Pelo fim dos heterossexuais
As turmas extremistas, e muito folclóricas, não entendem que há quem se reveja na família tradicional, permitindo as outras...
Vítor Rainho in Sol
Ponto prévio, para que as avantesmas mais histéricas não se atirem ao ar. A violência doméstica é dos crimes mais hediondos e é preciso combatê-lo com todas as armas e inventar outras, pois as existentes não têm sido muito eficazes. E por violência doméstica falamos de homens contra mulheres, pais contra filhos e vice-versa, ou casais do mesmo sexo. Para que fique também bastante claro, é-me indiferente se as pessoas são heterossexuais, homossexuais ou bissexuais. Cada um que viva como bem entender, se não obrigar ninguém a fazer o que não quer. Vem esta conversa a propósito do Dia Mundial da Mulher que se comemorou no passado dia 8 e que, mais uma vez, serviu na perfeição para um grupo de grunhos gritarem fascismo, uma palavra que adoram, e condenarem, veladamente, ou nem tanto nalguns casos, os heterossexuais, bem como o conceito de família.
Bem sei que a maioria se manifestou pelos direitos mais do que legítimos das mulheres, exigindo igualdade de direitos e de tratamento. Não posso estar mais de acordo com esses que vão para as ruas lutar por direitos básicos e fundamentais. É inacreditável que em pleno século XXI ainda tenha de se discutir um assunto que devia ser regra em todo o mundo civilizado.
Voltando à parte folclórica das manifestações, como não podia deixar de ser lá estavam as bandeiras da Palestina – calculo que o Hamas tenha enviado uma palavra de solidariedade às mulheres portuguesas –, os trans muito histriónicos, gritando contra o conceito de família tradicional e reprovando a possibilidade de as mulheres optarem por ficar em casa a tratar dos filhos. É impressionante como neste mundo tudo é permitido, menos as mulheres optarem por um estilo de vida que lhes agrade. Se há mulheres que de livre vontade optam por cuidar dos filhos, quem é que tem alguma coisa a ver com isso? Como não podia deixar de ser, logo as malucas presentes gritaram fascismo!
É pois natural a aliança entre trans ‘femininas’ e a as mulheres de extrema-esquerda, ou esquerda caviar, que não entendem a tentativa de sucessivos governos europeus apostarem nos incentivos à natalidade e na melhoria na maternidade, com incentivos fiscais, licenças parentais alargadas, entre outras.
Bem sei que a maioria se manifestou pelos direitos mais do que legítimos das mulheres, exigindo igualdade de direitos e de tratamento. Não posso estar mais de acordo com esses que vão para as ruas lutar por direitos básicos e fundamentais. É inacreditável que em pleno século XXI ainda tenha de se discutir um assunto que devia ser regra em todo o mundo civilizado.
Voltando à parte folclórica das manifestações, como não podia deixar de ser lá estavam as bandeiras da Palestina – calculo que o Hamas tenha enviado uma palavra de solidariedade às mulheres portuguesas –, os trans muito histriónicos, gritando contra o conceito de família tradicional e reprovando a possibilidade de as mulheres optarem por ficar em casa a tratar dos filhos. É impressionante como neste mundo tudo é permitido, menos as mulheres optarem por um estilo de vida que lhes agrade. Se há mulheres que de livre vontade optam por cuidar dos filhos, quem é que tem alguma coisa a ver com isso? Como não podia deixar de ser, logo as malucas presentes gritaram fascismo!
É pois natural a aliança entre trans ‘femininas’ e a as mulheres de extrema-esquerda, ou esquerda caviar, que não entendem a tentativa de sucessivos governos europeus apostarem nos incentivos à natalidade e na melhoria na maternidade, com incentivos fiscais, licenças parentais alargadas, entre outras.
(...)
(excerto)
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Não existe nenhuma «guerra de géneros» das mulheres contra os homens, sejam heterossexuais ou não.
As mulheres não retiraram aos homens o direito de voto. As mulheres não proibiram os homens de aceder à educação ou de possuir bens ou de terem os seus espaços ou os seus desportos. As mulheres não fazem pressão para que os homens não trabalhem e fiquem em casa dependentes economicamente delas. As mulheres não elaboraram leis para controlar os corpos dos homens. As mulheres não criaram instituições que privassem os homens da sua autonomia.
