March 16, 2020
coronacoiso - dangerous life sucker
Hora de medir a temperatura. Todos os dias meço a temperatura. Uma pessoa tem que agir como se tivesse sintomas de coronocoiso. Medir a temperatura, afastar-se de pessoas. Ontem quando fui ao mercado, pelas 8 e meia da manhã, cruzei-me com cinco pessoas no caminho. De cada vez que via uma pessoa, e ela a mim, olhavamo-nos a calcular o caminho que o outro ia escolher para nos desviarmos um do outro. Só agora é que percebi os filmes dos zombies onde todos olham desconfiados para todos para ver se já se transformaram em dangerous life suckers.
Coisas boas e simpáticas
Aqui neste cantinho da Europa vive-se, por enquanto, numa espécie de paraíso
... sem decapitações e sem filas para comprar armas. Devemos isto às NU, em grande parte e, aos fundadores da UE, em outra parte. Vamos ver se estes maus líderes não estragam tudo em meia dúzia de anos de estupidez.
Enquanto o Ocidente trava uma guerra contra um vírus, o mandante do assassínio do jornalista Khashoggi corta todas as cabeças que lhe ameaçam o poder total. Príncipes, militares, ministros, juízes, não escapa ninguém. São 298. Uma espécie de Estaline, parte II, versão saudita.
Juízes, militares e altos funcionários detidos por corrupção na Arábia Saudita
Comissão de Controlo e Anticorrupção (Nazaha) abriu processos-crime contra 674 pessoas, 298 delas foram suspensas e acusadas “de vários delitos de corrupção administrativa e financeira”.
... entretanto, nos EUA o pessoal faz fila para comprar armas. Isto é que é uma demonstração de fé no vizinho, que é outro ser humano...
Watchtower over Tomorrow (1945) - um documento notável
Dos planos, Dumbarton Oaks, para a formação das NU com o intuito de impedir a guerra e fomentar a paz.
Realizado por:
John Cromwell
Harold F Kress
Alfred Hitchcock (uncredited)
Elia Kazan (uncredited)
Em 1959 o conselho só reuniu 5 vezes (@RichardGowan)
Macron está em directo - em modo de homilia total
Acaba de dizer que o espaço schengen está fechado por decisão comum europeia. Em França, as rendas dos assalariados estão suspensas, bem como a conta do gás e da luz.
A seguir aos millennials vieram os quarentennials 🤣 🤣
Hey mr. president... take it easy
O Presidente da República só sabe dar beijinhos e assim que o proibiram de fazer isso deprimiu-se ou amuou e fechou-se em casa e não faz nada, nadinha. Passa a ferro e lê (podia vir cá a casa passar a ferro que a minha empregada a dias pôs o mês de férias agora, já que não pode cá vir...)
Ontem falou e só disse que ele e o governo estão muito unidos, muito juntinhos. ??? Só fala em abraços e uniões? Então e nós? Ainda havemos de ter que tomar conta da depressão dele por não poder dar beijinhos e abraços por aí. Não quero ser desrespeitosa nem mal-educada mas parece que há aqui uma cena freudiana qualquer...
Estratégia inglesa versus estratégia europeia
Leio que os ingleses, relativamente ao COVID-19, estão a adoptar uma estratégia darwinista de deixar a natureza seguir o seu curso, isto é, deixar que muita gente de baixo risco (jovens) se infectem para que desenvolvam anti-corpos e actuem como defesa dos outros, como dizem que acontece na vacinação, se a maioria estiver vacinada. A Europa, pelo contrário está a apostar na contenção e interrupção das cadeias de transmissão, coisa que os adeptos da estratégia darwinista criticam com a justificação de essa estratégia não impedir que surjam novos focos de doença, bastando para isso uma pessoa.
Ora, sendo certo que nestas coisas das crises com consequências graves e globais, sejam de saúde ou outras, só depois de tudo passado é que se acertam contas: o que se fez, se foi demais ou de menos, quem previu, quem devia ter previsto e não previu, etc, podemos, no entanto, desde já ponderar cenários e alternativas.
