À atenção dos nossos responsáveis que imitam tudo da Inglaterra, inclusive estes exames meio tronchos. Nós tínhamos um bom ensino. Ainda está acima da Inglaterra, mas esforçamo-nos muito para baixar ao nível deles.
Nas últimas semanas, mais de 1 800 professores de matemática e ciências da Universidade da Califórnia, um dos maiores e melhores sistemas universitários públicos dos Estados Unidos, assinaram uma carta aberta em que detalham um problema complexo. Segundo eles, os estudantes do primeiro ano de licenciatura chegam, cada vez mais, sem as competências básicas necessárias para terem sucesso.
No campus de Berkeley, escrevem eles, cerca de 20 a 30% dos estudantes que frequentam um curso introdutório de cálculo apresentam «graves lacunas de preparação». O desafio tornou-se tão grande, acrescentam, que os docentes estão a ter de voltar a ensinar matemática do ensino básico.
A carta é o mais recente contributo para um debate cada vez mais alargado sobre o ensino superior, as práticas de admissão nas universidades — e a capacidade intelectual dos jovens americanos. Segue-se a um relatório surpreendente divulgado em novembro no campus de San Diego do sistema universitário da Califórnia. Os académicos locais observaram que o número de estudantes do primeiro ano que ingressavam com competências matemáticas abaixo do nível do ensino secundário tinha aumentado quase trinta vezes em cinco anos, atingindo quase um em cada oito. Cerca de 70% dos estudantes com atrasos, argumentaram, não apresentavam um desempenho ao nível esperado de um aluno de 14 anos.
As preocupações com as competências matemáticas dos estudantes de licenciatura juntam-se à consternação de longa data face à queda dos níveis de literacia. Os docentes alertam para o facto de os estudantes de literatura parecerem incapazes de terminar livros. Não é apenas na costa oeste, nem nas universidades públicas, que estes problemas são relatados.
A carta é o mais recente contributo para um debate cada vez mais alargado sobre o ensino superior, as práticas de admissão nas universidades — e a capacidade intelectual dos jovens americanos. Segue-se a um relatório surpreendente divulgado em novembro no campus de San Diego do sistema universitário da Califórnia. Os académicos locais observaram que o número de estudantes do primeiro ano que ingressavam com competências matemáticas abaixo do nível do ensino secundário tinha aumentado quase trinta vezes em cinco anos, atingindo quase um em cada oito. Cerca de 70% dos estudantes com atrasos, argumentaram, não apresentavam um desempenho ao nível esperado de um aluno de 14 anos.
As preocupações com as competências matemáticas dos estudantes de licenciatura juntam-se à consternação de longa data face à queda dos níveis de literacia. Os docentes alertam para o facto de os estudantes de literatura parecerem incapazes de terminar livros. Não é apenas na costa oeste, nem nas universidades públicas, que estes problemas são relatados.
Em Harvard, alguns professores de ciências humanas e sociais afirmam sentir-se obrigados a encurtar os textos, de acordo com um relatório divulgado ao corpo docente em outubro. Os estudantes chegam à universidade mais famosa dos Estados Unidos «com menos experiência na leitura de prosa complexa e menos capacidade de concentração e atenção sustentada». Eles «têm dificuldades com leituras que os estudantes concluíam com facilidade há apenas dez anos».
Os professores têm-se queixado dos estudantes desde que existem as torres de marfim. Pode ser difícil corroborar as histórias com dados abrangentes. Após o ensino secundário, os alunos raramente realizam exames padronizados a nível nacional ou regional. Os investigadores dependem, assim, em grande medida de relatórios esporádicos do corpo docente, como os da Califórnia, que se sentem compelidos a dar o alarme.
Mas os observadores que procuram compreender as tendências globais — e o lugar dos Estados Unidos no seu seio — não precisam de avançar completamente às cegas. Pelo menos algumas pistas podem ser extraídas de um teste realizado uma vez por década pelos analistas da OCDE, um clube composto principalmente por países ricos. O seu «Inquérito às Competências dos Adultos» visa avaliar em que medida os cidadãos de dezenas de países possuem as competências de literacia e numeracia necessárias para prosperar no mundo real.