As mulheres não retiraram aos homens o direito de voto. As mulheres não proibiram os homens de aceder à educação ou de possuir bens ou de terem os seus espaços ou os seus desportos. As mulheres não fazem pressão para que os homens não trabalhem e fiquem em casa dependentes economicamente delas. As mulheres não elaboraram leis para controlar os corpos dos homens. As mulheres não criaram instituições que privassem os homens da sua autonomia.
O contrário é que tem sido, e continua a ser, verdade e pessoas como Vítor Rainho que aqui escreve a favor do 'direito das mulheres escolherem a submissão aos homens' fazem parte daqueles que dizem, 'não todos os homens'.
Em alguns países que eram progressistas na defesa da igualdade de género, como os EUA tem-se tentado reverter todos os direitos das mulheres até ao direito de voto: as mulheres agora só podem votar com o seu nome de solteiras, sabendo-se que uma grande maioria de mulheres conservadoras da 'família tradicional', adopta o apelido dos homens com quem casam.
Em depoimentos recentemente divulgados, dois ex-membros do Departamento de Eficiência Governamental de Elon Musk revelaram como utilizaram o ChatGPT da OpenAI para identificar e cancelar sistematicamente mais de 1 400 bolsas da Fundação Nacional para as Humanidades — mais de 100 milhões de dólares em financiamento, representando 97 % das bolsas activas da agência — em apenas 22 dias.
Os resultados foram arrasadores. No que diz respeito às histórias das mulheres, a lógica era explícita: qualquer projeto que se centrasse nas experiências das mulheres era, por definição, desqualificante. documentary
Os resultados foram arrasadores. No que diz respeito às histórias das mulheres, a lógica era explícita: qualquer projeto que se centrasse nas experiências das mulheres era, por definição, desqualificante. documentary
Vítor Rainho começa logo por classificar como "avantesmas histéricas e grunhos" todas as que discordam dele e da 'família tradicional'. Mais à frente chama "malucas" às mulheres que "gritam" contra a 'família tradicional'. Até aqui nada de novo, pois é desta maneira que os machistas empedernidos tratam as vozes das mulheres: como "gritos histéricos de avantesmas malucas."
Porém, tenho a certeza que ele não se vê como um machista e até se pensa um defensor do direito das mulheres escolherem a submissão a homens que caracteriza a 'família tradicional', que não vê como submissão e anulação de autonomia, imitando todos os que defendem o hijab e a burka como 'direitos escolhidos livremente pelas mulheres.'
A sociedade de 'famílias tradicionais' era uma sociedade com grande desequilíbrio de poder, dado as mulheres estarem totalmente dependentes dos homens para a sua sobrevivência básica, pelo facto de não terem uma fonte de rendimento autónomo. Era uma sociedade onde os homens escolhiam as mulheres dado que para elas o casamento era um contrato de sobrevivência.
Não por acaso, as sociedades onde isso ainda acontece têm os homens (de qualquer idade) a 'comprar' raparigas de qualquer idade para usar sexualmente e, em casos extremos, como os islamitas, até têm escrito nas suas leis teocráticas que os homens podem 'comprar' várias mulheres. Aqui na Europa e nos EUA, os homens não 'compravam' várias mulheres (excepção dos mórmans) mas negociavam casamentos com raparigas de 16 anos e por aí e diziam quais os critérios em que aceitavam a mercadoria, chamada, 'mulher': tinha de ser virgem, bonita (ou, em alternativa, de famílias ricas), boa parideira, submissa, aceitar que o marido tivesse amantes, etc. Era esperado, como diz aqui Rainho, que fosse ela a "ficar em casa a tratar dos filhos", o que indica uma preferência para os homens não se assumirem, nem como companheiros das mulheres, nem como parceiros na parentalidade. Porém, não abdicam do 'direito' de serem eles a decidir sobre a escolha de maternidade das mulheres, legislando sobre o seu corpo.
A 'família tradicional' é isto e gera um desequilíbrio de poder muito grande nas sociedades. E onde há um grande desequilíbrio do poder há opressão da parte de quem tem o excesso de poder. Isto é uma evidência em qualquer sociedade destas que não carece de argumentação, é só ir olhar.
