October 02, 2026

Sem palavras



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Não consigo pôr aqui o vídeo, mas na Carolina do Sul um punhado de homens votou uma lei que obriga uma rapariga ou mulher a ter o filho de uma violação, mesmo que seja de incesto, mesmo que o feto tenha uma anomalia mortal e morra dentro dela tem de levar a gravidez até ao fim e se não o fazer vai presa e qualquer pessoal de saúde que ajudar qualquer rapariga ou mulher também vai preso e perde a licença. Portanto, uma lei que obriga a abandonar as raparigas e as mulheres sozinhas à sua sorte.

Um senador, um único, chamado Davis, levanta a voz contra a lei e diz a verdade sobre a obscenidade e extrema crueldade da lei. Mas a lei passa na mesma.

A crueldade e malvadez destes homens para com as raparigas e as mulheres... e a arrogância narcísica com que se acham no direito de legislar o corpo das mulheres e condená-las à vigilância e terrorismo de Estado. Só homens nesta sala a decidir sobre o corpo e a vida das mulheres. Pensam-se deuses. Dispõem da vida das raparigas e das mulheres como Putin dispõe da vida dos russos que atira para a morte.

Nestes dias estive a fazer uma formação sobre a teoria/terapia de Viktor Frankl, um médico psiquiatra interessado em Filosofia, um judeu austríaco com uma carreira fulgurante até que foi parar a Auschwitz. Sobreviveu. A teoria dele tem que ver com a busca de sentido e ele era um optimista. Acreditava que mesmo nas situações mais inhumanas havia sempre um horizonte de esperança. 

Não sei. 

Estes homens não vêem o abuso e violação que representa obrigar uma mulher a este horror? Ou vêem mas gostam do sofrimento e abuso das mulheres? Subjugá-las aos seus desejos sádicos? Querem obrigá-las e abusar delas sem lhes pedir consentimento como é hábito dos violadores. E ai de quem tente ajudar uma rapariga!

Vejo estes homens cruéis e malvados como Eichmanns, só que em vez servirem uma ideologia fanática fascista nacionalista servem uma ideologia fanática religiosa. Porém, é a mesma ausência de pensamento, o mesmo narcisismo embriagado de poder e total ausência de respeito pelo outro, tornado sub-humano, um objecto para o seu sadismo, aqui sendo as mulheres em vez dos judeus. Sem palavras, como diz o senador.


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