«Conheci Lenine em 1920, quando estive na Rússia, e conversei com ele durante uma hora, cara a cara. Ele falava inglês muito melhor do que se poderia esperar e toda a conversa foi em inglês. Eu esperava que fosse em alemão, mas descobri que o seu inglês era muito bom.
Fiquei menos impressionado com Lenin do que esperava. Ele era, obviamente, um grande homem. Parecia-me uma reencarnação de Oliver Cromwell, com exactamente as mesmas limitações que Cromwell tinha. Ortodoxia absoluta, ele achava que uma proposição podia ser provada citando um texto de Marx e era totalmente incapaz de supor que pudesse haver algo em Marx que não estivesse certo, o que me pareceu bastante limitado.
Não gostei de outra coisa nele, que era a sua grande disposição para incitar o ódio. Fiz-lhe algumas perguntas para ver qual seria a sua resposta, e uma delas foi: «Você professa estar a estabelecer o socialismo, mas no que diz respeito ao campo, parece-me que está a estabelecer a propriedade camponesa, que é uma coisa muito diferente do socialismo agrícola».
E ele disse: «Oh, não, não estamos a estabelecer a propriedade camponesa», disse ele. «Veja, há camponeses pobres e camponeses ricos, e nós incitámos os camponeses pobres contra os camponeses ricos, e eles enforcaram-nos na árvore mais próxima, ah hah hah HAH HAH». Não gostei muito disso.»
— Bertrand Russell, Falando Pessoalmente: Entrevista de Bertrand Russell com John Chandos (12 de abril de 1961)
Não gostei de outra coisa nele, que era a sua grande disposição para incitar o ódio. Fiz-lhe algumas perguntas para ver qual seria a sua resposta, e uma delas foi: «Você professa estar a estabelecer o socialismo, mas no que diz respeito ao campo, parece-me que está a estabelecer a propriedade camponesa, que é uma coisa muito diferente do socialismo agrícola».
E ele disse: «Oh, não, não estamos a estabelecer a propriedade camponesa», disse ele. «Veja, há camponeses pobres e camponeses ricos, e nós incitámos os camponeses pobres contra os camponeses ricos, e eles enforcaram-nos na árvore mais próxima, ah hah hah HAH HAH». Não gostei muito disso.»
Russell conclui:
«Lenin e os seus primeiros colegas eram movidos pelo desejo de beneficiar a humanidade, mas, devido a erros na psicologia e na teoria política, criaram um inferno em vez de um paraíso.»
— Bertrand Russell, Retratos da Memória e Outros Ensaios (1950), Ensaio VI: Da Lógica à Política, p. 35
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