Que muitas mulheres sejam educadas em famílias religiosas e muito conservadoras que lhes inculcam estas ideias desde a nascença, é o que explica que haja mulheres que escolham a submissão em vez da autonomia. A maioria, ainda muito jovens, não tem noção do que significa uma vida inteira presa a um homem, pela razão de não ter uma fonte de rendimento próprio. Sempre com medo que quando se cansem delas desapareçam e as deixem sem meios de subsistência.
Rainho mistura ideologia dos trans com feminismo mas são coisas diferentes. O mundo precisa de mais feminismo e não menos.
O que acontece nos dias de hoje é os homens sentirem que o seu poder desapareceu. Não que as mulheres lhes tirassem poder. Os homens continuam sobre-representados nos cargos de poder (falo no mundo ocidental porque em sociedades teocráticas ainda estão na Idade Média profunda), continuam a poder fazer tudo o que faziam. Só que as mulheres já não estão dependentes deles para a sua sobrevivência como estavam aquando da normalização da 'família tradicional'.
Por causa disso, os homens queixam-se de estarem sozinhos, de as mulheres já não querem a submissão da 'família tradicional' e de todos os privilégios que tinham.
Precisamos de mais feminismo e não menos. Precisamos de educar os rapazes, desde pequenos, para serem feministas, para não repetirem os padrões dos seus pais machistas, para não terem o impulso da violência física e da masculinidade tóxica. Para serem companheiros das mulheres e não protectores. As mulheres não precisam de protectores e sustentadores, precisam é de parceiros.
Olhamos para as mulheres que na UE estão em cargos de liderança e todas elas têm filhos. von der Leyen tem 7 filhos, Kaja Kallas tem filhos seus e enteados, filhos do seu actual marido; Mette Frederiksen tem filhos e tantas outras mulheres.
Porque razão as mulheres devem ser endoutrinadas a ficar em casa? Em países onde os serviços públicos funcionam, onde as leis apoiam a educação e a vida profissional de ambos os pais, as mulheres têm parceiros, têm companheiros e não patriarcas e os homens são menos frustrados.
Então, porque é que os homens insistem para as mulheres ficarem em casa dependentes deles, a não ser por vontade de controlo e poder?
Não defendo que uma mulher -ou um homem- devam ser proibidos de ficar em casa, mas a escolha de o fazer, so é livre quando a pessoa está perfeitamente consciente das suas consequências.
A reemergência das religiões com o consequente poder de se imiscuirem na vida pública, em grande parte devido à pressão dos imigrantes islamitas, está a fazer as nossas sociedades regredirem nos valores democráticos e voltarem-se para modelos de sociedades de opressão.
Seria melhor para todos, inclusive os homens, lutam por uma educação feminista que significa, uma educação para a igualdade de direitos entre homens e mulher. Isso fez parte do 25 de Abril, que não foi assim há tanto tempo. Alguém pensa que aquela sociedade era melhor para os homens e as mulheres? Só mesmo um machista empedernido.
Eu ganho menos do que a minha mulher e não tenho problema nenhum com isso. E não me importo de ficar em casa, se fosse possível, e ela continuar a trabalhar.
ReplyDeleteHá outra cousa curiosa: quem vai para a guerra são os homens, quem desempenha os trabalhos mais pesados e perigosos são os homens, quem mais morre em acidentes de trabalho são os homens. O meu pai morreu no Ultramar. A minha mãe viveu mais 52 anos do que ele. Eu vivi praticamente a vida toda. Quem cuidou de nós foi o meu avô, viúvo, dos netos. O mundo é mais complexo.
Os trabalhos serem mais pesados não significa serem mais importantes - é normal que os homens façam trabalhos que requerem mais força física porque têm mais potência física que as mulheres; os homens morrerem mais em acidentes de trabalho talvez se deva a serem mais agressivos a fazer as coisas e menos cuidadosos: também são os homens quem mais tem acidentes de carro. Sim, dantes quem ia para as guerras eram os homens, hoje em dia já não é tanto assim e se não há mais mulheres nas tropas é porque os homens resistiram muito e ainda resistem a ter lá mulheres. E o caso de ter sido o seu avô a ter cuidado da família, é uma excepção, não a regra. A regra é serem as mulheres a cuidar das famílias.
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