November 25, 2025

Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher

 


Hoje é o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher

1 em cada 3 mulheres sofre, ao longo da vida, de violência física, psicológica e/ou sexual e a violência começa cedo, aos 15 anos. Aliás, é maior entre as idades dos 15 aos 24 anos.

Sofrem violência pelo facto de serem mulheres e a maior parte da violência vem de homens da família ou de parceiros íntimos. 

A mutilação genital feminina, o casamento forçado e partilha não consensual de material íntimo ou manipulado podem ser vistos como formas de exploração sexual. Para além disso, cibercrimes como a ciberperseguição, o ciberassédio e o incitamento à violência ou ao ódio online também são considerados tipos de violência de género.

Se bem que a violência contra as mulheres não esteja igualmente distribuída no mundo -é maior em países pobres, em guerra, teocráticos- ela atravessa todas as sociedades. Isto acontece devido à desigualdade de direitos entre géneros. 

Este tipo de violência está ligado a desequilíbrios de poder entre géneros e é um problema complexo influenciado por estruturas sociais e culturais, normas e valores.

A dificuldade ou proibição, em muitos países, de acesso a trabalho e salário que permitam independência, a legislação que bloqueia o direito ao próprio corpo e os estereótipos das sociedades patriarcais (de raíz religiosa) que se perpetuam na educação dos rapazes continuam a alimentar este flagelo.

Em 2012, a Alta Comissária para os Direitos Humanos, Navi Pillay, afirmou:
"As mulheres são frequentemente tratadas como propriedade, são vendidas em casamento, em tráfico, em escravidão sexual. A violência contra as mulheres assume frequentemente a forma de violência sexual. As vítimas de tal violência são muitas vezes acusadas de promiscuidade e responsabilizadas pelo seu destino, enquanto as mulheres inférteis são rejeitadas por maridos, famílias e comunidades. Em muitos países, as mulheres casadas não podem recusar ter relações sexuais com os seus maridos, e muitas vezes não têm qualquer direito a decidir se usam contracepção (...) Assegurar que as mulheres tenham plena autonomia sobre os seus corpos é o primeiro passo crucial para alcançar a igualdade substantiva entre mulheres e homens. Questões pessoais - como quando, como e com quem eles escolhem ter relações sexuais, e quando, como e com quem escolhem ter filhos - estão no centro de uma vida digna."
É preciso deixar de falar da violência contra as mulheres como se fosse algo que lhes acontece, como a chuva e começar a falar da violência dos homens. Falar da violência sobre as mulheres é falar sobre a violência dos homens. Se 33% das mulheres, em todo o mundo são vítimas de violência, 33% dos homens, grosso modo, são violentos contra mulheres.

Portanto, um em cada três homens que conheço praticam violência contra mulheres; um em cada três alunos que tenho praticam violência contra raparigas; etc. Foram e são educados para perpetuar estereótipos de superioridade/inferioridade. Por exemplo: 
Um novo estudo abrangente realizado por investigadores de Harvard e da França acompanhou 2,5 milhões de crianças na França e descobriu que não havia diferença de género nas habilidades matemáticas quando as crianças começaram a primeira classe mas, após apenas quatro meses de ensino formal de matemática, surgiu uma diferença a favor dos meninos. E ela continuou a crescer. A diferença aumentava com os meses passados na escola, não com a idade da criança. Os dados apontam para a necessidade de repensar como a matemática é ensinada desde cedo e como a dinâmica subtil da sala de aula pode afetar os alunos de maneira diferente. «Argumentos crescentes contra a noção de que os meninos nascem com mais facilidade para a matemática.» The Harvard Gazette, 3 de julho de 2025.
A educação dos rapazes para certas profissões, ditas masculinas e a das raparigas para outras, ditas femininas, faz parte deste processo de perpetuação da desigualdade de género e suas consequências que estão na origem da violência e a escola tem uma parte da responsabilidade nesse desequilíbrio.

A educação dos rapazes volta ao centro das atenções. Muitas obras são dedicadas a esse tema, com uma questão em foco: como educar rapazes não-violentos? É preciso educar os rapazes de outra forma. 

Repensar a educação dos rapazes não pode ser responsabilidade exclusiva dos pais. Deve tornar-se o projecto central de uma sociedade igualitária, partilhado pela escola, pelas estruturas de acolhimento da primeira infância e por todos os adultos que os rodeiam. A justiça tem um grande papel pedagógico no modo como encara a violência contra as mulheres: se a encara como uma responsabilidade das próprias mulheres, como o fez desde sempre e até agora ou se, de facto, responsabiliza os criminosos pelos seus crimes. É Um projecto para se libertar de um sistema sexista que aprisiona toda a gente.

Não podemos aceitar nem normalizar como idiossincrasia cultural a desigualdade de género, o apagamento das mulheres da vida social, da vida política e da vida económica, a discriminação das mulheres e a violência que daí decorre.

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