A Polícia de Thames Valley apareceu em Wood Farm, na propriedade do rei em Sandringham e prendeu Andrew Mountbatten-Windsor. Não prendeu «Sua Alteza Real» ou «O Duque de York». Apenas Andrew Mountbatten-Windsor.
Dizem as notícias que o palácio não foi avisado. Não acredito. A última vez que a Inglaterra prendeu um membro da família real, Carlos I, foi em 1647 e não acabou nada bem.
Na semana passada, sem nenhuma cerimónia, sem nenhum debate ou consentimento, «o Governo de Sua Majestade» foi substituído por «o Governo do Reino Unido». Não é um pormenor. O governo já não governa em nome de «Sua Majestade». Não sei se seria possível, legalmente, o governo de «Sua Majestade» prender o irmão do rei sem ser por ordem de «Sua Majestade» e passa-me pela cabeça que o rei foi posto entre a espada e a parede neste assunto e que tudo terá sido muito discutido antes da prisão do irmão. Prece-me uma grande coincidência, sobretudo porque não foi dado nenhum destaque a esta passagem de poder real do rei para o Parlamento.
Se foi, o seu irmão Andrew causou um mal irreparável à Monarquia Britânica. É o fim, inglório, de mais de 1000 anos de Monarquia onde o rei se posiciona acima dos partidos e das facções sendo um repositório das aspirações do povo e influencia o governo no sentido do povo e não dos partidos. Agora o governo é dos partidos, das facções e não tem que ouvir o rei. Uma pena.
Andrew é um desses indivíduos (como Trump) que são educados no absoluto privilégio e andam pelo mundo como se não tivessem deveres para com ninguém. Como é que as filhas podem perdoar ao pai ter andado a violar raparigas menores traficadas?
Maria Farmer — a primeira sobrevivente conhecida a denunciar Epstein e Maxwell — emitiu uma declaração que causou um impacto tremendo: «Hoje é apenas o começo da responsabilização e da justiça trazidas por Virginia Roberts Giuffre... Vamos agora exigir que todas as peças do dominó do poder e da corrupção comecem a cair.»
Seja como for, a Inglaterra tem mostrado que é uma democracia no que respeita à responsabilização do poder. E isso é admirável. E uma lição para os EUA que passam o tempo a criticar as democracias europeias.
No comments:
Post a Comment