June 12, 2023

"... o que o Ministério está a fazer é dar umas migalhas a meia dúzia de professores (...) criar ainda mais injustiças. (...) Uma canalhice, na verdade."



Estas são palavras de Filinto Lima, um director que geralmente alinha pelo governo(!)... ora, vejamos: quem faz canalhices é o quê? E uma canalhice não é uma coisa porca de se fazer?


Este desenho é de Bordalo Pinheiro. 

BP não punha a porca da política com rosto reconhecível (nem os leitões que chafurdam na porcaria) porque ninguém é burro e todos percebiam o que ele estava a dizer de quem, de maneira que não é necessário ser ordinário. 

Quanto ao que se diz no artigo das famílias já terem visto o seu horário de trabalho sacrificado na pandemia e agora têm-no com as greves, quem escreve este artigo esquece-se que os professores também têm famílias, que durante a pandemia, enquanto o ministro Brandão andava a passear e só se lembrou que eram precisos computadores ao fim de um ano, os professores passaram a trabalhar todos os dias até à meia-noite, a pagar do seu bolso computadores, internet, etc. para os minimizar o mais possível os prejuízos nas aprendizagens. 

Ninguém nos bateu palmas, antes pelo contrário, assim que saímos da pandemia lá tínhamos o agora ME a dizer que os professores não fazem nada, que só querem chumbar alunos, que estão todos de baixa, que ele é que vai decidir o que é melhor para os professores, etc. , sempre com o apoio de Costa, primeiro-ministro. Então isto não é tudo uma canalhice, uma porcaria? Perseguir grávidas não é uma canalhice?

E isto passa-se ao mesmo tempo que assistimos a que dê sete anos de descongelamento aos outros funcionários públicos, que dê dezenas de milhões a um tipo qualquer da TAP, a que ministras falseiem o currículo de um do PS para que receba dezenas de milhares de indemnizações, a que o Parlamento faça passar leis para safar tipos do PS que prevaricaram, a que ministros se usem do SIS para perseguir oponentes... então isto não é tudo uma porcaria? Uma falta de respeito? 

Esta falta de respeito dura desde o tempo da Lurdes Rodrigues. Nessa época em que todos os dias saiam artigos nos jornais a denegrir professores, acho que o pior que li foi um artigo (já não sei em que jornal), a propósito daquelas aulas de substituição que não resolviam problema nenhum e criavam indisciplina, a gozar, aconselhando os professores que ficavam horas sem fazer nada à espera que alguém faltasse, a f..... uns com os outros, pois assim sempre faziam algo de útil ao país dado a falta de nascimentos. Que tipo de pessoas escrevem e mandam escrever estas coisas? Deixa ver...? Porcas...?

Gostava que alguém com acesso a jornais, fizesse esse trabalho de ir buscar todas as ofensas ordinárias e porcas (sim, porcas) que os amanuenses do governo PS escreveram para destruir os professores. Isto dura há quase vinte anos. E nem mesmo com o trabalho e o sacrifício que os professores fizeram durante a pandemia mudou o discurso de desprezo e as políticas de desinteresse do ME e do primeiro-ministro mudaram. 

Sim, estamos cansados e os pruridos de virgem ofendida da mulher do primeiro-ministro que vai a correr defender o maridinho que joga a cartada do racismo para se fazer de vítima, a mim não me impressionam. Quer dizer, o primeiro-ministro dizer que é vítima de injustiça é o cúmulo da falta de noção de si mesmo e das suas políticas.

Sim, as greves prejudicam os alunos, mas prejudica mais não terem professores e as políticas educativas deste ministro e deste primeiro-ministro que beneficiam privilegiados e fecham caminhos aos desfavorecidos.

Há umas semanas, uma colega nova na escola -nova em idade e na profissão- que vem de fora todos os dias, disse-me que se fizer duas greves já não tem dinheiro para comprar comida até ao fim do mês. Não tem horário completo e ganha menos do que os funcionários auxiliares no quadro da escola. 

