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August 29, 2025

Questionar II



“O mundo é o que é, ou seja, nada de mais. Foi isso que todos aprenderam ontem, graças ao formidável concerto de opiniões provenientes de rádios, jornais e agências de informação. De facto, somos informados, em meio a centenas de comentários entusiásticos, que qualquer cidade média pode ser destruída por uma bomba do tamanho de uma bola de futebol. Os jornais americanos, ingleses e franceses estão repletos de ensaios eloquentes sobre o futuro, o passado, os inventores, o custo, os incentivos pacíficos, as vantagens militares e até mesmo o carácter autónomo da bomba atómica. Podemos resumir tudo numa frase: a nossa civilização técnica acaba de atingir o seu maior nível de selvageria. 
Teremos que escolher, num futuro mais ou menos próximo, entre o suicídio coletivo e o uso inteligente das nossas conquistas científicas.

— Albert Camus (1913–1960), “Entre o Inferno e a Razão

(É só a mim que parece termos já escolhido o suicídio colectivo?)

Questionar



Sob a influência dos políticos, as massas tendem a atribuir a responsabilidade pelas guerras àqueles que detêm o poder em determinado momento. Na Primeira Guerra Mundial, foram os industriais de munições; na Segunda Guerra Mundial, foram os generais psicopatas que foram considerados culpados. Isso é passar a responsabilidade adiante. 
A responsabilidade pela guerra recai exclusivamente sobre os ombros dessas mesmas massas populares, pois elas têm em suas mãos todos os meios necessários para evitar a guerra. 
Em parte por sua apatia, em parte por sua passividade e em parte activamente, essas massas populares tornam possíveis as catástrofes sob as quais elas próprias sofrem mais do que qualquer outra pessoa. Enfatizar essa culpa por parte das massas populares, responsabilizá-las exclusivamente, significa levá-las a sério. Por outro lado, comiserar as massas populares como vítimas significa tratá-las como crianças pequenas e indefesas. A primeira é a atitude dos verdadeiros lutadores pela liberdade; a segunda é a atitude dos políticos sedentos de poder.

— Wilhelm Reich (1897-1957), “A Psicologia de Massa do Fascismo”
Temos dois exemplos contrários nos dias que correm: por um lado, os ucranianos que lutam activamente como adultos, contra o fascismo mafioso de Putin; por outro lado os russos que apoiam o fascismo mafioso de Putin e, pior, a maioria dos americanos infantis que passam o tempo a dar lições de democracia e excepcionalimo ao mundo, mas são apáticos em relação ao proto-fascismo mafioso de Trump.

March 01, 2021

Pensar é uma espécie de saber arrumar

 


Parece-me que muitas vezes se confunde mudanças com perdas e perdas com mudanças. A mudança é uma alteração de estado, já a perda é uma amputação de ser.