March 26, 2020

Diário da quarentena 13º dia - bom dia - ainda bem que não é sexta-feira



Não é que eu seja supersticiosa mas é melhor não desafiar o morcego e o pangolim - um ditado (inventado agora mesmo) que vou tornar popular de tanto o dizer.



















'are you talkin' to me'?
nan zito

March 25, 2020

Descaramento



A esta hora da noite é que me enviam os trabalhos. Que grande descaramento...

Do I deserve something sweet for the work of today?



Yes, I do 🙂


Um filme que faz lembrar Ansel Adams ou Bierstadt



Logo, um filme para todos aqueles que se deleitam na solitude do infinito, que é uma coisa muito diferente da infinita solidão. Um filme cheio de telas enormes de Natureza intocada, indómita, insubmissa, agreste e dura, mas bela, com aquela beleza dos cumes inacessíveis dos glaciares e dos seus vales cheios de gelo e neve sempiterna. Aquelas paisagens, à maneira de Ansel Adams ou de Bierstadt mas muito duras e afiadas, às vezes medonhas de belas, por vezes a parecerem cenários de um planeta desconhecido, que não este nosso. Calculo que tenham muito de arte digital à mistura mas isso não lhes retira nenhuma realidade, porque a vida imita a arte e não o oposto.

O filme é passado no Alasca e conta a história de Togo, um cão líder de trenó, de raça Husky siberiano e do seu dono, Leonhard Seppala. Ambos existiram no início do século XX e são famosos: o cão, tendo sido um exemplar excepcional como nenhum outro em coragem, inteligência, reisistência, considerado o melhor de sempre, com feitos extraordinários na sua vida e o dono, um grande treinador desses cães e condutor de trenós. À época estes trenós eram muito usados nestas regiões como transporte e correio.

O filme conta isso tudo: o carácter excepcional do cão e o do seu dono e o laço inquebrável de afecto que os unia. É um filme da Disney. É um daqueles filmes que não é para qualquer criança ou adolescente porque grande parte do filme passa-se com o homem e o cão nessa natureza selvagem. No entanto, é o tipo de filme que terá um impacto muito forte e duradouro em algumas, o que nos revela logo muita coisa acerca dessas :)

O filme também é, ou pelo menos foi assim que o vi, uma metáfora da vida e de certo tipo de pessoas. Deixa-me ver se me explico. Não é qualquer pessoa que vive naquele ambiente isolado e duro, onde todos os dias se é consciente das situações-limite da vida. Sobretudo a fazer aquele trabalho de ir sozinho por trilho inóspitos no meio de montanhas geladas cheias de perigos. É preciso desenvolver muita tenacidade e dureza de vontade mas, ao mesmo tempo, não é possível viver-se naquele sítio sem se desenvolver uma sensibilidade à grandiosidade e beleza do Universo. As contradições que nos formam são todas exacerbadas nesses sítios de extremos irredutíveis aos constrangimentos da razão.

Às vezes tenho alunos deslocados. Estão no sítio errado. Pertencem a sítios inóspitos que requerem muita tenacidade, auto-afirmação, resistência insubmissa. É claro que a maioria dos alunos que são teimosos e resistentes são apenas clichés da adolescência, mas um ou outro não e é preciso dar-lhe alguma corda para ver como eles a puxam, porque por vezes são apenas seres indómitos, inadaptados a tempos amenos. São pessoas talhadas para outras realidades, só que estão encalhados no quotidiano normal e não se enquadram.

Aquele tipo de pessoas que gostaríamos de ter connosco em tempos a necessitar de heróis, de gente firme com iniciativa que dá o corpo ao manifesto sem desistir, são os mesmos que em tempos normais desacatam e por vezes chocam.
Não se pode, ao mesmo tempo, querer na mesma pessoa, o excepcional e o normal.
É verdade que não sabemos se esses miúdos/as que muito de vez em quando nos passam pelas mãos vêm a desenvolver-se desse modo, mas que vemos bem esse potencial neles, ahh isso vemos. Doravante vou passar a chamar-lhes, para mim mesma, claro, Togos.

Espero que um dia tragam este filme a uma sala de cinema cá em Portugal porque quero muito ir respirá-lo, suspirá-lo, mastigá-lo, deleitar-me na solitude infinita dele, num grande ecrã.



Diário da quarentena 12º dia - ainda não parei e queria que o ministro da educação se descosesse rapidamente



Como o nosso trabalho não está pensado para ser, sobretudo, online, tenho trabalhado muito mais horas nestes dias do que é normal, mesmo tendo em conta que estamos em fim de período. Assuntos que tratamos rapidamente dentro das salas de aula, como dúvidas e esclarecimentos, agora obrigam a escrever respostas individuais e assuntos que tratamos com os colegas em 5 minutos na sala de professores, agora, obrigam a emails para lá e para cá... são horas.