Na sexta-feira, numa reunião, uma colega disse que para cumprir o programa, dadas as greves, deixou de fazer as aulas práticas e que vai fazê-las agora nestas duas semanas, porque é importante para os alunos. Quer dizer, vai trabalhar de borla. 

Outra colega que é coordenadora duma valência que abrange todas as turmas da escola e é um trabalho infernal de burocracia, usou as horas da coordenação para dar apoio aos alunos na sua disciplina para compensar os dias sem aulas por causa das greves. Como o trabalho da coordenação teve que ser feito na mesma, andou a fazer carradas de horas extra, de borla.

Estes são trabalhos que os professores fazem e nem dizem a ninguém. Disseram-me por acaso, porque veio à conversa. É com isto que o ME conta. Não é uma canalhice? 

Para dizer a verdade, os professores andam em greves e manifestações desde 9 de Dezembro. Mais de um centena de milhar de professores fizeram manifestações durante semanas a fio e nunca houve um único indicente, apesar do assédio da polícia, dos jornais e do governo. 

E estes são os factos.


O ano letivo marcado por greves escreve-se com instabilidade

Paula Sofia Luz

Professores acreditam que as greves - que marcaram este ano letivo - não prejudicaram os alunos. Não mais do que a falta de docentes em muitas escolas do país. Mas os Centros de Explicações crescem, registando inusitada procura em época de exames.

"Depois da pandemia tivemos a guerra, depois veio a inflação, e todas as pessoas notam o aumento do custo de vida, que afeta maioritariamente as famílias com filhos em idade escolar. Foram essas que tiveram que aumentar o horário de trabalho, para conseguirem ter dinheiro até ao fim do mês. Isso quer dizer que ausentaram-se ainda mais horas das suas casas", refere. "No meio disto temos o descontentamento profundo dos professores, que entendemos, mas o estilo de greve trouxe desagrado e instabilidade aos pais", sublinha Mariana Carvalho.
(...)

Que impacto poderão ter tido as greves neste ano letivo?
As greves terão tido algum impacto neste ano letivo, mas esse não é comparável - nem de perto, nem de longe - ao facto de termos centenas de turmas e milhares de alunos sem aulas por falta de professor, desde o princípio do ano letivo. Nalgumas escolas durante meses, noutras isso continuou a prolongar-se. Temos aqui um problema sério de falta de professores; uma carreira que realmente não é atrativa, para além de um conjunto de outras questões que se prendem com a burocracia e indisciplina. O próprio modelo de gestão autocrático que temos nas escolas, e um conjunto de fatores que a tornam uma profissão de desgaste e exaustão, além da precariedade, e do afastamento das famílias.

E há razões para isso?
Claro que não. Os pais têm de compreender que os professores estão completamente no seu limite, com anos e anos a dar o melhor de si, e todas as suas reivindicações têm sido completamente ignoradas. Há uma falta de respeito total pelos professores, e uma falta de justiça dentro das escolas.

Mesmo com a chamada "correção de assimetrias" e "acelerador de carreiras"?
No fundo, o que o Ministério está a fazer é dar umas migalhas a meia dúzia de professores, que depois retira aos outros e não dá rigorosamente nada. Portanto, vai criar ainda mais injustiças. Veja-se o caso das vagas para o 5º e 7º escalão. Para alguns professores foi criada a isenção de vaga. É o caso daqueles que durante todo o período do congelamento de carreiras - 9 anos, quatro meses e dois dias - estiveram sempre ao serviço e entraram no sistema antes de 2005, isto com horários completos e anuais. O que é que isto significa? Uma canalhice, na verdade. Porque se o professor tiver 9 anos, 4 meses e 1 dia, já fica afastado. E como imagina, a grande maioria dos contratados não teve sempre horários completos e anuais...

No comments:

Post a Comment