March 07, 2026

Os ficheiros Epstein mostram a escala da cumplicidade com a cultura de violação e pedofilia ao mais alto nível

 



 

O escândalo Epstein é espantoso pela dimensão da cumplicidade e da cultura de violação no topo da sociedade.”

O pensador Marc Crépon, especializado nas formas e nos efeitos da violência, analisa a reacção pública ao escândalo sexual numa entrevista ao Le Monde. Alerta para o risco de se ignorar o sofrimento e o trauma das vítimas.

Entrevista de Yasmine Khiat.

Desde que a administração Trump divulgou mais de três milhões de documentos do processo de Jeffrey Epstein, a 30 de janeiro, o escândalo continua a perturbar a opinião pública. Todas as atenções se voltaram para o financeiro de Nova Iorque que dirigia uma rede internacional de tráfico sexual e abuso sexual de menores.

Marc Crépon, professor de filosofia na École Normale Supérieure, analisa de que forma este escândalo de abusos sexuais pôs a nossa sociedade à prova. O diretor de investigação do Centro Nacional de Investigação Científica (CNRS) escreveu numerosos livros sobre violência, incluindo Le Consentement meurtrier (Consentimento assassino).

Depois de o escritor Gabriel Matzneff ter sido acusado de violar menores, publicou Ces temps-ci. La société à l’épreuve des affaires de mœurs ("Estes tempos: a sociedade posta à prova pelos escândalos sexuais"), um ensaio em que examina até que ponto a sociedade, no passado, foi complacente perante esse tipo de violência sexual.


De que forma o escândalo Epstein constitui um teste para as nossas sociedades?

O caso Epstein expõe um sistema de utilização e exploração de jovens raparigas, reduzidas ao estatuto de objetos sexuais e colocadas à disposição dos poderosos. É evidente que um escândalo sexual desta natureza põe a sociedade à prova, não apenas porque a confronta com o seu silêncio passado, mas também porque traz consigo várias armadilhas.

A primeira é a deriva para teorias da conspiração, partindo do pressuposto de que todos os que detêm poder são predadores sexuais – quando, na realidade, não se tratava de uma vasta rede, mas antes de um círculo no qual jovens mulheres eram oferecidas a indivíduos muito específicos que beneficiavam dos “favores em espécie” proporcionados por Epstein.

A segunda armadilha é concentrar a atenção apenas nos perpetradores, esquecendo as vítimas e as formas como a violência sexual destruiu as suas vidas.

Como explica o fascínio por Epstein e pelas suas ligações?


Ficamos espantados com a dimensão da cumplicidade e da cultura de violação nos níveis mais altos da sociedade. Jeffrey Epstein foi condenado pela primeira vez em 2008 [sentenciado a 18 meses de prisão] por solicitação de prostituição de uma menor. Tratava-se de crimes extremamente graves, e ainda assim, isso não impediu várias pessoas de manter relações com ele. Continuar a associar-se a Jeffrey Epstein, conhecendo plenamente os factos, equivale a uma total minimização dos seus crimes.

Para ler o resto da entrevista: 
https://www.lemonde.fr/en/opinion/article/2026/02/26

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O escândalo Jeffrey Epstein tem sido descrito por especialistas em direitos humanos, jornalistas e investigadores como um escândalo global profundo, caracterizado pelo abuso sexual sistemático de menores, por uma “cultura de violação”que tratava as vítimas como mercadorias e por uma ampla cumplicidade entre uma rede de indivíduos ricos e influentes. 

A divulgação de milhares de documentos judiciais (os chamados “Epstein Files”) a partir de 2024 expôs ainda mais a dimensão dessa rede, implicando figuras das áreas das finanças, da academia, ciência e da política.

Dimensão 

Abuso sistemático e tráfico:
Especialistas independentes em direitos humanos das Nações Unidas descreveram as alegações como um possível “empreendimento criminoso global”, envolvendo escravidão sexual, tráfico de pessoas e tortura. Assinalaram que os crimes eram tão generalizados que podem atingir o limiar jurídico de “crimes contra a humanidade”.

Rede internacional:
A operação não se limitava a um único local, tendo uma dimensão internacional, com transporte de vítimas entre propriedades nos Estados Unidos, na Europa e nas Caraíbas.

Vitimas:
As vítimas eram frequentemente jovens vulneráveis, havendo indícios de que algumas tinham apenas 9 anos de idade.

Cumplicidade das elites e “cultura de violação”

Um “contexto” de poder:
O escândalo é frequentemente enquadrado não apenas como as ações de um único homem, mas como expressão de uma “cultura de violação” nos níveis mais altos da sociedade, onde estruturas patriarcais e riqueza extrema permitiam a objectificação de mulheres e crianças.

Cumplicidade dos poderosos:
Os documentos revelaram como numerosos indivíduos poderosos — incluindo líderes empresariais, políticos e cientistas — interagiram com Epstein, com alguns a visitarem a sua ilha privada ou a participarem nos seus círculos sociais, mesmo após a sua condenação em 2008.

