A Nomenclatura das Cores de Werner (1814)
O mineralogista alemão Abraham Gottlob Werner criou um sistema inicial para descrever minerais com precisão no final do século XVIII.
Em 1814, o pintor escocês, Patrick Syme, adaptou e expandiu o trabalho de Werner pintando manualmente as amostras numa paleta de cores.
Antes da tabela Pantone e da fotografia, tanto cientistas como artistas usavam este dicionário das cores para identificar tons exactos recorrendo a exemplos dos reinos animal, vegetal e mineral.
Contém 110 tons diferentes organizados por famílias de cores - branco, cinzento, preto, azul, verde, amarelo, laranja, vermelho e castanho.
Para cada uma das cores de minerais de Werner, Syme acrescentou um exemplo do reino animal e vegetal, além de incluir uma amostra real da cor na página respectiva para acompanhar o texto.
Enquanto Werner considerou que um conjunto de 79 tonalidades era suficiente para os seus objectivos geológicos — agora alargados a outros domínios da natureza —, Syme acrescentou 31 cores adicionais, elevando o total para 110.
Com as novas categorias de referência de Syme, nasceu um mundo inteiramente novo de relações entre aspectos díspares da natureza, ditados exclusivamente pela cor.
Por exemplo, para «branco de leite desnatado», temos o branco dos globos oculares humanos (animal), o verso das pétalas da hepática azul (vegetal) e a opala comum (mineral); para o «roxo lavanda», temos «as partes claras das manchas na parte inferior das asas da borboleta-pavão» (animal), «flores de lavanda secas» (vegetal) e «jaspe porcelana» (mineral).
Evocações de quadros monocromáticos maravilhosamente estranhos: sobre uma plantação de calamina, um leito de palha onde se senta um urso polar; ou o estilo de um lírio-laranja incrustado com topázio brasileiro e os olhos da maior mosca-da-carne.
A confiança de Syme em referências obscuras ao mundo natural provinha de uma obsessão da época pelas taxonomias, uma linha que se estendia de Carl Linnaeus a Charles Darwin - que recorreu à «Nomenclatura» de Werner durante a viagem do Beagle.
Essas pessoas recorriam frequentemente a uma rede de coleccionadores e exploradores, obcecados por ordenar e categorizar, fixando borboletas e empalhando aves.
Fixar a cor continua a ser tão difícil como sempre.
Por exemplo, na descrição de amarelos, podemos ver:
-Amarelo-Guta (Gamboge Yellow):- Animal: As asas de um pintassilgo.
- Vegetal: Flor de jasmim-amarelo (Yellow Jasmine).
- Mineral: Enxofre de alta tonalidade.
ou no verde esmeralda: "adorável mancha na asa do pato-azul macho."
(pato-d'asa-azul macho (
Spatula discors ou marreca-d'asa-azul
ebird.org/)
Por exemplo, na pintura de Igor Dubovoy do post anterior, descobrimos todos estes tons de cinzento de Werner:
- Cinza-Cinza (
Ash Grey) — Cor nº 9 - o cinzento padrão (pedra sílex).
- Cinza-Fumaça (
Smoke Grey) — Cor nº 10 - o cinzento-cinza misturado com um pouco de castanho como o peito do tordo-europeu (robin).
- Cinza-Ameixa ou Cinza Francês (
French Grey) — Cor nº 11, semelhante ao cinzento de aço sem brilho.
- Cinza-Pérola (
Pearl Grey) — Cor nº 12 -cinzento-cinza misturado com um toque subtil de vermelho carmim e azul.
- Cinza-Amarelado (
Yellowish Grey) — Cor nº 13 - Cinzento-cinza misturado com amarelo-limão e uma porção mínima de castanho.
- Cinza-Azuado /Cinza-Acinzentado Azulado (
Bluish Grey) — Cor nº 14 - o cinzento-cinza misturado com um pouco de azul.
- Cinza-Esverdeado (
Greenish Grey) — Cor nº 15 - o cinzento-cinza com verde-esmeralda, um toque de preto e amarelo-limão como o berilo.
- Cinza-Ameado / Cinza-Avermelhado (
Reddish Grey) — Cor nº 17 o cinzento misturado com vermelho suave ou carmim.