Ontem aproveitei, para as aulas do 10º ano, uma declaração de uma psiquiatra numa TV sobre o caso das crianças abandonadas, para mostrar como podemos conhecer a posição metafísica de uma pessoa relativamente a um problema, neste caso à questão do livre-arbítrio, mesmo sem a pessoa no-lo dizer clara e explicitamente. Mesmo que ela não soubesse -o que não será o caso- que está a mostrar uma posição filosófica numa questão metafísica. Habituar os alunos a saber ler nas entrelinhas, fazendo uso de temas que trabalhámos nas aulas para fazer inferências significativas e ganhar conhecimentos sobre os outros e o mundo. A psiquiatra em questão usou um argumento determinista sem o referir enquanto tal. A 3ª formulação do imperativo kantiano, sobre os outros seres racionais serem, e deverem, ser tratados, também como legisladores universais, parece-me muitas vezes uma prevenção do determinismo que nega aos outros autonomia moral. As ciências, em especial as ciências duras, são muito deterministas e há uma fatia grande da realidade que não se submete ao método experimental e lhes escapa.
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