Este senhor especialista em música, comunista e ex-secretário de Estado do governo de Sócrates queixa-se da Europa já não subscrever de cruz textos com slogans ocos que ele repete aqui, como por exemplo, criar condições para que as culturas floresçam e interajam livremente em benefício mútuo e outros do género. Ele queixa-se que há agora uma cultura de ódio que fanatiza as crenças sem olhar para si mesmo, fechado que está nestes slogans ocos que contrariam a realidade dos factos e das evidências de culturas que fomentam o ódio e a violência, com planos (e práticas) confessos e públicos de destruição da cultura europeia. Portanto, ou ele é tão fanático na sua crença que não vê o que todos os dias acontece na Europa de ataques aos seus valores democráticos, à coesão social e à sobrevivência enquanto projecto ou vê mas acha bem essa destruição e advoga que continuássemos por esse caminhos de olhos vendados.
Porque haveríamos de querer o florescimento da cultura teocrática do Afeganistão? Ou do Irão? Ou da Arábia Saudita? Ou de outros países do género com regimes de ideologias totalitárias que mostram o pior da espécie humana? E, mais ainda, porque haveríamos de querer que trouxessem para aqui esses projectos de destruição humana? Ou este homem acha aceitável o modo como esses regimes com culturas teocráticas-totalitárias exploram, escravizam e destroem as mulheres e qualquer voz dissidente e os enforcam, decapitam, mutilam, violam apenas por não terem um pano na cabeça ou por estarem numa manifestação, tudo em nome da idolatria a um guerreiro do deserto a quem chamam profeta?
A Europa precisa de verdade e reconciliação
A Europa precisa de verdade e reconciliação
Vinte anos passados sobre a Convenção sobre a Proteção da Diversidade das Expressões Culturais, os valores aí defendidos parecem ter-se sumido do discurso e da ação de quem tanto por eles se bateu.
Mário Vieira de Carvalho
Mário Vieira de Carvalho
Público
Data de há 20 anos a Convenção sobre a Proteção e a Promoção da Diversidade das Expressões Culturais. Acompanhei de perto o processo, pois coube-me representar o governo português na 33.ª Conferência Geral da UNESCO, que a adotou (Paris, 20 de outubro de 2005).
Então, a União Europeia falou a uma só voz na defesa dos “objetivos” da convenção: criar condições para que as culturas floresçam e interajam livremente em benefício mútuo; encorajar o diálogo intercultural a favor de uma cultura da paz; desenvolver a interação cultural, no espírito de construir pontes entre os povos; promover o respeito pela diversidade das expressões culturais e a consciencialização do seu valor nos planos local (...)
Mas, 20 anos passados, os valores defendidos pela convenção parecem ter-se sumido do discurso e da ação de quem tanto por eles se bateu, a começar pela UE e outros países europeus.
(...)
Data de há 20 anos a Convenção sobre a Proteção e a Promoção da Diversidade das Expressões Culturais. Acompanhei de perto o processo, pois coube-me representar o governo português na 33.ª Conferência Geral da UNESCO, que a adotou (Paris, 20 de outubro de 2005).
Então, a União Europeia falou a uma só voz na defesa dos “objetivos” da convenção: criar condições para que as culturas floresçam e interajam livremente em benefício mútuo; encorajar o diálogo intercultural a favor de uma cultura da paz; desenvolver a interação cultural, no espírito de construir pontes entre os povos; promover o respeito pela diversidade das expressões culturais e a consciencialização do seu valor nos planos local (...)
Mas, 20 anos passados, os valores defendidos pela convenção parecem ter-se sumido do discurso e da ação de quem tanto por eles se bateu, a começar pela UE e outros países europeus.
(...)
Que aconteceu à magnifica humanitas que ainda sorria nas entrelinhas da convenção? Como foi possível passarmos da promoção do diálogo intercultural para a promoção de uma cultura de ódio, que identifica imigrante com delinquente, desumaniza o outro étnico como outro inferior, fanatiza as crenças, persegue as minorias, balcaniza os Estados, reduz a cidadania plena a privilégio exclusivo duma religião, etnia, “raça” ou cânone linguístico?
(...)
A Europa já teve a sua conta de nacionalismos exacerbados armados até aos dentes. Já teve a sua conta de valas comuns e de cemitérios de heróis (...)
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