July 01, 2026

O ME tem de fazer marcha-atrás e corrigir os erros destes exames

 

Compreendemos que haja erros -até certo ponto, porque alguns eram evitáveis, outros previsíveis- o que não se compreende é a persistência no erro.

Hoje começa a classificação do exame de Filosofia, que só deve estar disponível na plataforma lá para o fim da tarde e, como sabemos pelo que aconteceu com os outros, vai cair às pinguinhas - se funcionar! Como o exame é para estar classificado e entregue a dia 10 de Julho, significa que os classificadores têm 8 dias, a contar com o Sábado e o Domingo, para fazer o trabalho. Mesmo que não haja dificuldade em aceder à plataforma (tem havido) e mesmo que não haja complicações com os exames (tem havido: faltam folhas, vêm marcas que impedem a leitura, etc.) é muito pouco tempo para ler o manual de instruções, ler o manual de instalação, navegar na plataforma para perceber como funciona, dado que é a 1ª vez e o ME não se deu ao trabalho de enviar um link a meio do ano para podermos explorar a plataforma e chegar a esta altura familiarizados - não, é tudo à trouxe-mouxe.

Acresce que o classificador agora, neste formato, nem sequer sabe quantas respostas vai classificar (vão aparecendo repostas), de maneira que não pode organizar a sua vida. Mas assumem que as pessoas podem estar 10 horas por dia em frente ao computador? A maioria dos professores classificadores são pessoas com mais de 50 ou 55 anos, pessoas com doenças crónicas incapacitantes que implicam exames médicos constantes e outras rotinas de saúde, muitas marcadas para esta altura do ano para evitar faltar às aulas. Por exemplo, no que me toca, amanhã tenho uma sessão de fisioterapia e para a semana mais duas - apesar de durarem 1.30m, entre o chegar e depois o voltar para casa, ocupam toda a manhã - o que perfaz três manhãs. Esta sexta tenho um exame médico em Lisboa e para a semana outro: são mais duas manhãs em que só regresso lá para as 2 da tarde. Ao todo são quase 3 dias a subtrair aos 8 dias. Sobram 5 dias. Ninguém pensa nestas coisas? Não sabem que os professores são uma classe profissional envelhecida e com problemas de saúde crónicos?

Depois, repare-se: quem está a classificar os exames realizados a dia 14 de Junho tem quase um mês para o trabalho e quem vai classificar os exames de ontem ou de hoje tem, na melhor das hipóteses, se tudo funcionar excelentemente e a pessoa puder passar o tempo todo em frente ao computador sem nenhum impedimento, uns 7 dias para fazer todo o trabalho.

Quantas páginas classificamos? Não sei... se derem a cada um dois items para classificar, cada um com um página (vamos ser económicos) de 70 exames, são 140 páginas - mesmo que sejam 100. A classificação não se resume a ler e atirar uma nota, é necessário partir a nota de cada resposta em várias classificações correspondentes a três, quatro ou cinco parâmetros de avaliação desde o conteúdo até à escrita passando pela argumentação. A letra de muitos alunos é muito difícil de ler porque já ninguém educa os alunos para escreverem uma letra legível e eles alegam que escrever como lhes apetece é o seu direito 'a ser', como dizem os novos pedagogos da treta.

A ideia de dar a cada professor um ou dois items para classificar, segundo o ME tem o objectivo de "promover maior consistência e fiabilidade, permitindo maior especialização dos classificadores e menos variabilidade." Isto é cómico, pensar que um trabalho repetitivo ad nauseam (ler 70 páginas (ou 40) sobre o mesmo assunto a dizer a mesma coisa, com os mesmo erros) onde não é possível apreciar o pensamento do aluno como um todo e onde o próprio aluno não pode evidenciar a qualidade do seu pensamento (metade do teste são escolhas múltiplas) traz mais objectividade à avaliação. Não traz.

A avaliação tem sempre subjectividade, é impossível acabar com ela. Mesmo que um teste fosse todo constituído por questões de escolha múltipla e depois lido por uma máquina, o próprio formato das questões criaria logo a diferença, pois os bons alunos, que têm domínio das matérias, seriam -como são já, em parte- impedidos de mostrar o seu domínio dos conteúdos e das técnicas. Um mau aluno poderia passar esse exame, como já acontece por causa das escolhas múltiplas e um bom aluno com um pensamento complexo, poderia não o passar. As escolhas múltiplas, elas mesmas, são muitas vezes ambíguas e subjectivas. Aliás, um aluno que compre os livros de preparação para exame onde muitos professores vão buscar questões, por preguiça, têm logo vantagem sobre os outros, mas isso parece não ter preocupado o ME.

Portanto, quanto a mim, a questão que deve pôr-se é: estamos dispostos a perder o valor pedagógico das avaliações e a diferenciar a qualidade dos alunos, para as classificações serem totalmente invariáveis ou é preferível assumir alguma subjectividade (que aliás existe sempre) para não desvirtuar o fito pedagógico do processo de avaliação' 

Seja como for, o ME tem de fazer marcha-atrás e corrigir os erros que têm sido cometidos. Não se compreende a persistência no erro.


2 comments:

  1. Está ligeiramente enganada sobre o tempo de correção. Recebi 36 respostas para classificar no sábado de madrugada (deveria ter sido na terça). Tenho também, supostamente, de classificar mais respostas do grupo III, aquele da famosa imagem copiada de um livro da Leya. Hoje é quarta-feira e esse grupo continua em branco. Já enviei um «e-mail» para o endereço que o JNE indicou a tentar esclarecer a situação. Até agora, quanto à resposta, bola. A correção destes exames de Português deveria estar concluída na próxima segunda-feira. Hoje, é quarta e eu ainda não recebi, como referi, as respostas do segundo item.

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    1. Então ainda é muito pior do que eu pensava que sabia.

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