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December 25, 2025

🎄✨ Bom Natal

 

Lembrando aqueles que fazem sacrifícios no Natal e em todos os outros dias para que nós possamos passar um santo Natal em paz.



December 24, 2025

#StandWithUkraine - cada um contribui como pode

 

Neste Natal ofereço umas coisas ucranianas compradas a ucranianos, vindas directamente da Ucrânia. Ofereci uma a mim mesma.



December 24, 2024

A primeira árvore de Natal 🎄

 


A Rainha Vitória, o Príncipe Alberto e os filhos reúnem-se à volta de uma árvore de Natal, em Dezembro de 1848. Museu Webster. Domínio público


O primeiro registo escrito de uma árvore de Natal decorada vem de Riga, na Letónia, em 1510. Os homens do grémio dos comerciantes locais decoraram uma árvore com rosas artificiais, dançaram à volta dela no mercado e depois atearam-lhe fogo. A rosa foi utilizada durante muitos anos e é considerada um símbolo da Virgem Maria.

Há outra lenda que diz que foi Martinho Lutero, o reformador religioso alemão, quem inventou a árvore de Natal. Segundo a história, numa noite de inverno de 1536, Lutero passeava por um pinhal perto da sua casa em Wittenberg quando, de repente, olhou para cima e viu milhares de estrelas a brilhar como jóias entre os ramos das árvores. Esta visão maravilhosa inspirou-o a montar um abeto à luz de velas em sua casa nesse Natal, para lembrar aos seus filhos o céu estrelado de onde veio o seu Salvador.

Em 1605, as árvores de Natal decoradas já tinham aparecido no Sul da Alemanha. Nesse ano, um escritor anónimo escreveu que, no Natal, os habitantes de Estrasburgo “montavam pinheiros nas salas de estar (...) e penduravam neles rosas cortadas em papel de várias cores, maçãs, bolachas, papel dourado, doces, etc.”.

Noutras partes da Alemanha, os buxos ou os teixos eram levados para dentro de casa no Natal, em vez dos abetos. E no ducado de Mecklenburg-Strelitz, onde a Rainha Charlotte cresceu, era costume enfeitar um único ramo de teixo. 

O poeta Samuel Taylor Coleridge (1772-1834) visitou Mecklenburg-Strelitz em dezembro de 1798, e ficou muito impressionado com a cerimónia do ramo de teixo que aí presenciou, cujo relato seguinte escreveu numa carta à sua mulher, datada de 23 de abril de 1799: 
Na véspera do dia de Natal, uma das salas, na qual os pais não podem entrar, é iluminada pelas crianças; um grande ramo de teixo é fixado sobre uma mesa a uma pequena distância da parede, uma multidão de pequenas velas é fixada no ramo ... e papel colorido, etc., pende e esvoaça dos ramos. Sob este ramo, as crianças colocam os presentes que pretendem oferecer aos pais, escondendo ainda nos bolsos os que pretendem oferecer uns aos outros. Depois, os pais são apresentados e cada um apresenta o seu presentinho; em seguida, tiram os restantes presentes dos bolsos, um a um e entregam-nos com beijos e abraços.
Quando a jovem Charlotte deixou Mecklenburg-Strelitz em 1761 e foi para Inglaterra para casar com o Rei George III, levou consigo muitos dos costumes que tinha praticado em criança, incluindo o ramo de teixo no Natal. No entanto, na corte inglesa, a Rainha transformou o ritual essencialmente privado do ramo de teixo da sua terra natal numa celebração mais pública que podia ser desfrutada pela sua família, pelos seus amigos e por todos os membros da Casa Real.

A Rainha Charlotte colocou o seu ramo de teixo não numa pequena sala de estar, mas numa das maiores salas do Palácio de Kew ou do Castelo de Windsor. Assistida pelas suas damas de companhia, foi ela própria a vestir o ramo. E quando todas as velas de cera estavam acesas, toda a corte se juntava e cantava canções de Natal. A festa terminou com a distribuição de presentes do ramo, que incluía artigos como roupas, jóias, pratos, brinquedos e doces.

Estes ramos de teixo reais causaram grande alarido entre a nobreza, que nunca tinha visto nada do género. Mas não foi nada comparado com a sensação criada em 1800, quando a primeira verdadeira árvore de Natal inglesa apareceu na corte.