Na sua forma mais simples, os testes avaliam a capacidade das pessoas de compreender as instruções num frasco de comprimidos ou de calcular a quantidade de papel de parede necessária para redecorar uma divisão. Em níveis mais avançados, exploram a capacidade das pessoas de tirar conclusões válidas a partir de análises e gráficos complexos.
Os participantes são divididos em cinco níveis de aptidão, em cada disciplina. O nível 1 deve ser alcançável por um aluno de um país rico no final do ensino básico, afirma Andreas Schleicher, da OCDE.
Cerca de 160 000 pessoas de todas as idades foram testadas na última ronda (cujos resultados foram publicados no final de 2024). A revista «The Economist» solicitou à OCDE dados relativos apenas aos menores de 35 anos que frequentavam o ensino «superior» na altura em que realizaram os testes. Isso inclui estudantes de todas as universidades, bem como alunos da maioria dos tipos de institutos de ensino superior (mas apenas aqueles que frequentavam cursos que, em teoria, são mais avançados do que os oferecidos no ensino secundário).
Muitos deles têm um desempenho muito bom — mas uma percentagem impressionante apresenta resultados desastrosos (ver gráfico 1). Nos países ricos, cerca de 8% dos estudantes do ensino superior obtêm uma pontuação em literacia que não é superior à que se poderia esperar de uma criança de dez anos. A percentagem é praticamente a mesma no que diz respeito à numeracia. Pior ainda, a percentagem de estudantes que se situam neste nível ou abaixo dele aumentou desde a última vez que os testes foram realizados, há pouco mais de uma década. A percentagem de alunos com desempenho muito fraco em literacia mais do que duplicou.
As pontuações a nível de cada país variam consideravelmente. Na Estónia, menos de 2% dos estudantes do ensino superior obtêm resultados iguais ou inferiores ao nível mais baixo. Esse valor sobe para um quinto na Polónia (em literacia) e para um quarto no Chile (em matemática). Os britânicos podem sentir-se razoavelmente optimistas, apesar do crescente desdém público pela academia; os resultados dos seus estudantes estão acima da média e a melhorar. As pontuações dos Estados Unidos, em contrapartida, estão entre as mais decepcionantes. Um em cada sete dos seus estudantes do ensino superior obteve resultados iguais ou inferiores ao nível do ensino básico nos testes de literacia, um aumento em relação a cerca de um em cada vinte há uma década. A percentagem de estudantes com resultados iguais ou inferiores ao nível mais baixo em numeracia, por sua vez, foi de quase um em cada cinco.
Todas as crianças ficaram para trás.
O que se passa? Em parte, as faculdades e universidades estão a herdar problemas que tiveram origem nas escolas de todo o mundo. Não se pode subestimar o impacto da pandemia. Os países impuseram o encerramento das escolas a nível nacional, com uma duração média de 20 semanas. Os sistemas de turnos para o ensino presencial e as quarentenas para os «contactos próximos» vieram, depois, perturbar ainda mais as aulas. Nos anos imediatamente a seguir a esse desastre, era como se alguns alunos «não tivessem frequentado o ensino secundário», afirma Jessica Hooten Wilson, professora da Universidade Pepperdine, na Califórnia. «Na verdade, foi algo muito assustador de se ver.»
No entanto, em muitos locais, a educação já estava a regredir quando a mega-pandemia surgiu. As notas no NAEP, o teste nacional de referência dos Estados Unidos, atingiram um pico no início da década de 2010 e têm vindo a descer gradualmente desde então. As notas do PISA, um exame internacional realizado por jovens de 15 anos, seguem a mesma tendência numa série de outros países (ver gráfico 2). Entre os países com declínios invulgarmente acentuados e prolongados contam-se a França, a Alemanha, os Países Baixos e a Nova Zelândia.
As causas destas tendências são alvo de aceso debate. O aumento da migração é um factor relevante: os recém-chegados tendem a ser mais pobres do que os alunos nascidos no país e têm mais probabilidades de falar uma língua estrangeira em casa.
