Torga está sepultado no cemitério de S. Martinho de Anta, em Sabrosa, Trás-os-Montes, numa campa rasa, com uma torga por perto. Um português de todos os séculos com uma poesia emocionalmente eruptiva como um vulcão, ao mesmo tempo violenta e profundamente terna. Telúrico como a urze das serras de quem vestiu o nome. Torga esteve preso e considerou fugir do país mas era um desses portugueses universais profundamente enraizados nas pedras e barros deste rectângulo e, como dizia, longe da sua terra seria "um cadáver a respirar".
A vida é feita de nadas:
De grandes serras paradas
À espera de movimento;
De searas onduladas
Pelo vento;
De casas de moradia
Caídas e com sinais
De ninhos que outrora havia
Nos beirais;
De poeira;
De sombra de uma figueira;
De ver esta maravilha:
Meu pai a erguer uma videira
Como uma mãe que faz a trança à filha.

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