Nesse ano, a Rainha Charlotte planeou organizar uma grande festa de Natal para as crianças de todas as famílias principais de Windsor. E, pensando num mimo especial para oferecer aos mais novos, decidiu subitamente que, em vez do habitual ramo de teixo, iria envasar um teixo inteiro, cobri-lo com enfeites e frutos, enchê-lo de presentes e colocá-lo no meio do chão da sala de visitas do Queen's Lodge. Uma árvore assim, pensou ela, daria um espetáculo encantador para os mais pequenos contemplarem. E foi o que aconteceu. 

Quando as crianças chegaram à casa, na noite do dia de Natal, e viram aquela árvore mágica, toda enfeitada com enfeites e vidros, acreditaram que tinham sido transportadas diretamente para o país das fadas e a sua felicidade não tinha limites.

O Dr. John Watkins, um dos biógrafos da Rainha Charlotte, que assistiu à festa, fornece-nos uma descrição vívida desta árvore cativante “dos ramos da qual pendiam cachos de doces, amêndoas e passas em papéis, frutas e brinquedos, dispostos com muito bom gosto; tudo iluminado por pequenas velas de cera”. Acrescenta ainda que “depois de a companhia ter passeado e admirado a árvore, cada criança recebeu uma porção dos doces que ela continha, juntamente com um brinquedo, e todos regressaram a casa muito satisfeitos”.

As árvores de Natal passaram a ser o centro das atenções nos círculos da classe alta inglesa, onde constituíam o ponto focal de inúmeras reuniões de crianças. Tal como na Alemanha, qualquer árvore de folha perene podia ser arrancada para o efeito: teixos, buxo, pinheiros ou abetos. Mas eram invariavelmente iluminadas por velas, adornadas com bugigangas e rodeadas por pilhas de presentes. As árvores colocadas em cima das mesas tinham também, normalmente, uma Arca de Noé ou uma quinta modelo e numerosos animais de madeira pintados a dourado dispostos entre os presentes, por baixo dos ramos, para dar um encanto suplementar ao cenário. 

Aquando da morte da Rainha Charlotte, em 1818, a tradição da árvore de Natal estava firmemente estabelecida na sociedade e continuou a florescer durante as décadas de 1820 e 30. A descrição mais completa destas primeiras árvores de Natal inglesas encontra-se no diário de Charles Greville, o espirituoso e culto funcionário do Conselho Privado, que em 1829 passou as férias de Natal em Panshanger, Hertfordshire, casa de Peter, 5º Conde Cowper, e da sua mulher Lady Emily.

Quando, em dezembro de 1840, o Príncipe Alberto importou vários abetos de Coburgo, a sua terra natal, estes não eram, portanto, uma novidade para a aristocracia. Mas foi só quando periódicos como o Illustrated London News, Cassell's Magazine e The Graphic começaram a retratar e a descrever minuciosamente as árvores de Natal reais todos os anos, de 1845 até ao final da década de 1850, que o costume de montar tais árvores nas suas próprias casas se generalizou em Inglaterra.

Em 1860, porém, não havia praticamente nenhuma família abastada no país que não ostentasse uma árvore de Natal na sala de estar ou no salão. E todas as festas de Dezembro organizadas para crianças pobres nesta data tinham como principal atração as árvores de Natal carregadas de presentes. O abeto era agora geralmente aceite como a árvore festiva por excelência, mas os ramos destes abetos já não eram cortados em camadas artificiais, como na Alemanha, mas podiam permanecer intactos, com velas e ornamentos dispostos aleatoriamente sobre eles, como atualmente. 

A primeira árvore de Natal em Portugal foi instalada no Paço Real das Necessidades, em Lisboa, por D. Fernando II, duque de Saxe-Coburgo-Gotha, o marido de D. Maria II, em meados do século XIX, para recordar a tradição de Natal da sua infância passada na Alemanha. Por volta de 1844, o monarca, nascido em Viena, na Áustria, colocou, no Paço Real das Necessidades, em Lisboa, uma árvore e enfeitou-a para festejar com os sete filhos e com a rainha, D. Maria II, com quem casou a 9 de abril de 1836.

Originalmente, a árvore era decorada com rosas feitas a partir de papel colorido, maçãs e fios prateados. Já desde o séc. XVIII que a árvore era decorada com velas. As maçãs representavam o episódio bíblico de Adão e Eva. Hoje em dia, as maçãs foram substituídas pelas bolas coloridas, as velas foram trocadas pelas luzes. Só os fios prateados se mantêm.