Os professores têm-se queixado dos estudantes desde que existem as torres de marfim. Pode ser difícil corroborar as histórias com dados abrangentes. Após o ensino secundário, os alunos raramente realizam exames padronizados a nível nacional ou regional. Os investigadores dependem, assim, em grande medida de relatórios esporádicos do corpo docente, como os da Califórnia, que se sentem compelidos a dar o alarme.
Mas os observadores que procuram compreender as tendências globais — e o lugar dos Estados Unidos no seu seio — não precisam de avançar completamente às cegas. Pelo menos algumas pistas podem ser extraídas de um teste realizado uma vez por década pelos analistas da OCDE, um clube composto principalmente por países ricos. O seu «Inquérito às Competências dos Adultos» visa avaliar em que medida os cidadãos de dezenas de países possuem as competências de literacia e numeracia necessárias para prosperar no mundo real.
Na sua forma mais simples, os testes avaliam a capacidade das pessoas de compreender as instruções num frasco de comprimidos ou de calcular a quantidade de papel de parede necessária para redecorar uma divisão. Em níveis mais avançados, exploram a capacidade das pessoas de tirar conclusões válidas a partir de análises e gráficos complexos.
Os participantes são divididos em cinco níveis de aptidão, em cada disciplina. O nível 1 deve ser alcançável por um aluno de um país rico no final do ensino básico, afirma Andreas Schleicher, da OCDE.
Cerca de 160 000 pessoas de todas as idades foram testadas na última ronda (cujos resultados foram publicados no final de 2024). A revista «The Economist» solicitou à OCDE dados relativos apenas aos menores de 35 anos que frequentavam o ensino «superior» na altura em que realizaram os testes. Isso inclui estudantes de todas as universidades, bem como alunos da maioria dos tipos de institutos de ensino superior (mas apenas aqueles que frequentavam cursos que, em teoria, são mais avançados do que os oferecidos no ensino secundário).
Muitos deles têm um desempenho muito bom — mas uma percentagem impressionante apresenta resultados desastrosos (ver gráfico 1). Nos países ricos, cerca de 8% dos estudantes do ensino superior obtêm uma pontuação em literacia que não é superior à que se poderia esperar de uma criança de dez anos. A percentagem é praticamente a mesma no que diz respeito à numeracia. Pior ainda, a percentagem de estudantes que se situam neste nível ou abaixo dele aumentou desde a última vez que os testes foram realizados, há pouco mais de uma década. A percentagem de alunos com desempenho muito fraco em literacia mais do que duplicou.
As pontuações a nível de cada país variam consideravelmente. Na Estónia, menos de 2% dos estudantes do ensino superior obtêm resultados iguais ou inferiores ao nível mais baixo. Esse valor sobe para um quinto na Polónia (em literacia) e para um quarto no Chile (em matemática). Os britânicos podem sentir-se razoavelmente optimistas, apesar do crescente desdém público pela academia; os resultados dos seus estudantes estão acima da média e a melhorar. As pontuações dos Estados Unidos, em contrapartida, estão entre as mais decepcionantes. Um em cada sete dos seus estudantes do ensino superior obteve resultados iguais ou inferiores ao nível do ensino básico nos testes de literacia, um aumento em relação a cerca de um em cada vinte há uma década. A percentagem de estudantes com resultados iguais ou inferiores ao nível mais baixo em numeracia, por sua vez, foi de quase um em cada cinco.
Todas as crianças ficaram para trás.
O que se passa? Em parte, as faculdades e universidades estão a herdar problemas que tiveram origem nas escolas de todo o mundo. Não se pode subestimar o impacto da pandemia. Os países impuseram o encerramento das escolas a nível nacional, com uma duração média de 20 semanas. Os sistemas de turnos para o ensino presencial e as quarentenas para os «contactos próximos» vieram, depois, perturbar ainda mais as aulas. Nos anos imediatamente a seguir a esse desastre, era como se alguns alunos «não tivessem frequentado o ensino secundário», afirma Jessica Hooten Wilson, professora da Universidade Pepperdine, na Califórnia. «Na verdade, foi algo muito assustador de se ver.»
