Sou contra terapias de conversão mas a terapia de conversão mais violenta e criminosa de todas é aquela que convence uma criança ou adolescente que está no corpo errado e que para ficar bem no corpo certo tem de mutilar-se, deixar de falar aos aos pais, à família, aos amigos e adoptar novas relações sociais com psiquiatras, médicos que o enchem de medicamentos perigosos ou até pornógrafos e pedófilos. Ao pé destas terapias de conversão, as conversas e rezas são histórias da carochinha.
Tenho a certeza que, se tivesse nascido nesta época andavam pessoas a convencer-me que estava no corpo errado. Em criança era aquilo que se chama maria-rapaz, só gostava de brincadeiras consideradas de rapaz; na escola, enquanto as minhas colegas faziam bolos nas aulas de trabalhos oficiciais eu trabalhava num torno de madeira na oficina dos rapazes, porque gostava muito de trabalhar a madeira. Em minha casa nunca houve bonecas, nem casinhas nem essas coisas. Havia livros e jogos de tabuleiro e, de resto, andávamos à solta, nos anos em que vivemos no campo. Eu e uma das minhas irmãs saíamos de casa de galochas logo de manhã e andávamos quilómetros à solta, subíamos às arvores altas para ver quem conseguia ir mais alto, entrávamos na ribeira e apanhávamos cobras para levar para as aulas de ciências. Íamos para a barragem pescar achigãs. As nossas brincadeiras eram sempre para ver quem era mais forte ou quem tinha mais coragem.
Lembro-me de achar injusto certas profissões, de que gostava, serem só para rapazes. Tenho a certeza que, se tivesse nascido nesta época andavam pessoas a estragar-me a vida a tentar convencer-me que estava no corpo errado. (Embora com o meu feitio, é provável que os mandasse passear.)
Muitos rapazes e raparigas crianças e adolescentes que a certa altura se sentem desconfortáveis com o corpo ou percebem que se sentem atraídos por pessoas do mesmo sexo ou que apenas se comportam de um modo que não corresponde ao seu estereótipo, acabam por mutilar-se e ficar com problemas mentais para a vida por causa do assédio de ideólogos trans, muito deles na fronteira com a mentalidade pedofila: médicos, psiquiatras, etc. que forçam as crianças a escolhas sexuais em idades em que a sexualidade é algo difuso e internalizado e adolescentes em idades de experimentação identitária.
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