“O mundo é o que é, ou seja, nada de mais. Foi isso que todos aprenderam ontem, graças ao formidável concerto de opiniões provenientes de rádios, jornais e agências de informação. De facto, somos informados, em meio a centenas de comentários entusiásticos, que qualquer cidade média pode ser destruída por uma bomba do tamanho de uma bola de futebol. Os jornais americanos, ingleses e franceses estão repletos de ensaios eloquentes sobre o futuro, o passado, os inventores, o custo, os incentivos pacíficos, as vantagens militares e até mesmo o carácter autónomo da bomba atómica. Podemos resumir tudo numa frase: a nossa civilização técnica acaba de atingir o seu maior nível de selvageria.
Teremos que escolher, num futuro mais ou menos próximo, entre o suicídio coletivo e o uso inteligente das nossas conquistas científicas.
— Albert Camus (1913–1960), “Entre o Inferno e a Razão”
(É só a mim que parece termos já escolhido o suicídio colectivo?)