No entanto, em muitos locais, a educação já estava a regredir quando a mega-pandemia surgiu. As notas no NAEP, o teste nacional de referência dos Estados Unidos, atingiram um pico no início da década de 2010 e têm vindo a descer gradualmente desde então. As notas do PISA, um exame internacional realizado por jovens de 15 anos, seguem a mesma tendência numa série de outros países (ver gráfico 2). Entre os países com declínios invulgarmente acentuados e prolongados contam-se a França, a Alemanha, os Países Baixos e a Nova Zelândia.
As causas destas tendências são alvo de aceso debate. O aumento da migração é um factor relevante: os recém-chegados tendem a ser mais pobres do que os alunos nascidos no país e têm mais probabilidades de falar uma língua estrangeira em casa.
Entretanto, os tradicionalistas acusam os reformadores escolares de diluir os sistemas de avaliação e de responsabilização. E de substituir programas de estudos comprovados pelo tempo por currículos da moda que minimizam a aprendizagem de factos concretos em favor de competências «soft» que soam bem, mas são insípidas.
As alegações de que as redes sociais têm vindo a «reprogramar» o cérebro das crianças têm fortes semelhanças com os pânicos do passado, como os que surgiram em relação à televisão e aos jogos de computador.
As alegações de que as redes sociais têm vindo a «reprogramar» o cérebro das crianças têm fortes semelhanças com os pânicos do passado, como os que surgiram em relação à televisão e aos jogos de computador.
Mas não há muitas dúvidas de que os ecrãs de todos os tipos substituíram passatempos mais enriquecedores: a percentagem de crianças de nove anos nos Estados Unidos que afirmam ler livros por prazer caiu de quase 60 % na década de 1990 para 37 % atualmente. De facto, não são apenas os alunos do ensino básico ou os estudantes universitários que estão a registar um declínio na literacia: os testes da OCDE também revelam esta tendência entre as populações mais velhas, observa o Sr. Schleicher, talvez porque as pessoas têm menos prática do que no passado na leitura de textos longos e complexos.
No entanto, as faculdades e universidades que afirmam ser meros observadores passivos desta situação estão a avaliar o seu próprio desempenho. Em muitos países, gozam de amplo controlo sobre as suas próprias políticas de admissão. Frequentemente, não têm aproveitado essas liberdades para manter padrões elevados.
Há décadas que os críticos acusam os responsáveis das faculdades e universidades de baixarem os critérios de admissão para tirar partido da crescente procura. Actualmente, a dinâmica é um pouco diferente: em alguns países ricos, o número de jovens de 18 anos está a aproximar-se ou já ultrapassou o seu pico. Os gestores podem ter ainda mais dificuldade em resistir à tentação de baixar os padrões quando a alternativa é reduzir o número de alunos. De facto, a comparação dos dados da OCDE sobre as competências dos estudantes com a evolução do número de alunos nos sistemas de ensino superior revela uma correlação que merece um estudo mais aprofundado: os sistemas em contração são especialmente propensos a ter atraído muitos estudantes que obtêm resultados nos níveis mais baixos desses testes.
A queda no desempenho escolar tem sido impulsionada principalmente por crianças que já se situavam na metade inferior das suas turmas, e não pelos alunos mais brilhantes no topo. Assim, o afluxo de estudantes mal preparados para algumas das melhores universidades dos Estados Unidos exige uma explicação adicional.
No entanto, as faculdades e universidades que afirmam ser meros observadores passivos desta situação estão a avaliar o seu próprio desempenho. Em muitos países, gozam de amplo controlo sobre as suas próprias políticas de admissão. Frequentemente, não têm aproveitado essas liberdades para manter padrões elevados.
Há décadas que os críticos acusam os responsáveis das faculdades e universidades de baixarem os critérios de admissão para tirar partido da crescente procura. Actualmente, a dinâmica é um pouco diferente: em alguns países ricos, o número de jovens de 18 anos está a aproximar-se ou já ultrapassou o seu pico. Os gestores podem ter ainda mais dificuldade em resistir à tentação de baixar os padrões quando a alternativa é reduzir o número de alunos. De facto, a comparação dos dados da OCDE sobre as competências dos estudantes com a evolução do número de alunos nos sistemas de ensino superior revela uma correlação que merece um estudo mais aprofundado: os sistemas em contração são especialmente propensos a ter atraído muitos estudantes que obtêm resultados nos níveis mais baixos desses testes.
