É importante dizer continuamente o que se passa na realidade, mesmo que todos saibamos o que se passa. As coisas têm de ser ditas nos latis onde importa mais dizê-las.
Intervenção do embaixador da França perante Sergueï Lavrov, ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, durante a reunião do Conselho de Segurança da ONU, convocada ontem com caráter de urgência na sequência dos ataques russos em grande escala contra cidades ucranianas.
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergueï Lavrov, acusou recentemente a Europa de impedir a paz na Ucrânia.
O representante da França no Conselho de Segurança, embaixador Jerome Bonnafont, respondeu assim, em 12 de janeiro:
«Quando a Rússia se gaba de lançar um míssil balístico com capacidade nuclear sobre Lviv, a 50 km da fronteira polaca, que Estado constitui realmente um obstáculo à paz? Tanto mais quanto a Rússia afirmou fazê-lo em resposta a um suposto ataque ucraniano a uma residência presidencial russa, ataque esse que todos sabemos ser uma encenação grosseira da Rússia para minar o processo de paz no momento em que se trata da Rússia, de responder a uma proposta pacientemente elaborada pelos mediadores americanos.
Quando a Rússia bombardeia deliberadamente a rede de eletricidade, aquecimento e água corrente das grandes cidades ucranianas, em violação das convenções de Genebra, qual dos dois Estados constitui realmente um obstáculo à paz? Estes ataques provocam uma situação humanitária dramática para centenas de milhares de civis confrontados com temperaturas glaciais.
Quando os ataques atingem a embaixada do Qatar na Ucrânia, em violação da Convenção de Viena, e quando os drones russos atacam os navios graneleiros em Odessa, colocando em risco a segurança alimentar mundial, qual é o Estado que realmente constitui um obstáculo à paz?
Foi a Rússia que, há quase quatro anos, lançou uma guerra de agressão contra um Estado soberano, violando a Carta das Nações Unidas. É a Rússia que, todos os dias, opta por continuar essa agressão, quando poderia pará-la a qualquer momento sem prejudicar a sua própria segurança. As tentativas da Rússia de inverter esta realidade não podem enganar este Conselho, nem a comunidade internacional.
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