April 12, 2020
Coisas para fazer no Domingo de Páscoa em confinamento
A Filarmónica de Berlim disponibilizou gratuitamente a sua Digital Concert Hall. Só é necessário fazer o registo.
Embora a minha peça de oratória preferida de Bach seja A Paixão de S. Mateus BWV 244, a Paixão de S. João é muito apropriada nesta época e é extraordinária. Aqui com Simon Rattle e Peter Sellars:
https://www.digitalconcerthall.com/en/concert/51855
E para quem não é fã de oratória ou de Bach (quem não gosta de Bach, parece-me que não há-de ser pessoa de muita confiança...) o MET disponibiliza uma Ópera por dia.
https://www.metopera.org/
So, enjoy
Coronavirus Li Wenliang - solidão é isto
Citações deste dia - Camus, 'A Peste'
A mon âge, on est forcément sincère. Mentir est trop fatigant.
La seule façon de mettre les gens ensemble, c'est encore de leur envoyer la peste.
Ah ! Si c'était un tremblement de terre ! Une bonne secousse et on n'en parle plus... on compte les morts, les vivants, et le tour est joué. Mais cette cochonneriede maladie ! Même ceux qui ne l'ont pas la portent dans leur coeur.
Je dis seulement qu'il y a sur cette terre des fléaux et des victimes et qu'il faut, autant qu'il est possible, refuser d'être avec le fléau.
Je n'ai pas de goût, je crois, pour l'héroïsme et la sainteté. Ce qui m'intéresse, c'est d'être un homme.
L'homme n'est pas une idée.
Il y a chez les hommes plus de choses à admirer que de choses à mépriser.
L'amour demande un peu d'avenir, et il n'y avait plus pour nous que des instants.
Les malades mouraient loin de leur famille et on avait interdit les veillées rituelles, si bien que celui qui était mort.
Hâtivement, les corps étaient jetés dans les fosses. Ils n'avaient pas fini de basculer que les pelletées de chaux s'écrasaient sur leurs visages et la terre les recouvrait de façon anonyme.
Le fléau n'est pas à la mesure de l'homme, on se dit donc que le fléau est irréel, c'est un mauvais rêve qui va passer.
Ce qui m'intéresse, c'est qu'on vive et qu'on meure de ce qu'on aime.
Maintenant je sais que l'homme est capable de grandes actions. Mais s'il n'est pas capable d'un grand sentiment, il ne m'intéresse pas.
April 11, 2020
Coronavirus Li Wenliang, - nos próximos 12 a 18 meses, são precisas soluções
O que é provável que aconteça nos próximos 12 ou 18 meses:
1. Haver uma vacina mas não haver entendimento político para a distribuir;
2. Haver diagnósticos mas não soluções.
1. Como se lê neste artigo já abaixo, há 120 vacinas em desenvolvimento (embora em estádios diferentes de desenvolvimento), a maioria na América do Norte, e são financiadas por grandes farmacêuticas privadas que querem capitalizar a sua venda.
Quando houver vacina, o grande desafio vai ser o de produzi-la em quantidade e a preços que possam chegar aos biliões de pessoas do planeta.
Vão acontecer, uma de duas coisas: ou haver entendimento político dos países do G20 para produzi-la e distribuí-la por toda a gente, a começar pelos grupos de risco ou, os países não se entenderem, entrarem em guerra pela vacina, a vacina ser caríssima e proteger, não quem mais precisa mas, quem tem mais dinheiro, deixando países inteiros à sua sorte.
Para que isto não aconteça é necessário começar a agir imediatamente no sentido de pressionar os países onde a vacina se está a produzir para estabelecerem um compromisso que tenha como prioridade a saúde e não o lucro e o interesse privado.
O público também tem que pressionar neste sentido e fazer a sua parte que desde logo passa por não eleger políticos petrificados, incapazes de ter uma visão global dos problemas.
(Why the race for a Covid-19 vaccine is as much about politics as it is science - The race is with the virus but ‘vaccine nationalism’ threatens the drive for international agreement and cooperation)
2. As únicas pessoas que estão a trabalhar à altura da situação são os cientistas e os que com eles trabalham de perto que dedicam o seu esforço e tempo, positivamente, seja a encontrar tratamento e vacinas, seja a produzir material médico acessível para os hospitais.
Os outros, nomeadamente economistas e conselheiros políticos só fazem diagnósticos com linguagem bélica a acirram países uns contra os outros, como se vê nos artigos abaixo que são uma ínfima parte das centenas de artigos idênticos que inundam os jornais.
Quando os economistas e conselheiros políticos dizem aos governantes que têm que preparar-se para uma crise brutal com uma enorme e caótica falta de recursos, os os governantes fazem o que fizeram as pessoas comuns quando lhes disseram isso: começaram a açambarcar mantimentos sem pensar nos outros. Estão assustados. Daí a falta de entendimento na UE: estão todos a açambarcar e a pensar que no futuro é cada um por si.
