September 20, 2026

Esta entrevista de Margaret Thatcher na TV soviética em 1987 é um tesouro e é extremamente actual.

 

Margaret Thatcher fala de segurança, de defesa, de controlo de armas, de uma paz garantida pelo direito de defesa das fronteiras, de sociedades abertas, de justiça e de armas nucleares, claro. 
Ela era uma defensora da deterrence, o poder dissuasivo das armas nucleares e diz várias vezes que o ideal seria não haver armas nucleares, mas havendo, o melhor então, é que as partes em conflito as tenham para se dissuadirem umas às outras de as usarem, como argumento, ou de facto, aproveitando-se do desequilíbrio nesse campo (é o que está a acontecer à Ucrânia). É o único modo, diz ela, de os pequenos países se defenderem dos grandes.
Os entrevistadores russos (3), defendem o fim total das armas nucleares e massacram-na com a questão mas ela não desarma nunca. 
É evidente que ela não confia que os soviéticos algumas vez destruíssem todas as suas armas nucleares e, aliás, diz-lhes que eles são o país com mais armas nucleares e não só, com mais armas convencionais, armas químicas (os ingleses já tinham destruído as suas), mísseis intercontinentais. Para um país se defender pela dissuasão só precisa de um pequeno número de armas nucleares. Países que as têm em excesso, têm-nas, não para defesa...
Diz também que desde a 1ª Grande Guerra nunca uma democracia atacou outra democracia e que para haver confiança em acabar com as armas nucleares era necessário que as sociedades fossem abertas e democráticas.
Esta entrevista é um tesouro e é extremamente actual. Não digo profética porque o que ela diz é do mais elementar bom senso de quem conhece a história e o MO dos países, na história. Nós é que já estamos tão pouco habituados a líderes políticos competentes, inteligentes e de bom senso que já estranhamos.
Elas diz-lhes exactamente o que pensa do socialismo soviético.
Uma entrevista dura, mas Margaret Thatcher era uma política extremamente competente e eloquente. Não fazia demagogia, dizia exactamente o que pensava e o que ia fazer. É claro que eles têm a lata de lhe perguntar como é que ela, tendo filhos, trabalha tanto... nesta visita ela anda pelas ruas e vê-se multidões de pessoas a querer vê-la. Vemos as mulheres a bater palmas e os homens não. Olham para ela com um misto de curiosidade e desconfiança. Onde é que em países comunistas as mulheres são PM ou Presidentes?
Gosto quando ela lhes diz que o sistema político inglês é muito difícil. Duas vezes por semana tem de ir ao Parlamento responder a questões sobre tudo e mais alguma coisa - e não sabe de antemão as perguntas que lhe vão fazer...
Passados uns anos desta entrevista, tão clara, sobre a necessidade dos pequenos países precisarem de defesa contra os grandes e da Rússia não ser uma democracia (embora neste altura ainda houvesse essa esperança), os EUA, a pedido da Rússia, pressionaram os ucranianos a desfazer-se das suas. Umas pessoas dão passos para a frente e outras desfazem o caminho.


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