I agree !! https://t.co/2ITRGP6FMN
— John Cleese (@JohnCleese) March 29, 2026
Estou agora a trabalhar com os alunos do 10º ano o tema dos valores morais e das 3 posições relativamente à questão: os que defendem o subjectivismo dos valores, os que defendem o objectivimo dos valores e os que defendem o relativismo cultural dos valores.
De um modo grosseiramente simplificado, podemos dizer que o subjectivismo dos valores defende que os valores correspondem a desejos e sentimentos pessoais. Deste modo, toda a acção humana do subjectivista é moral, dado que emana do seu desejo ou sentimento íntimos. O problema desta perspectiva é a impossibilidade de vida em sociedade, dado nenhum acordo ser possível entre desejos particulares que só por coincidência são comuns. Nenhum debate é possível pois o sentimento ou desejo pessoais são o que são. Quando os transgéneros dizem que são mulheres porque o sentem ou desejam posicionam-se como subjectivistas dos valores. Assim como, quando dizem que sentem que pertencem aos espaços das mulheres, exigem não ser contrariados justamente porque a sua acção parte dos seus desejos pessoais que são sempre legítimos porque não precisam de razões para o ser. Só precisam afirmar-se enquanto tais. Ora, nenhuma sociedade comum é possível se cada um exige ser e fazer tudo o que deseja e ser respeitado por todos os outros, mesmo quando os seus desejos chocam com os direitos dos outros. Os subjectivistads dos valores querem transformar os seus desejos em leis para todos.
Depois, os relativistas dos valores afirmam que os valores são um produto da nossa educação cultural e, nessa medida, nenhuma cultura é melhor que outra, pois cada uma teve e tem o seu contexto que a legitima. Exigem a tolerância (uma contradição nos termos porque a tolerância não pode ser exigida) para com as acções da sua cultura por ser a sua. O problema do relativismo cultural é não explicar as discordâncias dentro de uma cultura. Por exemplo, quando os islamitas reivindicam que se respeite os valores da sua cultura, não leva em conta que há milhares ou milhões de pessoas, dentro da sua cultura, que a rejeita. O relativismo deixou de poder ser levado à letra quando o mundo se tornou uma aldeia global e todos em todas as culturas têm acesso aos direitos e valores de outras culturas e fazem comparações com a sua. Se o relativismo fosse levado ao extremos as culturas de tradições opostas deixariam de poder comunicar entre si por ser impossível encontrar um chão comum. Seriam como feudos.
Finalmente, o objectivismo dos valores defende que há valores objectivamente bons e valores objectivamente maus. Desse modo, defende que há culturas com valores superiores a outras e tenta impor universalmente os seus valores.
Cada uma das perspectivas tem os seus problemas mas a mais danosa em termos de convivência e coesão social é a subjectivista cujo extremo é o narcisismo. Torna impossível resolver um conflito e obrigatório aceitar acções moralmente erradas. Não havendo campo comum, a lei é a do mais forte.
Quanto às outras duas perspectivas, podem coexistir se aceitarem, cada uma, limites. A Carta dos Direitos Humanos Universais foi um passo na direcção de estabelecer valores universais, deixando alguma margem para a interpretação relativa desses valores no contexto das culturas diversas.
Porém, agora precisamos de ir mais longe e estabelecer uma carta dos deveres universais, como defendia Kant.
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