Para que precisamos de políticos incapazes de pensar e orientar um futuro comum?
Precisamos que os economistas, os políticos e outros que se dedicam a pensar a vida política, social e económica, construam ideias, modelos de um futuro económico e político cooperativo e sustentável. E precisamos que essas ideias e essas vozes discutam com os governantes e lhes ofereçam soluções que desbloqueiem os dogmas económicos e políticos que nos trouxeram aqui. Sim, porque a China pode ter estado na origem da doença, mas a pandemia, quem a fez foi o tipo de globalização económica e financeira psicopata que temos.
Precisamos de soluções:
Pensar a vida nos próximos 12 a 18 meses, sabendo que será marcada pela pandemia até haver uma vacina.
É preciso que o governo ponha os 70 ministros e secretários a trabalhar com peritos (falo de peritos a sério e não de nomeados políticos que não percebem dos assuntos) que desenhem soluções.
É de prever que talvez daqui a uns 4 ou 5 meses, haja infectados suficientes, não sei se para haver imunidade de grupo, mas para que se possa retomar actividades com precauções; tendo em conta que poderá haver uma nova vage da infecções no Inverno, é necessário começar a produzir máscaras e outro material que se tornem de uso vulgar até termos uma vacina: é necessário reconverter serviços de acordo com normas de segurança no que respeita a distanciamento, etc.
É preciso que todos os ministérios e a AR se dediquem a preparar os próximos 12 a 18 meses, precisamos de soluções para viver durante um ano ou um ano e meio com um certo distanciamento para não termos que voltar ao isolamento e os grupos de risco possam voltar à actividade com segurança.
É disso que precisamos e já.
Já agora, precisamos que as TVs nos informem (para isso precisamos de políticos responsáveis e de confiança que não mintam e não nos tratem como imbecis) dos perigos e dos mortos, mas não precisamos de 100 mesas redondas com pessoas a falar constantemente de perigos e mortos.
Precisamos de pessoas que saibam do que falam e discutam soluções e envolvam a população nessas soluções.
Diário da quarentena 27* dia - belíssimo dia
Um céu azul enorme. A praia deserta. Vejo-a daqui. Uma horinha de luz solar com brisa marítima, sons de pássaros atarefados na sua vidinha primaveril e bela vista, para animar. Passam por aqui abelhas :)
Ora nem mais, aqui está um exemplo do que dizia acerca de dirigentes inadequados para estes tempos
Em vez de acertarem numa metodologia de contagem eficiente e coerente proíbem a informação de circular como se todos nós não víssemos porque o fazem. Isto só ajuda à percepção que temos de dirigentes erráticos, sem capacidade de discernimento e decisão, como tem sido a DGS, a ministra da saúde e o seu secretário. Preferem esconder e mentir que melhorar.
Governo proíbe câmaras de divulgarem mortes por coronavírus mas há quem resista.
Câmara Municipal de Espinho anunciou este sábado que não prescindirá do direito de informar diariamente a população sobre a evolução epidemiológica.
A decisão dessa autarquia do distrito de Aveiro surge depois de, na sexta-feira, as administrações regionais da tutela terem comunicado aos delegados de saúde pública de cada município que lhes estava vedada a divulgação diária da estatística local e que deviam restringir-se aos dados disponibilizados pela Direção-Geral da Saúde (DGS) - que se vêm revelando menos atualizados do que os dos municípios e, segundo a autarquia, até "altamente discrepantes".
Ficamos descansados quando o líder do mundo livre fala como uma criança de 6 anos
Calculo que seja assim que lhe explicam a situação relativamente ao avanço da doença para ele conseguir perceber e depois ele reproduz.
Genius germ.https://t.co/wHnRpXe4nk— Julia Davis (@JuliaDavisNews) April 11, 2020
#FreeAssange, because we know what you are doing. Faz hoje um ano que foi preso
Porque não o libertam? Para fazer dele um exemplo para todos aqueles que recusam ser deixados na ignorância acerca do que fazem os governantes que elegeram para os representar.
#FreeAssange
Gestão da crise: quase todos falharam? Nim
Nim.
Sim, agora -como diz Habermas numa entrevista ao Le Monde- vemos como as decisões são tomadas ao mais alto nível.
Acompanhamos diariamente o processo, ao contrário do que costuma acontecer: quero dizer, geralmente só sabemos das decisões quando são anunciadas depois de tomadas; neste caso, pelo contrário, temos acesso à opinião dos vários especialistas (os da saúde, os da economia, os da política, os da educação, os da indústria, etc), dos conselheiros, dos membros da estrutura que implantam as decisões, no próprio acto de aconselhar e opinar, cada um na sua especialidade, porque o fazem em directo e publicamente e, depois, vemos o modo como a decisão é tomada ao mais alto nível.