O abeto, que era colocado numa sala privada da família real no Palácio das Necessidades, era decorado com velas, laços e bolas de vidro transparente. Também era comum colocar guloseimas na árvore já decorada, como frutas cristalizadas e chocolates. O marido de D. Maria II chegava mesmo a vestir-se de verde e a imitar São Nicolau, o santo que deu origem ao Pai Natal, para entreter os seus sete filhos. O rei consorte entrava na sala com um saco às costas e distribuía presentes pelos príncipes e outras crianças do palácio.

A árvore de Natal original era mais bonita e mágica que a actual. Tinha os pequenos presentinhos pendurados nos próprios ramos ao lado das velinhas. Nos dias de hoje, como todos os dias são Natal em termos de consumo e presentes, a magia da árvore de Natal decorada com doces e presentes perdeu-se muito.

December 25, 2023

Natal em duas linhas

 


Consoada e almoço de dia de Natal: família e comer demais.

Jantar de dia de Natal: três litros de chá.


December 24, 2023

Bom Natal

 



Calçada em Paredes de Coura
por Esmeralda Rodrigues e Manel Viana

December 20, 2023

Entrar no espírito natalício

 

(dispensávamos a música)

November 28, 2023

Livros que fazem crescer as crianças



Estamos às portas do Natal o que é uma boa ocasião para oferecer um livro às crianças. Um livro que as faça crescer.

As crianças precisam de livros para crescer, mas não de quaisquer livros! Quando os livros não infantilizam os jovens leitores, quando respeitam a sua relação com o mundo, quando não os fecham numa forma de pensar "pré-fabricada", mas lhes dão as chaves para abrirem as portas da sua imaginação, então a leitura torna-se uma experiência única que contribui para o desenvolvimento do pensamento e da sensibilidade.

Joëlle Turin, especialista em literatura infantil, nesta 2ª edição de Ces livres qui font grandir les enfants, acrescentou um capítulo suplementar, Quelle(s) imagination(s)!

Se quer um guia com recomendações sobre que livros comprar para enriquecer as crianças, é este. Tem sugestão de mais de 90 autores e 120 álbuns, para várias idades, divididos por temas.para deleite das crianças e dos adultos que as acompanham, pais, educadores, mediadores... enfim, de todas as pessoas que as ajudam a crescer contando-lhes histórias. 

Seis grandes temas atravessam o livro: o jogo, o medo, as grandes questões filosóficas, as relações com os outros, os sentimentos e a imaginação. Os álbuns são analisados e descritos de forma muito cuidada, e Joëlle Turin estabelece sempre a ligação entre o texto e as ilustrações. O livro está repleto de ilustrações a cores.

Na infância, todas as questões, mesmo as filosóficas, são legítimas. O sentido da vida, para além do imaginário e dos devaneios, leva-nos a questionarmo-nos e a dizer: "Não posso viver sem mim próprio.

No capítulo, "Os outros e eu", mostra até que ponto os livros infantis actuais transmitem valores educativos contemporâneos baseados no amor, na confiança e no respeito. Em vez de moralizar, as respostas dos autores-ilustradores às tolices retratadas nos seus livros são criativas e imaginativas, do ponto de vista da criança.

As grandes alegrias e as pequenas tristezas do quinto capítulo destacam os sentimentos de solidão, raiva, ciúme, amor e amizade partilhados por todas as crianças.

Para  Joëlle Turin o "triângulo mágico": o livro, a criança e o adulto são unidos em torno de uma história que tornará a criança mais rica e mais forte por ter confrontado a sua vida com a dos seus heróis.

December 25, 2022

Sou só eu que como montes de açúcar na noite da consoada?

 

E depois fico numa excitação incapaz de dormir? O que vale é que neste dia vêem sempre parar-me à mão livros novos 📚 🙂



December 24, 2022

Leituras pela madrugada da véspera de Natal - a história bíblica do Natal




Lemos no Novo Testamento que Maria e José tiveram de deixar a sua cidade natal de Nazaré e viajar para Belém, onde Jesus nasceu. Fizeram-no porque um censo romano da população exigia que todos os cidadãos voltassem aos seus locais de nascimento para serem contados. Uma vez que José, o pai de Jesus, era de Belém, foi aqui que o casal chegou, com Maria à beira de dar à luz.

