O regime está mais uma vez a criar um grande barulho externo para mascarar um colapso interno silencioso. Enquanto os canais de televisão estatais repetem as imagens das explosões para distrair o público, a verdadeira história está a acontecer nas contas bancárias da classe dominante.
A Ucrânia começou a atacar a única coisa com que o Kremlin se preocupa. Essa coisa é o dinheiro. Durante meses, drones ucranianos têm queimado sistematicamente as refinarias de petróleo que funcionam como a carteira do regime.
A Ucrânia começou a atacar a única coisa com que o Kremlin se preocupa. Essa coisa é o dinheiro. Durante meses, drones ucranianos têm queimado sistematicamente as refinarias de petróleo que funcionam como a carteira do regime.
Não se trata de ataques aleatórios. São ataques cirúrgicos ao motor económico do Estado. Quando uma refinaria em Ryazan ou um depósito de combustível perto do Mar Negro arde, isso faz mais do que apenas destruir gasolina. Apaga o fluxo de caixa que mantém o sistema russo unido.
A Rússia perdeu dezenas de milhares de milhões de dólares em receitas esperadas, só este ano. Esse dinheiro era o lubrificante de todo o sistema corrupto.
No passado, havia riqueza petrolífera suficiente para permitir que os clãs governantes roubassem confortavelmente sem pisar nos calos uns dos outros. Agora, o bolo está a encolher rapidamente e os clãs já não partilham os espólios. Começaram a canibalizar-se uns aos outros. À medida que o dinheiro se esgota, o regime virou-se contra si mesmo. Estamos a assistir a uma purga histórica da classe dominante russa. Quase uma centena de altos funcionários foram presos ou detidos este ano. Não se trata de burocratas de baixo escalão. São generais, vice-ministros e gestores de empresas estatais. São homens habituados a invernos em Courchevel e verões na Toscana. Estão acostumados à total impunidade. Agora estão a ser levados algemados, não por serem incompetentes, mas porque os seus rivais querem apoderar-se dos seus bens remanescentes. É um jogo implacável de cadeiras musicais, em que os perdedores vão para a prisão.
A paranóia atingiu o auge. Os serviços de segurança estão a invadir-se uns aos outros. O sector da defesa está a atacar o sector energético. Todos estão a tentar garantir a sua fatia de uma economia em declínio antes que seja tarde demais. Isto cria um sistema profundamente frágil. Um governo ocupado a prender os seus próprios líderes não consegue gerir eficazmente um esforço de guerra complexo. Os espectaculares ataques com [600] drones (que são quase todos destruídos antes de chegarem ao destino) têm como objectivo esconder esta podridão. São ruídos altos concebidos para encobrir o som das fundações a rachar.A lealdade que mantinha o sistema unido foi comprada com dinheiro do petróleo, e esse dinheiro está a ir por água abaixo com cada refinaria que a Ucrânia ataca. O enxame de drones que bateu todos os recordes não foi uma demonstração de poder. Foi um grito de frustração de um regime que sabe que está a ficar sem tempo.
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Jason Jay Smart in fire-in-the-sky-panic-in-the-kremlin(PhD, consultor político e de segurança nacional que passou anos a viver e a trabalhar na antiga União Soviética. Foi banido para sempre da Rússia em 2010 por apoiar a oposição democrática a Vladimir Putin)
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