May 24, 2026

Imigração: o caso inglês é diferente do nosso?

 


Mais de um em cada cinco trabalhadores é agora de origem estrangeira – um número recorde, muito superior ao registado na altura do referendo sobre a UE.

Entretanto, há mais britânicos inactivos, com 604 000 pessoas a abandonarem a população activa desde a Covid. Entre os jovens britânicos, quase um milhão não estudam nem trabalham. Isto significa que, sem intervenção, correm o risco de permanecer dependentes de prestações sociais. Entretanto, empregadores em sectores de ponta alertam que o sistema de imigração dispendioso do Reino Unido está a dificultar a contratação de trabalhadores altamente qualificados.

Os estrangeiros têm mais probabilidades de estar empregados do que os britânicos em idade activa. Como resultado, dependemos mais do que nunca dos imigrantes – o que não agrada ao público.

Estimativas anterio­res do Gabinete para a Respons­a­bi­li­da­de Orç­ame­ntal (OBR) concluem que um aumento de 100 000 na migra­ção líquida reduz o endivid­e­mento em 6,6 mil milhões de libras até ao final de um período de cinco anos. 

Mas os padrões de vida não seriam diferentes, afirma Brindle. «A variação do PIB per capita e o montante que estamos a produzir por pessoa permanecem praticamente os mesmos em resultado da migração. Também se verifica uma maior procura de serviços públicos», afirma.

«Ter uma política de imigração selectiva e inteligente tornar-se-á mais importante na próxima década. É possível ter números bastante baixos, mas atrair pessoas de grande qualidade. Concentrar-se apenas em números globais esconde essa nuance, e o actual Governo provavelmente não está a cumprir essa agenda de talentos», acrescenta Sim.

«Este sistema está a impedir que as pessoas qualificadas e talentosas contribuam para a economia do Reino Unido», afirma Dighton. Este problema só tenderá a agravar-se sem uma intervenção, sugerem os dados mais recentes.

«A composição da migração é menos favorável do que era. As quedas devem-se principalmente a um menor número de trabalhadores e estudantes, enquanto o número de migrantes que procuram asilo no Reino Unido se manteve bastante estável», afirma Brindle.

Para ministros das Finanças como Rachel Reeves e os seus antecessores conservadores, a elevada imigração permitiu-lhes adiar decisões difíceis. Apoiar o sector dos cuidados de saúde, financiar o sistema de ensino superior e fazer face à enorme dívida pública são todos exemplos disso.

Agora, chegou a hora de pagar a conta. 

(resumo)
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Também aqui a imigração permite aos governos não tomarem decisões e evitarem o investimento na educação e na saúde. 

Para lidarem com o desinvestimento na educação que fez cair a atractividade da profissão, a riqueza dos currículos, a qualidade dos serviço técnicos de suporte e outras valências que permitem o tal o elevador social, implementaram um sistema de passagens automáticas sem critérios às quais se segue um sistema de acesso universal ao ensino superior sem critérios, que produz grandes quantidades de desistentes que nem estudam nem trabalham, porque têm certificados de passagens no bolso e expectativas de terem bons salários por conta desses certificados, que não correspondem a saberes reais. 

Para que entrem imigrantes com baixas qualificações confere-se o título de asilados a todos. Entretanto os portugueses nem-nem acabam por ir para outros países fazer o trabalho que aqui não queriam fazer porque os salários aqui são maus. Os portugueses qualificados, que queríamos muito que ficassem cá, também fogem porque os salários são maus e não permitem sequer ter uma casa ou uma vida independente dos pais. 

E estamos neste círculo vicioso onde se vai tomando más decisões para resolver o curto prazo.

Tal como os ingleses, pagaremos a grande factura mais tarde, tal como os ingleses já estão a pagá-la e os franceses.

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