A alternativa inglesa de deixar as coisas à sorte parece-me pior que a europeia, porque a sorte inclui o azar. Sabendo nós que é provável que se faça uma vacina em meses ou um ano, é melhor ganhar tempo e evitar mortes que confiar que a natureza saberá regular e lidar com este problema de modo orgânico, pois já aconteceu a natureza acabar com uma espécie ou deixá-la tão enfraquecida que acaba por ser vítima de predadores, que neste caso são doenças que podem surgir, pois este vírus, pelo que leio, é novo e não uma variante dos que já existem, de modo que não se sabe o seu comportamento futuro. Eu prefiro a estratégia europeia porque me parece mais prudente.
Há uma diferença entre ser negligente (como foram cá os políticos que desde Dezembro sabiam do que se passava na China e desde início de Janeiro que tinham os especialistas da OMS a dizer que a situação era alarmante) ou tolo (como foram e são vários ministros e responsáveis do conselho de saúde...) e cometer erros. Cometer erros faz parte do processo de pensar e decidir. Por exemplo, ontem o primeiro-ministro disse que a ponderação da quarentena tinha que ver com uma situação de prolongamento e saturação das medidas (lemos que naqueles programas estúpidos de reality show ao fim de estarem fechados uma semana, e sem estas ansiedades da doença, desatam à pancada), o que faz sentido, quer dizer, ir tomando medidas à medida do necessário. É claro que pode errar, mas o fundamento da decisão é correcto. Já o não-fecho das fronteiras e deixar as pessoas entrar à balda sem submeter a alguma monitorização, é negligência. O que quero dizer é que não temos que contar com a negligência dos decisores mas temos sempre que contar com os erros.
Outra coisa interessante é fazer uma analogia entre estes argumentos ingleses acerca da melhor maneira de lidar com a epidemia e os da economia de deixar 'os mercados' regularem sozinhos tudo e tirar as devidas ilacções.
Diário da quarentena 3º dia - Intervalo das 11 e meia
Estratégias: fui vestir uns calções, não apertados, mas justos, para me lembrar que não posso andar a depenicar comida 🍪 de meia em meia-hora ou quando sair daqui vou parecer o boneco da Michelin.
... e coisas para animar 😁
Diário da quarentena 3º dia - coisas para fazer depois do trabalho II
March 15, 2020
Pensamentos de dois melréis
Pensar na realidade é observar. Observar com muita atenção. Saber observar e fazê-lo, efectivamente, dar esse passo. Sair de si para as coisas e estar nelas. O resto são técnicas para organizar, esquematizar, hierarquizar, relacionar, etc., o que se observa. É como a pintura ou a fotografia. Um pintor observa e pinta o que observa. O resto são técnicas, mas as técnicas sem a observação não produzem uma obra de arte, só uma coisa, um objecto, sem projecção, quer dizer, um objecto que está contido em si e não sai fora de si, não se projecta para nós. Pensar é idêntico. Certo que o observador e o observado estão envoltos num contexto, mas o observar em si mesmo escapa ao contexto, tem uma dimensão diacrónica, como a língua, que podemos usar para designar ou para pensar e se a usamos para pensar ela revela e revela-se-nos.
Por exemplo, aqui, o autor observou a força da curva, como ela puxa e projecta simultaneamente. Depois traduziu essa observação em linhas e cores que contêm a observação. Mas o contexto não enformou a própria observação realizada.
Pensar é saber observar com muita atenção sempre a descascar e depois dar-lhe um sentido, um significado, um rosto.
Because poetry III
there will come a time
when you’ll love
somebody
and not
know
why
or
how
words
cannot
hold the
weight of their
smile & that’s when
you’ll start writing poetry
when you’ll love
somebody
and not
know
why
or
how
words
cannot
hold the
weight of their
smile & that’s when
you’ll start writing poetry
e. e. cummings
Because poetry II
Second Helpings
By John Brehm
I wear my heart on my sleeve,
or rather both sleeves, since
it's usually broken.
Sometimes when I join my hands
to pray, the jagged edges
briefly touch,
like a plate that fell and cracked
apart from being asked
to hold too much.
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