Ter todos de volta aos seus locais de nascimento parece uma forma muito estranha de realizar um censo. Porque não contá-los no sítio onde estavam? Tal projecto teria bloqueado completamente o Império Romano de ponta a ponta, uma vez que se diz que o recenseamento envolveu o mundo imperial como um todo. 
Dado o tamanho do Império e o número de pessoas deslocadas em todos os seus confins, a convulsão teria sido espectacular - de tal modo que de certeza que o saberíamos de fontes não-religiosas. Ora, não temos nenhuma informação dele: nenhum historiador antigo o regista. Isto significa que, quase de certeza, tal não aconteceu. 
O recenseamento é provavelmente um dispositivo narrativo para fazer Jesus nascer em Belém. Belém era a cidade do rei David e a profecia predisse que o Messias viria de lá. Logo, seria embaraçoso para ele vir de um lugar pequeno e marginal chamado Nazaré, na região rural obscura da Galileia. Seria como nomear alguém de Barnsley como Presidente do Universo. (Para evitar um dilúvio de cartas ameaçadoras, devo acrescentar que Barnsley é um lugar brilhante para se viver).

No entanto, existe aqui outra anomalia, uma vez que Jesus não era realmente o Messias, mesmo que se acredite que ele era o Filho de Deus. Na tradição judaica, o Messias é uma figura secular e não uma figura sagrada - um guerreiro poderoso que levaria o povo judeu à vitória sobre os seus inimigos. A descrição do trabalho não se ajusta de todo a Jesus e em nenhuma ocasião nos evangelhos ele reconhece inequivocamente o título (ou, já agora, o título de Filho de Deus). 
A sua entrada em Jerusalém em cima de um burro parece uma paródia satírica de uma procissão real triunfante. Ele provoca aquilo a que São João chama "os poderes deste mundo", significando entre outras coisas a configuração política dominante e, por isso mesmo, é condenado morte por eles. Politicamente falando, ele é um fracasso, executado pelo Estado imperial e desertado pelos seus camaradas. Assim, talvez a viagem em pleno inverno de Maria e José a Belém não tenha sido, afinal, necessária.

Como até Richard Dawkins sabe, Jesus nasceu num estábulo porque os locais de alojamento em Belém estavam cheios. Talvez em homenagem a esta ocasião, o alojamento num hotel no Natal continua a ser escasso. Não muito depois do seu nascimento, a criança é visitada por três reis, ou assim se convence a crença popular. De facto, o Novo Testamento não menciona quantos eram e em todo o caso não eram de todo reis. Eram magos: mágicos, feiticeiros, cartomantes, o tipo de charlatães que os governantes costumavam contratar para encantar o povo comum com os seus truques de magia. Eram também astrólogos, inimigos da liberdade humana que sustentavam que tudo era predestinado por forças cósmicas e que espreitavam para o futuro a fim de assegurar ao seu soberano que o seu poder continuaria a florescer durante muitos anos.

Porque deveriam tais personagens vir visitar uma criança recém-nascida de um casal de pobres desconhecidos? A pista pode residir nos presentes que trouxeram consigo, que provavelmente não foram presentes, mas ferramentas do seu comércio esotérico. O que fazem, provavelmente, não é deitar presentes aos pés do bebé, mas entregar os símbolos do seu poder. A cena pode ser alegórica, já que o velho regime do medo, do espanto e da superstição dá lugar a um novo mundo de liberdade e amizade. É assim que T.S. Eliot vê o assunto no seu poema, "Viagem dos Reis Magos":



...este Nascimento foi

Agonia dura e amarga para nós, como a Morte, a nossa morte.

Regressámos aos nossos lugares, estes Reinos,

Mas sem o à vontade de outrora, na velha administração,

Com um povo alienígena agarrado aos seus deuses.

Devia estar contente com outra morte.


Também presentes no nascimento estão um grupo de pastores e um coro de anjos. Os anjos significam o infinito, enquanto que os humildes pastores são da terra. Os anjos são incontáveis, as pessoas são contadas e os pastores não contam.

Ser humilde, porém, conta muito, pelo menos para o Novo Testamento. Durante a sua gravidez, Maria faz uma visita à sua prima Isabel, que também está grávida. Nenhuma das duas mulheres é uma imagem da domesticidade convencional: Maria e o bebé que ela carrega não dependem daquilo que os evangelhos chamam "a vontade do homem", ou seja, esta futura mãe é virgem; Isabel já passou há muito a idade convencional de procriação. Quando Isabel vê Maria, é-nos dito que a criança no seu ventre salta de alegria. No entanto, não ficará alegre durante todo esse tempo.

