January 24, 2026

Querer ao mesmo tempo o sol na eira e a chuva no nabal

 


Queremos ter mais turismo endinheirado mas não queremos investir em mais segurança, mesmo sabendo que os ladrões vão atrás do dinheiro. Estão sempre a dizer-nos que o crime não está aumentar mas as notícias do crime à faca e à pistola, são diárias. 


Roubos de luxo em Lisboa fazem soar alarmes


São mais de duas dezenas as vítimas do denominado gangue do Rolex, numa perspetiva otimista, mas tudo indica que o número é bastante superior. O_caso mais conhecido é o do chef Olivier Costa, que há cerca de um ano ficou sem o seu Audemars Piguet, no valor de 100 mil euros, e a mulher, que ficou sem um Patek Philippe, no valor de 80 mil euros, há poucos meses. Para fechar o capítulo familiar, o filho de Olivier foi assaltado há pouco mais de uma semana, quando estava encostado ao seu carro.

Foi na véspera de Natal e chovia bastante em Lisboa. Por volta do meio-dia fui até a casa de um amigo que vive perto das Amoreiras. Não dei por isso, mas havia uma espécie de ‘estafeta’ atrás de mim, que parou a moto e eu pensei que ele ia entregar comida a alguém. Depois de deixar o presente, segui para casa e quando ia a virar para a Ferreira Borges, senti que me bateram no carro por trás. Percebi que era uma dessas motos de entrega de comida e fiquei preocupado que se tivesse magoado. Quando saí do carro fiquei logo com uma pistola apontada à cabeça e tirou-me, em segundos, o Rolex do pulso».

Artur, nome fictício, ficou fulo, pois conhecia dois amigos que tinham sido assaltados umas semanas antes precisamente pelo mesmo método. «Foi uma estupidez incrível. Esses dois amigos tinham-me contado que também tinham sido assaltados naquela zona e eu fui cair na esparrela. 

Nuno, vítima de assalto junto ao El Corte Inglés. «Acho que me ‘controlaram’ numa esplanada que estivera pouco tempo antes e seguiram-me até eu ficar parado num sinal, acabando por me bater por trás. Nem tive tempo de dizer nada, pois só senti uma pistola encostada à cabeça e ficar sem relógio».

Também a deputada que foi assaltada terá uma história para contar, mas ninguém quer dar, e percebe-se, o seu nome. Já o chefe Olivier Costa não tem problemas em dar a cara. «Depois de eu ter sido assaltado e a minha mulher também, passámos a andar de guarda-costas. Isto está impossível. Tenho alguns amigos que também foram assaltados e sei que há umas semanas dois conhecidos que resistiram ficaram com marcas na cara, das coronhadas que levaram. Alguém tem de fazer alguma coisa para acabar com isto. Até em Marraquexe, à entrada das lojas há policiamento ou seguranças armados. O centro de Lisboa está a ficar perigoso», querendo sublinhar que os assaltos não são um exclusivo da Avenida da Liberdade. «Eu próprio e a minha mulher fomos assaltados na zona do Corte Inglés».

Roubos por arma branca

Se o gangue do Rolex continua a monte, há muitos comerciantes das áreas mais afetadas pelos assaltos que se mostram bastante preocupados. «Portugal, e nomeadamente Lisboa, era escolhido pela segurança._Se isto não melhora, é natural que comecem a optar por outros destinos», desabafa um dos comerciantes.

Quem não tem dúvidas de que há um aumento da criminalidade é Carlos Moedas, presidente da autarquia lisboeta, que ao SOL diz ser indispensável que entrem mais 500 polícias para a PSP, para policiarem Lisboa. «Perdemos mais de 1000 polícias nos últimos 15 anos e o Governo deve isso à capital. Precisamos, pelo menos, de 500 polícias de segurança pública». Questionado se tem recebido queixas de comerciantes, diz que sim, mas não consegue quantificar, embora diga que não tem dúvidas de que há um aumento «dos assaltos violentos».


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