O primeiro contrato do ME/IAVE para a digitalização de exames foi celebrado com a Blatstudio – MAF Serviços, Lda. (actualmente denominada Blat – Creative Powerhouse). O acordo foi formalizado em 2017, pelo valor de cerca de 30 mil euros, marcando a génese da relação contratual com o Estado para o desenvolvimento de plataformas de suporte e gestão de provas. (IA)
Portanto, quem fez o contrato inicial com esta firma foi o ME do governo de Costa, Tiago Brandão, com João Costa como SE. Em 2022, já com João Costa como ME, o contrato continuou: a empresa foi contratada em 2023, durante o mandato de João Costa, para desenvolver a plataforma digital de apoio à avaliação externa.
Portanto, o contrato com esta empresa não foi da autoria deste ministro, mas dos anteriores do governo de Costa. Como terá isto começado? Bem, sabendo nós o primismo que caracterizou o governo de Costa, calculo que terá sido algo do género:
- 'alguém sabe de quem possa fazer um programa para digitalizar exames?'- sim, sim, sim! Tenho um primo que tem uma amiga que namora com fulano de tal que tem uma startup muito fixe - e são baratos'.- a sério? Ok, fala lá com o teu primo...
Claro que este ministro não devia ter confiado numa empresa (sobretudo tendo sido contratada por ajuste directo nesse governo) sem rever o contrato, o historial da empresa e os serviços efectivamente prestados, nomeadamente no exame de Filosofia do ano passado e, mais ainda, quando os problemas começaram, não devia ter tentado empurrar os problemas para a frente e responsabilizar os classificadores.
Era bom que de vez em quando algum político aprendesse a lição dos custos do primismo para o país.
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Fabian Figueiredo, https://www.publico.pt
Terceiro: remunerar extraordinariamente os professores que vão carregar essa vaga de reapreciações por agosto adentro; no secundário, hoje, classificam de graça.
E um pedido final, em nome da escola pública: parem. Não espalhem mais confusão. O país tem um problema gravíssimo de falta de professores, que este ano voltou a agravar-se; julho é o mês das matrículas, das turmas, da preparação do ano letivo, tudo agora em risco na cascata dos adiamentos. Não é o momento de mais experimentalismos: a revisão da carreira à pressa, o estatuto do diretor, novos modelos de gestão e educação inclusiva. Quem não conseguiu garantir a correção dos exames devia ter a humildade de não mudar tudo ao mesmo tempo.
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