September 13, 2026

No ano passado tive um aluno chinês numa turma do 10º ano

 

No ano passado tive um aluno chinês numa turma do 10º ano que não falava português, inglês ou outra língua que não a sua. Entrou em Portugal em Julho e em Setembro estava nas aulas. Calculo que isso também seja culpa dos professores. 
É evidente que não conseguia acompanhar as aulas, mesmo podendo usar o telemóvel nas aulas para traduzir. Geralmente estes alunos falam ou percebem inglês e podemos dar-lhes outros materiais, mas não este. Calculo que isso também seja culpa dos professores. 
Não tinha nenhum assistente cultural a ajudá-lo nesta transição tão abrupta, apenas outros alunos chineses que já estão em Portugal há muito tempo. Calculo que isso também seja culpa dos professores. 
Alunos estrangeiros têm aulas de Português Língua Não Materna, duas ou três vezes por semana, de 90 minutos. Calculo que isso também seja culpa dos professores. 
Enfim, um dia pedi-lhe para fazer um trabalho escrito sobre as diferenças entre a China e Portugal em termos de valores e cultura para substituir o trabalho de discussão oral que a turma estava a fazer sobre esse tema. Escreveu que na China os alunos do secundário têm mais disciplinas do que cá e, portanto, mais tempo lectivo e que lá os professores nunca perdem tempo a explicar com paciência conteúdos ou conceitos ou técnicas ou seja o que for a alunos que não estudam e não trazem os trabalhos feitos. E mesmo aos que estudam, não páram as aulas para explicar a um aluno qualquer coisa mais que uma vez. O aluno no fim da aula que vá ter com um tutor da disciplina e peça explicação. O ensino é muito mais exigente. Não se atrasa a aprendizagem de todos por causa de um. Aqui, as políticas dos optimates ditam exactamente o oposto e os pais esperam exactamente isso. Calculo que isso também seja culpa dos professores. 
Há um par de anos uma mãe queixou-se do professor de matemática numa reunião de EEs. Disse que a filha já por duas vezes tinha saído da aula sem perceber a matéria e que o professor recusava-se a explicar. Como conheço o professor há mais de 30 anos sei perfeitamente que aquilo não é verdade e comecei a fazer perguntas até que a senhora disse que o professor estava a trabalhar uma matéria que precisava de conhecimentos do 7º e 8º anos que a filha não tinha, porque sempre passou com negativa a matemática. Mas que a culpa não é dela, os professores é que a passavam. -Então mas a senhora não via que ela tinha sempre negativas? Não fez nada? - Não, porque ela passava e pensou que is ser sempre assim até ao 12º ano. 
Expliquei à senhora o óbvio: um professor não pode parar a aula para explicar temas do 7º, 8º ou 9º ano (às vezes do 5º ano) a cada aluno que está num curso de matemática tendo tido sempre negativa a matemática. Ela já devia ter pedido apoio. Pois, isso nunca se tinha lembrado mas ia pedir agora. Só que agora é tarde, porque a falta de professores obrigou os professores que davam apoio a largá-lo para terem mais turmas. Estava revoltada porque tinha que pô-la numa explicação.
A culpa é dos professores que passam alunos com negativas recorrentes num currículo já de si facilitado? É e não é. Se um aluno não passa no básico, mesmo que só tenha negativas e mais de 300 faltas, faz queixa e vêm ordens encapotadas do ME para passar os alunos. 
Porque é que os alunos têm tantas dificuldades? Porque a ordem é de não-exigência. Validar muito os alunos e os seus sentimentos. Se um professor é minimamente exigente cai-lhe tudo em cima: os alunos queixam-se que o professor não é fofinho e não tem empatia pelo sofrimento em que ficam quando não passam (lembram-se dos alunos de medicina que puserem um processo ao reitor da faculdade por falta de empatia com o sofrimento de não entrarem onde queriam?), os pais queixam-se que o professor não ajuda nas médias para a faculdade, outros professores pressionam porque têm receio dos pais e do ME  ou porque engoliram as pedagogias miserabilistas da nova-esquerda...
Quem é que iniciou esta mediocridade e assédio aos professores exigindo submissão ao miserabilismo: João Costa, logo no tempo em que era SE. É só ir ver os documentos e decretos que esse indivíduo vomitava para as escolas e os artigos que escrevia e mandava (calculo) escrever nos jornais. 
Li algures numa entrevista, penso que no Expresso, mas já não tenho a certeza, que ele estava com uma grande depressão quando aceitou o cargo de SE. A ser verdade, significa que, sabendo disso ainda foi aceitar o cargo de Ministro da Educação. Portanto, tivemos uma pessoa com uma doença mental muito incapacitante e que altera a percepção do real no sentido do desequilíbrio (e sabe-se lá se a tomar certos medicamentos neurológicos), à frente das políticas educativas...
Calculo que isso também seja culpa dos professores. 

2 comments:

  1. É isto mesmo. Anos e anos e anos de políticas de ataques aos professores e de pressão para que todos passem em nome de uma inclusão que é uma mentira. E no fim, a culpa continua sempre a ser dos professores. #Nena

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    1. Estes políticos e 'pedagogos' não sabem o que andam a fazer.

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