Uma professora primária listou dez competências básicas que os alunos do 3º ano já não sabem fazer: como ler um relógio analógico, contar dinheiro físico ou escrever em letra cursiva, conseguir memorizar os números de telefone dos pais, saber o endereço da sua casa, saber usar um dicionário, seguir instruções com várias etapas, atar os sapatos, lembrar-se dos nomes dos pais, saber de onde é a sua família ou lembrar-se do ano em que nasceram.
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O que torna a situação ainda pior, segundo ela, é que muitos alunos não parecem muito interessados em aprender essas competências básicos e para os professores, começar do zero em tantas tarefas fundamentais torna ainda mais difícil um trabalho já de si exigente, especialmente quando turmas grandes e tempo limitado já sobrecarregam a sua capacidade.
O que torna a situação ainda muito mais preocupante, a meu ver, é que um muito grande número de alunos, quando chegam às minhas mãos no 10º ano, ainda não sabem o número de telefone de um dos pais, o nome completo dos pais, o endereço da sua casa, ler um relógio analógico, ler letra cursiva (não percebem a sua própria letra e pedem-me ajuda para decifrá-la), usar um dicionário, seguir instruções com várias etapas, não sabem a profissão dos pais, não sabem de onde são as suas famílias, não sabem o que é uma dezena, uma dúzia, uma quinzena, não sabem as provincias/regiões do país e outras coisas básicas que agora não lembro.
O exemplo da professora do vídeo refere-se a alunos nos EUA e os meus alunos são portugueses e o que isto mostra é que existe uma decadência da educação que é global e não local e o facto determinante deste padrão é a tecnologia digital: os smartphones que ensinam as crianças a não aprender e a não querer aprender. Dado que têm no bolso um assistente que sabe tudo por eles, já interiorizaram que a aprendizagem é desnecessária. Pelos vistos os pais também interiorizaram a ideia de que não precisam ensinar nada aos filhos, dado que eles têm um smartphone. Leio que aqui no país o PM quer estupidificar ainda mais os alunos e dar a cada um um assistente digital que lhes ensine a irrelevância do esforça na aprendizagem e a desnecessidade da procura do saber.
Ontem estive num hospital e na sala de espera, um pai com uma criança ainda de chupeta, sentou-se e deu à criança um smartphone para se entreter enquanto ele fazia scroll no seu telemóvel. Continuem assim que vão bem.
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