August 17, 2026

Só a Europa ainda não percebeu que os terroristas do Kremlin estão em guerra consigo


Roman Sheremeta 🇺🇸🇺🇦

Está a acontecer algo muito estranho em toda a Europa.

No espaço de uma única semana, os países da NATO assistiram a uma série notável de incidentes envolvendo a produção de munições, infraestruturas energéticas, instalações militares e operações dos serviços secretos russos.

Deixem-me começar pelo que sabemos.

🇵🇱 POLÓNIA
A 7 de agosto, os serviços de segurança polacos detiveram um cidadão russo, recrutado pelos serviços secretos russos, cuja missão era assassinar um homem com dupla nacionalidade americana e ucraniana – em Varsóvia.
O primeiro-ministro Donald Tusk anunciou ontem esta notícia. Segundo ele, esta é a primeira vez que alguém, agindo sob ordens russas, tentou matar um cidadão americano no território de outro país da OTAN.

🇩🇪 ALEMANHA
A 6 de agosto, foi encontrado um drone com explosivos perto de uma pista do aeroporto de Leipzig/Halle – junto a um avião de carga da companhia ucraniana Antonov Airlines. Dois dias depois, foram avistados dois drones sobre a base da Bundeswehr em Mechernich.
Também não é um rumor.

🇮🇹 ITÁLIA
Um incêndio no departamento de compressão de pólvora da fábrica da KNDS Ammo Italy, em Colleferro, a sudeste de Roma, foi seguido por uma enorme explosão. Não houve vítimas mortais. A fábrica produz munições de artilharia de 155 mm fornecidas à Ucrânia através de parceiros europeus.

🇳🇱 PAÍSES BAIXOS
No espaço de poucas horas, no maior porto da Europa: um incêndio num transformador, uma grande falha de energia, um encerramento de emergência na refinaria da ExxonMobil em Botlek e, em seguida, uma explosão na refinaria e terminal da Gunvor Energy que causou a morte de um trabalhador e feriu seis.

Não me surpreenderia se a Rússia fosse responsável por todos estes «acidentes».

Escrevi sobre este problema há dois anos. Na altura, a Europa já estava a passar por uma onda extraordinária de incidentes suspeitos:

🇱🇹 Incêndio numa loja da IKEA em Vilnius.
🇬🇧 Um ataque incendiário a um armazém ligado à Ucrânia, em Londres.
🇩🇪 Planos de sabotagem contra alvos militares e industriais na Alemanha.
🇨🇿 Tentativas de atacar infraestruturas na República Checa.
🇪🇪 Um ataque ao carro do ministro do Interior da Estónia.
🚆 Tentativas de perturbar os sistemas ferroviários europeus.
📦 Mais tarde, dispositivos incendiários enviados através de redes logísticas europeias – incluindo dispositivos que detonaram ou se incendiaram na Alemanha, na Polónia e no Reino Unido.

Na altura, podia argumentar-se que se tratava de incidentes isolados.

Hoje, sabemos muito mais. Investigadores e tribunais europeus relacionaram múltiplas operações de sabotagem diretamente com redes organizadas ou coordenadas pelos serviços secretos russos.

O padrão era real. Simplesmente foi identificado tarde.

É esse o plano. A guerra híbrida funciona mantendo-se abaixo do limiar a partir do qual qualquer incidente isolado obriga a uma resposta. Cada evento, considerado isoladamente, pode ser negado. Só a sequência de eventos o denuncia.

Por isso, quando surge, numa semana, mais um conjunto extraordinário de explosões, incêndios, drones, falhas de energia e operações de inteligência por toda a Europa, talvez devêssemos deixar de tratar cada incidente como se existisse num vácuo.

A Europa já não se pode dar ao luxo de partir automaticamente do princípio de que se trata de acidentes e coincidências.

A Rússia está a travar uma guerra híbrida contra a Europa. Sabotagem. Incêndios criminosos. Ciberataques. Planos de assassinato. Interferência no GPS. Ataques à logística e às infra-estruturas críticas.

Estas não são ameaças teóricas. Já aconteceram.


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