Há-de crescer conhecido com o nome de João Baptista e será decapitado pelo Rei Herodes, enquanto o filho de Maria será executado pelo poder imperial ocupante. 

Nenhum dos homens tem muito tempo para a família, uma situação constante e determinante para Jesus. Quando informado de que a sua família deseja vê-lo enquanto prega, ele diz-lhes bruscamente para esperarem. A sua missão tem precedência sobre os laços domésticos. Ele veio, não para unir as famílias, anuncia, mas para as dividir. João parece não ter parentesco algum, fixado no deserto, numa dieta de gafanhotos e mel, como um refugiado de Woodstock. Ambos os homens são vagabundos, celibatários, sem casa, propriedade, profissão ou - ao que parece - um grande futuro.

O encontro de Maria com Isabel é encenado por S. Lucas (não temos ideia se realmente teve lugar) e é uma das cenas mais espantosas do Novo Testamento. Num diálogo fraterno, Maria irrompe em resposta à saudação de Isabel com uma passagem das Escrituras Hebraicas. Talvez ela cante e dance enquanto o faz; Deus, declara ela, "derrubou os poderosos dos seus tronos e elevou os humildes; encheu os famintos de coisas boas e aos ricos mandou-os embora de mão vazias".

Como uma jovem obscura de um lugar insignificante, Maria está a comparar a sua própria elevação ao estatuto de mãe de Jesus com a elevação dos pobres. Está a fazer da sua gravidez 
um ponto de vista político. Alguns estudiosos afirmam mesmo que as palavras que Lucas põe na sua boca fazem parte de um cântico zelota - sendo os zelotas revolucionários clandestinos que acabariam por atacar Roma com resultados calamitosos. Quer o grito de Maria seja ou não inspirado pelos zelotas, é quase um lugar-comum das Escrituras Hebraicas: conhecereis Yahweh por quem ele é quando virdes os oprimidos chegarem ao poder. O único poder autêntico é aquele que nasce da fraqueza.

Os pobres da Bíblia são por vezes chamados anawim, os restos e migalhas da terra; num gesto extraordinário, Lucas transforma Maria num sinal desses pobres. Como símbolo dos impotentes, nenhuma mulher poderia ser mais poderosa. As mulheres como um todo pertenciam aos abandonados e descartados na Israel do primeiro século e Maria torna-se uma sua representante ao ser elevada à liberdade e dignidade. 

A outra Maria proeminente nos evangelhos é Maria Madalena, que apesar de ter sido uma protituta 
[NÃO FOI] que tem o privilégio de estar entre as primeiras a descobrir que o túmulo de Jesus está vazio. O seu testemunho do facto é oficialmente inútil, uma vez que as mulheres não eram reconhecidas na altura como testemunhas válidas.

Está tudo muito longe das rabanadas e dos chapéus festivos de papel. O que retivemos do canto jubiloso de Maria, por muito escasso e distorcido que seja, é o facto de que o Natal é para nos regozijarmos. Nas profundezas da estação morta que é Dezembro, uma nova vida desperta e vem do lado mais inesperado. Se o melhor que podemos fazer para recordar esse espírito de esperança é um presente de um novo par de meias, bem... é este o mundo moderno.

 - Terry Eagleton

December 21, 2022

Natal a seco

 


Estou com olho de vampiro. O esquerdo. A parte branca toda vermelha como nos vampiros. Em modo desastrada, espetei um dedo no olho com toda a força. Marcaram-me um oftalmologista de urgência. Expliquei-lhe o que aconteceu. Não acreditou. Tenho a certeza que ficou a pensar que alguém me deu um murro no olho. Enfim, antibióticos para pôr no olho. A juntar aos outros que ando a tomar. Vai ser um Natal a seco, sem uma tacinha de vinho, um aperitivo. Nada. Rien de rien. Encontrei no hospital de hoje uma funcionária da escola que foi atropelada há dois dias na passadeira perto da escola. Um carro parou e o do lado, vendo aquele parado, não pensou que estava alguém na passadeira e acelerou. Enfim, lá estava ela, cheia de hematomas, mas viva e sem problemas internos. Aqui nesta cidade ninguém respeita passadeiras ou semáforos. 


