The Diplomat, é uma série que gira à volta da embaixadora dos EUA em Inglaterra e do seu marido, que já foi, ele mesmo, embaixador.
Vai na 4ª temporada. No fim da 1ª, o Presidente dos EUA morre com um ataque cardíaco e a Vice-Presidente passa a Presidente e nomeia o marido da embaixadora, Vice-Presidente.
De início, nas duas primeiras temporadas, pareceu-me que a série tinha demasiadas cenas entre políticos (o PM inglês é o típico político fura-vidas) que pareciam cenas de alunos do secundário: diz-que-disse, quem anda com quem, encontros às escondidas... entretanto, há pouco tempo li num jornal que Obama, quando aqui esteve há uns dias, disse que a vida política na Casa Branca e as relações entre as pessoas parecem cenas de liceu, de maneira que se calhar a série é muito mais fidedigna, nesse aspecto, do que eu pensava. O que é assustador...
A série cresce e define-se na 3ª e 4ª temporadas. A Presidente recém-nomeada, que trabalha excelentemente com o VP, é uma pessoa capaz de acções sem um pingo de ética (ele também), o que lhe traz o respeito dos políticos americanos que de início temem que, sendo mulher, não esteja à altura da dureza do cargo.
Então, vêmo-la crescer em confiança e autoridade, bem como o VP que começa a aparecer deslumbrado com o seu poder.
Aos pouco, a Presidente vai-se tornando autoritária, tão certa das suas decisões políticas que deixa de ouvir os seus conselheiros e até o VP. Toma decisões impulsivamente. Ameaça a Inglaterra, faz chantagem com o PM inglês, ameaça fazer guerra a aliados, cria inimizades com aliados e a 4ª temporada acaba com uma cena dramática na reunião do G7 - não vou dizer para não estragar a surpresa.
As razões dela estão certas, mas os meios que usa são de destruição e de partir a louça internacionalmente. No mundo da diplomacia é o oposto do que deve fazer-se. A ver a evolução dela para o autoritarismo puro e duro e para um comportamento de posso-quero-e-mando no mundo, é impossível não pensar no actual inquilino da Casa Branca.
A série é boa. Uma das características melhores da série é mostrar-nos como é difícil tomar certas decisões políticas, fazer escolhas que implicam sacrificar pessoas ou objectivos e causas políticos.
A série mostra-nos essa característica pondo a embaixadora (que acaba por estar sempre no centro da acção) a discutir com o marido, não apenas porque o casamento deles sofre com o cargo que cada um ocupa no Estado, mas porque aconselham-se muito um com o outro nas decisões políticas. Então, põem-nos a assistir a discussões de ponderação de decisões importantes, com todos os prós, os contra e os riscos associados para que nos apercebamos da quantidade de variáveis que é preciso ter em conta nas decisões e como é difícil, muitas vezes, saber qual o melhor caminho. Daí a inevitabilidade do erro.
Uma série que vale a pena ver.
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