E o que temos visto é que a decisão, regra geral, é tomada de modo errático e para servir interesses pessoais. Falo internacionalmente. O que vimos, desde o início, com a China, foi o desprezo da observação e conselho de um médico por questões de interesse próprio; de seguida vimos Itália, França e muitos outros países desprezarem a opinião especializada dos cientistas sobre os efeitos da doença, por interesse próprio; de seguida vimos a falta de solidariedade da UE e dos EUA, contrariando a opinião de especialistas, para servir interesses próprios; até a OMS, para servir interesses políticos, caiu no erro de desprezar a estratégia de Taiwan na abordagem à doença.
Ou seja, só quando começam a cair mortos à frente dos olhos é que os líderes ouvem, de facto, os especialistas dos assuntos acerca dos quais têm que decidir. Enquanto não há mortos a inundar as TVs, os líderes têm um MO de decisão errático: ouvem especialistas, sim, mas mais por protocolo que por acreditarem que a sua posição tem valor político e depois tomam decisões conforme o seu interesse. E tomam-nas mal. Veja-se o que se passa com o tema ambiental onde a voz dos cientistas é menorizada por questões economicistas - que nos trouxeram onde estamos.
Hoje vem um artigo impressionante no Guardian que mostra, com imagens, o efeito positivo dramático que o confinamento está a ter no ar que respiramos nas cidades, mas este facto óbvio há-de ser devidamente ignorado quando for altura de voltarmos à rotina de destruir o planeta; veja-se também como o Eurogrupo decidiu não decidir e deixar tudo como sempre foi, por interesse egoísta de alguns países e conivência de outros.
Os políticos estão habituados a gerir para a próxima eleição e quando aparece uma crise que os obriga a olhar o médio e longo prazo e onde não é possível decidir ignorando a voz dos peritos, ficam expostos nas suas insuficiências.
Não
Não se pode dizer propriamente que tenham falhado como se antes da crise acertassem. Não, o que acontece é que esta crise expôs, um pouco pelo mundo fora, a falta de preparação dos líderes mundiais para decidirem num mundo globalizado onde os povos já não são analfabetos, lêem notícias, querem saber do que anda a ser feito, têm uma posição sobre os assuntos porque uma grande maioria tem uma formação académica que lhes dá acesso ao saber, percebem quando alguém foi eleito por cunha sem mérito nenhuma, vêem o que se passa em outros países e comparam e, por isso, os políticos já não podem decidir como antigamente, quando decidiam por todos sem partilha de decisão, de um modo paternalista, desde logo porque eram uma elite academicamente educada em contraste com o povo. Agora começa a ser ao contrário e, no entanto, muitos governantes, senão a maioria, ainda governa como se estivesse nesse passado paternalista e unilateral.
Os líderes políticos têm que adaptar-se e encontrar novas formas de decidir porque a característica que mais evidenciam, em geral, é o interesse individual, a falta de preparação intelectual para lidar com um mundo fortemente 'cientificado', com conhecimentos muito especializados sobre quase todos os assuntos e, embora as decisões sejam sempre políticas, pois destinam-se ao mundo humano, já não é possível um político ignorar completamente o conhecimento científico e decidir tendo em vista os seus interesses particulares (porque todos estamos a ver e percebemos o que estão a fazer) e tendo por bases os seus dogmas e preconceitos ideológicos.
Contundente condena a la Comunidad de Madrid por su gestión de la crisis del coronavirusDesde opacidad al vaciamiento de la atención primaria. Profesionales de la sanidad madrileña explican las deficiencias cometidas por la Comunidad de Madrid en la gestión de la pandemia de covid19. Por Alberto Azcárate.
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Macron face au coronavirus : comment la peur a gagné le sommet de l'Etat
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Macron face au coronavirus : comment la peur a gagné le sommet de l'Etat
Revirements, hésitations, non-dits : l’actuelle paralysie de l’exécutif reflète sa crainte des conséquences juridiques et politiques de sa calamiteuse gestion de la crise.
April 10, 2020
Did you know?
No século XVII os amantes trocavam retratos dos seus olhos.
The miniature paintings celebrated and commemorated love at a time when public expressions of affection were uncouth.
Their marriage was not considered valid due to the lack of royal consent, but the lore around the eye paintings endured, inspiring a fashion for such tokens. While miniature portraits were already popular in eighteenth-century England, they were often private objects viewed solely by the wearer. Yet an eye portrait could be worn boldly on a bracelet, ring, stickpin, pendant, or brooch, with the identity of the subject a mystery.
One of the largest collections is now held by David and Nan Skier, who have amassed over 100 examples of the portraits, selections of which were exhibited in 2012 at the Birmingham Museum of Art in Alabama.
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