December 25, 2021

Rapariga sonhando com o São Nicolau

 


«Rapariga sonhando com o São Nicolau», da série "Natal (Kurisumasu)," atribuído a Kobayashi Kaichi (Japonês, 1896–1968) Museum of Fine Arts, Boston

Tradições do Natal - contos infantis




As Meias e os sapatinhos de Natal

Donald E. Dossey, Folclore das Férias, Fobias e Diversão
Reza a lenda que um nobre que perdeu a esposa após uma longa e dolorosa doença. O viúvo foi deixado a criar as suas três filhas sozinho e perdeu o dinheiro devido a maus investimentos.
Na altura, as mulheres sem dote não podiam casar e o pai empobrecido tinha receio do futuro das filhas.

"Um antigo monge chamado Sinter Klaus, que também era conhecido como São Nicolau ouviu falar da difícil situação da família e decidiu ajudá-los discretamente.
Para salvar as meninas de uma provável vida de prostituição, como acontecia a muitas raparigas sem dote para casar, o bom Bispo Nicholas deixou cair pela chaminé, na noite de Natal, sacos com ouro para elas, um de cada vez. O terceiro saco caiu dentro de uma meia que estava pendurada à chaminé para secar". (Donald E. Dossey)

Segundo a lenda, o pai apanhou São Nicolau os presentes uma noite enquanto o resto da casa dormia. São Nicolau implorou-lhe que não contasse a ninguém, mas a notícia do acto de compaixão do bispo espalhou-se rapidamente.

A história termina com as três filhas encontrando maridos, casando-se e vivendo felizes para sempre. De facto, elas estavam tão bem que podiam dar-se ao luxo de sustentar o seu pai, que também viveu feliz para sempre.

Quanto a São Nicolau, ele foi mais tarde ungido como santo padroeiro das crianças pelos seus actos bondosos e generosos e serve de inspiração para o São Nicolau dos tempos modernos.

Desde então tornou-se costume deixar uma meia ou um sapato à chaminé para as ofertas de São Nicolau.

Ementa de Natal

 


(republicado)


Receita para umas Festas de Natal Felizes

     ( Em homenagem a minha mãe)

     
Condimentos:

Tome 12 meses completos.

        Limpe-os cuidadosamente de toda a amargura, ódio e inveja.

         Corte cada mês em 28, 30, ou 31 pedaços diferentes, mas não cozinhe todos ao mesmo tempo.

       Prepare um dia de cada vez com os seguintes ingredientes:

       - Uma parte de fé
      - Uma parte de paciência
      - Uma parte de coragem
      - Uma parte de trabalho

Junte a cada dia uma parte de esperança, de felicidade e boa-vontade.

Misture bem, com uma parte de dignidade, uma parte de meditação e uma parte de entrega.

Tempere com uma dose grande de bom espírito, uma pitada de alegria, um pouco de acção, e uma boa medida de humor.

   Coloque tudo num recipiente de amor.

      Cozinhe bem, ao fogo de uma alegria radiante.    

         Guarneça com um riso franco e sirva sem reserva. 

publicado também no blog delito de opinião

December 23, 2021

December 18, 2021

Ementa para o Natal


Ementa de Natal

Receita com os "condimentos" necessários para um Ano Feliz


        Em homenagem a minha mãe

     Receita para um Ano Feliz:

                                               Tome 12 meses completos.

        Limpe-os cuidadosamente de toda a amargura, ódio e inveja.

         Corte cada mês em 28, 30, ou 31 pedaços diferentes, mas não cozinhe todos ao mesmo tempo.

       Prepare um dia de cada vez com os seguintes ingredientes:

       - Uma parte de fé
      - Uma parte de paciência
      - Uma parte de coragem
      - Uma parte de trabalho

Junte a cada dia uma parte de esperança, de felicidade e boa-vontade.

Misture bem, com uma parte de dignidade, uma parte de meditação e uma parte de entrega.

Tempere com uma dose grande de bom espírito, uma pitada de alegria, um pouco de acção, e uma boa medida de humor.

   Coloque tudo num recipiente de amor.

      Cozinhe bem, ao fogo de uma alegria radiante.    

         Guarneça com um riso franco e sirva sem reserva. 



Vou embrulhar uns presentes de Noel

 



Um presente original que não precisa de embrulho:
(esta estrela de natal é o rasto que uma estrela do mar deixa ao deslocar-se)