Na sequência do artigo de Stephen Rapp acerca dos perigos da Europa ignorar, nas parcerias comerciais com a Índia, o seu retrocesso democrático.
A Europa está sob ataque externo e interno e em ambos os casos o fito é a destruição da democracia. Não é que não haja democracias fora da Europa, que as há, mas aqui neste continente temos uma concentração grande de democracias onde as pessoas [ainda] se movem com liberdade, onde se respeita o Estado de Direito e não a força, onde há alternância no poder e não há obrigação de submissão ou medo de prisões e mortes arbitrárias sujeitas ao humor do polícia ou do ditador de ocasião.
Para lidar com o ataque externo precisamos de uma ONU funcional virada para os direitos humanos, mas para isso é preciso que o inquilino que lá está, saia e dê lugar a alguém com outra mentalidade.
O ataque externo às democracias europeias vem de países ditatoriais que não querem os seus povos a olhar com ambições as democracias. A Rússia, o Irão, todos os países árabes islamitas. O ataque interno, fomentado por todos estes países vem da imigração em massa desses países.
Este é um mapa das migrações recentes (últimos 12 anos) para a Europa. Não há memória de uma tão grande pressão de milhões de pessoas a entrar num curto espaço de tempo, por parte de culturas antagónicas e, muitas vezes abertamente hostis à cultura europeia.
Como diz Dan Burmawi no post anterior, quando se chega à Europa vindo de países de ditaduras teocráticas e outras, extremamente violentas, com um quotidiano de fuga e sobrevivência à punição arbitrária do Estado, tudo aqui parece 'amaricado'. A tendência não é ver os europeus como uma civilização racional que evoluiu com base na lei, na educação, na cooperação, mas sim vê-los como fracos, pessoas que 'no seu mundo' não sobreviveriam um dia, sequer.
E como diz Dan Burmawi, a Europa está num processo de auto-destruição. Transformou a reflexão sobre os seus erros históricos -a escravatura, a colonização- em narrativa única, imposta nas escolas e alastrou-a à sua identidade. A esquerda europeia atribui à 'raça branca' europeia uma culpa universal para a qual não há redenção. Transformou os imigrantes em vítimas, como se a história universal tivesse começado no século XVII e houvesse povos puros -os africanos e os islamitas- e povos impuros - os europeus. Como se antes da escravatura europeia não tivesse havido 10.000 anos de escravatura de todas as culturas e civilizações e como se a escravatura tivesse desaparecido do mundo com o fim do colonialismo europeu, quando sabemos que continua a ser praticada entre os islamitas, e nem sequer às escondidas.
O facto de termos praticado uma escravatura em massa não anula o outro facto de termos acabado com ela, de termos iniciado e liderado esse movimento de acabar com a escravatura e o colonialismo.
Vivemos um tempo em que a esquerda acusa os europeus de arrogância por terem e querem manter uma identidade própria, uma democracia plena, a continuação de uma civilização virada para os direitos humanos e para o progresso de todos.
É um novo colonialismo em que se atribuem a si mesmo o cargo de proteger os adultos imigrantes africanos e islamitas nas suas práticas mais bárbaras como 'tradições de uma civilização alternativa' quando é óbvio a qualquer pessoa minimamente razoável que apedrejar mulheres e homossexuais até à morte, mandar os polícias violar adolescentes antes da execução para que não entrem no céu, proibir as mulheres de mostrar a cara, de falar umas com as outras, de olhar o mundo, etc., não são tradições culturais mas crimes, à luz de qualquer carta mínima de direitos humanos.
Em países como Inglaterra, Suécia e França já não há liberdade de expressão: é proibido criticar o islão e os islamitas, dando poder a uma (ainda) relativamente pequena comunidade de arrasar os direitos fundamentais de toda uma sociedade; há tribunais da sharia a funcionar à margem da lei, com o que isso significa de destruição do tecido democrático baseado na lei. Todas as projecções indicam que nesses países e em outros, como a Bélgica, os islamitas serão cerca de 30% da população adulta e 60% da população jovem, por volta do 2050. É daqui a 25 anos.
A Europa tem duas opções: uma, é continuar com a destruição do seu projecto democrático permitindo que toda a violação grosseira dos seus princípios seja tolerada com a consequência crescente -em alguns países já instalada- de comunidades que defendem o separatismo de regiões com base na ideologia islâmica e na recusa em obedecer às leis do país acolhedor. Daqui a 25 anos, é possível que muitos países sejam constituídos por populações tribais, cada uma enclavada no seu território, com as suas práticas.
A outra é restaurar uma visão equilibrada da Europa como uma civilização que cometeu erros, tal como as outras, mas que foi responsável por grandes avanços na mentalidade, nos direitos humanos e no estabelecimento de regimes democráticos. Se escolher esta segunda e acabar com a auto-flagelação diária, então define políticas de integração obrigatórias que passam pelo respeito pela lei e pelas práticas de liberdade e democracia próprias da nossa evolução cultural. Grupo violentos e predadores que pregam a destruição das sociedades democráticas e lutam para impor práticas teocráticas de vida são extremamente desagregadores.
Precisamos de ver os factos com objectividade se queremos sobreviver como civilização. Alguém imagina convidar para sua casa um predador e deixá-lo impor as regras, matar os seus filhos, violar as suas filhas, etc.? É que estamos a fazer.
Penso que todos vemos que estamos numa encruzilhada civilizacional. As civilizações acabam e quando acabam é por desagregação social. Deixarmos de nos ver como um povo, com princípios comuns de vida e de governação e começarmos a ver-nos como inimigos uns dos outros.
Como diz Dan Burmawi, a Europa tem se saber reeducar essas pessoas cheias de violência que chegam aqui com uma mentalidade de domínio e vêem o respeito à lei como fraqueza a destruir. Se o fizer com sucesso, termos, daqui a umas gerações, povos europeus com cidadãos de origens culturais diversas a viver em paz uns com os outros.
Se não o fizermos e continuarmos nesta senda, daqui a umas gerações não há civilização europeia, nem nenhuma das suas conquistas civilizacionais, pois os que vêm para manter o separatismo ensinam aos filhos a sua história e a sua violência e não saberão nada da nossa história e identidade, pela razão de ter desaparecido das nossas narrativas e nem ser ensinada nas escolas, dominadas por discursos de auto-flagelação, como todo o espaço de comunicação social.
Se não levarmos isto a sério e não fizermos nada, haverá um ponto de não-retorno. Penso que estamos num ponto de tensão mecânica, como chamam àquele ponto nos materiais que determina o limite de escoamento, onde o material perde a plasticidade e começa a deformar-se permanentemente. E esse ponto numa civilização, muitas vezes determina o seu fim.
A mim preocupa-me muito o mundo que vou deixar ao meu filho e aos filhos do meu filho e não queria deixar um mundo obscurantista, numa Europa teocrática, violenta e em regressão civilizacional a um tempo de tribos.
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