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January 26, 2026

Integração versus destruição de civilização

 


Na sequência do artigo de Stephen Rapp acerca dos perigos da Europa ignorar, nas parcerias comerciais com a Índia, o seu retrocesso democrático.

A Europa está sob ataque externo e interno e em ambos os casos o fito é a destruição da democracia. Não é que não haja democracias fora da Europa, que as há, mas aqui neste continente temos uma concentração grande de democracias onde as pessoas [ainda] se movem com liberdade, onde se respeita o Estado de Direito e não a força, onde há alternância no poder e não há obrigação de submissão ou medo de prisões e mortes arbitrárias sujeitas ao humor do polícia ou do ditador de ocasião. 

Para lidar com o ataque externo precisamos de uma ONU funcional virada para os direitos humanos, mas para isso é preciso que o inquilino que lá está, saia e dê lugar a alguém com outra mentalidade.

O ataque externo às democracias europeias vem de países ditatoriais que não querem os seus povos a olhar com ambições as democracias. A Rússia, o Irão, todos os países árabes islamitas. O ataque interno, fomentado por todos estes países vem da imigração em massa desses países.

Este é um mapa das migrações recentes (últimos 12 anos) para a Europa. Não há memória de uma tão grande pressão de milhões de pessoas a entrar num curto espaço de tempo, por parte de culturas antagónicas e, muitas vezes abertamente hostis à cultura europeia.

Como diz Dan Burmawi no post anterior, quando se chega à Europa vindo de países de ditaduras teocráticas e outras, extremamente violentas, com um quotidiano de fuga e sobrevivência à punição arbitrária do Estado, tudo aqui parece 'amaricado'. A tendência não é ver os europeus como uma civilização racional que evoluiu com base na lei, na educação, na cooperação, mas sim vê-los como fracos, pessoas que 'no seu mundo' não sobreviveriam um dia, sequer.

E como diz Dan Burmawi, a Europa está num processo de auto-destruição. Transformou a reflexão sobre os seus erros históricos -a escravatura, a colonização- em narrativa única, imposta nas escolas e alastrou-a à sua identidade. A esquerda europeia atribui à 'raça branca' europeia uma culpa universal para a qual não há redenção. Transformou os imigrantes em vítimas, como se a história universal tivesse começado no século XVII e houvesse povos puros -os africanos e os islamitas- e povos impuros - os europeus. Como se antes da escravatura europeia não tivesse havido 10.000 anos de escravatura de todas as culturas e civilizações e como se a escravatura tivesse desaparecido do mundo com o fim do colonialismo europeu, quando sabemos que continua a ser praticada entre os islamitas, e nem sequer às escondidas.

O facto de termos praticado uma escravatura em massa não anula o outro facto de termos acabado com ela, de termos iniciado e liderado esse movimento de acabar com a escravatura e o colonialismo. 

Vivemos um tempo em que a esquerda acusa os europeus de arrogância por terem e querem manter uma identidade própria, uma democracia plena, a continuação de uma civilização virada para os direitos humanos e para o progresso de todos. 

É um novo colonialismo em que se atribuem a si mesmo o cargo de proteger os adultos imigrantes africanos e islamitas nas suas práticas mais bárbaras como 'tradições de uma civilização alternativa' quando é óbvio a qualquer pessoa minimamente razoável que apedrejar mulheres e homossexuais até à morte, mandar os polícias violar adolescentes antes da execução para que não entrem no céu, proibir as mulheres de mostrar a cara, de falar umas com as outras, de olhar o mundo, etc., não são tradições culturais mas crimes, à luz de qualquer carta mínima de direitos humanos.

Em países como Inglaterra, Suécia e França já não há liberdade de expressão: é proibido criticar o islão e os islamitas, dando poder a uma (ainda) relativamente pequena comunidade de arrasar os direitos fundamentais de toda uma sociedade;  há tribunais da sharia a funcionar à margem da lei, com o que isso significa de destruição do tecido democrático baseado na lei. Todas as projecções indicam que nesses países e em outros, como a Bélgica, os islamitas serão cerca de 30% da população adulta e 60% da população jovem, por volta do 2050. É daqui a 25 anos.

A Europa tem duas opções: uma, é continuar com a destruição do seu projecto democrático permitindo que toda a violação grosseira dos seus princípios seja tolerada com a consequência crescente -em alguns países já instalada- de comunidades que defendem o separatismo de regiões com base na ideologia islâmica e na recusa em obedecer às leis do país acolhedor. Daqui a 25 anos, é possível que muitos países sejam constituídos por populações tribais, cada uma enclavada no seu território, com as suas práticas.

A outra é restaurar uma visão equilibrada da Europa como uma civilização que cometeu erros, tal como as outras, mas que foi responsável por grandes avanços na mentalidade, nos direitos humanos e no estabelecimento de regimes democráticos. Se escolher esta segunda e acabar com a auto-flagelação diária, então define políticas de integração obrigatórias que passam pelo respeito pela lei e pelas práticas de liberdade e democracia próprias da nossa evolução cultural. Grupo violentos e predadores que pregam a destruição das sociedades democráticas e lutam para impor práticas teocráticas de vida são extremamente desagregadores.

Precisamos de ver os factos com objectividade se queremos sobreviver como civilização. Alguém imagina convidar para sua casa um predador e deixá-lo impor as regras, matar os seus filhos, violar as suas filhas, etc.? É que estamos a fazer. 

Penso que todos vemos que estamos numa encruzilhada civilizacional. As civilizações acabam e quando acabam é por desagregação social. Deixarmos de nos ver como um povo, com princípios comuns de vida e de governação e começarmos a ver-nos como inimigos uns dos outros.

