que não estava presente]

Equécrates – E havia também estrangeiros?

Fedão – Sim, os Tebanos Símias, Cebete e Fedondes; e de Mégara, Euclides e Térpsio. 

[Símias e Cebetes, os dois pitagóricos interlocutores de Sócrates neste diálogo. Platão pensaria serem quem melhor estaria posicionado para continuar o seu pensamento, dado os conhecimentos de matemática que prosseguiam e que em seu entender eram os que melhor serviam o progresso de um pensamento racional. Mais tarde, no renascimento, os filósofos que apostavam na matemática para a ciência afirmavam-se e eram classificados como, platónicos, por oposição aos aristotélicos] 

Equécrates – Nesse caso, Aristipo e Cleômbroto também estiveram com ele? Fedão – Não; falaram que se encontravam em Egina.

Equécrates – Havia mais alguém?

Fedão – Creio que eram só esses.

Equécrates – E depois? Quais foram os discursos a que te referiste?

III – Fedão – Vou esforçar-me para contar tudo do começo. Tal como na véspera, todos os dias visitávamos Sócrates, e desde a manhãzinha íamos encontrar-nos no tribunal em que se deu o julgamento. Fica perto da cadeia. Ali esperávamos conversando até que a cadeia abrisse, pois não costumam abri-la muito cedo. Porém logo que isso se dava, corríamos para junto de Sócrates e quase sempre passávamos com ele o dia todo. Nessa manhã reunimo-nos mais cedo, porque na tarde anterior, ao nos retirarmos da prisão, soubemos que o navio chegara de Delo. Por isso, combinamos encontrar-nos o mais cedo possível no lugar habitual. Ao chegarmos, o porteiro que costumava receber-nos veio ao nosso encontro para dizer que esperássemos fora e não entrássemos sem que ele nos avisasse. Neste momento, nos disse, os Onze estão tirando os ferros de Sócrates e lhe comunicam que hoje ele terá de morrer. Depois de algum tempo, voltou para dizer que entrássemos. Ao penetrarmos no recinto, encontramos Sócrates, que acabava de ser aliviado dos ferros, e Xantipa – conhece-la decerto – com o filho pequeno, sentada junto do marido. Ao ver-nos, começou Xantipa a lastimar-se e clamar como de hábito nas mulheres,
dizendo: Pela última vez, Sócrates, teus amigos conversarão contigo, e tu com eles. Virando-se para Critão, Sócrates lhe disse: Critão, leva-a para casa. A isso, alguns dos homens de Critão a retiraram, não cessando ela de gritar e debater-se. Sócrates, de seu lado, sentado no catre, dobrou a perna sobre a coxa e começou a friccioná-la duro com a mão, ao mesmo tempo que dizia: Como é extraordinário, senhores, o que os homens denominam prazer, e como se associa admiravelmente com o sofrimento, que passa, aliás, por ser o seu contrário. Não gostam de ficar juntos no homem; mal alguém persegue e alcança um deles, de regra é obrigado a apanhar o outro, como se ambos, com serem dois, estivessem ligados pela cabeça. Quer parecer-me, continuou, que se Esopo houvesse feito essa observação, não deixaria de compor uma fábula: Resolvendo Zeus pôr termo as suas dissensões contínuas, e não o conseguindo, uniu-os pela extremidade. Por isso, sempre que alguém alcança um deles, o outro lhe vem no rastro. Meu caso é parecido: após o incômodo da perna causada pelos ferros, segue-se-lhe o prazer.

[1ª questão interessante: como é que o conhecimento de umas coisas provém do conhecimento dos seus contrários: neste caso, o prazer e o sofrimento]

continua...


Good morning

 


da minha outra janela



October 07, 2020

Paradoxos

 


Des-escrevo-me.


Não arrume a vida, isso põe a arte doente V

 


Não arrume a vida, isso põe a arte doente IV

 





 

Não arrume a vida, isso põe a arte doente III

 

Full Moon Service  🌕🚙✨

📸 erik.joh



Não arrume a vida, isso põe a arte doente II

 



não.sei.de quem é a fotografia


Avião fotografado através de uma clarabóia molhada

 


Se eu percebesse alguma coisa de física, de química ou de óptica, de refracção, talvez pudesse ler esta fotografia do ponto de vista dessas ciências, mas como percebo muito pouco, infelizmente, leio do ponto de vista da poesia existencial. Pois que o avião somos nós que projectamos a grande massa sombria, essa identidade (se é que existe) difícil de apreender, fragmentada em mil pedaços pessoanos, uns próximos, reconhecíveis e outros afastados e já confusos -ou difusos-, mínusculas cópias imperfeitas, desgastadas, imprecisas, a diminuírem até à dispersão total. 



via A different type of Art

Uma maçã com uma grande amolgadela III

 


Não arrume a vida. Isso põe a arte doente.





imagem da net

Uma maçã com uma grande amolgadela II

 


Maçã, com uma grande amolgadela

 


Jean Bernard (1775-1883), Apple, Rijks Museum