November 27, 2025

Li sobre isto há dois dias mas fiquei na dúvida se seria verdade

 

 Oliver Carroll, The Economist. 

"Even in the Trump era, this is stunning. Here is Steve Witkoff, an American official, giving instructions to a Kremlin adviser on how Putin should behave with Trump."
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Timothy Snyder

Witkoff não está a comprar a narrativa russa. Está a vendê-la.

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Não que tenha dúvidas quanto à imoralidade e vícios de carácter de Trump e dos que o rodeiam. Trump fez um acordo com Putin há muito tempo e se virmos os seus actos por essa perspectiva, tudo o que ele tem feito desde que chegou ao cargo faz sentido - mesmo os ziguezagues de diplomacia em que fingiu estar chateado com a Rússia e do lado de Zelensky e da Europa serviram para lhe dar folga para aprofundar a traição à Ucrânia e aos seus aliados europeus.

Trump quer muito ser Putin. Ser temido internamente, ter uma zona de influência externa que aumente o seu poder de extrair riquezas e fazer negócios para a família. Até mudou o nome do Departamento de Defesa para Departamento de guerra, porque não tem essa medalha ao peito de ser um comandante de guerra como pensa que o outro é. Trump não vê a realidade de Putin: um criminoso dos serviços secretos muito esperto que usou as tácticas que aprendeu para subir na vida mas que, quando chegou ao poder, mostrou a sua incompetência em criar riqueza para o país e agora mostra-a na guerra que criou na Ucrânia e não consegue ganhar, nem mesmo com o segundo maior exército do planeta.

Agora, isto de Witkoff ensinar aos russos como manipular «o idiota do seu Presidente» (porque é isso que mostram as gravações e até se riem) ultrapassa tudo o que pensava possível e fico incrédula com o facto de ninguém no Congresso, no Senado, nos tribunais ou em outro sítio qualquer dos EUA abrir uma investigação por traição a este tipo e ainda, como não forçam Trump a abandonar este plano de destruição da Ucrânia.

Já não há ninguém com coluna vertebral nos EUA? A administração americana há-de ter muitos funcionários de carreira a trabalhar há décadas que não se revêm na traição ao país do bando de mafiosos que o governa. A única pessoa que se portou bem nisto tudo foi a que mandou a gravação das conversas à Bloomberg...  

Quer dizer, estamos a falar dos EUA, um país que se preza e gaba dos seus pergaminhos democráticos e de luta pela liberdade e pela Lei e Ordem e que por essa razão luta há décadas contra o imperialismo russo. Os EUA têm uma história cheia de erros, mas têm sido erros de hubris e a tempos, de egoísmo, mas não isto. Aliar-se a inimigos que são o oposto de todos os seus princípios e destruir aliados  de séculos para ganhar dinheiro com negócios.

Os EUA neste momento são o governo de Vichy: negoceiam com os invasores a exterminação alheia e o enriquecimento pessoal.

A Europa tem de mostrar força e determinação unida face a Trump, não hesitação ou fraqueza. Temos de fazer mais do que só falar.

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