Como diz Dan Burmawi, a Europa tem se saber reeducar essas pessoas cheias de violência que chegam aqui com uma mentalidade de domínio e vêem o respeito à lei como fraqueza a destruir. Se o fizer com sucesso, termos, daqui a umas gerações, povos europeus com cidadãos de origens culturais diversas a viver em paz uns com os outros. 

Se não o fizermos e continuarmos nesta senda, daqui a umas gerações não há civilização europeia, nem nenhuma das suas conquistas civilizacionais, pois os que vêm para manter o separatismo ensinam aos filhos a sua história e a sua violência e não saberão nada da nossa história e identidade, pela razão de ter desaparecido das nossas narrativas e nem ser ensinada nas escolas, dominadas por discursos de auto-flagelação, como todo o espaço de comunicação social.

Se não levarmos isto a sério e não fizermos nada, haverá um ponto de não-retorno. Penso que estamos num ponto de tensão mecânica, como chamam àquele ponto nos materiais que determina o limite de escoamento, onde o material perde a plasticidade e começa a deformar-se permanentemente. E esse ponto numa civilização, muitas vezes determina o seu fim.

A mim preocupa-me muito o mundo que vou deixar ao meu filho e aos filhos do meu filho e não queria deixar um mundo obscurantista, numa Europa teocrática, violenta e em regressão civilizacional a um tempo de tribos.

November 16, 2025

Aqui está uma prática que podemos compreender num certo contexto histórico de uma dada cultura

 

Mas nunca aceitar como mores em alguma sociedade do presente. Está abaixo do patamar mínimo obrigatório de civilização da casa comum.


Esta fotografia captura uma forma arcaica de justiça. 

Na China da década de 1930, este homem, condenado por homicídio, foi preso numa jaula de madeira conhecida como cangue, uma ferramenta de punição centenária concebida para infligir uma morte lenta e pública. 

Imobilizado na posição vertical, foi deixado na rua para morrer de fome, sede e exposição às intempéries. O desenho da jaula tornava impossível até os movimentos mais pequenos, como sentar-se, coçar-se ou proteger o rosto.

Mais do que remover um criminoso da sociedade, a punição transforma o acto de morrer num aviso público. Multidões reuniam-se para testemunhar o lento processo da degradação do corpo.

Ao contrário das execuções ocidentais que visavam uma conclusão rápida, este método era teatral, transformando o condenado num símbolo vivo das consequências. 
A lenta degradação do corpo e o sofrimento do prisioneiro ao longo de dias, às vezes semanas à vista de todos, tinha como objectivo humilhar e dissuadir outros de cometer crimes.

No século XX, a cangue havia caído em desuso nos centros urbanos modernizados, mas continuava a ser utilizada em províncias remotas, onde
 persistiu até ao século XX nas áreas rurais da China, onde a autoridade tradicional e os ideais confucionistas de ordem ainda prevaleciam. 

Observadores internacionais de direitos humanos e missionários documentaram casos como este até à década de 1930, utilizando-os para pressionar a China a realizar uma reforma penal. 

via Ancient Lights

August 09, 2024

(In)Civilização

 

Civilização

 

O grau de civilização de uma sociedade (ou pessoa) tem de medir-se pela qualidade das relações que mantém com os outros seres humanos (e não só), o modo como os trata. Não apenas reconhecendo aos outros direitos humanos, mas reconhecendo a si mesmo deveres de civilização. Cada vez que alguém -ou um Estado, uma religião uma ideologia, etc.- maltrata alguém, cada vez que humilha, que oprime, discrimina, que tortura, que escraviza, que cala, etc., recua no seu grau de civilização. 

A civilização é um processo em curso que tem avanços e recuos. As ditaduras e as tiranias são organizações sociais de recuo de civilização porque negam aos outros direitos humanos e sociais - que exigem para si. Ideologias que se afirmam como ditaduras de um grupo social sobre os outras, sejam ditaduras comunistas ou capitalistas são organizações sociais de recuo de civilização porque negam aos outros direitos humanos e sociais - que exigem para si. Religiões que se afirmam pelo totalitarismo ou pelo apartheid de género são recuos de civilização porque negam aos outros direitos humanos e sociais - que exigem para si.

 Quanto mais avançamos na consciência desses deveres de civilização, mais incivilizados nos parecem -e são- os recuos: a escravatura hoje parece-nos totalmente incivilizada relativamente ao que já pareceu há séculos, quando a consciência dos direitos comuns humanos era mais infante. 

Medimo-nos, para avaliarmos o nosso grau de civilização, pelo melhor que as sociedades já fizeram em termos de avançar na civilização: por isso lemos vozes antigas, pessoas altamente civilizadas antes de tempo, digamos assim. Neste momento não há dúvida que a religião islâmica -bem como a evangelista, embora esta em menor grau porque não pratica o assassínio de mulheres e infiéis- estão num processo de recuo de civilização muito grande.

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A cena foi censurada na televisão do regime islâmico. Duas taekwondoistas iranianas abraçam-se no pódio olímpico, desafiando a propaganda de ódio do regime contra Kimia Alizadeh, iraniana fugida do Irão por recusar o véu islâmico e medalha de bronze sob a bandeira búlgara, e Nahid Kiani, medalha de prata pelo Irão.

January 16, 2023

"A extinção é a regra. A sobrevivência é a excepção" — Carl Sagan

 

Em todas as civilizações que se extinguiram nestes milhares de anos, também o seu Deus se extinguiu com elas.