Falhas institucionais:
O escândalo expôs uma “falha sistémica na proteção das crianças”, com procuradores, advogados, juízes e outros profissionais do sistema jurídico e instituições, muitas responsáveis pela proteção de menores, acusados de permitir ou ignorar os abusos, frequentemente através de acordos judiciais extremamente favoráveis que facilitaram imunidade para os criminosos.

Proteção da reputação:
O aspeto da “cultura de violação” também se evidencia na forma como estes abusos foram tratados por alguns como um “segredo aberto” ou um ruído de fundo normalizado, o que permitiu que continuassem durante anos.

Legado 

Impacto global:
O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos citou o caso Epstein, juntamente com outros, como prova de uma emergência global de violência contra as mulheres e do silenciamento das vítimas.

As consequências dos “Epstein Files”:
A divulgação contínua de documentos levou a um intenso escrutínio das elites consideradas cúmplices, com críticos a exigirem responsabilização, observando que apenas uma pessoa (Ghislaine Maxwell) foi condenada em relação à rede de tráfico.

Questões por responder:
Apesar das condenações, continuam a existir dúvidas sobre a verdadeira dimensão da rede e sobre a eventual proteção continuada de outras pessoas envolvidas.

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Um dos documentos que li defende que esta cultura de violação começa com a objectificação das raparigas e mulheres e sempre esteve à vista de todos. Um ex-modelo conta que sempre foi costume os organizadores de festas de homens ricos e poderosos contratarem modelos muito jovens para aparecerem nas festas. Não tinham que fazer nada a não ser está lá e ser simpáticas. Sempre foi uma questão de prestígio, para quem dava a festa ou promovia o encontro, ter as modelos mais novas de idade e mais bonitas para exibir, como quem exibe um Patek Philippe ou um Lamborghini. Como Trump exibe salas decoradas a folha de ouro.

Quando o Lancet revela os números de 840 milhões de adolescentes raparigas e mulheres vítimas de assaltos e abusos sexuais (o que se sabe é sempre menos que a realidade) é evidente que estes números revelam, simultaneamente, uma cultura de normalização e encobrimento dos crimes dos homens - 840 milhões de raparigas e mulheres vítimas de crimes de abuso sexual indicam quantos homens violadores e abusadores sexuais? 840 milhões de homens? Mais?
Muitos países, nomeadamente os islamitas, onde a pedofilia e a violação de raparigas é legal através de leis de casamento pedófilas e criminosas, absorvem grande parte deste número de quase um bilião de raparigas e mulheres abusadas; mas nos outros países não-islamitas com legislações de protecção de menores e criminalizarão de violação, este abuso também se faz meio às claras, com a cumplicidade tácita de todos dos poderes, porque todos vemos como as raparigas e mulheres aparecem a enfeitar o cenário, como objectos-troféu, nas festas de milionários filmadas para as redes sociais, nas festas de eventos de políticos ao mais alto nível, nos filmes, nas revistas, na publicidade da TV, etc.

Os ficheiros Epstein revelam conversas de Académicos eminentes com Epstein, como Noam Chomsky, Joscha Bach (MIT) e outros. Falam sobre controlo da população através da estratégia de fazer com que um filho sais demasiado caro, sobre engenharia genética de pessoas negras e mulheres que defendem serem geneticamente menos inteligentes, sobre alterações climáticas, etc. Epstein, obcecado pela longevidade (Putin também é obcecado com isso) queria fazer uma quinta de produção de bebés seus, com raparigas, provavelmente menores traficadas, inseminadas com o seu sémen.







Portanto, muita gente entre as elites políticas, económicas, financeiras, académicas e sociais estava por dentro de planos seus criminosos, já depois de ter sido condenado por solicitar prostituição de menores e juntaram-se a ele alegre e entusiasticamente. Muitas conversas têm afirmações com linguagem sofisticada para parecerem cientificidades ou erudições, mas não passam de idiotices, como Bach, um alemão do MIT, dizer que os alemães estou completamente inoculados contra o fascismo e outras idiotices do género. Estamos a falar de pessoas que decidem das vidas do outros, que decidem políticas de saúde, políticas económicas e financeiras, políticas educativas, são responsáveis por instituições de solidariedade social, etc.

Nos EUA está em curso um processo de encobrimento destes crimes, desde logo porque Trump é um nome citado dezenas de milhar de vezes nos documentos:

Ainda ontem o Congresso chumbou uma proposta de inquérito a membros do Congresso acusados de assédio e abuso sexual de funcionárias - uma delas suicidou-se. Estes homens pensam-se acima da lei porque sabem que outros homens poderosos lhes guardam as costas, de maneira que agem com imensa arrogância e impunidade.

Fica aqui a reacção de Epstein sendo confrontado por um advogado que não se impressiona, nem com o seu nome, nem com as suas ligações ao mundo do grande poder e dinheiro:

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