A queda no desempenho escolar tem sido impulsionada principalmente por crianças que já se situavam na metade inferior das suas turmas, e não pelos alunos mais brilhantes no topo. Assim, o afluxo de estudantes mal preparados para algumas das melhores universidades dos Estados Unidos exige uma explicação adicional.
Os académicos indignados na Califórnia, e em muitas outras partes do país, atribuem a culpa à eliminação dos testes de admissão. Antes da pandemia, mais de metade das universidades que conferem licenciaturas nos Estados Unidos exigiam que os candidatos realizassem testes de raciocínio numérico e verbal — geralmente o SAT ou o ACT (estes testes ajudam a substituir os exames padronizados que existem em muitos outros países). Agora, essa percentagem é de apenas 10%.
No auge da pandemia da COVID-19, as universidades americanas argumentaram que seria impossível realizar estes exames em segurança. Mas também se basearam em alegações de que os exames são tendenciosos contra estudantes negros e latinos, que têm tido um desempenho inferior à média nessas provas.
No auge da pandemia da COVID-19, as universidades americanas argumentaram que seria impossível realizar estes exames em segurança. Mas também se basearam em alegações de que os exames são tendenciosos contra estudantes negros e latinos, que têm tido um desempenho inferior à média nessas provas.
Os cínicos afirmam que a sua eliminação facilitou aos administradores continuar a moldar a composição étnica dos seus campus da forma que consideram mais justa — apesar de uma decisão do Supremo Tribunal, em 2023, que proibiu a acção afirmativa baseada na raça. Para as instituições de nível inferior, a eliminação dos exames provavelmente simplificou a tarefa mais premente de garantir simplesmente que houvesse alunos suficientes a ocupar as vagas.
Tudo isto fez com que os responsáveis pelas admissões nos Estados Unidos dependessem mais de sinais alternativos que se estão a tornar cada vez menos fiáveis.
Tudo isto fez com que os responsáveis pelas admissões nos Estados Unidos dependessem mais de sinais alternativos que se estão a tornar cada vez menos fiáveis.
As redações de candidatura já eram frequentemente escritas por pais e professores, mas agora valem quase nada, dada a facilidade com que podem ser elaboradas usando IA, afirma Mina Aganagic, professora de matemática em Berkeley e uma das autoras da carta aberta.
Quanto às notas do ensino secundário, têm vindo a inflar-se rapidamente. Nos últimos anos, muitos estados americanos baixaram os limites que os alunos do ensino secundário têm de atingir para obterem os certificados de conclusão do curso. Cerca de um quarto de todos os alunos que os professores de San Diego têm encaminhado para a sua turma de reforço de matemática, a mais fraca, tinham obtido notas perfeitas em matemática nos seus últimos anos de escola.
O processo de admissão está a tornar-se uma «caixa negra», afirma o professor Aganagic. «Penso que a maioria das pessoas concordará que selecionar estudantes ao acaso não beneficia ninguém.»
Uma questão fundamental para as faculdades e universidades não é apenas como irão responder a um número crescente de candidatos mal preparados, mas se elas próprias estão preparadas para continuar a impor expectativas elevadas.
O processo de admissão está a tornar-se uma «caixa negra», afirma o professor Aganagic. «Penso que a maioria das pessoas concordará que selecionar estudantes ao acaso não beneficia ninguém.»
Uma questão fundamental para as faculdades e universidades não é apenas como irão responder a um número crescente de candidatos mal preparados, mas se elas próprias estão preparadas para continuar a impor expectativas elevadas.
A carta aberta na Califórnia alerta que, com o aumento do número de estudantes menos preparados, surgiu «uma pressão crescente para diluir o rigor quantitativo». Na Grã-Bretanha, os grandes exames nacionais atenuam, em certa medida, a inflação de notas no ensino secundário, mas isso não acontece no ensino superior. Embora as notas tenham descido ligeiramente em relação ao pico atingido durante a pandemia, em 2025 cerca de 30% dos estudantes de licenciatura na Grã-Bretanha obtiveram um diploma de primeira classe, contra 7% em 1995.