Outra coisa era o ministro dizer claramente o que pensa fazer no 3º período e sem inventar coisas estúpidas que nos empecilhem o trabalho. É que preparar aulas à distância obriga a reconverter todo o trabalho já planeado e preparar aulas de modo completamente diferente. Se não tivermos a pausa lectiva da Páscoa para planear e produzir material para as aulas do 3º período, depois não há tempo para o fazer e, não vamos começar a fazer seja o que for, arriscando que depois sua excelência venha impor coisas completamente diferentes e ter de deitar o trabalho para o lixo.

Por conseguinte, senhor ministro, deixe-se de ideias de fotografias para nos controlar e ponha-se a trabalhar no que interessa, sff.

Uncommon bonds



The secret of happiness is freedom, and the secret of freedom, courage."
--Thucydies (B.C. 460-400)



Música: Max Richter - On the Nature of Daylight

Engenho - alguém inventou uma maneira de fazer 4 ventiladores de 1 só



Acerca das falsas dicotomias a propósito do Coronavirus



... que põem de um lado a necessidade de isolamento para impedir a progressão do vírus e de outro a crise económica desencadeada por esse isolamento: a escolha não é entre termos isolamento agora e crise económica daqui a três meses ou quatro, porque se não temos isolamento agora, teremos isolamento ainda mais drástico daqui a três meses ou quatro e uma crise económica ainda maior. Parece-me que a Itália mostrou isto. Portanto, quanto mais depressa se entrar na curva descendente da epidemia e se puder atenuar o isolamento, mais depressa se pode atenuar a crise económica.

25 de Março - começar o dia com arte e poesia - Keats e 'O Castelo Encantado'



“You know, I am sure, Claude’s Enchanted Castle and I wish you may be pleased with my remembrance of it.” —John Keats, 25 March 1818



Keats era fascinado por esta pintura, O Castelo Encantado, que pensa-se terá inspirado a "Ode to a Nightingale".

You know the Enchanted Castle,—it doth stand
Upon a rock, on the border of a Lake,
Nested in trees, which all do seem to shake ...

You know it well enough, where it doth seem
A mossy place, a Merlin's Hall, a dream;
You know the clear Lake, and the little Isles,
The mountains blue, and cold near neighbor rills,
(excerto)


Claude Lorrain, Landscape with Psyche Outside the Palace of Cupid, or The Enchanted Castle, 1664

Papy Groove - mais uma vítima do Coronavirus


Manu Dibango. É uma tristeza ver partir pessoas que criavam boa música.


Diário da quarentena 12º dia - Bom dia desde Paris



PARIS UNDER CONFINEMENT from David Coiffier on Vimeo.

March 24, 2020

A poética do espaço




Baalbek, Tempio di Bacco, veduta del portale di ingresso. Litografia a colori di David Roberts, Louis Haghe, 1843.


Osserviamo come la porta classica abbia una composizione analoga a quella della trabeazione di un Ordine: la parte superiore è assimilabile a un cornicione, al centro vi è il fregio e sotto una parte assimilabile un architrave che anziché procedere semplicemente in orizzontale, scende verticalmente alle estremità, formando gli stipiti della porta. Ai lati vediamo le volute proprie della porta ionica.

Architetto David Napolitano

Que é isto?



Agora todos os dias recebo mensagens no Messenger, no telemóvel e em todo o lado com pedidos de não interromper correntes para rezar avé-marias e terços...

Citação deste dia



" Existe uma pretensão ciência económica? Não tenho a certeza. Existe uma montanha de livros de economistas, que reduziram o homem a automa, um autóma que se supostamente capaz de prever o futuro, maximizar a sua utilidade ou o seu lucro. Existe uma concepção mecânica da sociedade, em que todos os agentes económicos operam sem erros e sem arrependimentos. Existe a abstração de um mercado de concorrência perfeita, que conduz inevitavelmente a um "equilíbrio" excelente (talvez de pleno emprego). Existem ou existiram economistas pseudo-liberais que acreditaram nesses contos de fadas. O que é isso?

Friedrich A. Von Hayek, "A Sociedade Livre"

Coisas boas



Notícias de Coimbra - Grupo Super Bock e a destilaria Levira convertem álcool de produção de cerveja em desinfetante

E por falar em tolices II




Right...




E por falar em tolices




É isso... ainda bem que há o COVID-19



... para vendermos tapetes de Arraiolos, como dizia o outro e, para os idiotas todos que andavam escondidos saírem da toca e darem asas à asinice. Mais um tipo qualquer que percebe tanto de educação como eu percebo de gerir empresas que vem dizer-nos a nós como devemos fazer o nosso trabalho. Se eu lhe fosse dizer como fazer o dele escandalizava-se, mas é claro que todos os tolinhos são especialistas em educação.


A oportunidade de ouro para criar as escolas do século XXI

Director-geral da Associação EPIS – Empresários Pela Inclusão Social

Lost in distance



Quando uma turma resolve mudar o endereço de email e esquece-se de dizer...