Edwy Plenel
Algumas declarações xenófobas dão a entender que os incidentes de 17 de outubro teriam sido causados por imigrantes. Isso é falso: os jovens de minorias étnicas que se mobilizaram são franceses, e os estrangeiros mantêm-se discretos neste clima de repressão.
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Este indivíduo refere-se aos imigrantes de 1º ou 2ª geração que se vêem nas dezenas de vídeos (em muitos casos falam arábico) como sendo franceses porque a maioria deve ter passaporte francês. Muitos terão já nascido em França. Porém, ser francês e ter cidadania francesa não são necessariamente a mesma coisa. Aliás, a maioria deles, quando entrevistados, queixam-se da França. Dizem estar a vingar-se do que a França lhes fez e do colonialismo. Falam da França como um país estranho e não o seu.
Há pouco tempo ouvi um francês, já não sei onde, dizer que se tirassem todos os franceses da França, deixando o território intacto com tudo o que faz parte da França, e os substituíssem por chineses, os chineses construiriam ali uma China - no território francês. E ele concluía que quem faz os países são os povos e não o território. A cultura francesa, os valores franceses, não emanam do chão, quem os fez foram as pessoas, o povo, ao longo dos séculos.
O povo francês que agora existe, carrega consigo a sua história, os seus valores, as suas aspirações, os seus erros e os seus conseguimentos, os seus escritores, os pintores, os reis e os revolucionários. Se os franceses fossem postos no Chile em vez dos chilenos, fariam lá uma França, porque as pessoas carregam consigo, para onde vão, a história, os escritores, os ideais, a língua, etc., que os faz serem como são.
Isto para dizer o quê? Os islamitas que foram para França, levaram consigo a sua cultura, a sua língua, a sua religião, os seus ideais e os seus agravos, os ressentimentos. Não se integraram porque a sua religião, que é uma ideologia política, não deixa que se integrem. Para onde emigram levam as suas sharias, as suas punições de morte a quem muda de religião, a quem não segue os preceitos, levam a sua intolerância. Mesmo os que geraram filhos já em França, criaram-nos nas mesquitas a ouvir os imãs a apelar à não-integração, a difundir a ideia de que as francesas são prostitutas porque não se tapam, que a França lhe deve tudo porque em tempos os colonizou, que são vítimas, que os seus direitos se sobrepõem às leis francesas.
Então, sim, são pessoas com cidadania francesas, mas não são franceses. Ter cidadania e fazer parte do povo francês são duas coisas diferentes. Estas pessoas dizem, 'eles' quando se referem à França e não, 'nós'.
Morei uns anos em Bruxelas. Senti-me sempre uma portuguesa em Bruxelas e, mesmo que tivesse lá ficado a viver e tivesse tido, a certa altura, cidadania belga, nunca seria belga. Não tem nada a ver comigo. Sinto-me portuguesa. Sim, sinto-me uma cidadã do mundo, num certo sentido e europeia, mas sou portuguesa. Tenho aqueles defeitos e virtudes dos portugueses, muitas vezes alvo de anedotas. Sinto uma ligação à nossa história e as pessoas da nossa história, da nossa literatura. Não tenho nenhuma ligação a Shakespeare ou a Henrique IV francês apesar de admirar essas pessoas.
Quando fui para lá, o meu filho tinha 8 anos. Penso que também não seria belga mesmo que lá ficasse depois porque não andou na escola pública no meio de belgas a interiorizar a cultura belga, andou na Escola Europeia. Aprendeu o currículo português numa turma portuguesa com uma professora portuguesa. Os amigos eram portugueses e viveu imerso na cultura portuguesa, apesar de fora da escola falar francês e lidar com a cultura francófona. Em casa falava-se português, respirava-se a cultura portuguesa. Os filhos dele, se ele lá tivesse ficado, talvez já fossem belgas, não sei. Agora, nunca andaria a assaltar e a partir lojas porque em minha casa não se educa para o ódio e para a violência e sempre se deu exemplo de cumprir as leis e lutar pelos direitos dentro da legalidade. E enquanto lá estivemos aprendemos a admirar as coisas admiráveis do belgas e a rejeitar as outras - mas nunca a destruir.
Portanto, quando este indivíduo (e Macron) diz que os tipos dos protestos são franceses, o que ele está a dizer é que têm passaporte francês. Não é necessariamente a mesma coisa que ser francês. Uns serão, como aquela mulher de origem argelina que aconselha os brancos de esquerda a irem para África para perceberem o que é viver em países sem liberdade, sem direitos e sem desenvolvimento, mas talvez não estes que andaram a queimar edifícios públicos e bandeiras de França e a destruir tudo, menos as lojas de muçulmanos.
Os franceses, e não só, não se preocuparam com o número dos imigrantes e com a sua integração. Abriram as portas e mandaram entrar - como Costa aqui fez. A cultura/religião islâmica é extremamente hostil ao Ocidente e não se pode deixar entrar senão um pequeno número de pessoas. E mesmo esse pequeno número tem de ter regras de integração: falar a língua, praticar a religião nas mesquitas e não nas ruas, obedecer às leis do país, nomeadamente nos direitos das raparigas e mulheres. Nunca na História se viu uma cultura importar as ferramentas da sua fractura e destruição.
É preciso seguir o exemplo de Itália e proibir as caras tapadas nas manifestações e mudar as leis. Temos de ter leis adequadas aos tempos.
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