Em Yale, 79% das notas foram A ou A- em 2022-23, em comparação com 67% em 2010-11. A taxa mais baixa registou-se nos cursos de economia, com cerca de 50%; situou-se acima dos 80% nas ciências humanas, nos estudos étnicos e nos estudos da educação, entre outros (ver gráfico 3).
Em Yale, 79% das notas foram A ou A- em 2022-23, em comparação com 67% em 2010-11. A taxa mais baixa registou-se nos cursos de economia, com cerca de 50%; situou-se acima dos 80% nas ciências humanas, nos estudos étnicos e nos estudos da educação, entre outros (ver gráfico 3).
Em abril, académicos de renome de Yale afirmaram, num ensaio que explorava as razões do declínio da confiança no ensino superior, que «décadas de inflação e compressão tornaram o sistema de classificação universitária quase sem sentido enquanto medida académica».
Um relatório publicado no ano passado pelo decano dos estudos de licenciatura de Harvard contém um resumo admiravelmente franco das pressões que estão na origem da inflação das notas, com base em conversas com o corpo docente. Os estudantes que nunca receberam uma nota medíocre durante o seu percurso escolar tornaram-se mais confiantes na hora de contestar notas que não sejam perfeitas na universidade.
Um relatório publicado no ano passado pelo decano dos estudos de licenciatura de Harvard contém um resumo admiravelmente franco das pressões que estão na origem da inflação das notas, com base em conversas com o corpo docente. Os estudantes que nunca receberam uma nota medíocre durante o seu percurso escolar tornaram-se mais confiantes na hora de contestar notas que não sejam perfeitas na universidade.
Os docentes de Harvard receiam que os estudantes evitem disciplinas ministradas por professores que atribuem notas rigorosas e que isso possa prejudicar as suas próprias carreiras. Percebem que os gestores estão a dar mais atenção ao que os estudantes escrevem nos formulários de avaliação no final das disciplinas. Isso constitui um incentivo adicional para tentar manter os alunos satisfeitos.
Há uma década que Harvard tem vindo a «exortar o corpo docente a lembrar-se de que alguns estudantes chegam menos preparados para a universidade do que outros, que alguns enfrentam situações familiares difíceis ou outros desafios… e que quase todos sofrem de stress», de acordo com o relatório. Os académicos que lhes atribuem notas baixas nem sempre tiveram a certeza de que a universidade lhes «daria apoio».
Há uma década que Harvard tem vindo a «exortar o corpo docente a lembrar-se de que alguns estudantes chegam menos preparados para a universidade do que outros, que alguns enfrentam situações familiares difíceis ou outros desafios… e que quase todos sofrem de stress», de acordo com o relatório. Os académicos que lhes atribuem notas baixas nem sempre tiveram a certeza de que a universidade lhes «daria apoio».
As mudanças nas tendências do ensino também desempenham um papel importante. Os projetos de grupo são mais difíceis de avaliar objetivamente do que os exames. Alguns docentes chegam mesmo a referir interesse em conceitos como a «ausência de classificação» ou a «aprendizagem baseada em contratos», em que os estudantes obtêm notas A por concluírem todos os trabalhos atribuídos.
CheatGPT
A tudo isto junta-se agora a IA, que parece estar a facilitar a fraude generalizada.
CheatGPT
A tudo isto junta-se agora a IA, que parece estar a facilitar a fraude generalizada.
Cerca de 94% dos estudantes universitários no Reino Unido afirmam utilizar a IA para os ajudar nos trabalhos avaliados, de acordo com um inquérito divulgado em março pelo HEPI, um grupo de reflexão. Cerca de 12% admitiram colar texto gerado por IA diretamente nos trabalhos académicos, um aumento em relação aos 3% registados em 2024. Quase metade dos estudantes das áreas STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática) — e um quarto dos estudantes de ciências humanas — consideraram que o conteúdo gerado por IA lhes permitiria «obter uma boa nota» na sua disciplina (ver gráfico 4).
