June 21, 2026

"A soberania não é um discurso, é a capacidade de se defender a si próprio"



O mito do poder ilimitado.
Durante décadas, o mundo viveu sob dois mitos opostos. Um deles era que a Rússia possuía uma máquina militar quase imparável. O outro era que o poder americano era praticamente ilimitado.
A realidade tem sido cruel para com os mitos.
A Rússia passou anos a projectar a imagem do segundo maior exército do mundo, mas quando avançou na Ucrânia, o mundo descobriu que a propaganda, a corrupção e as ameaças nucleares tinham ocultado profundas fraquezas.
Muito do que parecia ser um poder avassalador revelou-se uma ilusão.
Agora, está a emergir outra realidade incómoda.O presidente Zelensky revelou que os Estados Unidos produzem apenas cerca de 60 a 65 mísseis antibalísticos PAC-3 por mês. Durante o primeiro dia do conflito no Médio Oriente, o equivalente a cerca de dois anos de produção foi consumido em apenas 24 horas.
Isto não significa que a América seja fraca.
Significa que mesmo a potência militar-industrial mais forte do mundo tem limites. As fábricas têm limites. Os stocks têm limites. As cadeias de abastecimento têm limites.
A lição não é que os Estados Unidos estejam em declínio, tal como a lição da Ucrânia nunca foi que a Rússia fosse impotente. A lição é que a própria dependência é uma vulnerabilidade.
A Europa não pode construir a sua segurança partindo do pressuposto de que os Estados Unidos terão sempre mísseis, fábricas, vontade política ou atenção suficientes para combater múltiplas crises em simultâneo.

Precisamos do nosso próprio sistema europeu, independente e forte. E vamos construí-lo. Porque a soberania não é apenas um discurso, é a capacidade de se defender a si próprio.

 

 

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