1º - dar-lhes defesas contra os mísseis e bombas russas;
2º - ajudá-los a destruir as refinarias, os centros de dados e todas as instalações militares e para-militares;
3º - Usar os activos russos congelados para a Ucrânia derrotar a Rússia.
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Quanto mais Putin intensifica os seus ataques à Europa, mais a Europa deve apoiar a Ucrânia
O imperialista de Moscovo acredita que as decadentes democracias europeias podem ser intimidadas e vergar-se. Cabe-nos provar que está enganado.
A Alemanha é central nesta história — e, desta vez, está do lado certo da História
Timothy Garton Ash
Vladimir Putin está a intensificar tanto a sua guerra em grande escala contra a Ucrânia como a sua guerra clandestina contra o resto da Europa. O principal objectivo desta última é destruir o apoio europeu à Ucrânia, para poder subjugar esse país, algo que considera uma questão existencial para o futuro da Rússia e para o seu próprio futuro.
Enquanto nós, no resto da Europa, temos de nos preparar da melhor forma possível para nos defendermos de todos os tipos de ataques híbridos, o essencial da nossa resposta deve consistir em redobrar o apoio à Ucrânia. A Ucrânia é o seu principal alvo. É aí, e só aí, e não numa disputa feita de mil pequenas agressões híbridas, que a Rússia de Putin pode ser derrotada e dissuadida num sentido verdadeiramente significativo.
Num novo livro poderoso, Warum Russland Nicht Aufhören Wird (Porque é que a Rússia não vai parar), o historiador alemão Martin Schulze Wessel demonstra como a política de Putin se insere numa tradição russa muito mais antiga de expansionismo territorial e de procura da hegemonia, combinada com uma ideologia imperial impregnada de religião.
O autor recorda-nos que em 2016 Putin afirmou que «as fronteiras da Rússia não acabam em lado nenhum» e, em 2025, que «onde quer que pise a bota de um soldado russo, isso é nosso».
Os europeus ocidentais, que imaginam ingenuamente ter remetido esse imperialismo territorial brutal para o caixote do lixo da História, tendem a pensar que tem de existir alguma outra explicação — por exemplo, algo que tenhamos feito de «errado», como o alargamento da NATO para leste. Os finlandeses, estónios e polacos sabem que não é assim. Apesar das suas fragilidades, conclui o autor, a Rússia é «o país mais perigoso do mundo». Alguns países asiáticos poderão contestar esta afirmação tão abrangente, mas, certamente, a Rússia é o país mais perigoso para a Europa.
Schulze Wessel apresenta ainda outro argumento simples, mas muito pertinente: a expansão russa foi sempre facilitada pela cooperação com outras grandes potências e travada quando a Rússia se deparou com potências de força equivalente que se lhe opunham.
Desde o regresso de Donald Trump à Casa Branca, no ano passado, os Estados Unidos deixaram de desempenhar esse segundo papel e, por vezes, parecem até ter assumido o primeiro. É por isso que a Europa está agora a suportar o peso de ser a potência de força equivalente que se opõe à Rússia. A Europa, incluindo o Reino Unido, já concedeu mais ajuda à Ucrânia do que os Estados Unidos. As suas economias, em conjunto, são dez vezes maiores do que a economia russa; só a economia alemã tem o dobro da dimensão.
E é a Alemanha que ocupa agora uma posição central neste esforço europeu. Desde o início da guerra em grande escala, em 2022, a Alemanha tem sido, cumulativamente, o maior país doador individual, à excepção dos Estados Unidos.
De acordo com o Ukraine Support Tracker do Instituto de Kiel, concedeu o dobro da ajuda do Reino Unido ou da França. Enquanto os habitantes de Kyiv e de Odesa são diariamente fustigados pelos mísseis balísticos e pelos drones a jacto de Putin, vale a pena consultar os números do Instituto de Kiel relativos aos sistemas de defesa aérea. A Alemanha já doou 19 desses sistemas, incluindo cinco das indispensáveis baterias de defesa aérea Patriot, de fabrico norte-americano — mais duas do que os próprios Estados Unidos forneceram.
No primeiro ano desta guerra, defendi que a Alemanha «tem uma responsabilidade histórica única de ajudar a defender uma Ucrânia livre e soberana». Na altura, considerava firmemente que a Alemanha ainda não estava a fazer aquilo que devia. Agora, no quinto ano de um conflito que já dura há mais tempo do que a Primeira Guerra Mundial e que não dá sinais de estar perto do fim, posso afirmar sem hesitação que a Alemanha está a cumprir esse dever.
Não se trata apenas da dimensão quantitativa do apoio à Ucrânia e do aumento das suas próprias despesas com a defesa, que, segundo as mais recentes projecções do Ministério das Finanças alemão, atingirão os 154 mil milhões de euros em 2028 (cerca de 130 mil milhões de libras). Será aproximadamente o mesmo que se estima serem as despesas militares totais da Rússia este ano.
Trata-se também de vontade política. O chanceler Friedrich Merz demonstrou essa vontade e coragem ao viajar de comboio da Alemanha para a Ucrânia, na noite de 3 de Outubro, data do 36.º aniversário da reunificação alemã, acompanhado por uma delegação importante, que incluía dirigentes da indústria de defesa. Os bombardeamentos russos contra alvos civis no centro de Kyiv, incluindo a Academia Nacional de Ciências da Ucrânia e as pontes sobre o rio Dnipro, não cessaram, apesar de — ou talvez precisamente porque — Moscovo sabia que o dirigente alemão estaria na cidade.
Agora, finalmente, a Alemanha está verdadeiramente empenhada na defesa da soberania da Ucrânia, assumindo custos e riscos para si própria. Para quem conhece esta história complexa e intrincada, há algo não apenas redentor, mas francamente inspirador nesta imagem: uma Alemanha democrática a desempenhar um papel de liderança no apoio à aspiração de uma Ucrânia independente a ocupar o lugar que lhe cabe numa comunidade europeia mais ampla de países livres.
Mas durante quanto tempo? E com quanto apoio do resto da Europa?
Um céptico pode apontar inúmeras razões para o pessimismo. Merz é impopular no seu próprio país. A Alternative für Deutschland (AfD), o partido que actualmente dita o ritmo da política alemã, abandonaria a Ucrânia à Rússia. Em França, Marine Le Pen, candidata presidencial da União Nacional (Rassemblement National), afirma que o seu país não pode continuar a dar tanto à Ucrânia. A solidariedade com a Ucrânia também está a desmoronar-se à direita na Polónia, onde dois partidos mais pequenos assumem posições claramente anti-ucranianas. Numa sondagem de opinião realizada em Itália no mês passado, mais de metade dos inquiridos opunha-se à continuação do fornecimento de armas a Kyiv.
Recentemente, em Bruxelas, encontrei uma vasta audiência que parecia manter-se firmemente empenhada no apoio à Ucrânia — até que, já no final, a nossa discussão se voltou para a questão da utilização dos activos russos congelados que se encontram na Bélgica. Ah, nesse caso, a questão é outra... No entanto, perante os danos terríveis que estão a ser infligidos à economia ucraniana, incluindo às suas exportações de cereais através do mar Negro, os especialistas estimam que poderá ser necessário um apoio adicional a Kyiv de até 100 mil milhões de euros só em 2027. E os contribuintes europeus, já sujeitos a fortes pressões financeiras, não estão dispostos a desembolsar essa quantia.
Putin acredita que as decadentes democracias europeias acabarão por desmoronar-se perante a determinação férrea de um homem forte imperialista. Cabe-nos provar que está enganado.
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