Nos Estados Unidos, durante o ano lectivo de 2023-24, cerca de dois terços dos estudantes de universidades públicas utilizavam IA, e estima-se que 9% deles a utilizassem para fazer batota, de acordo com uma investigação publicada em maio. A taxa de batota foi mais elevada — o que é irritante — entre os estudantes de economia (17%) e de jornalismo (16%). Os números são certamente muito mais elevados agora, afirma Igor Chirikov, de Berkeley, um dos autores do estudo.
Por enquanto, a fraude compensa. Num segundo estudo publicado como documento de trabalho no mês passado, o Dr. Chirikov analisou 500 000 notas atribuídas por uma grande universidade (não identificada) no Texas entre 2018 e 2025. Descobriu que o número de notas máximas atribuídas em disciplinas que envolvem competências em que a IA se destaca, como redação e programação, disparou desde o lançamento do ChatGPT no final de 2022.
A percentagem de notas «A» nestas disciplinas aumentou 13 pontos percentuais, ou seja, cerca de 30 % em relação ao valor de referência. O investigador não constata um aumento semelhante nas disciplinas em que os robôs falantes provavelmente não são muito úteis.
Os académicos têm pouca confiança nas ferramentas que afirmam detectar trabalhos escritos por IA e muito a perder ao lançarem acusações de fraude. Afirma o Dr. Chirikov: «Não se pode proibir uma ferramenta que também se espera que se ensine.» Muitos docentes estão a reintroduzir avaliações supervisionadas (durante a pandemia, tornaram-se populares os exames com consulta, que os estudantes podiam levar para casa e concluir num período de 24 horas). Mas isso pode encontrar resistência por parte dos administradores, que têm de encontrar espaço e pessoal para exames devidamente supervisionados.
Para alguns, a IA induziu uma sensação de resignação. É cada vez mais comum ouvir académicos encolherem os ombros, dizendo que talvez os estudantes já não precisem de competências básicas sólidas, porque grande parte do trabalho que farão no futuro envolverá ajustar coisas criadas pela IA. Isso não é pragmatismo; é rendição.
Nos Estados Unidos, durante o ano lectivo de 2023-24, cerca de dois terços dos estudantes de universidades públicas utilizavam IA, e estima-se que 9% deles a utilizassem para fazer batota, de acordo com uma investigação publicada em maio. A taxa de batota foi mais elevada — o que é irritante — entre os estudantes de economia (17%) e de jornalismo (16%). Os números são certamente muito mais elevados agora, afirma Igor Chirikov, de Berkeley, um dos autores do estudo.
Por enquanto, a fraude compensa. Num segundo estudo publicado como documento de trabalho no mês passado, o Dr. Chirikov analisou 500 000 notas atribuídas por uma grande universidade (não identificada) no Texas entre 2018 e 2025. Descobriu que o número de notas máximas atribuídas em disciplinas que envolvem competências em que a IA se destaca, como redação e programação, disparou desde o lançamento do ChatGPT no final de 2022.
A percentagem de notas «A» nestas disciplinas aumentou 13 pontos percentuais, ou seja, cerca de 30 % em relação ao valor de referência. O investigador não constata um aumento semelhante nas disciplinas em que os robôs falantes provavelmente não são muito úteis.
Os académicos têm pouca confiança nas ferramentas que afirmam detectar trabalhos escritos por IA e muito a perder ao lançarem acusações de fraude. Afirma o Dr. Chirikov: «Não se pode proibir uma ferramenta que também se espera que se ensine.» Muitos docentes estão a reintroduzir avaliações supervisionadas (durante a pandemia, tornaram-se populares os exames com consulta, que os estudantes podiam levar para casa e concluir num período de 24 horas). Mas isso pode encontrar resistência por parte dos administradores, que têm de encontrar espaço e pessoal para exames devidamente supervisionados.
Para alguns, a IA induziu uma sensação de resignação. É cada vez mais comum ouvir académicos encolherem os ombros, dizendo que talvez os estudantes já não precisem de competências básicas sólidas, porque grande parte do trabalho que farão no futuro envolverá ajustar coisas criadas pela IA. Isso não é pragmatismo; é rendição.

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