Tal como a Ucrânia vivemos paredes-meias com uma potência imperialista que passou mais de seis séculos a tentar invadir-nos para tomar posse de nós, das nossas terras e do nosso território marítimo. A certa altura conseguiu-o, em 1580. Não interessam agoras as causas, mas as consequências.
Quando Espanha tomou posse de nós, esta era a situação de Portugal só no que respeita à Índia: controlávamos toda a costa marítima e tínhamos uma área de influência grande que nos permitia controlar um negócio que nos dias de hoje seria, no mínimo, bilionário. Todo o comércio com o Oriente passava por nós.
Quando conseguimos livrar-nos de Espanha, não apenas tínhamos perdido a influência nos países mais a oriente da Índia (os holandeses aproveitaram a abertura) como, para recuperarmos o reconhecimento internacional da nossa independência de Espanha, e a ajuda da Inglaterra contra futuras agressões, tivemos de fazer um acordo com Inglaterra muito parecido com o acordo dos minerais que Trump está a querer forçar a Ucrânia a assinar. Espanha tentava que a Europa não reconhecesse a independência de Portugal da mesma maneira que a Rússia faz à Ucrânia. O acordo foi um desastre.
Esse acordo, passou por casar a infanta portuguesa Catarina com o rei inglês Carlos II e dar-lhe como dote a riqueza do país. Em 1661, cedemos aos britânicos o território português de Bombaim, porta de entrada do comércio com a Índia, em troca do casamento e da ajuda contra as agressões de Espanha. Bombaim é actualmente Mumbai.O tratado incluía ainda a transferência de Tânger, privilégios comerciais bilionários no Brasil e Índia e dois milhões de coroas portuguesas. Em troca, Portugal recebeu apoio militar e naval inglês na sua guerra de defesa contra a tentativa de domínio da Espanha.
Ficámos mais ou menos vassalos da Inglaterra durante séculos com consequências quase sempre desastrosas (tirando a ajuda aquando das invasões napoleónicas) de prejuízo para nós que acabaram no mapa-cor-de-rosa e no Tratado Anglo-Português de 1891, assinado sob a coacção dos ingleses.

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