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July 23, 2023

Oppenheimer

 



Esta semana vou arranjar tempo para ir ver este filme. Estive a ver uma entrevista a Christopher Nolan na BBC news. Não vi nenhum trailer do filme de maneira que não sei como ele aborda o tema, a não ser pelo que diz nas entrevistas, mas espero que o filme seja uma oportunidade para se discutir algumas questões relativas à ciência ao serviço dos militares, à ética dos cientistas, à necessidade de desarmamento nuclear (que implica colaboração entre países antagónicos) e à responsabilidade dos EUA no bombardeamento nuclear de dezenas de milhares de civis, no Japão, que é um tema em relação ao qual os norte-americanos, como um todo, ainda não assumiram responsabilidade - quando Obama foi ao Japão e pediu desculpa pelos bombardeamentos metade dos americanos protestou furiosamente.

Por exemplo, aqui nesta entrevista, Nolan diz que o dilema ético dos cientistas americanos na época era se deviam fazer a bomba antes dos nazis. Ora, não foi esse o dilema. Enquanto estavam em guerra e havia a possibilidade de Hitler ter nas mãos uma bomba atómica capaz de destruir o mundo, não houve dilema nenhum. O dilema veio depois.
Depois de Hitler se suicidar em Abril de 45, sabia-se que a Alemanha tinha a guerra perdida e que não tinham nenhuma bomba. É nessa altura que se põe o dilema ético: devemos continuar a desenvolver uma bomba ou devemos parar agora que a guerra já está ganha e não precisamos dela? 

E o facto é que não pararam, não apenas porque Truman queria chegar à conferência de Potsdam com a arma para estar por cima de Estaline, mas também porque os próprios cientistas queriam avidamente ver o resultado do seu esforço - foi assim que fizerem o teste no Novo México e depois, com o pretexto de querer acabar com a guerra -quando o Japão já estava sem recursos para prolongar a guerra- a lançaram sobre civis japoneses, não uma, mas duas vezes. Foi mais um recado, uma demonstração de força para a URSS que avançava pela Europa adentro.

E depois correram com o Oppie que entretanto começou com problemas de consciência (terá ido ter com Truman dizer que tinha sangue nas mãos e Truman mandou-o embora dizendo que nunca mais queria ver aquele "bebé-chorão") e puseram lá outro que queria muito desenvolver uma bomba ainda pior que a Atómica - a bomba de Hidrogénio.

Portanto, os cientistas americanos, os políticos americanos e os americanos em geral ainda não discutiram a sério os problemas éticos envolvidos na invenção e desenvolvimento de armas de destruição total cujos resultados são incontroláveis e a sua responsabilidade particular na proliferação das armas nucleares. É claro que agora, a discussão devia ser alargada a todos os cientistas, independentemente da sua nacionalidade.

A guerra da Ucrânia teve consequências nefastas ao nível da cooperação entre cientistas no mundo e, consequentemente, da abertura  e transparência da ciência. Isso e os militares estarem outra vez em posição de pressionar os cientistas para os seus objectivos particulares.

Pode ser que o filme seja uma oportunidade de abrir essas discussões de uma maneira séria sem conversas de conspirações e de usar o exemplo de Oppenheimer como precaução para a tecnologia de IA.


January 12, 2020

Filmes - Mr. Jones




Um filme sobre o repórter Gareth Jones que viajou até à URSS de Estaline e daí à Ucrânia do Holodomor, em 1932 e viu e sofreu a fome e o frio que exterminaram mais de 10 milhões de ucranianos. Jones voltou ao Reino Unido, denunciou o que viu, foi desmentido pelo correspondente principal do NY Times em Moscovo, Duranty, um vendido às ordens de Estaline que morreu de velhice na Flórida, ao contrário de Jones que foi assassinado em 1935, aos 29 anos, por soviéticos disfarçados de guias, numa vingança por ter denunciado os crimes do regime. Old habits die hard, right...?

Mr. Jones é o nome do personagem do Animal Farm de Orwell que fala da grande fome provocada pela URSS e do embuste que é a ideologia comunista colectivista.